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Neste domingo, a coluna “Orun Ayé” do compositor Aloísio Villar fala um pouco da nova mania nacional: o MMA, e de seu principal expoente, Anderson Silva.

Não sou exatamente fã deste tipo de luta, mas temos de nos lembrar dos dois pioneiros neste esporte no Brasil: Royce Gracie e Marco Ruas (foto).

O Clube da Luta

Se há uma coisa que o homo sapiens desde o início dos tempos sempre gostou foi de uma boa porrada. No Coliseu, na época áurea de Roma, cristãos viravam lanche de leões – para o delírio de milhares de romanos que assistiam à luta.

Esse gosto ficou através dos séculos. A velha ideia da dominação, de ser mais forte que seu rival e mostrar a todos também esse poder pode ser vista nas guerras, quando com armas muito mais poderosas que os punhos povos subjugam outros fazendo prevalecer sua força.

A briga sempre foi uma forma de decidir discussões predominantemente masculinas: mulheres preferem “ficar de mal”. Quase todos os homens pelo menos uma vez na vida já “caíram na porrada” e boa parte das vezes até com amigos. Acredite, leitor: essa é uma das formas de fortalecer amizade.

A velha tática do “eu te pego no recreio” ou “quem cuspir aqui chamou o outro pra porrada”. A troca de ofensas, empurra empurra e alguns tapas gritando pra turma do “deixa disso” “ninguém me segura” – quando se está doido pra que alguém aparte mesmo – faz parte da criação masculina como a pipa, a bolinha de gude, o futebol, o vídeo game e a Playboy no banheiro.

Boa parte cresce e vê que brigar não leva a nada e aprende a ser irônico, sarcástico ou falar pelas costas. Outros levam o lado agressivo para o resto da vida e gostam de se juntar a grupinhos pra se sentir mais poderoso, já que é um nada sozinho e espanca minorias.

Esse grupo se divide em subgrupos como homofóbicos, neo nazistas, racistas, torcedores de organizadas (nem todos de organizadas são assim) e um dia se dão mal. Param no cemitério ou na cadeia e lá tem que ficar com a retaguarda encostada na parede para não ser vítima da mesma violência que já impôs.

Tem aqueles que viram budistas, hippies ou alguma coisa parecida com John Lennon e Yoko Ono em cima de uma cama pedindo uma chance a paz. Pessoas espiritualizadas, acima desses problemas mundanos que mesmo assim não escapam da violência. Basta pensar que até Lennon e o Papa tomaram tiros.

E têm as pessoas normais, graças a Deus a maioria, que tem seus dissabores, discussões, fica com raiva, mas não saem batendo ou matando os outros. Essas pessoas costumam até extravasar nos esportes assistindo ou praticando e a luta virou uma forma de esporte. Foi doutrinada, colocada em regras e acredite, é uma “forma de violência” que deu paz a muita gente.

Muitas pessoas controversas com personalidade complicada que poderiam pender para a marginalidade encontraram em artes marciais e no boxe uma forma de acalmar sua fúria e extravasar de uma forma correta. Outras gostam de assistir a essas lutas, que é melhor que brigar – convenhamos.

Está na nossa natureza o gostar de ver sangue, dois caras se espancando em busca de uma vitória, um cinturão e nos faz bem no fim eles se abraçarem. Tira de nós a culpa de ver uma “briga de verdade”.

O boxe por muitos anos serviu pra isso e atraiu muitos fãs. A “nobre arte” fez grandes ídolos, pessoas milionárias, midiáticas e provocou grandes momentos do esporte como a luta do século entre George Foreman e Muhamad Ali no Zaire. Além deles podemos citar grandes lutadores como Sugar Ray Robinson, Joe Frazier, Sugar Ray Leonard, Roberto “Mano de Piedra” Duran, Evander Holyfield, Júlio Cesar Chávez, Mike Tyson, nossos Eder Jofre e Servillo de Oliveira e muitos outros.

Muhamad Ali se tornou um dos maiores atletas da história do esporte graças ao seu talento e grande carisma. Bonito, politizado, falastrão: era um bailarino no ringue. Mesmo naquele meio agressivo que é o boxe Ali era como um poeta, um maestro das lutas e mesmo ele que foi tão bom e considerado o maior dos pugilistas pagou com sua saúde. Hoje tem mal de Parkinson e muitos atribuem a doença ao boxe.

Nos anos 80 e 90 tivemos Mike Tyson, o menino marginal, tirado das ruas e dos centros de recuperação de menores que se tornou um dos maiores boxeadores de todos os tempos. Suas lutas eram grande atração, parando até o Brasil que nada tinha a ver com a história. Amigos se reuniam, compravam bebida e faziam churrasco para ver as lutas de Tyson. A piada recorrente é que na hora da luta não podia ir ao banheiro que era arriscado voltar e já ver o adversário nocauteado.

O fenômeno Tyson durou até ter problemas com a ex-mulher e ser surpreendentemente nocauteado por James Buster Douglas. Tentou voltar e foi preso. Passou anos na cadeia e voltou à retomada pelo título mundial, atraindo de novo dinheiro e mídia.

E vieram os confrontos com Holyfield e no segundo confronto a mordida na orelha que acabou com sua carreira e aniquilou o boxe em relação à mídia e atrativo de público.

Alguém sabe dizer hoje o nome do campeão de pesos pesados sem ir ao Google?

O nocaute do boxe serviu para o surgimento de outra forma de luta, o MMA.

MMA é a sigla em inglês para Artes Marciais Mistas. Pela sigla não preciso explicar como é o esporte e tem no UFC (Ultimate Fight Championship) sua maior competição.

O MMA tomou do boxe o posto de principal categoria de luta. Não por coincidência tem um grande Midas por traz chamado Dana White, repetindo o que Dom King fez no boxe. Com grandes lutadores, boa organização e excelente trabalho de marketing cada vez tem mais seguidores principalmente no Brasil.

Porque o brasileiro não gosta de esporte: ele gosta de vencer. Amava F1 quando tinha Fitipaldi, Piquet e Senna, hoje mesmo a F1 tendo a temporada mais equilibrada da história diz que não é mais a mesma e gosta de MMA porque os brasileiros estão entre os melhores do mundo.

Junior Cigano, José Aldo, Damian Maia, Minotauro, Minotouro, Vitor Belfort, Vanderlei Silva são nomes de alguns desses gladiadores que entram em modernas arenas não para enfrentar leões, mas para ganhar milhares de dólares em troca de deixar e tirar sangue de oponentes.

E tem o principal, o novo herói nacional, Anderson Silva.

O Anderson tem tudo aquilo que fez um esportista virar herói. Tem carisma, é educado, fala bem, tem postura, olhar de vencedor e o principal: é um excelente lutador. Sábado passado lutou contra o americano Chanell Sonnen e não parou nossa madrugada como fazia Tyson. Ele parou o nosso dia inteiro como fazia Senna. Desde Ayrton Senna não existia um frenesi tão grande no país com um esportista.

O Brasil se uniu a ele contra o falastrão americano, ele era o nosso defensor, o defensor da pátria ferida. Entrou no ringue apoiado por Ronaldo (outra pessoa que sabe usar muito bem o marketing), o ator e lutador Steven Seagal que virou uma espécie de Sr Miyagy dele. Tinha o apoio de muitas celebridades, ele era o cara bonzinho, o mocinho da história.

E como o mocinho o “spider” cumpriu muito bem seu papel. Começou sendo colocado no chão, mas seu olhar mostrava que estava tudo tranquilo e no segundo round decidiu que a brincadeira acabara – massacrou o americano. Na hora que o juiz encerrou a contagem gritos e fogos foram ouvidos pelo país, surgia ali um novo herói.

No fim Anderson Silva respondeu à provocação de Sonnen. Este disse que iria até a casa do Spider comer um bife mal passado e daria um tapa na bunda de sua esposa; Anderson convidou o americano a um churrasco em sua casa que a esposa faria para eles.

Aquilo fez vibrar o Brasil tanto quanto a luta, lembrou Senna tirando Prost da pista em 1990 sendo campeão e saindo andando tranquilamente do carro. Era a pátria vingada.

Particularmente não gosto de MMA, acho chato demais principalmente aquele agarra agarra no chão e confesso que algumas vezes não vejo diferença entre MMA e filme pornô gay. (É brincadeira, não precisa me ‘finalizar’).

Contudo, é inegável que temos um novo grande esportista e finalmente deixarão Ayrton Senna descansar em paz. O recorde de vendas do PPV sábado passado, a audiência da Globo – mesmo sendo em VT – e as redes sociais mostram que o Anderson Silva é o novo grande ídolo brasileiro e ao contrário do que muitos dizem eu acho bom sim que um país tenha ídolos e referências.

Só não caio nesse papinho de inimizade, de dar ombrada em promoção da luta, em falar que não gosta de um país, vai dar tapa na bunda da mulher e o outro se ofender. De lutadores parecerem que vão se matar a qualquer momento. Esse marketing já era feito pelo Ali quarenta anos atrás; me poupem dessa encenação.

Do mais, vida longa ao novo rei e que nossas lutas do dia a dia sejam tão vitoriosas quanto são as dele.

Oss!!! Orun Ayé!

One Reply to “Orun Ayé – "O Clube da Luta"”

  1. Tá, eu perdoarei o Villar por escrever “Chanell” ou invés do correto “Chael”.

    Pena que a vida do rei não deve ser tão longa. Há grandes possibilidades do Anderson se aposentar em apenas 2 lutas.

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