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Nesta segunda feira, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, retoma assunto que abordei em meados do ano passado: as declarações de bens de políticos e candidatos. No caso, a Prefeitura de Porto Alegre.

Como são pobrezinhos os nossos políticos

O senso comum tem certeza de que todos os políticos são profissionais da mentira, que enriqueceram às nossas custas.

Eu acabo de concluir que, para que a segunda impressão se consume, é indispensável que sejam, todos, uns mentirosos de mão cheia. Aliás, para o bem deles próprios, eu torço mesmo que eles tenham mentido sem dó nas declarações de bens que apresentaram à Justiça Eleitoral como requisito obrigatório do registro de suas candidaturas.

Perdi uns minutinhos conferindo o patrimônio dos candidatos à Prefeitura de Porto Alegre para tentar decidir meu voto. Eu me encontro em uma situação inusitada: não sei em quem votar! A minha vida inteira eu sempre soube, com muita antecedência, qual era meu candidato e, mais do que isso, em quem eu não votaria em hipótese alguma.

Eu sempre votei na esquerda, no campo progressista, nas alianças populares, mas a eleição em Porto Alegre de um nó na minha cabeça, porque todos os candidatos eleitoralmente viáveis têm origem na esquerda.

O primeiro deles é o atual Prefeito José Fortunati (um petista histórico que saiu do partido quando viu que nunca o deixariam concorrer à Prefeitura), temos a deputada Manuela D´Ávila (do Partido Comunista, foto) e o candidato do PT, deputado Adão Villaverde. De quebra, ainda tem o PSOL e o PSTU.

A direita desapareceu, Porto Alegre virou a capital vermelha!

Lá fui eu dar uma olhadinha no quanto cada um tinha acumulado em suas longas carreiras políticas (poucos ali são estreantes) e saí com a certeza de que não deve haver outra categoria profissional tão desidiosa no trato das questões financeiras quanto os políticos.

Querem ver?
Vamos começar com a líder das pesquisas, a bela deputada Manuela. A moça vem de uma família de classe média alta (a mãe, se não me engano, é magistrada) e é deputada federal desde 2007. É relativamente jovem, mas não tanto assim, fará 32 anos pelos próximos dias. Eu, com a idade dela, já tinha comprado, sem a ajuda dos meus pais, apartamento, carro zero – e tinha dinheiro guardado.
E não é que Manuela teve a cara de pau de declarar ter apenas R$ 5,26 guardados na poupança? CINCO REAIS: foi tudo que Manuela conseguiu guardar nos seus cinco anos de Câmara Federal – um realzinho por ano. Ah, Manuela… Pior que ela não tem carro e todo o seu patrimônio é um terreno de R$ 90 mil, em uma cidade minúscula do interior do RS, que ela comprou parcelado e ainda está pagando as prestações.
Vamos ao Prefeito, o vice-líder das pesquisas. Fortunati tem 57 anos, está na vida política há décadas e tem um patrimônio bem modesto. Tem um apartamento em um lugar de pouco charme no Centro da cidade, metade de uma microempresa de consultoria (político adora ser “consultor” nas horas vagas) de apenas R$ 5 mil de capital social e R$ 32 mil guardados no banco. Tudo bem que o Prefeito se desloque de carro oficial, mas não custava nada ter outro carro para os finais de semana. Mas Fortunati não tem.

O deputado petista Adão Villaverde parece ter uma vida melhor. Tem um apartamento em uma rua badalada (segundo os portoalegrenses, a rua mais bonita do Brasil), herdou parte de outro próximo ao Beira-Rio, tem uma boa reserva financeira para emergências (pouco mais de R$ 130 mil), uma Pajero e um Fiat Uno, ambos de 2011.

É um patrimônio compatível com seus ganhos de deputado. Mas para alguém de 54 anos, engenheiro, cumprindo seu terceiro mandato, eu esperava algo mais. Sei lá, mais dinheiro no banco, mais imóveis, um portfólio de investimentos mais diversificados que uma caderneta de poupança. Com essa graninha que o deputado juntou, seria o caso de aplicar melhor sua reserva.

A turma da esquerda radical também segue a linha modesta. O senhor do PSTU, aliás, parece até o mais competente na gestão de sua vida pessoal. Mesmo sendo um servidor público estadual, tem um apartamento próprio perto de onde o Prefeito tem o seu e está pagando a prestação de dois carros médios: um Fiesta 2010 e um Gol 2011.
De todos, é o que tem o patrimônio mais compatível com a profissão que exerce. O candidato do PSOL, embora seja proprietário de dois imóveis modestos e de um Fox financiado, também é outro que já está na política há anos: é ex-marido da ex-Deputada Luciana Genro. Não é razoável que não tenha conseguido guardar uns trocadinhos no banco.
Para não dizer que só há candidatos de esquerda, o PSDB também tem seu candidato à Prefeitura. Para mim, até que eu consultasse a listagem do TRE, era um ilustre desconhecido e continuará a ser para meus leitores, porque o nome dele é difícil de escrever e eu não quero errar, muito menos dar colher de chá para esses tucanos malditos.
Olha, até que o cidadão tem lá seus méritos na aquisição de patrimônio.
Advogado e professor de ensino superior, ele tem dois carros bacanas (um Azera e um Carens), uma casa de mais de R$ 1 milhão, uma vaga de garagem em uma praia do litoral gaúcho (sabem como é, não é fácil estacionar o carro na praia no verão) e, mostrando ser um cara prevenido e preocupado com o futuro, é dono de um mausoléu no Cemitério da Santa Casa. Estaria de bom tamanho para um cidadão de 43 anos, não fosse o óbvio: Doutor, e dinheiro no banco, o senhor não guarda? Se amanhã alguma coisa der errada, o senhor vai vender a casa ou a sepultura?
Eu morro de rir com essa lista de bens dos candidatos. Gente que diz que vai gastar MILHÕES na campanha eleitoral não tem nada ou quase nada guardado (não resisto à tentação de lembrar os cinco reais que a Manuela economizou).
Gente que ganha salários polpudos e não consegue acumular patrimônio, tanto assim que os dois candidatos cujos bens guardam melhor coerência com a vida que levam são justamente os representantes do PSDB e do PSTU, os dois estreantes da eleição.
Dá vontade mesmo de não votar em nenhum deles. Se eles não conseguem cuidar direito nem do dinheiro deles, como posso acreditar que cuidarão do nosso?

Ou, talvez, votar no amigo do PSTU. Deve ser doido de pedra, pois não posso conceber que alguém com mais de 21 anos possa estar no PSTU se portando como se estivesse na Rússia Czarista esperando Lênin e Trotsky desembarcarem do trem para redimir a classe operária. Mas pelo menos o servidor dá valor ao dinheiro que ganha e o emprega dignamente.

3 Replies to “Bissexta – "Como são pobrezinhos os nossos políticos"”

  1. SENSACIONAL!!! ESTOU LENDO ESSE ARTIGO AQUI NA EUROPA. MINHAS GARGALHADAS PODEM FAZER CAIR A PORTA DE BRANDENBURGO…..PARABÉNS.QUANDO PUDER, DÊ UMA LIDA NAS ORIGENS DA “ARTE DA POLÍTICA” AQUI NO OCIDENTE. CASA COM TUDO O QUE DISSE: MENTIR,MENTIR E MENTIR….

  2. Se com todo tempo de carreira, todos salários que esses candidatos ganharam na sua vida, não conseguem ter um bom patrimônio e uma boa reserva para emergências, como pensar que eles são competentes?

    E se tem algo escondido em algum lugar, e que não foi revelado, como confiar neles?

    Eu tenho mais na poupança que a maioria do candidatos. Só o Vilaverde tem mais que eu no banco hehe.

    5 reais, 240 reais…é um deboche colocar essas contas bancárias. Como recebem o salário? Será que sacam tudo direto da conta e guardam no colchão? Ou será que recebem em dinheiro seus salários de 10-20-30 mil reais e pegam o ônibus pra casa com todo esse dinheiro na bolsa?

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