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Domingo, segundo turno das eleições presidenciais. Hoje os brasileiros estão indo às urnas para escolher no segundo turno de votação o Presidente da República – e em alguns estados, os governadores – para o quadriênio 2011/2014. Todas as pesquisas indicam a eleição da candidata situacionista, Dilma Roussef, por uma margem razoavelmente confortável.
O escolhido terá, entre as atribuições pertinentes ao cargo, o direito de estar nos holofotes mundiais durante a Copa do Mundo de 2014 e comandar um país que está em muito melhor situação que na última troca de comando, ocorrida em 2002. Claramente houve melhora dos indicadores econômicos e sociais, e o eleito receberá um país que, à exceção do câmbio valorizado (falarei sobre o assunto proximamente), não possui grandes problemas de conjuntura econômica.
Ao contrário da opinião que publiquei ontem na coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, acho que esta campanha fratricida irá deixar marcas profundas não somente na população como no jogo político e midiático.
Poderia resumir a campanha na imagem acima: Serra, que nunca foi um religioso ou sequer perto disso, rezando contrito em Canindé, no Ceará – onde, aliás, foi duramente questionado pelo bispo local. Foi a campanha onde por fundamentalismos religiosos regredimos no debate de questões absolutamente pertinentes e que, concordando-se ou não, precisam ficar na esfera do laicismo e das políticas públicas.
Também foi um período pré-eleitoral onde a mentira e o jogo sujo tiveram lugar de destaque. Não se debateram propostas de campanha, mas sim quem era mais ‘religioso’, mais ou menos corrupto ou a cantilena do candidato de oposição espalhar boatos apócrifos, absurdos e mentirosos e a candidata governista tendo de se defender.
O pouco que se debateu de propostas, verificou-se que a oposição possui um discurso demagógico e eleitoreiro, baseado em promessas que escondem os seus reais propósitos de governo – o caso do petróleo deixou bem claro isso.
Outro ponto a realçar é a volta à cena política, com força, de grupos de extrema direita que se supunham enterrados desde a redemocratização. Esta guinada à direita dada pelo candidato tucano acabou por se revelar contraproducente, pois muitos eleitores moderados e tradicionais do PSDB estão dizendo que votarão nulo ou não votarão por causa desta aproximação do candidato com o que há de mais reacionário e conservador na política nacional. São grupos elitistas, excludentes, racistas muitas vezes e que, se pudessem, queimariam todas as favelas com os moradores dentro.
Chama a atenção a aliança também travada com setores radicais religiosos, como citado acima. Como escrevi duas semanas atrás, em caso de vitória da oposição podem-se esperar medidas de restrição tanto à liberdade religiosa quanto ao caráter laico do Estado.
Ainda como escrito anteriormente, um mal disfarçado preconceito de classe ressurgiu de forma aberta nesta eleição. O mito de que o Brasil “é um país cordial” caiu por terra. A velha elite mostrou a sua cara, excludente, egoísta e perversa.
Cabe um capítulo especial para o papel da grande imprensa. Como dizia o ex-Senador Jarbas Passarinho, ela “jogou às favas os escrúpulos de consciência” e mergulhou de cabeça na campanha, não hesitando em manipular, distorcer e tentar moldar o voto e a cabeça dos cidadãos em nome de interesses inconfessáveis. Órgãos como as Organizações Globo, a Editora Abril e a Folha de São Paulo comportaram-se como verdadeiros partidos políticos, vendendo, cada vez mais, opinião “travestida” de notícia.
Por outro lado, esta manipulação grosseira dos fatos possibilitou o surgimento de novos veículos, novas mídias; os blogs e a internet acabaram exercendo uma espécie de “papel regulador” à grande imprensa. Entretanto, algum tipo de regulamentação para discernir o que é informação e o que é opinião precisa ser estabelecido, o mais rápido possível.
Parêntesis para saudar a Rede Record, que com seu “Jornal da Record” – abaixo, foto da equipe – ocupou um espaço vago no espectro jornalístico, com pluralismo de opiniões e noticiário investigativo. Não deixa de ser uma das grandes vencedoras do processo, e é irônico quando se sabe que a rede de televisão pertence à Igreja Universal. Irônico sim, mas salutar e necessário como alternativa ao golpismo global.
(Foto: Marco Aurélio Mello, o quinto da esquerda para a direita, “DoLadoDeLá)
A tática eleitoral de dividir e confundir o país a fim de vencer as eleições – já que, objetivamente, ele não teria  a menor chance – do candidato tucano não parece ter dado resultado de acordo com as pesquisas, mas já se fala em tentativa de golpe de Estado via Judiciário. Sabe-se que há um recurso pronto por parte do PSDB buscando a não diplomação de Dilma Roussef em caso de vitória e sua desclassificação, o que pode desestabilizar ainda mais o país.
A propósito, não posso deixar de comentar o parcialismo do Poder Judiciário, que deveria ser o árbitro das eleições, mas reforçou as evidências de que está “aparelhado” por parte da oposição.
Dilma Roussef, em caso de vitória, terá de conter as pressões midiáticas e restabelecer o equilíbrio político do país. Conter a fome de cargos do PMDB e aprofundar as políticas reformistas do Presidente Lula. Menos mal que ela possui maioria folgada nas duas casas do Congresso e isso deve dar alguma tranquilidade pelo menos no primeiro quarto de mandato.
A sociedade brasileira sai como derrotada deste processo. Vieram à tona o ódio, o ressentimento, o preconceito de classe e religioso e uma profunda divisão. São cicatrizes que demorarão a se fechar.
Acredito que o clima de campanha eleitoral irá se estender pelo ano de 2011, e esperemos as consequências. Uma campanha golpista como a que observamos este ano, a meu ver, não está descartada. Acho até bem possível.
Em tempo: espero que as eleições de hoje signifiquem a aposentadoria de sujeitos como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e ourtros menos votados.

Em tempo 2: não que eu o ache uma sumidade, mas tenho esperança de surgir uma oposição renovada e mais moderada representada pelo ex-governador de Minas Aécio Neves.

2 Replies to “Um Balanço da Campanha”

  1. Quanto à Record, tenho de reconhecer a postura da Ana Paula Padrão que, no 1o turno, de forma corajosa, perguntou à Dilma o que sabemos de fato que ela fará: Dada a postura do partido nestes 8 anos, “você vai combater a corrupção ou vai escondê-la debaixo do tapete?”.

    Serão 4 a 8 anos de muita corrupção e de destruição do patrimônio do país. Só não seremos a maior cleptocracia do mundo porque este título está nas ditaduras africanas que, aliás, o presidente Lula tanto apóia e que será a provável primeira viagem de Dilma, quando eleita.

    O que me faz questionar quando acaba o contrato da Ana Paula Padrão com a Record… Duvido que vá ser renovado. Haverá pressões intensas contra a Universal para a não renovação. Faço uma até uma aposta com você…

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