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Em edição extraordinária, a coluna “Bissexta”, do advogado Walter Monteiro, com um tema que também anda me incomodando: o clima de radicalismo e de “FlaxFlu” da atual campanha eleitoral. Não vejo a hora disso acabar – e espero que acabe sem suspeitas de fraudes eleitorais, como já se comenta desde o último final de semana, e sem tentativas de golpes judiciários.

Vamos ao bom texto:

2010 – O ano em que aprendemos a odiar

No sábado do último fim de semana antes da eleição do 2º Turno fui a São Paulo comemorar o aniversário de uma queridíssima advogada, que reuniu amigos mais chegados para uma feijoada. Um convidado já chegou se desculpando, porque dera o azar de fazer parte da lista de amigos do novo Senador e grão tucano Aloysio Nunes Ferreira e por isso haviam invadido o seu Facebook e a partir dali estavam vasculhando a vida das pessoas com quem ele se relacionava; daí porque a minha amiga, que liga tanto para a eleição presidencial quanto para a final da liga americana de beisebol, estava na mira dos que fuçam a vida alheia graças à singela mensagem de parabéns em sua página.

Outra convidada contou que discutira arduamente com o sócio principal do escritório e estavam sem se falar desde que ela resolveu confrontá-lo com a temática eleitoral. Ainda houve uma terceira que namora um jornalista envolvido com a cobertura das eleições em um veículo top e o cabra jura que seu telefone está grampeado – pela chefia!

Eu sempre adorei política, participo ativamente de eleições antes mesmo de ter carteira de motorista. Discussão, emoção, sangue quente e até porradaria nunca faltou. Me lembro que em 1986 existia a Brizolândia, uma banquinha de militantes do PDT alojada defronte à Câmara dos Vereadores na Cinelândia que recebia os adversários à base de cacete. Estes iam para lá na má intenção também, as  bandeiras eram canos de PVC atarrachados. Quando o pau cantava, a turma desmontava os canos e partia para dentro distribuindo pauladas.

Me lembro também que em 1989 tinha confusão todo dia. Por onde o Collor passava, a gente ia lá xingar. O tal Caçador de Marajás nunca deixou barato, tinha sempre uma horda de capangas que ao primeiro sinal de bandeira vermelha na área já vinham na maldade e só iam embora depois que o fuzuê estava espalhado, de preferência com gente sangrando.

Só que isso era coisa de militantes ou de cabos eleitorais trabalhando a soldo, portanto ficava tudo restrito à gente envolvida na campanha, a imprensa noticiava as confusões, mas de forma preguiçosa e sem alarde. Quem se limitava a votar não dava a menor bola para as escaramuças do chamado corpo-a-corpo e debatia política de um modo mais civilizado.

Em 2010 me parece que a coisa se inverteu. Tirando o caso da bolinha de papel, a campanha tradicional foi morna. Mas na imprensa, na Internet, na vida das pessoas, viramos todos xiitas. Ninguém conversa, ninguém dialoga, ninguém se informa. Só vale impor a sua posição pessoal como verdade suprema e desqualificar o outro lado.

Imprensa, infelizmente, não temos mais, só nos sobraram peças de campanha travestidas de jornalismo.

Se você é eleitor do Serra, pode ficar com a Veja, o Globo, a Folha, o Estadão, a TV Globo, os blogs do Reinaldo Azevedo e do Augusto Nunes que lá você fica sabendo que a Dilma é o representante do capeta, que ela vai transformar o Brasil em uma nova Coréia do Norte, que nem Gengis Khan seria tão maldito e que esses 8 anos do Lula foram apenas uma continuidade da política de FHC mesclada por muito autoritarismo e ladroagem.

Mas se você, como eu, torce para a Dilma,  orfão você também não fica. A Carta Capital, a Isto É, a Record, o Paulo Henrique Amorim, o Luis Nassif estão aí para confirmar a certeza de que vivemos no paraíso e que a volta dos tucanos vai nos levar de volta para as trevas, já que se trata de uma gente demoníaca, ávida por praticar o mal de modo impiedoso. Afinal, o Brasil como conhecemos nasceu apenas em 2003.

Esse clima de tudo ou nada contaminou a todos nós. O debate político acabou. Só importa saber se o durex machucou, se o sigilo foi violado, se o pré-sal já foi vendido ou se ainda será, tudo é exagerado, amplificado, distorcido.

E agora já não é mais uma briga de militantes x cabos eleitorais. Somos, todos nós, nos odiando mutuamente, ofendendo amigos de anos, parentes próximos, pais, filhos, esposas, namorados. Em 2010, surpreendentemente, nós, que sempre fomos chegados à conciliação, decidimos que é proibido pensar diferente.”

8 Replies to “Bissexta – "2010 – O Ano em que Aprendemos a Odiar"”

  1. Discordo, Bruno. Serra é que tentou dividir o país – inclusive utilizando-se de panfletos apócrifos – para tentar ganhar a eleição.

    Obviamente, em política não dá para simplesmente “oferecer a outra face”…

  2. Lula vem fazendo esse discurso há 8 anos, Pedro… Serra só tentou se aproveitar dos grupos que Lula colocou como o outro lado. Lula vem dizendo que é “nós contra a ‘zelite'” há muito tempo. Só que a classe média se considera (ou aspira a ser) ‘zelite’. Você mesmo escreve isso muito bem. Lula usou essa prática populista de maneira muito clara: pobre X rico, negro X branco, “nós” X “zelite”, “avanço” X “retrocesso”. O populista precisa do inimigo para governar (Bobbio) e o inimigo para Lula é tudo aquilo que lhe faz oposição. É assim hoje com Chavez, Kirchner, Morales e os neopopulistas.

    Agora, mudando um pouco, se Lula for esperto veta logo depois da eleição a questão da redistribuição dos royalties por igual do pré-sal para não gerar maiores problemas para voltar depois dos 4 ou 8 anos da Dil-má… Porque se aprovar, ele perde a maioria, porque Rio e Espírito Santo vão aos poucos se voltar contra o governo se unindo ao Sul… E vão lançar Aécio, que tem mais carisma que o Nosferatu…

  3. Bruno, este ódio extremado de classe e religioso, não.

    Quanto ao “pós-Lula”, em caso de vitória de Dilma acredito que ele não volte ao poder. Mas ainda é muito cedo para se pensar nisso.

  4. Religioso, não. Mas o de classe, Lula fez sim. Todo discurso em que Lula tratava “nós” X “zelites” é um discurso claramente de ódio de classe: a pobre X a rica. Ao contrapô-las, ele faz um marxismo antiquado que não considera que pobres e ricos precisam um dos outros para existirem, numa simbiose – que pode degenerar em parasitismo, e é este que deve ser combatido – mútua.

    E onde a classe média tem maior penetração (Sul do Brasil e Zona Sul do Rio, por exemplo), a reação está bem clara: Serra vai ganhar da Dilma.

  5. Agronegócio Sul = Classe média rural. O discurso de ódio por parte do Lula os atinge. Ainda mais quando ele fala em uma elite de “olhos azuis” para uma região com muitos descendentes de imigrantes.

  6. Bruno, o problema do Sul tem a ver com o câmbio, que tirou um pouco da competitividade da produção agrícola.

    e das promessas de Serra de acabar com o MST, tolerar a grilagem e liberar geral a questão dos transgênicos.

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