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Um assunto muito importante e que, salvo a repercussão da recente chacina de 72 pessoas na qual haviam vítimas brasileiras, muito pouco repercutido aqui é o gravíssimo problema dos cartéis de droga mexicanos, suas guerras pelo monopólio de armas e do tráfico de drogas e a reação absolutamente despreparada do governo local.

O México, hoje, é a principal rota da entrada de drogas diversas nos Estados Unidos. Seu território é palco de uma sangrenta batalha entre cartéis de droga e forças para militares a eles ligadas. O controle destas rotas é um manancial inesgotável de recursos, tanto de saída de drogas quanto de entrada de armas.

O problema mais grave está na fronteira com os Estados Unidos, onde o Estado mexicano, historicamente deficiente, simplesmente não tem o controle efetivo de diversas áreas. Chacinas se repetem (foto), a população está amedrontada e não existe solução para a população da região – uma das mais pobres do México.

Também contribui para este quadro a abordagem totalmente inadequada do governo mexicano. O presidente Felipe Calderón, eleito com apoio maciço norte americano e sob um enxurrada de denúncias de fraude optou por encampar a política americana denominada “Guerra contra o Terror”. Esta advoga repressão total aos traficantes e cartéis, mas sem proporcionar opções àqueles que optam por sair do crime, nem alternativas econômicas aos estados dominados por estes cartéis.

Ou seja: é uma política de eterno “enxugar gelo”. O país latino americano ainda tem de lidar com dois outros problemas, que são a peculiar lei de armas americana e a demanda insaciável de drogas por parte do vizinho mais rico. Com a lei americana que determina que qualquer cidadão pode ter a sua arma, na verdade mais de uma, fica muito fácil para os cartéis criminosos mexicanos vender drogas e receber armas em troca. Isso deixa as organizações criminosas ainda mais poderosas e mais difíceis de serem combatidas.

Qualquer política de combate efetivo aos cartéis passa, necessariamente, pela demanda americana. Ao invés destes “ajudarem” com armas e trabalho de inteligência, coibir o consumo ou mudar sua política em relação a este seria um bom primeiro passo. Por outro lado, uma verdadeira ajuda incluiria a revitalização econômica do país, em especial nas paupérrimas áreas fronteiriças – onde não há muito o que se fazer se você não for pertencente a um cartel destes ou se dedicar a atravessar imigrantes ilegais para o outro lado da fronteira.

A economia local é fortemente dominada pelo cultivo de milho e pela exploração de petróleo. O primeiro foi fortemente impactado pela Alca – o milho americano, subsidiado, entrou a preços muito mais baixos e arrasou a cultura local – e a Pemex foi fortemente sucateada em função de uma política de depleção (esgotamento) rápido de reservas a fim de atender ao mercado americano por um lado e cobrir os déficits públicos, por outro.

Embora seja estatal, a Pemex funciona mais como uma empresa “proto americana”, voltada a atender este mercado e sem capacidade de investimento a fim de aumentar as suas reservas provadas. O México está depletando rapidamente suas reservas, e sem investimento na procura e descoberta de novos campos o petróleo deve se esgotar em pouquíssimo tempo. O que seria catastrófico para a já combalida economia local.

O país possui outro problema, que é o de exportar petróleo cru e importar produtos refinados, como gasolina – as refinarias do país não atendem à demanda, estando há bastante tempo sem investimentos. Se não conseguir investir em descoberta de novas reservas a produção de óleo cru do país deve cair de 3,5 milhões de barris diários em 2003 para 2 milhões em 2016 – e decrescendo.

Vale ressaltar que os gastos públicos do país são direcionados ás classes de renda superior; há muito o que se avançar em termos de políticas para a população mais pobre. Uma burocracia com histórico de corrupção secular, uma economia estagnada, altíssima concentração de renda e temos o cenário perfeito para o florescimento destas organizações criminosas. Estas se impõem à base do terror e da falta de opção, exterminando todos aqueles que ousam atravancar seu caminho.

Esta situação mexicana pode ser um alerta para o Brasil.

Não é segredo de ninguém que os Estados Unidos consideram que a região de Foz do Iguaçu, na “Tríplice Fronteira” entre Brasil, Argentina e Paraguai é considerado um refúgio para “terroristas islâmicos”. A colônia libanesa é grande na região e a suspeita americana é que a região seja usada como uma espécie de “entreposto financeiro” para estas organizações supostamente terroristas. A intenção americana é criar condições de se ter uma base militar americana na região, dando aos Estados Unidos poderes de agir naquele território como se seu fosse. Este, inclusive, teria sido um dos supostos temas em pauta no encontro que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve na cidade com empresários e emissários americanos.

Voltando ao país latino, não surpreende que esteja dominado desta forma por estes cartéis de droga. Facilidades de acesso ao mercado consumidor e acesso a armamento pesado, ausência de economia forte, governo com política inadequada e insuficiente, este é o caldo para a tragédia de chacinas, gangues e esgarçamento social da sociedade.

Emiliano Zapata e Pancho Villa devem estar se revirando no túmulo.

(Gráfico: Uol)