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Recentemente escrevi uma coluna para o site “Obatuque.com” sobre os cinco sambas-enredo míticos da história, os cinco sambas que na minha visão conseguiram ultrapassar as barreiras do Carnaval e se transformaram em músicas da MPB, ganhando o mundo. Achei até que causaria mais polêmicas, mas, apesar de indicarem alguns sambas não citados, ninguém contestou os meus cinco que foram Salgueiro-1971 e 1993 e União da Ilha-1978, 1982 e 1989.

Essa semana estou colocando homenagens às doze escolas do Grupo Especial do carnaval 2017 contando um pouco de suas histórias, mostrando suas personalidades e seus grandes momentos no Carnaval. Juntando isso tudo me deu vontade de escrever essa coluna.

É evidente que o carnaval teve muito mais que cinco desfiles míticos, nos anos 60 e 70 estamos recheados deles, mas vou citar cinco desfiles que eu vi, ninguém me contou, cinco desfiles que aconteceram entre minha infância e adolescência e que me formaram como sambista, criaram o meu amor por carnaval. Acho que assim como os sambas algumas pessoas citarão outros, mas ninguém vai contestar esses cinco.

Ziriguidum 2001 (Mocidade-1985)

Alguém contesta a importância desse desfile? Acho impossível. Com Fernando Pinto em 1985, a Mocidade revolucionou o Carnaval e nesse desfile começou a mostrar aquela que virou sua grande marca, o desfile futurista, high-tech. Esse desfile me marcou demais pelo seu grande samba e por ser o primeiro que acompanhei de verdade. Lembro do Castor no RJTV visitando uma Mãe de Santo e ela dizendo que a Mocidade seria campeã. Aquilo ficou na minha mente e acabei torcendo pela escola naquele ano.

Enredo baseado em “2001, uma Odisseia no espaço” Fernando Pinto ousou, delirou com seus astronautas, espaço sideral e fez a Mocidade campeã do Carnaval e com esse desfile abriu espaço para outro grande momento que foi Tupinicópolis em 1987, mostrando como seria o Brasil dominado pelos índios. Fernando Pinto era criatividade à flor da pele.

Kizomba (Vila Isabel-1988)

A Vila já poderia ter sido campeã com “Raízes” e seu fantástico samba sem rimas de 1987, como a Mocidade também poderia ter vencido com Tupinicópolis, mas deu Mangueira. Em 1988 a Vila não deixaria a chance passar.

Era um ano especial, o centenário da libertação dos escravos e várias escolas vieram com a temática negra. A Vila não fez um samba, fez um canto de guerra e a impressão é que seus desfilantes estavam incorporados. Incorporados pela alma daqueles escravos que tantos sofreram no Brasil ao longo dos séculos. Negros importantes do Brasil como Martinho, Neguinho da Beija-Flor e Milton Gonçalves se reuniram, bateram no peito e gritavam “Ôôôô Nêga Mina, Anastácia não se deixou escravizar”.

Parecia que ali acontecia a verdadeira libertação, uma catarse tomou conta da Marquês de Sapucaí em um desfile de pouca plástica, mas de muita alma, muito coração. A Vila evitou o tri da Mangueira em um desfile antológico e que nunca mais foi repetido já que devido a enchente não tivemos desfile das campeãs em 1988.

Liberdade, Liberdade x Ratos e Urubus (Imperatriz x Beija-Flor 1989)

É impossível separar um do outro. Liberdade, Liberdade x Ratos e Urubus é como Foreman x Ali no Zaire, como Brasil x Itália em 82, é um daqueles confrontos históricos em que um desfile ganhou a dimensão que tem porque o outro existiu. Dois desfiles completamente diferentes e que se completam.

Imperatriz veio com um dos maiores sambas de todos os tempos, uma melodia antológica e uma letra que, se contém polêmicas históricas, é de uma beleza singular. Um desfile requintado, chique, imponente, mostrando o centenário da Proclamação da República. Uma volta por cima da escola que fora rebaixada em 1988 e “virou a mesa”.

Beija-Flor foi um “tapa na cara”. Escola que fora acusada durante anos de “encarecer o carnaval” dando privilégio ao luxo, riqueza, super alegorias escondendo gente bamba, que covardia (Império 1982) e que Joãosinho Trinta só sabia fazer carnaval assim.

Não sei se foi baseado em “Os miseráveis” de Victor Hugo, mas assim como na famosa obra os miseráveis ganharam a Marquês de Sapucaí. Ratos, urubus, mendigos, maltrapilhos, vagabundos, o lixo virou luxo abençoado por um Cristo mendigo e censurado que entrou para a história da cultura brasileira com a frase “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Costumo dizer que a Beija-Flor fez o melhor desfile da história do carnaval e a Imperatriz o melhor de 1989. Beija-Flor foi a ousadia, o impacto, Imperatriz o requinte, a beleza. Qualquer uma das duas poderia ter sido campeã e eu desisti de tentar decidir qual foi o melhor, prefiro agradecer por ter vivido esse momento. No desfile oficial a Imperatriz venceu, mas em uma outra dimensão as duas desfilam até hoje brigando para ver quem foi a melhor.

Paulicéia desvairada, 70 anos de modernismo (Estácio de Sá 1992)

Foi o ano que Davi derrotou Golias.

Poucas vezes foi visto um favoritismo como da Mocidade em 1992. Era a escola mais poderosa, mais endinheirada, bicampeã do Carnaval e com o samba do ano que ganhava as rádios e todo o Rio de Janeiro. Poucos falavam da Estácio apesar de vir de uma série de bons desfiles desde o “Ti-ti-ti do Sapoti” em 1987.

Mocidade fez o grande desfile esperado e reza a lenda que Castor de Andrade distribuía champanhe e cascatas de camarão na concentração já comemorando o tricampeonato. Mas tinha a Estácio com um bom samba que virou um samba magistral na avenida. O “Me dê, me dá, me dá, me dê onde você for eu vou com você” tomou a Marquês de Sapucaí de um jeito poucas vezes vista. As pessoas nas arquibancadas faziam coreografias e cantavam loucamente o samba. Uma aura que só ocorre nos grandes desfiles tomava conta da passarela do samba e naquele ano tinha contorno de zebra.

A zebra ocorreu. A Estácio ganhou seu primeiro e único Carnaval até hoje dizendo para a Mocidade que realmente sonhar não custava nada, mas a realidade levou seu tri.

Peguei um Ita no Norte (Salgueiro 1993)

Os mais antigos dizem que teve protestos na escolha de samba do Salgueiro, não era aquele que a comunidade queria.

Também não foi o samba mais cantado no pré-carnaval. Assim como o samba da Estácio no ano anterior, foi um samba que prestamos atenção na avenida. O Salgueiro não era campeão desde 1975, desde que Joãosinho Trinta era o carnavalesco. Vinha de dois bons desfiles em 1991 e 1992, mas nada que lhe credenciasse como favorito.

Mas a tal aura que eu disse ocorreu com o Salgueiro. O refrão simplesmente explodiu na Sapucaí e a agremiação teve a mesma recepção que a Estácio em 1992. Podemos dizer que aquele refrão ganhou o carnaval. A plástica não era uma maravilha, o restante do samba mesmo era nada demais, mas aquele refrão era como um canto da sereia, uma melodia hipnotizadora que enfeitiçou a todos que não conseguiam e não conseguem até hoje parar de cantar o “Explode coração na maior felicidade / É lindo o meu Salgueiro / Contagiando, sacudindo essa cidade”. um refrão que ganhou os estádios de futebol, ganhou o mundo, e o próprio Salgueiro e outras escolas tentam repetir até hoje e não conseguem.

Não adianta, ninguém irá conseguir porque essas coisas não são planejadas, elas simplesmente acontecem porque os Deuses do carnaval querem assim. Aquele refrão deu ao Salgueiro seu primeiro campeonato depois de 18 anos e criou um novo estilo para sambas e desfiles da agremiação. Quando estou de mau humor, que não é raro, digo que o carnaval como me apaixonei acabou quando o Quinho parou de cantar esse samba na dispersão do Salgueiro em 1993.

Bem. Aí estão os cinco (seis, já que condensei dois de 1989 em um só) míticos que eu vi. Quem lembrar de algum pode dizer, é um assunto que dá debate.

Que venham mais desfiles míticos, o carnaval agradece.

Twitter – @aloisiovillar

Facebook – Aloisio Villar

12 Replies to “Os cinco desfiles míticos”

  1. Acho que todos os desfiles mencionados merecem estar em uma lista de melhores, mas selecionar cinco apenas é muito cruel e deixa muita coisa boa de fora. Se contar somente os desfiles da era do sambódromo, ficam de fora, por exemplo, o desfile da Mangueira de 1984 (Braguinha), a Festa Profana da Ilha, o inesquecível desfile da Caprichosos de Pilares de 1985 (E Por Falar Em Saudade), as Trevas e Luzes da Viradouro em 1997…
    Se valer a época anterior do sambódromo, ainda temos (só dos que eu vi, sou só um pouquinho mais velho) a Ilha em 1977 (Domingo), Beija Flor em 1978 (A Criação do Mundo Segundo a Tradição Nagô – para mim o melhor carnaval de Joãosinho Trinta), Portela 1980 (Hoje Tem Marmelada), Imperatriz 1981 (Lamartine – o melhor carnaval de Arlindo Rodrigues) e é claro Império 1982 (Bum bum Paticumbum Prugurundum). Mas a seleção que você fez é irretocável!

    1. Oi Pedro valeu pelas palavras. Esses desfiles que você citou de antes de 85 são maravilhosos sim, mas só passei a acompanhar em 85 e por isso citei esses abs

  2. Belos desfiles
    Grandes maravilhosos
    Eu sou um pouco mais nova e dos que eu vi destaco alguns : Mangueira de2002 (o melhor samba da mangueira da minha opinião ) Vila Isabel 2006 (não sou torcedora da vila mas aquele ano torci por eles foi um desfile de superação
    De cola para elite em 2004 em 2006 campeã )
    Salgueiro 2009 ( o jejum quebrado após ita foi de um sabor delicioso e o desfile é marcante apesar de o samba não ser uma obra prima )
    Unidos da Tijuca de 2010 (finalmente Paulo barros conseguiu um campeonato e aquele desfile fez história apenas a comissão de frente passou a já garantiu o título

  3. Impecável lista. E na ordem, coloco Vila-1988 e Salgueiro-1993 como aqueles que nada fariam tirar o título. Daqueles que basta o cronômetro disparar pra vivenciar um momento histórico.

    Coloco outro, pra mim o mais brilhante da Mocidade: 1991. Foi um ano de grandes desfiles e o da Mocidade foi épico. Ninguém pararia aquela escola. Foi sublime e dominante desde os escafandros da comissão de frente. Ali, quando eu vi, já festejei: o bicampeonato estaria garantido!!

  4. Bom dia!

    Prezado Rodrigo Villar:

    Bela seleção! Dentro da proposta do texto, foram sábias escolhas.
    Infelizmente só comecei a frequentar o sambódromo quando eu tinha 12 anos, ou seja, em 1995. Vi grandes momentos carregados de emoção, mas nada comparado a aos descritos por você.
    Tenho meus momentos de emoção reservados para 2017. Espero que eles se cumpram!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Som claro. Com o tempo aprendemos que Isabel não foi heroína, foi quase que obrigada a libertar os escravos e Duque de Caxias foi um assassino que agiu de forma covarde na guerra do Paraguai. Mas nada disso tira a beleza do samba.

  5. Mítico

    “da natureza do mito, que se assemelha a um mito; fabuloso, legendário, heroico”.

    Um dos significados da palavra “mítico” é justamente dar significado ao “fabuloso”. E o fabuloso também significa “imensurável”. Enfim, parabéns pelo texto Aloisio Villar, pois bons textos assim nem cabem dúvidas sobre sua precisão e acuracidade. Cada um vai ter sua opinião e vai defender com argumentos fortes.

    Considero “Ratos e Urubus” o maior de todos, quando usado no sentido de mítico. Era um desfile que, se eu tivesse a chance de voltar no tempo e desfilar, eu iria. Este desfile tem uma aura diferente, assim como “Tupinicópolis” é o maior desfile da minha Mocidade, na minha opinião.

    Uma coisa que noto em desfiles notáveis, para o bom ou ruim, é que o enredo pode ser resumido em uma expressão ou palavra. Exemplo: em 1988 a Vila Isabel teve um enredo de temática afro que sintetizou…blá, blá, blá. Podemos só dizer “Kizomba!”. Mocidade fez “2001”, Imperatriz fez “Liberdade, Liberdade”, Salgueiro foi de “Ita”…e assim temos vários.

    Abraços e até!

  6. Mocidade 99 Vila Lobos… Mocidade 96, campeã. Beija Flor 2001 Maria Mineira Naê, Agotime… Tijuca 2005, saindo por um outro lado…Portela 2014, a Glória de São Sebastião… para quem ama carnaval são tantos, nao dá para elencar. Que venha 2017 !!!!

  7. Portela 2015 e sua fantástica águia redentora! Torci tanto pra que a alegoria funcionasse que quando deu tudo certo eu explodi em lágrimas. Mangueira e Salgueiro 2016 com seus enredos macumbados. Viradouro 97, eu tinha 12 anos e lá no interior de SP, passávamos o réveillon na casa de uma das minhas avós e sempre uma das rádios da cidade tocava o disco todo de sambas enredo na virada do ano. Quando ouvi o samba da Viradouro este se fixou imediatamente na minha mente (vira e mexe me pego cantarolando ele), desejei que a escola fosse campeã naquele carnaval e aconteceu. Salgueiro 1993 foi o meu favorito naquele ano tbm e eu só tinha 8 anos. Me lembro de ficar no meio da sala de casa vendo com minha mãe os desfiles e sambando com ela em uma época que ela era porta bandeira de uma escola da cidade.

  8. Definitivamente, não se fazem mais carnavais míticos. Por isso, parabéns por sua lista. Esta excelente!!!

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