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Já estamos quase em novembro, o carnaval se aproxima e um importante passo rumo à folia já foi dado com as safras de samba já definidas. Ao fazer uma análise e ouvir diversas vezes as obras dos grupos Especial e de Acesso de São Paulo e Rio de Janeiro uma discrepância me chamou atenção.

Em solo carioca entre as concorridas disputas e finais de cada escola, mais uma vez a Renascer de Jacarepaguá adotou a estratégia de encomendar seu hino para 2017; coube a Cláudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau a missão de detalhar em versos a história de “O papel e o mar”, o que na minha opinião resultou no grande samba para o ano que se aproxima.

Pois bem, mudando o foco para São Paulo encontramos duas agremiações que também abriram mão das disputas e utilizaram-se da mesma linha da Renascer; mas com propósito, execução e resultados bem diferentes.

A primeira foi a atual campeã da folia paulistana. A Império de Casa Verde trará para o Anhembi uma bonita mensagem com o enredo “Paz, o império da nova era”, do carnavalesco Jorge Freitas e apostou novamente em um samba descritivo, que desenha o desfile setor a setor.

Não estou dizendo que é ruim; pelo contrário, creio que irá ser funcional para que os componentes cantem e que o entendimento seja pleno do tema. O que me incomoda é que me parece comum, que eu já ouvi algo muito semelhante e que poderia ser muito mais.

A outra escola em questão é a Águia de Ouro e aqui falamos da minha grande decepção para 2017. Digo isso porque eu adorei o enredo “Amor com amor se paga” do carnavalesco Amarildo de Mello e acho que falar sobre a relação de nós humanos com nossos queridos pets era algo que falta na maior festa popular do planeta.

Esta aprovação me fez aguardar ansiosamente pelo samba, mas ao ouvi-lo fiquei com a sensação de que uma grande oportunidade foi desperdiçada. Assim como o “Tigre Guerreiro”, a Águia desenvolveu uma obra descritiva que nos dá uma clara ideia sobre qual será cada alegoria na ordem proposta; o refrão principal tem uma boa melodia e a obra deveria ser mediana no meio da safra, porém…

Na segunda do samba, que fala sobre a prevenção e o cuidado que devemos ter com nossos queridos amiguinhos, nos surpreendemos com o trecho “Como diz Luisa Mell, não maltrate os animais” que, no meu modo de ver, rebaixa o hino ao pior das 14 escolas de São Paulo para o ano que vem.

Não tenho nada contra a bela apresentadora e assim como ela sou apaixonado por animais, gostei também dela ter sido escolhida como embaixadora do enredo, achei que tem tudo a ver pois ela levanta há anos a bandeira da proteção aos pets em rede nacional e ajudou muito nesse sentido.

Mas daí a citá-la no samba-enredo como grande protetora da humanidade é perder um pouco a dimensão das coisas, afinal citar alguém no enredo torna este a grande personalidade em relação ao tema e se há alguém com esta graduação sobre a preservação é São Francisco de Assis, o santo protetor dos animais, não a líder de um simples programa de televisão.

Diante dos três casos de sambas encomendados lanço a pergunta aos leitores. Por que no Rio acertaram a mão e em São Paulo não?

O que eu penso é que, além da qualidade indiscutível do trio da Renascer eles trabalham com o objetivo de fazer história; por isso conseguiram pela segunda vez em três anos terem o melhor samba da Série A, feito alcançado pela poesia banhada sobre os versos e a busca por riqueza neste gênero tão cultural do nosso país.

Do outro lado vejo que objetivo das escolas paulistanas encomendarem sambas é o de acompanharem sua execução, palpitarem sobre ela para assegurar que o enredo seja contado a risca pelos compositores. Ou seja, não se busca a eternidade, não se sonha com que a obra seja lembrada por anos e anos: apenas se busca a nota dez de cada jurado dos quesitos de canto.

Não condeno nem culpo as escolas por isso, destaco como causador deste fenômeno o modo de julgamento de samba-enredo na “Terra da garoa”. Aqui, o jurado analisa a adequação do samba ao enredo, e se a letra não tem falhas de rima, concordância ou melodia para dar a nota máxima.

Parece simples tirar 10, né? E de certa forma a nota está banalizada. Utilizando os critérios, tivemos em 2016 nove(!) das 14 escolas gabaritando na apuração. E olha que não passou nem perto de ser uma das melhores safras da história.

Sim, admito que quando soube que os sambas seriam encomendados esperava o “efeito Renascer” e até aguardava obras que elevassem o nível do CD, mas entendo a briga das escolas pelo título e que dancem conforme a música, mas que poderia ser melhor…

Ah, poderia!

Imagem da Capa: Ego

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2 Replies to “Como diz Luisa Mell…”

  1. Olá Miguel e amigos,

    Me chamo Ladislau Almeida e já acompanho o site desde do ano passado. Faço parte da Harmonia da Unidos de Vila Maria e sou um apaixonado pelo carnaval.

    Sobre este samba da Águia de Ouro, é consenso em quase todos os meios entre os sambistas que ele não é bom. Inclusive infelizmente, parece que houve que agressão dos membros da escola em pessoas que criticaram publicamente o samba (segundo os diretores, de forma desrespeitosa). Minha intenção claro não é essa! Mas com certeza partilho da opinião de que o Águia poderia ter algo mais adequado e menos descritivo. A escola tem ótimos sambas em anos anteriores. Espero que o samba se acerte na avenida e se for o caso agrade os jurados.

    Abraços

  2. O samba da Águia de Ouro segue o mesmo problema da Beija-Flor de 2009 e o “… o banho foi excomungado…”!

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