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*Renata Santiago é professora/tradutora, salgueirense e fez monografia sobre os sambas do Salgueiro de 1959 a 1971

Tarefa difícil a de listar os dez melhores sambas da minha agremiação do coração, G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. Mas, vamos lá!

As mudanças ocorridas nas Escolas de Samba, desde suas fundações, devem ser atribuídas às transformações pelas quais passou a sociedade. O Salgueiro, vivenciando essas transformações e com a intenção de construir sua identidade, foi o responsável pela maior safra de enredos e sambas de enredo que referenciavam o negro.

Ao longo de seus 63 anos de história, apresentou belíssimas composições, mas, a meu ver, pelo menos metade da lista de sambas TOP 10 do Salgueiro dará lugar a esses sambas que apresentaram temas novos, cooperando para uma visão social diferenciada na época, fazendo jus ao lema da Escola “Não é melhor, nem pior. Apenas diferente”.

Então, seguem os meus TOP 10 em ordem cronológica.

10 – Quilombo dos Palmares (1960) – Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho

Pela primeira vez na história, ocorre a exaltação de um negro que fora escravo e encontrava-se refugiado em um quilombo em Pernambuco no período colonial. Mencionava os excluídos da sociedade colonial e, portanto, rompia com a perspectiva nacionalista tradicional. Zumbi estava ausente dos manuais didáticos de história oficial, já que era considerado um fora da lei, mas, nesse carnaval do Salgueiro, ele foi exaltado através de seu samba como um herói, que representava os ideais de igualdade e liberdade tão desejados pelo negros.Vocês podem imaginar o que causou esse samba na época? Salgueiro ganhou o seu primeiro título!

9 – Xica da Silva (1963) – Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho

O Salgueiro apodera-se de sua marca identitária, novamente pela diferença. De uma personagem à margem da sociedade, Xica da Silva passou a ser conhecida e respeitada, aproximou-se do imaginário coletivo por representar a síntese do sonho concretizado: amor, mobilidade social, respeitabilidade, poder e fartura. Salgueiro, novamente, campeão!

8 – Chico Rei (1964) – Djalma de Oliveira Costa: “Seu Djalma Sabiá”

Com toda a maestria de um sabiá em pleno voo, Seu Djalma apresenta o negro não como alguém que para participar da sociedade deveria ser “embranquecido”, e sim como um homem que não perdeu seu ideal, persistindo em sua luta para libertar seus vassalos. Esse era Chico Rei. Conquistamos o vice-campeonato!

7 – Bahia de todos os Deuses (1969) – Bala e Manuel Rosa

Momento no qual o Salgueiro ratifica sua participação em prol da evidenciação do negro como personagem imprescindível na formação das identidades brasileiras, e de sua própria identidade, reverenciando a Bahia como berço da cultura negra, sua história, suas riquezas, seu povo e seus costumes. Até hoje, um dos sambas mais ouvidos! Conquistamos o primeiro lugar!

6 – Festa para um Rei Negro (1971) – Zuzuca

Como em anos anteriores, trazia-se uma história que pouco se conhecia: a de um menino negro, filho de um príncipe africano, que veio estudar no Brasil. O samba apresentava particularidades, seus versos eram mais curtos e seu andamento mais rápido, o que também contribuía para uma apresentação diferenciada. Pode-se dizer que se trata de um dos sambas de enredo mais conhecidos dos carnavais cariocas, com o refrão mais cantado aqui e fora do Brasil: “Ô-lê-lê, ô-lá-lá, Pega no ganzê, Pega no ganzá”! Salgueiro novamente campeão!

5 – O Rei de França na Ilha da Assombração (1974) – Zé Di

Um samba que mistura o real e o imaginário, a história e as lendas, enaltecendo nossas terras, nossa gente, nossa fauna e nossa flora. Durante anos fez parte do esquenta do Salgueiro na avenida. Mais um campeonato!

4 – Skindô Skindô (1984) – David Corrêa e Jorge Macedo

O samba estava na boca do povo no ano de inauguração da nova Passarela do Samba e, até os dias de hoje, segue cantado e encantando multidões. Conquistamos o quarto lugar no desfile de domingo!

3 – E por que não? (1987) – Didi, Bala e Cezar Veneno

Um dos mais belos sambas da história da Escola, interpretado pelo Pavarotti do samba, Rixxa, que estreou em grande estilo. E um samba de 1987, com um refrão que deveria ser lido, anunciado e espalhado aos quatro ventos, todos os anos: “Se um dia o mundo acordar e vai acordar, verá, verá, verá. Uma luz brilhando no horizonte e vai se transformar. Verá que tudo pode acontecer, sorrir sem nunca precisar chorar. Virar um passarinho e fazer do mundo, e por que não, por que não, um belo ninho. enham ter felicidade, Salgueirando a humanidade”. Ficamos com a quinta colocação!

2 – Peguei um Ita no Norte (1993) – Demá Chagas, Arizão, Bala, Guaracy e Celso Trindade

Também conhecido por “Explode Coração”, devido ao seu refrão, começou a ser cantado antes mesmo de a Escola apontar na Avenida, levantando a Sapucaí e “contagiando e sacudindo esta cidade”. Consagrou o Salgueiro campeão!

1 – Tambor (2009) – Moisés Santiago, Paulo Shell, Leandro Costa e Tatiana Leite

Um samba que deu “vida, força e vibração” à comunidade salgueirense, desenvolvido a partir do enredo Tambor, do grande mago Renato Lage, que em seu último refrão homenageia o meu grande e saudoso amigo Mestre Louro, e que levou o Salgueiro novamente ao título depois de 16 anos. Conquistamos, com ele, nossa nona estrela! Será que a décima vem com o “Malandro Batuqueiro”? Quem sabe!

5 Replies to “TOP 10: Salgueiro (por Renata Santiago*)”

  1. Mesmo sabendo de todo o simbolismo que cerca “Tambor” – quebra do jejum de títulos – não acho que poderia estar em uma lista tão rica como a da “Academia”.

    Vou mais além: em termos de qualidade musical, este é ao lado de Mangueira 87 e Tijuca 2014 os piores sambas campeões da história.

  2. A Renata fez o ranking em ordem cronológica… como será que ela poria esses 10 em ordem??

    E concordo com o Migão: 2009, mesmo representando tudo isso que ela postou – brilhantemente – no comentário, jamais poderia estar na lista. Tem o de 1989 e, se fosse pra ser bem recente, 2011 e 2014.

    Só discordo dele sobre Tijuca 2014 ser um samba ruim. Só os piquetzistas odeiam! Hahahahahahaha…

  3. O número de grandes sambas que o Salgueiro tem em sua história é impressionante. Porém, depois do Ita, a escola só apresentou novamente um bom samba em 2007 (apesar de não achar Candaces a maravilha que todos acham). Felizmente, as safras de 2014 e desse ano mostram que os bons tempos voltaram na Academia do Samba.

    Concordo com a presença dos sambas de 1960, 1963, 1964 (impossível não se emocionar com esse), 1969, 1984 e, claro, 1993. Acrescentaria 1957 (Navio Negreiro), 1968 (Dona Beija, A Feiticeira de Araxá), 1978 (Do Yorubá a Luz, A Aurora dos Deuses) e 1991 (Me Masso se não Passo pela Rua do Ouvidor).

    Entendo os motivos para a inclusão de “Tambor”, mas acho que o samba desse ano só seria digno de figurar numa lista tão seleta quanto a do Salgueiro se tivessem escolhido o concorrente do “Menina quem foi teu Mestre?”… Em todo o caso, considero “Tambor” muito superior ao “Sinhá” do ano passado…

  4. Uma excelente lista. Listar sambas do Salgueiro é muito bom, faz-se uma viagem de 60 anos fácil, pois desde a década de 50 a Acadimia (rsrsrsrs) manda bem.

    Estão falando muito sobre sambas serem ruins e tal. Podiam rolar uma lista dos piores. Evidentemente que depois deste Carnaval. Iríamos lembrar de cada pedrada tosca e seria muito engraçado. Fica a dica, pessoal.

    Abçs, Rodrigo Mariano.

  5. Se apareceu perdido um “Tambor” aí nesse Top 10, como entusiasta de desfiles me vejo na obrigação de citar 3 sambas que eu gostei muito:

    1999 – “É sol, é sal, é paixão…”
    2003 – “Salgueiro, vermelho, balança o coração da gente…”
    2010 – “Uma história de amor, sem ponto final….”

    Não sou conhecedor de letras de samba, mas esses ficarão pra sempre na minha memória.

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