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Quem me conhece sabe que eu sou um assíduo defensor dos Campeonatos Estaduais. Há pelo menos três anos remo contra a maré cada vez maior dos que desprezam esses torneios pra lá de tradicionais e que, sim, ainda têm atrativos de sobra. Não defendo os Estaduais por mera resistência ao novo ou por saudosismo, mas sim por acreditar que ainda hoje eles são, com suas peculiaridades, essenciais.

E o último fim de semana foi uma boa evidência disso. A partir do próximo domingo, a grande maioria dos Estados entrará nas decisões e, em quase todos eles, com histórias que, ao longo dos últimos três meses, já fizeram esses campeonatos valerem a pena. Em São Paulo, por exemplo, o nível dos times do interior decepcionou, o que fez os quatro grandes passearem. A partir das quartas de final, contudo, o Paulistão pegou fogo. Na semifinal, um clássico entre Corinthians e Palmeiras entrou para a história e não haverá corintiano ou palmeirense que vá se esquecer da defesa de Fernando Prass. O Santos passou pelo São Paulo e fará uma final com o Verdão que promete ser das boas. Os chamados mais fracos dos quatro vão lutar pelo título.

Em Minas Gerais, um desavisado pensará que o Atlético Mineiro já é campeão e que os 180 minutos da final contra a Caldense serão mera formalidade. Ledo engano. A surpreendente campanha da Veterana de Poços de Caldas a credencia a brigar pra valer com o Galo. Invicta no Campeonato Mineiro e com a vantagem do empate na soma dos resultados dos dois jogos, a equipe interiorana vai fazer uma final de alto nível contra uma das melhores equipes do Brasil. No Rio Grande do Sul, mais um Gre-Nal decisivo. Esta, a primeira decisão com jogos nos novos estádios de Inter e Grêmio. O Gauchão começou com campanhas surpreendentes dos times do interior, que deram trabalho para os dois grandes, mas acabará decidido em seu duelo mais tradicional.

Mas… E o Campeonato Carioca? Bom, esse também passou longe da indiferença. Dificilmente encontraremos um flamenguista que não tenha ido dormir de cabeça quente com a derrota para o Vasco ou um vascaíno que não tenha conquistado no domingo sua maior felicidade futebolística desde o título da Copa do Brasil em 2011. Vasco e Botafogo também farão uma grande final para um campeonato que teve um bom nível técnico, com pelo menos três times pequenos – Macaé, Volta Redonda e Madureira – fazendo ótimas campanhas, a despeito de não chegarem ao mata-mata.

vascoflamengo2015Por outro lado, esse será mais um campeonato vergonhoso. O outrora Estadual mais charmoso do Brasil hoje é o pior de todos os maiores. Além de ser encarado com desdém pelos grandes, é completamente maltratado e mal organizado pela FERJ, que parece fazer o possível para estragar um produto que tinha tudo para ser espetacular. A tradição dos times do subúrbio, as rivalidades entre os grandes, o Maracanã, enfim, nada é páreo para a incompetência de quem organiza. O Campeonato Carioca, disse Fred em mais um de seus patéticos discursos carregados de demagogia, tem que acabar. Não tem. Muito pelo contrário, tem que continuar. Mas urgentemente longe da FERJ.

O Campeonato Carioca é “um morto muito louco” há muito tempo. Ocorre que o desprezo dos grandes o fazia sobreviver na indiferença. Quem ganhava comemorava um pouco, quem perdia não ligava e tudo certo. Ocorre que a explosão dos erros de arbitragem desde o ano passado e as guerras internas de bastidores escancaram o quão insustentável é o torneio nas mãos da FERJ. E, acreditem, os erros de arbitragem não são nem de longe o maior problema. Embora nenhum estado brasileiro tenha tantos árbitros mal treinados e incompetentes, os erros acabam muitas vezes sendo produto de outros fatores.

Para início de conversa, a situação dos clubes pequenos do Rio, especialmente se comparada a de outros estados, é deprimente. Com exceção do Macaé na Série B, do Madureira na Série C e do Duque de Caxias na D (este provavelmente por apenas mais dois ou três meses, já que está na Série B do Carioca), nenhum time além dos quatro grandes ocupa uma das quatro divisões do Brasileirão – Resende e Volta Redonda têm vaga na Série D deste ano porque o Rio tem duas vagas fixas. A título de comparação, São Paulo tem oito, Minas tem quatro e o Rio Grande do Sul três. Isso representa a incapacidade dos cariocas de disputar contra os times dos demais estados. Tal incapacidade é fruto da situação calamitosa na qual esses times vivem em termos financeiros. Muito por conta da filosofia “sanguessuga” da FERJ, que, em vez de ajudar, atrapalha. Muitos pagam para jogar. Pagam o que não têm. Isso prejudica também o nível técnico do torneio.

Mas não para por aí, não. Os times chamados pequenos não têm condições técnicas de enfrentar os grandes e o único fator que poderia ao menos dificultar um pouco a vida desses grandes seria jogar nos acanhados estádios dos pequenos. O que faz a FERJ? Amparada por exigências ridículas da TV, impede que os pequenos joguem em seus estádios. Os poucos que puderam jogar em seus campos foram os que mais dificultaram a vida do quarteto principal. Aliás, a situação financeira dos clubes cariocas é tão caótica que grande parte deles, em especial os da capital, sequer possuem torres de iluminação para jogos noturnos. Tempos atrás, uma partida do Madureira na Série C teve dois tempos de 40 minutos porque, com alguns problemas que atrasaram a partida, faltaria luz para dois tempos de 45. Isso é uma vergonha, isso faz do Rio de Janeiro uma piada nacional.

Nos bastidores a atuação da FERJ também é grotesca. A “lei da mordaça”, que impede os jogadores e dirigentes de falarem mal do torneio na mídia, é uma atitude que faria corar de vergonha os milicos que ainda comandam o futebol brasileiro. Isso porque eu ainda nem comentei a atitude de definir o preço do ingresso dos jogos. O regulamento também é um show de bizarrices. Se houver dois empates na semifinal ou na final, o time de melhor campanha leva a melhor. Se cada um vencer um jogo pela mesma diferença de gols, temos pênaltis. É de rolar de rir.

Na semifinal do Campeonato Carioca, a FERJ passou de todos os limites ao mandar para o Engenhão a partida de volta da semifinal entre Botafogo e Fluminense. Um estádio claramente inacabado daqueles não poderia receber um jogo dessa importância em um campeonato sério. Mas nem num campeonato de várzea seria permitido que houvesse jogo num estádio que não teve o laudo do Corpo de Bombeiros apresentado. Segundo apurou o Jornal Extra, a FERJ autorizou o Botafogo a entregar o laudo após a partida, sofrendo como punição, caso o mesmo não fosse entregue, uma multa pecuniária. Isso é brincar com vidas, é brincar com a segurança do torcedor.

A questão da arbitragem, assim, torna-se uma cereja nesse bolo de lama. No ano passado, a incompetência já havia sido demonstrada em erros inacreditáveis como o do gol de Douglas que não foi assinalado pelo árbitro adicional mesmo com a bola passando e muito da linha. Na final, o Flamengo foi campeão com um gol irregular aos 44 minutos do segundo tempo. Os flamenguistas riram, os vascaínos ficaram indignados. Este ano, após um verdadeiro festival de erros para todos os lados durante a primeira fase, o Vasco eliminou o Flamengo com um gol marcado através de um dos pênaltis mais absurdos da temporada. Os vascaínos riem, os flamenguistas ficam indignados.

euricomiranda2015É por isso que nada muda. Passou da hora de todos os clubes ficarem sempre revoltados, mesmo quando são beneficiados. A FERJ simplesmente não tem mais condições de administrar o Campeonato Carioca. Mas aí vem a pergunta: quem deve então administrar? Uma Liga formada pelos clubes parece a solução mais viável. Isso até pararmos pra pensar que essa Liga seria comandada por gente como Eurico Miranda, incapaz de discutir um assunto simples sem atitudes extremas? Por gente como Eduardo Bandeira de Mello, que ano passado se calou perante o título ganhado no apito e esse ano insinuou ter sido prejudicado intencionalmente? Por gente como Peter Siemsen, que sabe apenas emitir notas oficiais? Por gente como Carlos Eduardo Pereira, que parece um aluno de quinta série ofendendo o amiguinho? Por gente como Elias Duba, que ainda pensa que ser dirigente é ser um falastrão debochado, uma caricatura?

O Campeonato Carioca não tem que acabar. Mas é preciso que haja uma reformulação no pensamento dos dirigentes não só da FERJ, como dos próprios clubes. Caso contrário, o mais charmoso Estadual do Brasil será apenas um quadro na parede, um ex-glorioso que hoje é apenas motivo de piada.

One Reply to “Quem salva o Campeonato Carioca?”

  1. Já escrevi uma vez em meu blog. Ou os estaduais duram o ano todo para os pequenos, com a fase final (com os times do Brasileirão) em outubro e novembro (e aí o Brasileirão seria de fevereiro a setembro) ou faz dos Estaduais uma eliminatória para um Brasileirão de 48 times, parecido com o que era nos anos 70 e 80.

    Não adianta querer copiar europeu porque, mesmo os pontos corridos sendo o mais justo, temos times demais por aqui. Basta ver a MLS, dos Estados Unidos: fase regular, playoffs e final em jogo único. Eles estão pouco se lixando pra europeu. E o público não pára de crescer.

    Já aqui…

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