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Se em 2014 Mocidade Alegre e Rosas de Ouro já entraram em uma disputa acirrada pelos dois títulos anteriores do Limão e pelos dois vices da Roseira, a disputa em 2015 prometia ser novamente intensa porque, em 2014, mais uma vez deu Mocidade com a agremiação da Freguesia do Ó em segundo. Mas, se o pré-carnaval de 2014 destacava as duas com alguma vantagem em relação às demais, em 2015 tudo prometia ser diferente.

A Mocidade, com um surpreendente enredo sobre Marília Pêra, e a Rosas de Ouro, com uma história sobre uma menina que encarava uma tempestade e aprendia a voltar mais forte para superar seus desafios (inspirada na tempestade que a escola enfrentou no desfile de 2014 e, segundo diziam alguns, em outras histórias reais) eram sim favoritas, mas dividiam as atenções com outras agremiações. A Águia de Ouro, depois de conquistar mais um terceiro lugar, era aguardada com muita expectativa para o desfile sobre os 120 anos do tratado da amizade entre Brasil e Japão. Tucuruvi e Dragões, sempre em evolução, escolheram temas bem diferentes para tentar o título inédito: o Zaca apostou em um tema de leitura simples, que cantaria as marchinhas que fizeram história, enquanto a Dragões apostou em uma confusa história sobre a viagem de um menino chamado Tomé por um mundo encantado onde ele aprenderia a acreditar no que parecia impossível.

Mas poucas (ou talvez nenhuma) escolas eram cercadas de tanta expectativa quanto a Vai-Vai. Depois do décimo lugar de 2014, a Saracura resolveu homenagear a cantora Elis Regina e, com um fantástico samba, prometia voltar a brigar pela taça ainda que não estivesse tão bem estruturada. No grupo das agremiações fortes que não vinham em grande fase estavam a Gaviões da Fiel, com um enredo sobre o baralho, a Império de Casa Verde, que cantaria os sonhadores que fizeram história, e a X-9 Paulistana, também inspirada no temporal de 2014, falando sobre a chuva. Ainda na faixa de enredos inspirados no desfile de 2014 tínhamos a Tom Maior, que falaria sobre a adrenalina após a tensão com o abre-alas quebrado no desfile anterior.

O desfile da Tom Maior era uma incógnita, assim como o de Nenê de Vila Matilde e Tatuapé. A águia escolheu falar sobre Moçambique e também tinha um dos melhores sambas do ano, mas as notícias sobre o barracão não eram muito animadoras. Enquanto isso, a coirmã da Zona Leste, embalada pelo bom sexto lugar de 2014, escolheu o ouro como tema. Completavam o Grupo Especial duas escolas vindas do Grupo de Acesso: a Unidos de Vila Maria, com um enredo sobre os diamantes, e a Mancha Verde, que exaltaria o centenário do Palmeiras.

Pela primeira vez desde 2011 foi mantido o regulamento do ano anterior. Cada um dos nove quesitos seria julgado por quatro jurados e a menor nota seria descartada. A Liga apostou em uma reformulação nos critérios de quesitos como harmonia, evolução, samba-enredo e bateria, visando adequar o julgamento a, digamos, realidade do que acontece na pista. Outra marca do pré-carnaval foi o excelente público dos ensaios técnicos, alguns com arquibancadas lotadas. Por outro lado, o Grupo de Acesso ficou sem a transmissão televisiva no Canal Viva.

Voltando ao Grupo Especial, a Mancha Verde abriu o Carnaval com uma homenagem ao Palmeiras no enredo “Quando surge o alviverde imponente, 100 anos de lutas e glórias”. Minutos antes do desfile, um exaltado Presidente Paulo Serdan discursou. Depois de cutucar os “fofoqueiros do Anhembi” que diziam que a escola seria rebaixada, ele se dirigiu diretamente ao Presidente do clube homenageado, Paulo Nobre, por ignorar completamente a homenagem da Mancha ao clube. Na sequência, Freddy Vianna abriu os trabalhos e começou a cantar o ótimo samba da escola.

Os “fofoqueiros do Anhembi” de fato estavam errados. A Mancha apresentou um ótimo trabalho e fez uma bela apresentação. O enredo foi desenvolvido com correção e rendeu uma boa plástica. A comissão de frente foi outro ponto alto, à moda antiga, saudando o público e iniciando a viagem que começou exaltando a herança romana. Um belo abre-alas com um guerreiro romano e esculturas que lembravam o Império serviu de ponto de partida para a Mancha começar a contar sua história. Com fantasias bonitas, coloridas e de leitura simples, Troy Olivieri surpreendeu o público. Mesmo sem tanto luxo, a Mancha passou bem bonita.

O segundo setor viajou pelos primeiros anos do clube, os primeiros títulos, enquanto o segundo carro trouxe os portões dourados do antigo Palestra Itália à frente de um enorme periquito verde. Na sequência, foram lembrados os primeiros títulos, o histórico 8 a 0 no rival Corinthians, as Cinco Coroas e, no terceiro carro, a perseguição política que fez o Palestra Itália se tornar Palmeiras. A Mancha ainda viajou por outras glórias antes de um belíssimo quarto carro com as estrelas que fizeram a história do time em meio a um jardim suspenso, apelido da casa palestrina. O encerramento do desfile também foi emocionante, com uma gigante réplica do Allianz Parque, o novo Palestra Itália. Por outro lado, não entendi muito bem porque a Taça da Copa Rio de 1951 estava ali na alegoria. Em todo caso, ainda que não tivesse condições de brigar pelas primeiras posições, a Mancha fez um lindo desfile e muito provavelmente conseguiria se manter na elite.

Segunda escola da noite, a Tucuruvi conseguiu mais uma grande apresentação no enredo “Entre confetes e serpentinas, Tucuruvi relembra as marchinhas do meu, do seu, do nosso Carnaval”. O grande samba do Zaca rendeu espetacularmente bem e o público se divertiu ao relembrar, no próprio samba, marchinhas consagradas. Foi uma apresentação com a cara da escola: leve, solta, pra frente.

A concepção do carro abre-alas, lembrando o surgimento do samba na casa de Tia Ciata não me agradou muito, mas foi uma exceção em mais um fantástico trabalho do carnavalesco Wagner Santos. Ao bater o olho nas lindas fantasias era possível saber de qual marchinha se tratava. Com muitas cores, a Tucuruvi encantou também no visual. O segundo carro, que homenageou Chiquinha Gonzaga, estava belíssimo ao representar os salões dos antigos Carnavais. Alas divertidas como a da cabeleira do Zezé animaram os presentes no Anhembi, enquanto o terceiro carro, com belas esculturas de pierrôs foi dos mais belos do ano. Já as duas últimas alegorias, sobre o sucesso das marchinhas nos rádios e sobre os 450 anos do Rio de Janeiro, apenas passaram sem muito destaque. Ainda assim, foi um grande desfile e o título, embora difícil, era possível.

Na sequência, entrou na Avenida a Tom Maior para apresentar o enredo “Adrenalina”, do carnavalesco Mauro Quintaes. Falando em fazer um desfile para ficar entre as cinco primeiras colocadas, a vermelho-e-amarelo do Sumaré acabou fazendo uma apresentação irregular, com bons e maus momentos, onde apenas a Bateria de Mestre Carlão se destacou do primeiro ao último minuto. Mais uma vez ficou muito clara a deficiência econômica da escola em relação às demais e o carnavalesco, apostando em um enredo que foge às suas características, não conseguiu desenvolver um Carnaval plasticamente bonito.

O desfile começava mostrando o efeito no nosso cérebro em momentos de adrenalina. Apesar da boa comissão de frente, o carro abre-alas não foi muito feliz na concepção e não parecia muito bem acabado. Era uma alegoria um tanto estranha, confusa e que, insisto, não combinava com a escola e com seu carnavalesco. O segundo setor já foi mais interessante ao abordar o amor, a adrenalina do primeiro beijo. Apesar de não ser muito luxuoso, o segundo carro estava caprichado e passou bonito. Mas o ponto alto do desfile foi o terceiro setor, que falou sobre a adrenalina do medo. O terceiro carro, que trazia personagens de filmes de terror, estava fantástico e foi um dos mais espetaculares do ano em todo o grupo.

O quarto setor foi dedicado aos esportes radicais. As fantasias, de boa leitura, apresentaram alguns problemas de acabamento e não estavam muito bonitas, mas tiveram boa comunicação com o público. Comunicação com o público também foi o forte do quarto carro, o dos esportes radicais, que trouxe pistas de skate e um octógono de MMA. A concepção novamente foi bastante problemática. Por fim, a adrenalina de um desfile e da apuração foram lembradas. Apesar de algumas fantasias de gosto duvidoso, como uma que trazia vários papéis com um 10 e o nome de um quesito, foi um setor leve e divertido. A última alegoria também pecou pela concepção complicada, com uma mão enorme segurando uma caneta simbolizando o ato de dar uma nota. Mesmo sem problemas de evolução como em 2014, a Tom Maior não fez um grande desfile e era, em um ano equilibrado, candidata ao descenso.

Aguardada com grande expectativa desde que posicionou suas exuberantes alegorias na área de concentração do Anhembi, a Dragões da Real fez um magnífico desfile no confuso enredo “Acredite se puder!”. A comissão de carnaval liderada por Flávio Campello foi muito feliz e desenvolveu o melhor conjunto alegórico do ano. Apesar de um pouco deslocada dentro do enredo, a comissão de frente representando uma fábrica de chocolates e o deleite do menino Tomé, personagem central do desfile, estava muito bem ensaiada. Um fantástico abre-alas representando o templo do saber com um lindo dragão prateado e uma enorme biblioteca repleta de livros iniciou a história propriamente dita.

O grande problema da Dragões foi o enredo de difícil comunicação com o público. Estava tudo muito bonito, mas, para quem estava lá, era difícil entender a história contada pela escola. O segundo setor mostrava o início da viagem do dragão e de Tomé, que começava em uma floresta encantada. Após lindas fantasias, muitíssimo bem acabadas, veio o carro que, particularmente, me pareceu o mais bonito do ano. Era uma grande floresta de fato e a precisão do acabamento de cada centímetro do carro impressionava. Particularmente, me lembrei imediatamente da grandosidade da Império de Casa Verde em seus primeiros anos de Especial.

Já no setor seguinte, a viagem era pelos oceanos. Usando e abusando do azul, a Dragões abriu caminho para outro carro fantástico, inspirado em Atlântida, com seres aquáticos e tonalidades muito bem escolhidas. O setor que menos me agradou foi o penúltimo, que abordou a imaginação infantil. O quarto carro, com extraterrestres, andróides e naves espaciais, apesar de bonito, estava abaixo dos outros. Ao menos a fantasia do terceiro casal, com muitas cores, estava um espetáculo. A viagem se encerrava com o dragão segurando a taça de campeão e, com uma concepção onde ele parecia “voar” pela pista, foi um dos destaques do desfile. Destaque também para um casal que veio nessa última alegoria portando o pavilhão da Lavapés, madrinha da agremiação que desde já despontava como grande favorita a vencer aquele Carnaval.

rosasdeouro2015bodasSe a Dragões fez um desfile espetacular, a Rosas de Ouro, apesar de desfilar bem, decepcionou um pouco na apresentação do enredo “Depois da tempestade, o encanto!”. Com mais um enredo dos mais confusos e um samba que não era dos mais populares, a Roseira surpreendentemente se destacou nos quesitos de chão. Os componentes cantaram muito forte e foram dos mais espontâneos do ano. Apesar de um pouco inferior ao dos anos anteriores, foi um desfile de alto nível. A comissão de frente foi muito bem ensaiada e se dividiu em dois momentos: no primeiro, uma Rainha louca intimidava os demais personagens. No segundo, a menina Rosa, destaque do enredo, abria caminho para Jorge Freitas contar sua história. O abre-alas trazia a tempestade que abalou a escola no desfile de 2014 através de feiticeiras dos temporais. Com muito preto e roxo, o carro teve concepção um pouco complicada, mas estava muito bonito.

Na sequência, a viagem da menina Rosa chegou a personagens conhecidos como o Capitão Gancho e a Alice do país das maravilhas. Particularmente, o segundo carro, que reunia esse e outros personagens, não me agradou muito nem em concepção, nem em acabamento. Em compensação, as alas que vieram na sequência representando a chegada da menina Rosa à Corte da Rainha louca foram um verdadeiro espetáculo. O terceiro carro, com tabuleiro de xadrez e peças indicando um jogo de cartas marcadas que visava prejudicar a menina Rosa, passou bem.

O amor foi o destaque do penúltimo setor. Para superar toda a maldade, a receita era amar. Com ótima divisão cromática, as fantasias foram um show à parte e o quarto carro alegórico, com um enorme coração e um baile onde estava um casal apaixonado, estava bem bonito. Depois de toda essa viagem, o último setor estava reservado para a consagração. No enredo, a menina Rosa era consagrada com um palácio lindo, todo em verde e dourado. Muito luxuoso, apesar da difícil leitura, o carro passou muito bem. Foi um grande desfile, mas que parecia insuficiente para brigar pelo título.

aguiadeouro2015bodasPenúltima escola a desfilar na primeira noite de desfiles, a Águia de Ouro fez uma apresentação bastante inferior à do ano anterior no enredo “Brasil e Japão: 120 anos de união”. Com Douglinhas Aguiar voltando a comandar o carro de som da escola após 10 anos, o samba, que não era dos melhores, rendeu bem com a excelente bateria de Mestre Juca e a escola cantou forte. No visual, porém, as coisas não foram tão boas assim. Com personagens vestidos como animes, os desenhos japoneses, a Águia de Ouro trouxe uma comissão de frente que trazia uma nave que buscava viajar para encontrar personagens que fazem o Japão ser o que é.

Vindo diretamente do Japão, o carro abre-alas representou a cultura japonesa com personagens conhecidos do público, a maioria visto em filmes ou desenhos animados de sucesso. Apesar de grandioso e bem acabado, ele apresentou concepção complicada. Por outro lado, gostei bastante da menção à tragédia de Hiroshima e Nagasaki. A escola lembrava assim a capacidade dos japoneses de ressurgirem das cinzas.

A preocupação dos japoneses com a saúde foi o destaque do segundo setor. A Águia de Ouro trouxe ótimas fantasias falando do esporte e da alimentação. O segundo carro trazia lutadores de judô e uma grande escultura falando sobre a Mãe Natureza. Já a religião foi o destaque do terceiro setor, que se destacou por uma bonita alegoria sobre o budismo. Particularmente, achei que a Águia caiu um pouco em luxo, mas ainda mais em concepção. Os carnavalescos Cebola e Amarildo de Mello pecaram no excesso de informações, o que não aconteceu por exemplo com o belo conjunto de fantasias.

Na sequência, foram lembradas as festas populares do Japão e os costumes do povo. O quarto carro teve a concepção que mais me agradou, com um gigante feito de papel japonês. No último setor, o elo de união entre o Brasil e o Japão foi representado através de duas paixões: a primeira o Carnaval, lembrando da folia em Asakusa e de enredos que falaram sobre o Japão como o da Vai-Vai em 1998 e da Vila Maria em 2008. A segunda, o futebol. Através da figura de Zico, os japoneses se apaixonaram pelo esporte bretão. O próprio Galinho esteve no último carro, que, todavia, apresentou algumas falhas de acabamento. Para o meu gosto, após o fantástico desfile de 2014, a Águia fez uma apresentação de meio de tabela.

Encerrando a primeira noite de apresentações, a Nenê de Vila Matilde deu uma aula de samba na apresentação do enredo “Moçambique – a lendária terra do baobá sagrado”. Foi um desfile de Nenê de Vila Matilde. Após um empolgado discurso do Presidente Mantega, o intérprete Agnaldo Amaral começou a cantar um dos mais aclamados sambas do ano. Com um desempenho fantástico, o cantor deu vida ao grande samba e a escola cantou forte.

As dificuldades do barracão da Nenê não apareceram na pista. Apesar de realmente não ter as condições financeiras da maioria da escolas, a Nenê compensou tudo com muita garra e com um trabalho fantástico do Carnavalesco Magoo. O enredo afro ajudou na plástica e a Águia da Zona Leste passou bonita. O carro abre-alas, por exemplo, com a águia voando sobre o Baobá, a árvore sagrada, foi dos mais belos do ano.

As fantasias de fato estiveram um pouco abaixo das demais, mas a leitura simples e a escolha correta das cores camuflaram um pouco a concepção e o acabamento mais infelizes de algumas alas. O segundo carro, apesar de não ser muito grandioso, estava bonito ao representar o comércio através da figura de Moussa Bem Mbiqui, de onde surgiria o nome do país.

Gostei das fantasias do terceiro setor, que abordaram a chegada de portugueses e espanhóis e o terceiro carro, com uma embarcação carregada de “demônios verdes”, que eram os invasores, estava muito interessante e foi um dos pontos altos do desfile plasticamente falando. Já o setor seguinte mencionou a cultura e os costumes de Moçambique. Novamente optando por usar muitas cores nas fantasias, Magoo criou figurinos simples, mas de relativo bom gosto, enquanto o quarto carro, sobro Parque Nacional de Gorgonrosa não se destacou nem positiva, nem negativamente.

O futuro promissor que o baobá enxerga em Moçambique ganhou o último setor. As fantasias caíram um pouco de qualidade e a última alegoria, com o grande leão da tecnologia, também deixou a desejar. Com uma plástica bastante irregular, o destaque ficou mesmo para o samba, que deu um sacode. Em termos exclusivos de samba-enredo, foi um dos melhores rendimentos que o Anhembi viu no século. As arquibancadas não estavam no clima, o Anhembi nem estava lotado, mas o samba fez sua parte. Assim, a Nenê podia sonhar com o desfile das campeãs.

Abrindo a segunda noite de apresentações, a Unidos de Vila Maria fez uma apresentação complicada. A escola veio bonita, bem estruturada, e a ala musical fez um trabalho muito competente com o samba apenas regular de que a escola do Jardim Japão dispunha. No entanto, o enredo “Só os diamantes são eternos na química divina” definitivamente não era dos melhores. De difícil leitura e péssima comunicação com o público, era de difícil execução e criou fantasias e alegorias de concepção ruim.

A comissão de frente foi um dos destaques, com uma ótima coreografia sobre gangsters ingleses com direito a um carro antigo de verdade. Só que daí o enredo ia simplesmente para o Taj Mahal. O carro estava bem bonito, mas deu o tom do quão deslocado era o enredo. O segundo setor teve fantasias de concepção confusa para contar o surgimento dos diamantes e suas diferentes aplicações. Lucas Pinto fez o possível, mas não conseguiu transmitir sua mensagem. Algo semelhante ocorreu no segundo carro, que era um vulcão de gosto duvidoso e concepção complicada.

Na sequência, o enredo viajou pela arte e o terceiro carro lembrava, entre outras coisas, o filme Titanic. Não era uma alegoria ruim, mas mais uma vez não parecia dialogar com os outros pontos do enredo. Ao menos as fantasias começaram a melhorar. A partir do quarto setor a coisa desandou de vez pois o enredo chegou ao momento em que comparava a transformação do grafite em diamante com outras como a da lagarta em borboleta, que veio no quarto carro, mais um de concepção delicada. O quinto setor foi dedicado às transformações do ser humano e a última alegoria, com um tambor, o Profeta Gentileza, e sósias de personagens como Dalai Lama e Zeca Pagodinho encerraram uma viagem pra lá de confusa que, somada aos problemas de evolução, colocava em xeque até a permanência da Vila Mais Famosa no Especial.

Outra de quem não se falava as melhores palavras para seu barracão era a Gaviões da Fiel, que surpreendeu os críticos com um trabalho plástico fantástico e voltou a fazer uma apresentação que a credenciava a brigar pelo título com o enredo “No jogo enigmático das cartas, desvendem os mistérios e façam suas apostas, pois a sorte está lançada”. O samba, que se não era dos melhores também não era dos piores, foi muito bem interpretado por Ernesto Teixeira e ganhou as arquibancadas. O visual, insisto, também foi dos melhores.

A comissão de frente foi, para muitos (eu incluso), a melhor do ano. O gavião dava as cartas no jogo que estava para começar e essas cartas eram os quatro títulos conquistados pela escola. Era uma ideia semelhante à do fantástico abre-alas, com um imponente e luxuoso gavião com uma coroa de Rei, enquanto outro vinha como coringa e um terceiro sobre o símbolo do Corinthians. Nas laterais, mais uma vez apareceram os títulos de 1995, 1999, 2002 e 2003.

Particularmente, em termos estéticos, a única coisa que me incomodou foi a repetição de símbolos do baralho. Evidentemente, em um enredo sobre o baralho eles estariam presentes, mas achei dispensável em algumas alas. o segundo setor foi dedicado ao baralho cigano e o segundo carro, com gatos pretos e uma enorme cigana também estava muito bonito. O carnavalesco Zilkson Reis apostou em uma divisão cromática diversificada, mas que privilegiou as tonalidades mais escuras e que eram pertinentes ao ar misterioso do enredo.

As cores mais vivas apareceram com destaque no terceiro setor, que abordou o baralho nas artes e nos filmes, com o terceiro carro abordando o filme “Alice no país das maravilhas”. Foi o menos interessante do desfile, mas também estava bonito. Voltando ao clima de mistério, o enredo indagava na sequência: o baralho é do bem ou do mal? Ao longo dos tempos, as cartas intrigaram os mais diferentes povos e a Gaviões brincou com tudo isso. Até o baralho iluminatti passou pela Avenida. O quarto carro, todo em preto e bastante macabro, foi um verdadeiro espetáculo. Também me agradou bastante a última alegoria, com jogadores robotizados mostrando a era dos jogos virtuais de cartas. Se a Gaviões seria campeã ou não era difícil dizer, afinal outras desfilaram bem e outras fortes concorrentes ainda desfilariam, mas, pela primeira vez desde o trágico acidente de 2004, fez desfile para isso.

mocidadealegre2015bodas1Mas a esperança alvinegra diminuiu consideravelmente tão logo a tricampeã apresentou mais um desfile espetacular. Em “Nos palcos da vida… Uma vida no palco: Marília”, a Mocidade Alegre provou porque vinha dominando o Carnaval paulistano e fez ótima apresentação, se colocando mais uma vez como grande favorita ao título. É que embora não tenha sido arrebatadora, a escola, ao contrário de Dragões, Gaviões e Tucuruvi, praticamente não errou e, assim, foi a mais regular e, consequentemente, a mais competente.

O conjunto alegórico e de fantasias foi o que mais se aproximou da Dragões da Real. A comissão de frente também passou muito bem, trazendo o surgimento da estrela Marília Pêra com direito a uma enorme caixa de jóias, representando a que era da mãe da atriz homenageada pelo enredo. É que foi nas coxias dos teatros, deslumbrada cm as roupas e as jóias que a mãe atriz usava no palco, que nasceu a paixão da atriz pela arte. O abre-alas era deslumbrante, com muito dourado e vermelho, com o deus grego Apolo fazendo de Marília Pêra uma estrela.

As peças encenadas por Marília no Teatro ganharam belas fantasias, concebidas com muita criatividade pela dupla Sidnei França e Márcio Gonçalves. O segundo carro, que representava a fachada de um teatro iluminado em noite de espetáculo, também estava bonito. A bateria de Mestre Sombra, com uma exibição mais convencional, passou bem e Igor Sorriso teve mais um desempenho brilhante na condução do bom samba da escola.

Voltando ao desfile, o terceiro setor mostrou as mil vidas contadas por Marília como Dalva de Oliveira e Ângela Oliveira. Mas o destaque ficou mesmo para Carmem Miranda, que foi o destaque do espetacular terceiro carro da escola. Já a TV e o cinema vieram no penúltimo setor, que relembrou personagens inesquecíveis da atriz em filmes e novelas. Particularmente, não entendi a opção por resumir essa consagrada trajetória na minissérie “Pé na Cova” que, por outro lado, rendeu um divertido quarto carro.

No último setor, a Morada destacou os prêmios recebidos pela atriz ao longo da carreira, como o Moliére. A própria atriz veio como uma verdadeira diva dos palcos na última alegoria, toda em dourado, como uma verdadeira consagração. Amigos da atriz como Ney Latorraca, Arlete Salles e Leona Cavalli marcaram presença. Foi um desfile tecnicamente quase perfeito. Quase porque dois problemas em alegorias podiam acabar com o sonho do tetra. No segundo carro, o R da palavra “Teatro”, que estava colocada em uma escultura, caiu e o letreiro passou por toda a Avenida como “Teat o”. No próprio último carro, um Pierrô (na consagração, a Mocidade convocava a atriz a cair no samba) passou sem a cabeça, que se perdeu na Avenida. Ainda assim, a escola passou como grande favorita ao título.

Quarta escola da segunda noite de desfiles, a Império de Casa Verde fez uma apresentação apenas regular no enredo “Sonhadores do mundo inteiro: uni-vos”, criado pelo carnavalesco Paulo Fuhro e desenvolvido por uma comissão de carnaval. O enredo, que parecia muito bom na sinopse, não rendeu o esperado na Avenida por conta de uma abordagem um tanto confusa. Por outro lado, a Bateria Barcelona do Samba de Mestre Zoinho deu mais uma vez um show com ótimas bossas e convenções, além de um excelente andamento para o samba que, se não era uma obra prima, foi bem cantado pelos componentes.

Apesar da indumentária não muito bem acabada, a comissão de frente teve boa comunicação com o público ao trazer personagens do universo infantil como Buzz Lightyear e Michael Sullivan, o monstro do bem do filme Monstros S.A. Já o carro abre-alas, o destaque foi para o Reino Encantado de Morfeu, onde acontecem os sonhos. A execução do carro não me agradou muito, mas ele estava colorido e criativo. O carro trazia ainda um carrossel cercado por tigres que estava interessante. O segundo setor foi dedicado a sonhadores do universo infantil, trazendo personagens de Monteiro Lobato e Walt Disney. O mundo dos sonhos das crianças, cercado de doces, veio no segundo carro que, se não tinha um acabamento dos melhores, apresentou boa concepção.

Na sequência, foram exaltados os sonhadores que imaginaram um mundo mais igual, mais justo, onde os negros teriam as mesmas oportunidades dos brancos e haveria respeito mútuo entre as raças. Com uma divisão cromática mais escura e fantasias mais bem acabadas, a comissão de carnaval desenvolveu bem o setor que culminou no terceiro carro, com representações africanas e painéis com fotos de personagens como Martin Luther King, Malcom X e Nelson Mandela.

O quarto setor foi bem mais colorido ao abordar gênios da arte e da ciência. O surrealismo de Salvador Dalí também mereceu destaque, mas o quarto carro, com um enorme cisne branco, não foi muito feliz. O setor mais emocionante foi o último, que falou sobre os sonhadores do Carnaval e homenageou a todas as escolas que, ano a ano, fazem um belo espetáculo e colocam os seus sonhos na Avenida. Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta foram exaltados em um modesto, porém bonito carro alegórico que encerrou o desfile. Não fosse a evolução excessivamente lenta que obrigou a escola a correr no fim, seria possível sonhar com o desfile das campeãs.

Prometendo o Carnaval mais luxuoso de sua história, a Acadêmicos do Tatuapé fez um desfile que ficaria marcado por uma polêmica. O enredo “Ouro – símbolo da riqueza e ambição” de fato rendeu a melhor estética já apresentada pela escola, que evoluiu muito nesse sentido em um ano, mas, apesar da harmonia competente, o samba-enredo não foi bem interpretado pela excelente dupla Wander Pires e Vaguinho.

A comissão de frente, falando sobre o Egito, não foi das mais criativas, mas passou bem. Já o abre-alas, falando sobre o Rei Midas, estava bonito, bem acabado e até um pouco luxuoso, muito embora o excesso de informações tenha prejudicado um pouco seu impacto visual. A Tatuapé investiu em boas fantasias e o carnavalesco Mauro Xuxa, ao contrário do que havia acontecido em 2013 e 2014, conseguiu desenvolver figurinos criativos e de boa leitura. Ainda que estivesse um patamar abaixo das principais escolas, a Tatuapé veio bonita.

Gostei bastante do segundo carro, que falou sobre o ciclo do ouro e o movimento barroco no Brasil. Mesmo sem muito luxo ou imponência, o carro foi bem pensado e muito bem acabado. Por outro lado, as fantasias do terceiro setor, com exceção à das Baianas, que veio representando Oxum, caíram um pouco. O terceiro carro, sobre Serra Pelada, também não era dos melhores, embora o efeito dado pelos guarda-chuvas carregados pelos destaques, que simulava pepitas de ouro, tenha sido muito interessante. Depois de viajar por filmes famosos como “Em busca do ouro”, o quarto setor chegou aos Contos Infantis. A concepção alegre com personagens como o Tio Patinhas e a Galinha dos Ovos de Ouro mascarou um pouco o acabamento não tão feliz.

Mas o setor de melhor comunicação com o público foi o último, que trouxe episódios como o roubo da Taça Jules Rimet, os funkeiros ostentação e suas correntes douradas e as jóias em fantasias interessantes. O último carro, com o tatu da escola segurando a taça de campeão e representações de louros e arcos olímpicos ia encerrando um desfile surpreendentemente bom.

Só que, a exemplo da Império de Casa Verde, a evolução foi excessivamente lenta. Faltando cinco minutos, ficou claro que era necessário apertar um pouco o passo, mas a escola não fez isso e ali começava a nascer a polêmica mencionada anteriormente. Quando o relógio marcou 1h05min, os componentes começaram a correr visivelmente e a ala dos compositores veio como em uma maratona. Só que mesmo assim os portões começaram a ser fechados quando o relógio havia virado para 1h06min. A escola alegava que o último componente havia passado no tempo limite. O vídeo da TV Globo chega a ser impressionante. Eu mesmo pausei várias vezes no exato momento em que o repórter Phelipe Ciani começa a dizer a frase “virou para 1h06min” e não consegui ter certeza se a escola já havia passado inteira, embora desse a impressão de que uma parte do carro de som e ao menos dois diretores ainda estava na pista. Assim, era possível que a escola perdesse 1,1 ponto, o que a colocaria como candidata ao rebaixamento.

vaivai2015bodas3Depois, foi a vez de a Vai-Vai sacudir o Anhembi como há muito tempo não se via para a exibição do enredo “Simplesmente Elis – A fábula de uma voz na transversal do tempo”. As arquibancadas cantaram forte o lindo samba-enredo da escola do início ao fim e o polêmico refrão de “Maria, Maria” (o “lare lare lare lare lare…”) encaixado antes do refrão principal funcionou perfeitamente bem. A sempre firme bateria de Mestre Tadeu levou o samba em ótimo andamento e os intérpretes Gilsinho e Márcio Alexandre, que contaram com o luxuoso auxílio das cantoras Didi Gomes e Negra Li no apoio, estiveram muito entrosados.

Assim, a grande dúvida era se a Vai-Vai teria uma plástica que lhe permitisse brigar pelo título. A comissão de frente, apesar da presença de Maria Rita, filha de Elis, não me agradou muito. Em compensação, o extraordinário abre-alas com a coroa da escola ao lado de um diamante e à frente de um cavaleiro gaúcho (Elis era do Rio Grande do Sul) estava muito bonito. O problema é que o carro teve um problema e evoluiu com dificuldade, travando um pouco a escola e comprometendo a evolução. A ideia de misturar os ícones gaúchos ao Panthenon, em referência à música “Mulheres de Atenas” e à Iemanjá, pela música “Arrastão”, foi muito boa.vaivai2015bodas2

Outro ponto alto do desfile foi o segundo carro, com Jair Rodrigues segurando um violão lembrando os festivais de música e o programa “O Fino da Bossa”. Todo em tons de laranja, o carro era muito criticado no barracão, mas aconteceu na Avenida. As fantasias, apesar de simples, estavam bonitas com uma ou outra exceção. O terceiro carro, simulando um Cabaré e com lembranças de nomes como Tom Jobim e Milton Nascimento, além de uma boa roda de samba, mesmo não muito luxuoso, passou muito bem.

A partir do quarto setor a coisa piorou bem. A quarta alegoria, que lembrou a luta de Elis contra o Regime Militar, trouxe uma escultura um tanto mal acabada em um carro bastante pobre. As fantasias, apesar de empolgação dos componentes e da ótima comunicação com o público, também apresentaram falhas de acabamento e o último carro alternou bons e maus momentos. O belo trem azul que partia rumo às estrelas estava destoante do acabamento falho do resto da alegoria. Era justamente esses problemas no visual que colocavam em xeque o título de um brilhante desfile da Vai-Vai.

Encerando a jornada de desfiles, a X-9 Paulistana fez uma típica exibição de meio de tabela no enredo “Sambando na chuva, num pé d’água ou na garoa, sou X9 numa boa!”. O tema foi muito bem desenvolvido pelo carnavalesco André Machado, mas, pegando um Anhembi já mais esvaziado e contando com um samba apenas regular, a escola da Parada Inglesa não empolgou. Além do mais, a luminosidade natural (o atraso no desfile da Vila Maria – veja mais em curiosidades – fez com que a escola desfilasse no amanhecer, ao contrário do que se esperava) prejudicou um pouco o efeito dos carros alegóricos e de algumas fantasias.

A comissão de frente apresentou uma coreografia bem trabalhada e o carro abre-alas, que lembrou o dilúvio da Arca de Noé, apresentou ótima iluminação e um excelente acabamento. Já o segundo carro, lembrando os orixás envolvidos com a chuva, não apresentou um acabamento dos melhores, embora estivesse bonito. As fantasias, apesar de em alguns casos apresentarem leitura complicada, foram de bom nível.

Um dos carros de melhor concepção, com um sertanejo clamando pela chuva para São José, não foi muito bem executado pela divisão um pouco estranha dos temas nele contidos. Já no quarto setor, André foi brilhante ao lembrar o paradoxo entre os problemas causados pela falta de chuvas e pelo excesso delas. A quarta alegoria, repleta de lixo e com dizeres como “Volume Morto”, trazia São Pedro dormindo confortavelmente no topo, como se estivesse pouco incomodado com o caos visto na parte inferior. Foi um dos mais brilhantes carros alegóricos do ano em concepção e, principalmente, em realização.

A maior crítica quanto ao enredo foi o pra lá de deslocado último setor que falou sobre os 40 anos da X-9. Foram lembrados os Carnavais inesquecíveis da escola com boas fantasias, mas tudo ficou muito distante do tema do enredo. A exceção, é claro, foi para a ala “A insana chuva de 2014”, que brincou com o temporal que desabou no desfile “Insano” do ano anterior. O último carro, com um Rei Momo e a Velha Guarda com máscaras encerrou de maneira alegre o Carnaval. A Mocidade Alegre parecia ter sido a escola mais regular, mas Tucuruvi, Gaviões e, principalmente, Dragões e Vai-Vai eram fortes ameaças ao tetra.

A apuração começou com a confirmação do 1,1 ponto perdido pela Tatuapé. Ao final da leitura do primeiro quesito, sete escolas somaram os 30 pontos: X-9 e Gaviões lideravam por terem descartado uma nota 10 e tinham a mesma pontuação de Tucuruvi, Dragões, Rosas, Nenê e Império. A Mocidade e a Vai-Vai perderam um décimo cada o que, dados os diferentes problemas de ambas no quesito, foi um alívio.

Em samba-enredo, o julgamento foi um tanto mais rigoroso que nos outros anos. Seis escolas perderam ponto, dentre elas Tucuruvi e Dragões, que perderam 0,2, e Rosas e X-9, que se afastaram da briga ao deixarem três décimos pela pista. A liderança, assim, era da Gaviões com os mesmos 60 pontos de Nenê e Império enquanto Mocidade e Vai-Vai tinham 59,9. Em bateria, apenas Mancha, Tucuruvi e Tom Maior foram penalizadas (0,1 cada), o que manteve o quadro estável. Já o quesito fantasia virou tudo de ponta cabeça. A Mocidade assumiu a liderança com os mesmos 119,9 pontos da Vai-Vai (que tinha descartado um 9,9 contra quatro 10 da Morada). O terceiro lugar foi para a Dragões com 119,7 contra 119,6 da Rosas. Nenê, Gaviões e Império despencaram ao perder, respectivamente, 0,4, 0,5 e 0,6, abandonando a briga pela taça.

Aliás, os três décimos de frente para a terceira colocada polarizaram a briga nas duas escolas mais aguardadas, Mocidade e Vai-Vai. As duas gabaritaram os quatro quesitos quesitos seguintes, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, enredo e harmonia, chegando ao último com os mesmos 239,9. Como a Mocidade levou 16 notas 10 e a Vai-Vai levou um 9,9 no primeiro casal e no enredo, a liderança ainda era da tricampeã.

Só que a ponta mudou de mãos já na primeira nota do quesito evolução, quando a Mocidade levou 9,9 e a Vai-Vai 10. Assim, no desempate, a liderança passou para a Saracura e assim continuou quando as duas levaram 10 no segundo jurado. E nem precisou da última nota… A Mocidade levou um 9,8 no terceiro jurado e já perdeu um décimo, enquanto a Vai-Vai tirou mais um 10 e gabaritou o quesito. A Mocidade ainda tiraria um 9,7 e terminaria três décimos atrás da campeã, a Vai-Vai, que somou 269,9 pontos e deixou a Morada com o vice.

A Rosas de Ouro terminou em terceiro com 269,4 contra 269,3 de Águia de Ouro e Dragões da Real, que fecharam o desfile das campeãs. Na sequência, vieram Tucuruvi, Nenê de Vila Matilde, Império de Casa Verde, Gaviões da Fiel, Vila Maria e X-9 Paulistana. Com 268 pontos, a Acadêmicos do Tatuapé conseguiu se manter no grupo com um décimo a mais que a Mancha Verde, que foi inacreditavelmente rebaixada mais uma vez para o Grupo de Acesso, acompanhada pela Tom Maior, que ficou em último. No Grupo de Acesso, que desfilou sob fortíssima chuva, com direito a queda de luz durante o desfile da Independente Tricolor, que foi rebaixada (e chegou a liderar a apuração), a Unidos do Peruche conseguiu uma fantástica vitória e voltou ao Especial ao lado da Pérola Negra. A Filial do Samba só não havia caído para o Grupo I em 2014 por conta do erro da Estrela do Terceiro Milênio e deu a volta por cima.

Curiosidades

– A TV Globo manteve Chico Pinheiro e Monalisa Perrone no comando das transmissões, mexendo apenas nos comentaristas. Celso Viáfora e Paula Lima passaram a ganhar a companhia de Alemão do Cavaco. Por conta da transmissão no sábado ter se iniciado 21h, o esquenta da Vila Maria durou 40 minutos.

– A Tom Maior foi rebaixada após 11 carnavais na elite. O curioso é que foi ao lado da Mancha Verde, com quem havia subido em 2004.

– A Gaviões completou quatro carnavais fora do desfile das campeãs. Ressaltando os anos entre 2004 e 2008 quando ela foi como campeã do Acesso, é algo completamente inédito na história da escola.

– Marília Pêra fez uma participação especial no CD cantando o hino da Mocidade Alegre. Leci Brandão mais uma vez esteve na faixa da Tatuapé enquanto o samba da Águia de Ouro foi gravado por Serginho do Porto, substituído semanas antes do Carnaval por Douglinhas Aguiar.

– A Vai-Vai gravou novamente sua faixa no CD oficial duas vezes. Luizinho Andanças e Márcio Alexandre o fizeram, mas o primeiro foi substituído por Gilsinho antes do lançamento do disco.

– Depois de a temida chuva não dar as caras nos desfiles do Grupo Especial, os Grupos de Acesso e I da UESP foram realizados sob temporal.

– A modesta Imperatriz da Paulicéia, que acabou em oitavo lugar no Grupo III, a penúltima divisão, teve seu samba-enredo composto por Cláudio Russo, Marquinhos Beija-Flor, J. Velloso, Vinício e Dilson Marimba. É que o enredo da escola era sobre Neguinho da Beija-Flor. Cláudio Russo, aliás, também é autor do samba da Independente.

– Já a tradicionalíssima Lavapés venceu o Grupo IV e enfim deixou a última divisão do samba paulistano. Já a Barroca Zona Sul conseguiu uma surpreendente vitória no Grupo I e voltou ao Acesso.

– Não foi um ano dos melhores para as escolas oriundas de torcidas organizadas. Além da Mancha no Especial e a da Independente no Acesso, a Camisa 12 no Grupo I e a TUP no Grupo III foram rebaixadas. A Torcida Jovem não conseguiu a esperada vitória no Grupo I e a Gaviões ficou mais uma vez fora do desfile das campeãs, enquanto a Dragões não saiu muito contente com o quinto lugar. Para completar, a Pavilhão 9, campeã de 2014, não passou do nono lugar no concurso dos blocos.

Vídeos

A volta da Mancha Verde ao Especial
https://www.youtube.com/watch?v=6UXA3_OKyq4

O grande desfile da Tucuruvi
https://www.youtube.com/watch?v=DE975rKSrm8

Dragões da Real surpreendendo o Anhembi
https://www.youtube.com/watch?v=cOQT_IX08M4

Gaviões voltando a brigar pelo título
https://www.youtube.com/watch?v=XsP3oSjeQUc

Mocidade com Marília Pêra
https://www.youtube.com/watch?v=KujA1WoWu1Q

A campeã Vai-Vai
https://www.youtube.com/watch?v=a77u0cunkQw

Agradecimentos

Descontando esses agradecimentos, foram 25 textos, 331 páginas, 162.849 palavras, 962.961 caracteres até que eu pudesse enfim dizer que está encerrada a série Bodas de Prata. Começo esses agradecimentos citando o Bruno Malta, o então leitor e hoje colunista do Ouro de Tolo que deu o empurrão que faltava para que eu começasse a escrever esta série. Agradeço muito e sempre ao Pedro Migão, o editor-chefe desse blog, que acreditou na ideia e confiou, como tem confiado nesse mais de um ano em que estou no Ouro de Tolo, na minha capacidade para um trabalho tão longo. Devo dizer também que esse pode não ter sido o mais árduo dos trabalhos, mas confesso que, em alguns momentos, não foi tão prazeroso assim (muito embora em alguns casos eu tenha ido enfadado ao computador cumprir a meta de escrever sobre os quatro desfiles diários e tenha escrito sobre seis, sete, oito), então agradeço a Deus pelas vezes em que mandou aquele anjinho de desenho animado para soprar em meu ouvido que eu tinha que terminar o texto, derrotando o diabinho do “deixa pra amanhã”.

Agradeço também ao Fred Sabino, não só por desenvolver ao lado do Migão a série que serviu de confessa e assumida inspiração para esta, a “Sambódromo em Trinta Atos”, mas também por editar os textos, muitas vezes (incluindo este) enviados em cima da hora. Agradeço também pelas dicas e por ter vasculhado a internet atrás de fotos de desfiles antigos que eu não conseguia achar. Foi, sem dúvida, indispensável para o andamento dessa série. Agradeço também aos amigos Gabriel Curty, Gustavo Vaz, Henrique Brazão e Filipe Ribeiro, que divulgaram, pitaquearam e comentaram, publicamente ou não, a série. Agradeço também a outro amigo, o Cassius Abreu, por ter, além de divulgado e comentado, visto nessas linhas a oportunidade de se aproximar do Carnaval Paulistano. Agradeço também a todo o resto do time de colunistas, em especial Rafael Rafic e Emerson Braz, que também ajudaram na divulgação.

Também não posso deixar de citar nomes como Will FS que, além de fazer muito pertinentes comentários e ponderações, me ajudou em textos mais antigos com mapas completos de apurações. Também não dá para esquecer Felippe Barroso, Rodrigo Vilela, João Francisco, Rodrigo Paes, Cristiano Rodrigues, Guilherme Queiroz, Raphael, Anderson Maurici, Nathan Santos, Igor Munarim, Renato Bilotta, Ladislau Almeida e a todos os que vieram aqui e deixaram seu comentário, sua correção, seu adendo e estabeleceram interessantes debates sobre o Carnaval paulistano.

Agradeço também a você leitor que, comentando ou não, veio aqui e acompanhou um ou os 25 textos. Que se deu ao trabalho de reservar alguns minutos da sua semana para ler um pouco da história do Carnaval paulistano ou, o que é ainda mais gratificante para quem escreve, reviveu um momento especial e marcante na folia de Momo. Agradeço também aos loucos pelo Carnaval de São Paulo, especialmente ao Bruno Aredes Ribeiro, pelo acervo de vídeos sem o qual seria impossível sequer iniciar essa série. Agradeço também ao pessoal da SASP, a Sociedade dos Amantes do Samba Paulistano que tem o mais fantástico arquivo de informações sobre o Carnaval de São Paulo. A Bodas de Prata foi feita com o site aberto o tempo todo. E, de quebra, agradeço pela menção à série em um Debate Carnaval antes dos desfiles de 2015. Também agradeço ao acervo digital da Folha de S. Paulo e pelos jornalistas, que mesmo muitas vezes usando do deboche e da ironia nas coberturas, me ajudaram e muito com informações sobre os desfiles – em especial os mais antigos. Estendo também aos profissionais de rádio e TV, principalmente aos que acreditaram no Carnaval de São Paulo quando ainda se dizia que aqui era o túmulo do samba.

Mas vou encerrar esses agradecimentos, já me desculpando por eventualmente ter esquecido de alguém (certamente esqueci), agradecendo a cada Presidente, a cada intérprete, a cada carnavalesco, a cada casal de mestre-sala e porta-bandeira, a cada aderecista, a cada costureira, a cada componente que ajudou a fazer a história de cada um dos 326 desfiles das 25 escolas de samba que foram contados, com maior ou menos riqueza de detalhes, aqui nesse espaço. Salve Passo de Ouro, Águia de Ouro, Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro, Unidos do Peruche, Leandro de Itaquera, Barroca Zona Sul, Camisa Verde e Branco, Colorado do Brás, Gaviões da Fiel, Imperador do Ipiranga, Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos de São Miguel, Primeira da Aclimação, X-9 Paulistana, Tom Maior, Pérola Negra, Morro da Casa Verde, Unidos de São Lucas, Unidos de Vila Maria, Império de Casa Verde, Mancha Verde, Dragões da Real e todas as outras escolas que ainda não tiveram ou nunca terão a chance de participar de um desfile de Grupo Especial no Anhembi, mas que marcaram seus nomes na história.

E não agradeço aos pavilhões e aos profissionais do samba pela Bodas de Prata porque isso seria mesquinho demais. Agradeço pura e simplesmente por escreverem a história do samba paulistano, por mostrar o que a gente tem de melhor e criar esse espetáculo grandioso que temos atualmente. Uma história que, hoje, me dá orgulho em dizer que gosto do Carnaval de São Paulo e também de dizer que sou paulista. E uma história que eu tive a honra de poder contar ao menos uma parte ao final do 25º desfile da história do Anhembi. Que comece a comemoração pelas bodas de prata do Anhembi! Que venham mais 25 desfiles!

27 Replies to “Bodas de Prata – 2015: em nova vitória da música, Vai-Vai fatura título e põe fim ao domínio da Mocidade”

  1. Mais um excelente texto, fechando com chave de ouro essa ótima coluna.
    Sobre os desfiles:

    -MANCHA: bom desfile, a difícil missão de abrir o carnaval não pesou para a escola, que cantou e evoluiu bem. Alegorias e fantasias bem desenvolvidas, samba-enredo extramente funcional na avenida. Ainda tentando entender essa nova queda da Mancha, parece mesmo uma perseguição com a escola.

    -TUCURUVI: confesso que esperava mais desse desfile, a escola em grande parte de sua apresentação me pareceu fria, sem vontade de brincar o carnaval, mesmo com um samba animado. De resto, Wagner Santos mais uma vez mostrou que é um dos maiores carnavalescos de São Paulo. Na minha opinião voltaria ao desfile das campeãs no lugar da Águia de Ouro, não na posição da mesma, mas sim em um 5º lugar.

    -TOM MAIOR: bateria e chão da escola foram as únicas coisas que salvaram esse desfile. Ao contrário de outros anos, não foi suficiente para salvar a escola do rebaixamento. Desfile cansativo, aquele que você não vê a hora de acabar. Destaque para o terceiro carro, que de fato, foi muito bem desenvolvido.

    -DRAGÕES: que conjunto visual (alegorias e fantasias) fantástico, para mim o melhor do ano. Daniel Collete mais uma vez soube conduzir um samba médio e fazer a escola bringar o carnaval, não fosse o confuso enredo, disputaria décimo a décimo com Mocidade e Vai-Vai. Ao meu ver, achei o 5º lugar injusto, um 3º lugar seria mais condizente com a apresentação da escola, que não irá demorar muito para beliscar um campeonato.

    -ROSAS: uma boa estética, um chão incrível, que não se via a um bom tempo na Rosas, mas a sensação de estar vendo um desfile da escola que já passou pelo Anhembi. Um 4º lugar seria mais justo. Ressalto, que mesmo que saibamos que algumas notas não reflitam o desfile da escola, achei totalmente desnecessária a fala (longa) da Angelina, que foi na contramão do que dizia um trecho do samba-enredo “saber… ganhar ou perder”.

    -ÁGUIA: um desfile apenas correto. Achei o desenvolvimento do tema mais voltado em mostrar aspectos da cultura japonesa do que a união existente entre o país e o Brasil (como dizia o título do enredo). 4º lugar ficou mais do que de bom tamanho para a escola.

    -NENÊ: desfile para resgatar a alma da comunidade da zona leste. Um sambaço (ainda bem que não foi massacrado pelo Agnaldo), um chão extraordinário. Achei o 7º lugar justo.

    -VILA MARIA: com todo o respeito a comunidade da “vila mais famosa do Brasil”, que desfile chato, cansativo, desconexo. Achei inacreditável em alguns momentos da apuração a escola figurar entre as 5 primeiras, para mim, foi um desfile para voltar ao acesso, no lugar da Mancha.

    -GAVIÕES: outra comunidade que resgatou seu orgulho, boa plástica, bom chão, samba que funcionou, mas fiquei com a sensação que faltou algo a mais, faltou aquela mágica da “fiel torcida” dos carnavais do final dos anos 90 e início dos anos 2000.

    -MOCIDADE: a cada ano que passa, o prazer em assistir a um desfile da “morada do samba” só aumenta. Ótimo conjunto visual (mesmo com os problemas relatados pelo Dahi), ótima bateria, ótimo chão, Igor Sorriso arrebentando mais uma vez, enfim, um desfile digno de uma tri-campeã que lutava pelo tetra (que não veio por muito pouco).

    -IMPÉRIO: outro típico desfile que o “tigre” se acostumou a fazer desde 2008, alternando bons e maus momentos. Não acreditava que o samba renderia como rendeu. Posição justa pelo desfile que apresentou.

    -TATUAPÉ: acredito que é a escola que mais evoluiu nos últimos anos, tendo em vista que a 5,6 anos atrás havia caído para o grupo I da Uesp. Melhorou um pouco sua parte estética, mas em contraponto perdeu bastante no seu carro de som, que inacreditavelmente não funcionou, mesmo com os dois grandes interpretes que têm. Quase jogou todo um ano de trabalho por não saber organizar sua harmonia, um desfile que parecia controlado até quase o seu final, se perdeu nos últimos 10 minutos. Espero que fique a lição para a escola. Fico feliz que tenha se mantido no especial por todo o trabalho e evolução que vem apresentando.

    -VAI VAI: que samba, que chão. Conferi o desfile oficial e cantei do início ao fim. Assisti ao desfile das campeãs e cantei do início ao fim. Queria mais um desfile para fazer o mesmo novamente. Foi lindo ver a manifestação da arquibancada, foi lindo ver o renascimento da escola que parecia perdida na sua essência. Entretanto, precisa focar mais na sua parte estética, saber utilizar o dinheiro do seu carnaval em todos os setores, não somente nos iniciais. Se não fossem os problemas nas alegorias e em algumas fantasias, seria um desfile apoteótico, desses que seriam lembrados sempre, por qualquer um, pois foi nítida a emoção que cada componente carregou ao desfilar. Mesmo com os problemas apresentados, achei justo o título, mas como sou “vai vai apaixonado e doente”, sou suspeito para falar.

    -X9: outro desfile que esperava mais, um bom trabalho do André, mas me parece que a X9 entrou tímida, com medo do seu carnaval. Não achei justa a colocação da escola, embora um pouco tímida, muitos quesitos da escola passaram bem.

    Minha classificação, não considerando o incidente da Tatuapé, seria:

    1- Vai Vai
    2- Mocidade Alegre
    3- Dragões da Real
    4- Rosas de Ouro
    5- Acadêmicos do Tucuruvi
    6- Gaviões da Fiel
    7- X-9 Paulistana
    8- Nenê de Vila Matilde
    9- Águia de Ouro
    10- Acadêmicos do Tatuapé
    11- Império da Casa Verde
    12- Mancha Verde
    13- Unidos de Vila Maria
    14- Tom Maior

    Por fim, gostaria de parabenizar o Dahi e toda a equipe do Ouro de Tolo. Assim como a coluna “Trinta Atos”, essa foi sensacional, nos fazendo reviver grandes momentos do carnaval paulistano. Para um apaixonado pelo carnaval, como eu, é muito bom saber e conhecer profissionais como vocês, que se dedicam para essa grande arte do nosso país.

    Abraços

    1. Concordo com praticamente tudo o que você comentou, vimos praticamente o mesmo desfile embora minha campeã tenha sido a Mocidade e eu ache que o problema com o tempo poderia ter rebaixado a Tatuapé no lugar da Tom Maior. Quando a Angelina, não mencionei no texto porque achei melhor deixar pra lá, mas aproveitando que você mencionou, de fato não foi uma postura bacana. Por outro lado, Neguitão e Solange foram perfeitos nesse sentido. A atitude da Rosas não só foi lamentável, como surpreendente. Isso não combina nem com a Angelina, nem com a escola.

      1. Exatamente, a Angelina, assim como a Solange são duas presidentas que já mostraram o seu indiscutível valor para o carnaval, visto o que fazem com suas agremiações a anos. Também fiquei surpreso com o discurso dela, que mesmo sob vaias, insistiu e persistiu por um longo tempo.
        A Solange na apuração demonstrou novamente a competente pessoa e presidenta que é. Sabe aceitar a derrota da sua agremiação, reconhecer a vitória dos outros, e sua fala no desfile das campeãs só aumentou ainda mais o meu respeito por ela: “somos sambistas e não sambeiros, temos que reconhecer a vitória da Vai-Vai”, aplausos Solange.

  2. Obrigado pela lembrança, amigo! Estamos sempre aí para ajudar nas informações do Carnaval de SP que, infelizmente, tem muita pouca coisa divulgada de antigamente… Sobre 2015 prefiro não comentar agora pq ainda tô de ressaca deste Carnaval, que premiou não a escola mais bela em visual (longe disso), mas a que teve o melhor chão, mais emoção e um samba de verdade, ao contrário das demais (exceto a Nenê)! Título merecidíssimo! E sobre as rebaixadas, só colocaria a Vila Maria no lugar da Mancha…

  3. Parabéns Leonardo, confesso que não esperava a coluna de 2015 tão cedo, onde toda segunda aguardava com bastante expectativa a releitura dos antigos carnavais. Mesmo não comentando com frequência eu li todas!

    Seria legal fazer a do Rio de Janeiro 15 no Trinta Atos também. Também ainda não tô conseguindo opinar sobre esse ano devido a ressaca, mas faço assim que possível. Preciso assistir Vila Maria pois desfilei pela escola.

    Grande abraço e feliz ano novo!

  4. Uma correção: O carro abre-alas do Águia não veio do Japão, o que veio do Japão foi somente a grande escultura do quarto carro.

  5. Poxa, Leo, eu que agradeço a você pela série e pela lembrança. Mesmo não tendo comentado em todos os posts eu li tudo, aprendi muito e relembrei grandes momentos. Parabéns!

  6. E chegamos ao final do último ato dessa folia paulistaníssima. Muito obrigado por ter feito essa coletânea de carnavais, Dahi, isso não é só importante para os paulistanos (que muitas vezes não conhecem a história do próprio carnaval da cidade) mas tbm para os de fora tbm, que não tem a oportunidade ou o preconceito de assistir. Ah, e obrigado por citar-me, até vou desculpar a foto da Elis-Spock no texto rs.
    Mas vamos parar de considerações finais e vamos aos pitaquinhos mais frescos de todos, (que alguns de vcs provavelmente já sabem por conta dos meus comentários in loco sofá):

    – A Dupla Chico-Monalisa precisa ser reeditada até o fim dos tempos. Ambos deram um show de humor durante o desfile, ora falando coisas com o mínimo de nexo, ora fazendo coisas bizonhas (como o Chico botando a cara na lente da câmera). Além disso, vimos que a transmissão desse ano teve um cuidado melhor que nos anteriores;

    – Quem também precisa ir ao time principal é a dupla Canuto-Veruska, que deitaram e rolaram no desfile das campeãs: botaram meme na transmissão, o Canuto escorregou no tapete e caiu, Veruska visivelmente calibrada…

    Sobre os desfiles:

    – A Mancha Verde passou bem. Veio com boas fantasias, um bom samba, o Serdan se exaltando como sempre…foi um desfile mais do que digno e o manchão podia sonhar com um 8º/9º lugar fácil, fácil. Bem, vocês viram qual foi o desfecho desse sonho.

    – Tucuruvi veio fazendo o que mais sabia: desfilar pro povo e componente. O samba, que era um dos mais gostosos no pré-carnaval, só cresceu no desfile. O único mas foi a CF, que entendi BULHUFAS

    – A Tom Maior…A Tom Maior…eu não sei o que dizer daquele desfile. Se tem algo que se salvava naquilo tudo era a bateria Tom 30 e o René. Era um gosto duvidoso de cabo a rabo

    – Rosas e Dragões acabaram por cometer os mesmos erros: plástica impecável, mas houveram problemas em comunicação com o público e em enredo. Acho que até agora tô procurando o menino Tomás e a menina Rosa.

    – Rosa essa que se viu liberta de um tetra-vice, só pra ser 3ª colocada.

    – A Águia de Ouro entrou com um pulga na minha orelha: onde estará Serginho do Porto? Bem, ao menos a escola contava com o fantástico Douglinhas (recém voltado da aposentadoria) para puxar um samba bem inferior a histórico recente da escola. O que se pode destacar foram as alegorias que explicavam mais que a sinopse inteira, além de um monolito representando um samurai e um dragão que não me agradou muito.

    – Para salvar a noite, a Nenê fez uma magnífica apresentação (com direito a receber o prêmio de Melhor Baobá do carnaval 2015). A escola espantou as notícias pré-carnaval e fez um desfile pra ir pras campeãs.

    – Na segunda noite a Vila Maria (juntamente com a LIGA) foram a malandragem do momento: porque desfilar sem transmissão se podemos atrasar o desfile? A resposta foi um esquenta de 40 minutos com quase todos os sambas da Vila Maria de 2001 pra cá (que ao meu ver foi algo terrível lembrar do samba da rodovia Dutra ou dos caminhoneiros). Ao desfile em sim vale o meu abraço de incoerência de enredo: nenhuma setor dialogava com o outro -algo bem comum que fora visto no dia anterior-, aliado a um samba que não empolgou, fez a Vila Mais Famosa sentir o gosto do Acesso na boca.

    – Desfilando na sua posição eterna, a Gaviões fez um baralho de dar inveja no pessoal de Caxias: belas fantasias, um samba valente, uma plástica incrível e o mais importante: o desfile me lembrou do tempo da Gaviões assusta escola dos anos 90 até 2004. Foi ótimo ver a escola voltando ao que era ser. Mas como todo jogo de baralho tem o fator sorte, na quarta-feira de cinzas vimos que no final o baralho caxiense tinha cartas maiores que a Fiel. Uma verdadeira pena.

    – Bem, Mocidade é Mocidade, e por isso fez um desfile que combinou boa estética com um chão forte. Tirando um pierrô decapitado e um Teato, a escola foi perfeita. Mesmo Marília Pera acabou sendo um enredo carnavalizável e com uma incrível chance de título. Bravo Marília!

    – Já a minha humilde escola da boca da ZL, a Tatuapé, desfilou como este site: um verdadeiro Ouro de Tolo, ou tbm usando “falso-luxo”, já que a escola falou sobre o ouro e não pôde gastar muito para dar o luxo requerido ao enredo, que mesmo assim fez um desfile competente (muito pelo trabalho do Xuxa). A única e claramente maior ressalva foi pela evolução, que só não foi mais lenta pq não dá pra dar marcha ré no anhembi. Isso fez a apuração ser um incrível sufoco, já que perder 1,1 ponto já era decreto de rebaixamento adiantado.

    – A Império de Casa Verde fez um desfile que não beirou aos nível habituais de sonolência que ela trouxe nos anos anteriores. Gostei bastante da CF.

    – Vai-Vai…ahhhh a Vai-Vai. Acho que desde 2009 (ano que comecei a acompanhar os desfiles) não vi um sacode de tal nível. O “lalalalala” de Maria, Maria foi um trunfo a parte, conduzido perfeitamente por Gilsinho (vai na ginga) e Márcio André (tá bom de açúcar ou quer mais). A única broxada nessa catarse total foi a quarta e quinta alegoria, que mostraram uma já citada Elis de Spock e um Marciano no Trem Azul. Tirando isso, foi um desfile muito emociante, que embalou mais um título pra Saracura e espantou o cheiro de clorofila do 10º lugar do ano passado.

    – Terminando o GE e talvez me decepcionando, a X-9 foi o quebra-cara de 2015 pra mim: apostava até as calças que a escola poderia voltar a ser aquela escola que era de 97 à 2005. Isso não aconteceu, muito por conta das arquibancadas vazias ou pelo belo samba não ter pegado.

    – E a apuração hein? Das notas que dei para as 1

  7. E chegamos ao final do último ato dessa folia paulistaníssima. Muito obrigado por ter feito essa coletânea de carnavais, Dahi, isso não é só importante para os paulistanos (que muitas vezes não conhecem a história do próprio carnaval da cidade) mas tbm para os de fora tbm, que não tem a oportunidade ou o preconceito de assistir. Ah, e obrigado por citar-me, até vou desculpar a foto da Elis-Spock no texto rs.
    Mas vamos parar de considerações finais e vamos aos pitaquinhos mais frescos de todos, (que alguns de vcs provavelmente já sabem por conta dos meus comentários in loco sofá):

    – A Dupla Chico-Monalisa precisa ser reeditada até o fim dos tempos. Ambos deram um show de humor durante o desfile, ora falando coisas com o mínimo de nexo, ora fazendo coisas bizonhas (como o Chico botando a cara na lente da câmera). Além disso, vimos que a transmissão desse ano teve um cuidado melhor que nos anteriores;

    – Quem também precisa ir ao time principal é a dupla Canuto-Veruska, que deitaram e rolaram no desfile das campeãs: botaram meme na transmissão, o Canuto escorregou no tapete e caiu, Veruska visivelmente calibrada…

    Sobre os desfiles:

    – A Mancha Verde passou bem. Veio com boas fantasias, um bom samba, o Serdan se exaltando como sempre…foi um desfile mais do que digno e o manchão podia sonhar com um 8º/9º lugar fácil, fácil. Bem, vocês viram qual foi o desfecho desse sonho.

    – Tucuruvi veio fazendo o que mais sabia: desfilar pro povo e componente. O samba, que era um dos mais gostosos no pré-carnaval, só cresceu no desfile. O único mas foi a CF, que entendi BULHUFAS

    – A Tom Maior…A Tom Maior…eu não sei o que dizer daquele desfile. Se tem algo que se salvava naquilo tudo era a bateria Tom 30 e o René. Era um gosto duvidoso de cabo a rabo

    – Rosas e Dragões acabaram por cometer os mesmos erros: plástica impecável, mas houveram problemas em comunicação com o público e em enredo. Acho que até agora tô procurando o menino Tomás e a menina Rosa.

    – Rosa essa que se viu liberta de um tetra-vice, só pra ser 3ª colocada.

    – A Águia de Ouro entrou com um pulga na minha orelha: onde estará Serginho do Porto? Bem, ao menos a escola contava com o fantástico Douglinhas (recém voltado da aposentadoria) para puxar um samba bem inferior a histórico recente da escola. O que se pode destacar foram as alegorias que explicavam mais que a sinopse inteira, além de um monolito representando um samurai e um dragão que não me agradou muito.

    – Para salvar a noite, a Nenê fez uma magnífica apresentação (com direito a receber o prêmio de Melhor Baobá do carnaval 2015). A escola espantou as notícias pré-carnaval e fez um desfile pra ir pras campeãs.

    – Na segunda noite a Vila Maria (juntamente com a LIGA) foram a malandragem do momento: porque desfilar sem transmissão se podemos atrasar o desfile? A resposta foi um esquenta de 40 minutos com quase todos os sambas da Vila Maria de 2001 pra cá (que ao meu ver foi algo terrível lembrar do samba da rodovia Dutra ou dos caminhoneiros). Ao desfile em sim vale o meu abraço de incoerência de enredo: nenhuma setor dialogava com o outro -algo bem comum que fora visto no dia anterior-, aliado a um samba que não empolgou, fez a Vila Mais Famosa sentir o gosto do Acesso na boca.

    – Desfilando na sua posição eterna, a Gaviões fez um baralho de dar inveja no pessoal de Caxias: belas fantasias, um samba valente, uma plástica incrível e o mais importante: o desfile me lembrou do tempo da Gaviões assusta escola dos anos 90 até 2004. Foi ótimo ver a escola voltando ao que era ser. Mas como todo jogo de baralho tem o fator sorte, na quarta-feira de cinzas vimos que no final o baralho caxiense tinha cartas maiores que a Fiel. Uma verdadeira pena.

    – Bem, Mocidade é Mocidade, e por isso fez um desfile que combinou boa estética com um chão forte. Tirando um pierrô decapitado e um Teato, a escola foi perfeita. Mesmo Marília Pera acabou sendo um enredo carnavalizável e com uma incrível chance de título. Bravo Marília!

    – Já a minha humilde escola da boca da ZL, a Tatuapé, desfilou como este site: um verdadeiro Ouro de Tolo, ou tbm usando “falso-luxo”, já que a escola falou sobre o ouro e não pôde gastar muito para dar o luxo requerido ao enredo, que mesmo assim fez um desfile competente (muito pelo trabalho do Xuxa). A única e claramente maior ressalva foi pela evolução, que só não foi mais lenta pq não dá pra dar marcha ré no anhembi. Isso fez a apuração ser um incrível sufoco, já que perder 1,1 ponto já era decreto de rebaixamento adiantado.

    – A Império de Casa Verde fez um desfile que não beirou aos nível habituais de sonolência que ela trouxe nos anos anteriores. Gostei bastante da CF.

    – Vai-Vai…ahhhh a Vai-Vai. Acho que desde 2009 (ano que comecei a acompanhar os desfiles) não vi um sacode de tal nível. O “lalalalala” de Maria, Maria foi um trunfo a parte, conduzido perfeitamente por Gilsinho (vai na ginga) e Márcio André (tá bom de açúcar ou quer mais). A única broxada nessa catarse total foi a quarta e quinta alegoria, que mostraram uma já citada Elis de Spock e um Marciano no Trem Azul. Tirando isso, foi um desfile muito emociante, que embalou mais um título pra Saracura e espantou o cheiro de clorofila do 10º lugar do ano passado.

    – Terminando o GE e talvez me decepcionando, a X-9 foi o quebra-cara de 2015 pra mim: apostava até as calças que a escola poderia voltar a ser aquela escola que era de 97 à 2005. Isso não aconteceu, muito por conta das arquibancadas vazias ou pelo belo samba não ter pegado.

    – E a apuração hein? Das notas que dei para as 14 escolas, só acertei a colocação de 2 (Vila Maria e Tom Maior). Também foi surpreendente a Precisa e Também Preciosa ter ficado boa parte da apuração no desfile das campeãs. Provavelmente por ter a ex do cofcofpresidentedaligacofcof mas isso não vem ao caso.

    – Quem também tomou notas descondizentes foi a Gaviões, que chutou as campeãs já no quesito fantasia (que a propósito, canetou 12 escolas)

    Curiosidades:

    – Vai-Vai continua sendo a maior campeã do carnaval paulista, agora com 15 títulos e uma nova casa, lá na Ladeira da Memória. Ironicamente a sua atual quadra será demolida para passagem de um metrô e a nova quadra fica de cara com o metrô.

    – Fim da maior passagem pelo GE da Tom Maior. A escola que em 2007-2008-2009 surpreendeu, viu o rebaixamento de perto por 2 vezes (e dessas 2 vezes, mereceu cair em 3 situações diferentes)

    – Já é o segundo ano que a faixa da Morada tem uma abertura hora cômica, hora de fazer chorar: se em 2014 tivemos uma inspiradora fala de Cissa Guimarães procedido por um Amém! Cissa Guimarães da Solange, esse ano tivemos a homenageada, Marília Pera cantando o alusivo da escola (lá vem ela…) o que me arrancou gargalhadas.

    – A despeito do Tatuapé e do Império, todas as outras escolas tiveram uma bela evolução, com algumas podendo até gastar um tempinho que sobrava.

    Desculpem-me pelo tamanho do texto, mas tenho que contar tudo né? rs e só mais uma coisa: esses dias tava me perguntando: “Bem, se teve uma coluna para falar só do carnaval feito no anhembi, porque não voltamos mais no tempo para recordar os desfiles feitos na Saudosa Tiradentes e São João?”. Isso seria uma boa para recordar o carnaval mais povão do paulista, além de contar o incrível tetra do Camisa, ou os enredos da Peruche, ou até mesmo os carnavais inesquecíveis de pequenas escolas, tais como a barroca, colorado, cabeções…claro que por melhor que a ideia seja boa, seria difícil encontrar material para conseguir montar um texto com todas as escolas (já que o carnaval paulista daquela época tem muitos poucos registros de vídeos e outros).

    Outra ideia que bolei, se o redator-chefe do blog aceitasse e eu pudesse fazê-lo, seria fazer uma coletânea dos melhores sambas de cada escola “grande” do carnaval paulista, já que há muitas obras desconhecidas pelo grande público que são um primor aos ouvidos.

    Então, o que acham dessas duas ideias? Bem, obrigado a você que leu este humilde comentário, e até a próxima folia.

  8. Boa noite!

    Caro Leonardo:

    Nem nesta tão especial última coluna da série “Bodas de prata” eu cheguei “na hora”. Atrasado em 2 dias, deixo aqui meus pareceres sobre os desfiles de 2015.
    Pasme: concordo em muitos aspectos com você desta vez! A parte que eu discordo, porém… (Rá!)

    Sobre o carnaval em si:
    Não sei por que, mas eu acreditava num lindo carnaval. E foi! Pelo quarto ano consecutivo fiquei hospedado no Íbis Barra Funda (Praticamente ao lado do sambódromo!), e já na quinta-feira à noite fui visitar a concentração das Escolas, e ver o teste de luz e som com a Mocidade Alegre.
    Dica de ouro: há pessoas com motos, bicicletas e veículos pequenos vendendo pizza nas imediações do Anhembi! Com R$ 10,00 você saboreia Muzzarela ou Calabresa (Ou as duas, meio a meio) numa deliciosa iguaria com 35 cm de diâmetro! Só comi uma. Queria outra…

    Sobre os desfiles…

    – Mancha
    Bem, os “fofoqueiros” não estavam tão errados assim. Pode até ser que no “conjunto dos desfiles” a Mancha merecesse ficar, mas o seu desfile mal tinha terminado, e já se falava no descenso em parte da Monumental.
    Foi de meio para o fim da tabela. O bom gosto não surpreendia, sendo apenas correto. Já o mau gosto…

    – Tucuruvi
    Sacudiu legal! Belas fantasias, as melhores do ano, injustamente canetadas pelo júri (O mesmo que pontuou muito bem o Vai-Vai no mesmo quesito…). O conjunto alegórico era muito ruim! Já na concentração desagradava, e se não fosse o bom desfile, o rebaixamento era certo. Ela foi “salva” pelos quesitos de chão, assim como Enredo, uma pérola em 2015!

    – Tom Maior
    Tudo foi ruim! A bateria só foi interessante enquanto estava na pista evoluindo para ganhar aplausos do público. Depois que entrou no recuo, morreu junto com o samba e o resto da Escola.
    No mais, nada funcionou. O carro do cinema parecia a grande sensação do carnaval 2015 na concentração, mas possuía falta de padrão estético, e deixou de render o que poderia. Para os “fofoqueiros do Anhembi”, a Tom Maior desceria com alguém. Restava saber quem (A Mancha era uma das cotadas).

    – Dragões
    Faltou um bom samba. A Escola veio linda, e o enredo, que parecia complicado, foi revelado muito claramente na pista. Uma pena…

    – Rosas
    Grata surpresa! Quando visitei a concentração na Escola no dia anterior, pensei “Poxa! Mais um desfile cheio de bolos!” (Chamo os carros da Roseira de bolos, pois são lindos, mas estáticos). Aí entrou na pista uma Escola animada, movimentada, e bem resolvida. Faltaram um enredo e um samba melhores.

    – Águia
    O símbolo da Escola no abre-alas apagou no primeiro “lote” de arquibancadas, e assim ficou até o final do desfile. Uma pena! Seria um bom momento num dos desfiles mais chatos de 2015. Conforme você mencionou, era tudo muito confuso, com muita informação, e no final, não falava nada!

    – Nenê
    Nada a acrescentar ao seu relato. Foi isso mesmo!

    – Vila Maria
    Não! A Escola não estava bonita! A começar pelo abre-alas. Gastaram uma vida colando pedrinhas no “corpo” do Taj Mahal, e deixaram o resto dele com aquela pintura duvidosa…
    O vulcão do segundo carro é daqueles momentos que queremos esquecer no carnaval. O que eram as pessoas vestidas de lençol vermelho/amarelo/laranja deslizando nele para imitar o movimento da lava?

    – Gaviões
    O orçamento baixo existia, mas não foi percebido graças a muito bom gosto da equipe da Escola na montagem de seus carros. Parabéns! Outra grata surpresa.

    – Mocidade
    Foi o melhor desfile dos últimos 4 anos da Escola. Muito superior aos seus 3 títulos.
    = Sem mais =

    – Império
    Mais um ano esperando “a volta do Tigre”, que não aconteceu.
    Houve melhoras, e a Escola subiu mais um degrau, mas ainda falta muito…

    – Tatuapé
    O segundo carro podia até ser bem pensado, mas não foi bem realizado, e muito menos bem acabado! O quarto carro mostrou que sem dinheiro é possível ser criativo, divertido e com bom gosto (Como a Gaviões em todo o seu carnaval).

    – Vai-Vai
    O abre-alas só tinha tamanho, e isso mascarava um pouco as suas deficiências. Além disso, a parte que trazia o letreiro da Escola com o seu nome e a coroa era a mesma de 2013, mudando as cores (De dourado para prata) e o neon (De verde para azul). Um desrespeito ao público fiel do carnaval!
    Definitivamente, se eu fosse Jair Rodrigues, voltaria do além para puxar o pé de quem concebeu alegoria tão feia! Aliás, nenhuma alegoria do Vai-Vai pode ser destacada, porque faltou bom gosto na execução das mesmas. Se fosse uma Escola de menos nome, choveriam notas baixas.
    Belo trem azul? Aquilo era um caixote com LED nas laterais! Era tão ruim quanto o resto da alegoria (Com aquelas estrelas de festa rave no fundo…).

    – X-9
    André Machado deu um gás no visual da Escola!
    O carro dos Orixás era lindo!
    O terceiro carro (São José) deixou a desejar.
    O quarto carro, que parecia uma grande tragédia na área de concentração, mostrou-se uma das alegorias mais criativas, divertidas e funcionais do carnaval 2015! Grata surpresa. Queimei a língua feliz!

    No mais, só restam os agradecimentos por esta série tão inesquecível quanto a Sapucaí em 30 atos.
    Lamento não ter “comparecido” aqui sempre. Pelo menos assim você ficou um pouco “aliviado” de discordâncias (Sim, porque batemos de frente em muitas coisas!). Discordâncias estas, talvez pela diferença no local de onde vemos os desfiles. Confesso que meu “cafofo” na monumental é bem privilegiado. Espero que você se anime a mudar de setor em 2016, e apareça por lá!

    É bem estranho pensar que na próxima semana não haverá bodas de prata, mas a gente se acostuma!
    Fica também uma dica: em 2017, o Sambão do Povo, em Vitória, completará 30 anos!
    Deixo aqui meus sinceros parabéns!

    Atenciosamente
    Fellipe Barroso

    1. Eu vou tentar ir ao Anhembi em 2016 sim. Quanto as discordâncias, acho que são naturais, por visões diferentes, não pelo lugar diferente. Enfim, agradeço pela participação aqui durante toda a série!

      1. Lugares diferentes dão visões diferentes. É nesta onda que, muitas vezes, o júri vê umas coisas bem estranhas! Rá!

        1. Além disso, como cheguei a postar no Facebook durante o desfile da Nenê, o que se via na Globo era muito melhor do que ao vivo!

  9. Bom, já falei sobre e não vou me estender muito sobre os comentários gerais da série.

    Eu como leitor e admirador da mesma, só tenho a agradecer pelo brilhante conteúdo colocado aqui nesta coluna, no geral, apenas meus parabéns e MUITO merecidos para o Leo.

    Eu poderia me alongar nos comentários dos desfiles em si. Mas como o Renato escreveu exatamente TUDO o que eu pensava e queria dizer, eu simplesmente fiquei sem falar algo novo.

    Ah, pra não dizer que não falei nada novo. A explicação para o carro Pé na Cova, foi um pedido da homenageada que queria mostrar onde estava atuando no enredo, queria mostrar que ainda estava em atividade.

    No mais é isso, fica meus parabéns a você e a gratidão por ter colocado em prática uma ideia de um mero leitor.

    É isso aí, que venha 2016.

  10. Nobre Dahi, muito obrigado pela gentil lembrança. Você merece esse apreço pelo carinho e dedicação com que escreve. Ainda não vi todos os desfiles desse ano de SP, pois nos dois dias, assisti a Série A. Estou vendo aos poucos e depois passo aqui de novo para deixar minhas impressões.

    Abraços !

  11. Bom, dito e feito…rsrs. Aqui vai minha classsificação pessoal e pequenos comentários apenas, visto que as obs. mais detalhadas você já fez muito bem, assim como alguns colegas comentaristas.

    Abraços.

    1-Tucuruvi. A mais completa. Enredo claro, o samba é uma delícia, bareria competente, fantasias de bom gosto, alegorias idem. Desfile animado e campeão. Tucuruvi teve tudo o que uma Escola de samba precisa.

    2-Dragões (A melhor plástica com folga, a terceira alegoria foi a melhor do carnaval de SP pra mim (coisa linda !!!), mas faltou samba(e como faltou) e um desenvolvimento de enredo melhor.

    3-Vai-Vai (Até aqui, cada uma com seus pontos fortes, o título estaria em boas mãos, como ficou, com o sacode da saracura. Pego-me cantando o samba até agora. Que show !) A plástica ficou devendo, principalmente nas alegorias. A quarta (“Elis Spock”) resume tudo. Todavia, foi uma vitória da música, do chão, de um enredo bem desenvolvido, como um grande show de Elis.

    4-Mocidade Alegre. Melhor desfile que 2014 e 2013 com folga. No mesmo nível que 2012. Como desfila bem a Morada. Uma máquina de fazer carnaval, no melhor sentido. Mas desta vez, mais por mérito das outras, não fez um carnaval que a fizesse ser superior as que citei anteiormente.

    5-Rosas de Ouro. Linda, porém chata. Mal de samba, mas arrasadora de chão. Muda essa linha de enredo, Rosas. Dá um tempinho. Vai te fazer bem. A Roseira pode mais !

    6-X-9. Deixa chover, deixa molhar…Como eu gosto desse samba..rs. Concordo plenamente quando diz que a homenagem aos 40 anos ficou totalmente deslocada do restante do enredo. O carro da poluição foi um dos mais criativos do ano, realmente. Grande André Machado, um dos gigantes do carnaval de SP. Royce do Cavaco foi o melhor intérprete do ano. O carro de som da X deu show !

    7-Nenê. Raça, chão, samba no pé. Uma plástica boa e um enredo desenvolvido com a segurança que os temas afro geralmente dão. Musicalmante, um dos melhores.

    8-Gaviões. Veio com dignidade e certa imponência, superando as dificuldades financeiras. Não dava pra buscar algo a mais não. No mais, parabéns a escola pelo belo e interessante enredo apresentado.

    9-Águia de Ouro. Águia de Ouro em 4º é como elefante em cima da árvore. Ninguém sabe como foi parar ali. Só a animação dos componentes se destacou com aquele samba chinfrim e uma plástica medonha em 50% do desfile.

    10-Tatuapé. Uma pena o estouro do tempo. Foi um desfile digno. A escola escolheu um tema arriscado para quem tem poucos recursos. Eu gostei demais do desenvolvimento do enredo, com destaque para a segunda alegoria, ainda que com algumas falhas. Mesmo com a evolução prejudicada, ficaria em 10º pelo bom conjunto da obra

    11-Império de Casa verde. Deu uma melhorada em relação aos últimos anos, mas o enredo foi à la Rosas de Ouro, uma chatice só. Salvo a bela bateria e algumas fantasias. Saudade da Casa Verde Imponente e metendo medo.

    12-Mancha Verde. Fez o suficiente para ficar, que era seu objetivo, e inexplicavelmente caiu mais uma vez. Injustiça grande. Desfile simples, mas bem amarradinho. Basicão, mas digno.

    13-Vila Maria (Cadê a Vila Maria que até 2008 arrasava? Depois, apenas um bom desfile em 2011 e só) Pra mim, cairia esse ano. Samba chato, enredo pouco envolvente, alegorias de gosto duvidoso…

    14-Tom Maior (Triste ver a escola que fez um dos desfiles mais marcantes na minha mente e totalmente incompreendido pelo juri do carnaval de SP pra mim (Angola – 2009), apresentar um fiasco desses, sendo que já poderia ter caído antes e acabou se safando, mas desta vez não teve jeito. Boa sorte a escola na sua reconstrução.

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