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Finalizando minha “minimaratona” da Copa do Mundo, na última quarta feira assisti a Equador e França, pela derradeira rodada da fase de grupos. A França virtualmente classificada (embora não matematicamente), com seis pontos, enquanto que o Equador, segundo colocado até então, precisaria vencer a seleção gaulesa ou então esperar por um improvável tropeço da Suiça contra Honduras, que jogavam em Manaus no mesmo horário.

Também seria a oportunidade da torcida do Flamengo ver em ação o seu único convocado para esta competição: o zagueiro Erazo, titular da seleção equatoriana.

20140625_145016Como para mim foi feriado integral no dia do jogo, pude sair de casa sem grandes atropelos. Para uma partida com início marcado para as 17 horas, às 14:50 já estava desembarcando na estação São Cristóvão do metrô, tal como fizera nas vezes anteriores. Não sem antes ter encontrado certa dificuldade para estacionar no shopping Nova América: a conjunção “jogo da Copa + semi feriado” deixou o centro comercial bastante cheio.

O esquema de segurança era ainda maior que o encontrado no último domingo. Talvez por envolver uma vez mais uma seleção sul americana após os tumultos ocorridos nos jogos de Argentina e Chile, o esquema foi ainda mais reforçado. Entretanto, embora em número expressivo, os equatorianos estavam em bem menor número que argentinos e chilenos anteriormente.

20140625_145636Repetiu-se o esquema de se apresentar o ingresso para poder passar em diversas barreiras policiais. Embora estivesse com a camisa da seleção francesa, o boné do Flamengo que estava utilizando me poupou de ser abordado em inglês pelos PMs, ao contrário do que ocorrera no último domingo. O movimento nas cercanias era maior, não sei se por ter chegado um pouco mais tarde ou pela própria natureza do jogo.

Passei pela catraca, sem grandes novidades, e um ponto piorou: onde fiquei (Setor D, ou Leste Superior), havia muita gente confusa com a localização numérica dos setores, sem auxilio adequado por parte dos voluntários e seguranças privados contratados. Pelo menos em três ocasiões vieram pessoas dizendo que eu estava sentado no lugar delas, até que mostrava o setor e convencia que elas é que estavam nos lugares incorretos.

20140625_150303Aliás e a propósito, estes seguranças privados estavam muito mais preocupados em reprimir quem encostava o pé nas cadeiras da frente que propriamente exercer sua função. Embora o espaço entre as fileiras no Maracanã seja maior que no Estádio Nacional – até pela inclinação mais suave – é virtualmente impossível para uma pessoa com mais de 1m70 de altura (tenho 1m78) não esbarrar nas cadeiras da frente. Um preciosismo desnecessário.

Apesar do forte calor que fazia e do sol batendo diretamente em nosso setor, foi o jogo onde o atendimento dos bares foi o mais tranquilo, sem filas insuportáveis em nenhum momento a não ser durante o intervalo. O curioso é que encontrei novamente não só a família de americanos como os galeses de domingo, que tinham ingressos para a mesma área do estádio. Também fui reconhecido por pelo menos três leitores desta revista eletrônica, embora isso não fosse muito difícil: minha camisa tinha nome nas costas.

20140625_150931Outra coisa a se notar é que dos jogos a que fui ao Maracanã este foi sem dúvida o de maior presença feminina, não somente equatorianas e francesas como de locais. Outra curiosidade era um expressivo número de casais homossexuais franceses – e alguns americanos – presentes para assistir à partida, o que traz à tona outra característica do carioca, o de ser um povo mais “gay friendly” que a média brasileira. Não vi qualquer demonstração de homofobia.

No aquecimento antes da partida o já citado Erazo foi um capítulo à parte. Muitos rubro-negros o xingando e evocando o estúpido pênalti cometido pelo jogador na decisão do último Cariocão, enquanto outros gritavam o nome dele. Entre os próprios equatorianos com quem conversei as opiniões estavam bastante divididas sobre o jogador em questão.

Uns 20 minutos antes da partida se iniciar parecia que o público seria um pouco menor que o dos jogos anteriores, mas talvez devido ao sol muita gente tomou seus lugares apenas em cima da hora. Ao fim e ao cabo, tivemos 73 mil pessoas assistindo à peleja.

A torcida da França se concentrou especialmente atrás do gol à direita das cabines, enquanto os equatorianos estavam mais espalhados pelos diferentes setores – com uma concentração um pouco maior atrás do gol à esquerda. Os franceses com seu grito característico de “allez lês Bleus” – algo como “vamos, azuis” e em alguns momentos cantando a Marselhesa, seu hino nacional, a capella.

Aliás a execução da Marselhesa (acima) é sempre um momento de muita emoção. Deixa qualquer um arrepiado, mesmo quem não é francês. Sem dúvida alguma, um dos pontos altos desta Copa do Mundo no Brasil. O hino equatoriano também foi muito cantado pelo público (abaixo), mas nada supera o hino francês. Por outro lado, em mais uma decisão equivocada a seleção francesa foi obrigada a jogar de branco, embora o azul de sua camisa não confundisse nem de longe com o amarelo equatoriano.

A partida teve dois tempos bem distintos. Na primeira etapa uma França – que poupou alguns titulares – buscando um pouco mais o gol, embora parecesse satisfeita com o empate que lhe confirmava a primeira colocação neste Grupo E. Acabou-se por ter uma primeira metade de partida bastante morna, sem grandes emoções.

20140625_163541No segundo tempo, após a expulsão de um jogador equatoriano – que não vi, pois tinha ido ao banheiro – o jogo ficou mais franco. A França começou a buscar mais incisivamente o gol e os equatorianos, embalados pelo “si se puede” entoado por sua torcida, tentavam em contra ataques buscar os dois gols de que necessitavam para lograr sua classificação – já que a Suiça aquele momento fazia três a zero em Honduras.

Entretanto, apesar de diversas chances de gol, o zero a zero não saiu do placar, especialmente devido a uma boa atuação do goleiro sul americano. E, surpreendentemente, do criticado Erazo, que fez uma ótima partida e anulou o badalado atacante francês Benzema, chegando a ter o nome gritado durante o jogo.

20140625_163516Ainda assim, apesar do marcador não ter saído do zero, foi uma partida bem melhor que o modorrento Bélgica e Rússia do último domingo. Entretanto, à exceção de Chile e Espanha e a momentos esparsos como o gol de Messi e o tento belga, a verdade é que pelo menos nesta primeira fase os jogos disputados aqui no Rio de Janeiro ficaram devendo, comparados a outras sedes.

Vamos ver se na batalha que se prenuncia hoje entre Colômbia e Uruguai – no que será um ótimo teste para as forças de segurança, com estimados 40 mil torcedores das duas seleções presentes – e na possível quartas de final entre Alemanha e França este quadro muda. A não ser que consiga ingressos para semifinal ou final, estas serão as últimas partidas a que assistirei ao vivo nesta Copa do Mundo do Brasil.

20140625_170138Bom, com o resultado a França ratificou não somente sua classificação à segunda fase como o primeiro lugar, o que lhe garantiu um confronto perfeitamente acessível nas oitavas de final contra a Nigéria. Já o Equador se despediu da competição, especialmente devido ao erro do citado Erazo no último lance da partida contra a Suíça, o que custou a derrota e a posterior eliminação.

Retorno tranquilo no metrô, lanche no shopping e retorno para casa. Aliás, uma “off topic”: abriu no segundo piso do shopping citado uma loja especializada em material dos esportes americanos, especialmente da NBA. Vale uma visita.

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