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Depois de um longo e tenebroso inverno, a coluna retorna para fazer uma salada mista, dar uma temperada nos assuntos e cozinhar uma mistureba. O tema de hoje não é apenas um, mas vários num só contexto: a Copa do Mundo no nosso país.

Eu, como bom apreciador do futebol, é claro, não poderia ficar de fora do maior evento desse esporte que tanto amo. Portanto, além de tecer comentários sobre as minhas impressões como amante do futebol e da boa organização dos jogos (mais ou menos no plural, como verão) que fui, destacarei uma situação que me ocorreu por conta da Copa e explicarei a minha visão jurídica sobre o fato. Então vamos nessa?

torcidacopa4Uma consideração rápida antes de entrar nos relatos: há três semanas me mudei para Copacabana, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, e, lhes garanto, capital mundial da Copa do Mundo. A qualquer hora do dia, da noite, da madrugada, do amanhecer, o que for, tem festa em algum canto da região. Festa, no caso, cantoria ou apenas troca de amenidades entre brasileiros e gringos de incontáveis nacionalidades: já vi chileno, argentino, americano, espanhol, inglês, francês, equatoriano, colombiano, iraniano (sim, até iraniano!) e por aí vai. Se você ainda não sentiu o clima de Copa, recomendo um passeio por Copacabana, principalmente pela orla. É divertidíssimo, e é impressionante ver como os turistas admiram a habilidade brasileira no futevôlei e no beach soccer. Fica a primeira dica.

Agora falando do que interessa, a primeira (e na verdade única) partida que acompanhei in loco foi justamente o jogo de estreia do Maracanã na Copa: Argentina x Bósnia. A partida em si não foi as melhores tecnicamente, apesar de claramente a favorita Argentina tenha se complicado num jogo que lhe começou fácil. Mas o foco é outro, como falei no parágrafo anterior. Vamos falar das minhas visões sobre o evento em si.

Estimo que já tenha ido ao Maracanã mais de trezentas vezes. Muitas delas para jogos com público até maior, muitas delas para presenciar jogos espetaculares e resultados memoráveis. Mas o que eu vi naquele domingo, 15 de junho de 2014, eu equiparo a apenas duas ocasiões da minha vida: as duas vezes que assisti ao vivo a uma partida de NBA, nos Estados Unidos. Por que eu tive essa sensação? Porque o jogo, em si, era “só” mais um fator. A Copa do Mundo é um show. Um espetáculo belíssimo, seja pelo clima das torcidas, o colorido do estádio ou então pela presença de grandes craques, fiquei absolutamente extasiado naquele lugar que eu conheço tão bem.

Em termos de organização, sinceramente, de minha parte correu tudo na mais perfeita ordem. Metrô para ir e vir com certa facilidade (considerando a envergadura do evento), lugar marcado e respeitado, voluntários aos montes ajudando a quem tinha alguma dúvida. Até a PM, pasmem!, estava solícita e ajudou um rapaz (brasileiro) que havia perdido algum objeto e conseguiu recuperá-lo.

torcidacopa3O ponto negativo do domingo foi perceber que nem todos conseguem pôr o espetáculo acima de rivalidades futebolísticas e provocações naturais da competição. Pouco acima do meu assento, presenciei uma briga (vias de fato mesmo) entre um argentino e um brasileiro. Uma pena que os dois trouxas não conseguiram absorver nem um pouco do que aquele momento representava. Era Copa do Mundo, afinal. Fica aqui a preocupação para um possível Brasil x Argentina na decisão.

Agora vamos relatar o segundo jogo que eu (não) vi. Antes mesmo de conseguir o ingresso da partida da Argentina, temendo ficar de fora da festa, acabei comprando dois ingressos (eu iria com a minha noiva) para Bélgica x Argélia, em Belo Horizonte. Aliás, um adendo: buscar ingressos em General Severiano foi muito simples. Demorei menos de 40 segundos lá dentro para imprimir meus ingressos, com muita gente trabalhando e auxiliando quem tinha alguma dúvida. Feito o adendo, voltemos ao ocorrido.

Jogo marcado para 13h, no Mineirão. Conseguimos uma passagem a um bom preço, com previsão de chegada em Minas antes mesmo das 8 da manhã. Daria tempo de sobra para chegar com calma ao estádio. Daria, se não fosse um pequeno detalhe: o Santos Dumont fechado (e por algum momento, o Galeão também). Motivo: alto índice de neblina, a primeira vez que o aeroporto (que costumeiramente fecha por isso) estava passando por aquilo naquela Copa.

Brazil Soccer WCup Brazil CroatiaComo o voo ainda tinha uma margem razoável para o horário do jogo, esperamos com expectativa pela reabertura. Não só eu e a minha noiva, como outros vários brasileiros, além de, claro, de argelinos e belgas, que até então aparentemente não estavam muito preocupados (ou então não imaginavam do risco que corríamos de perder o cotejo): sorriam, tiravam fotos, faziam brincadeiras com modelos num stand da Budweiser e por aí vai. Pegar o avião era questão de tempo. Enquanto isso, nós brasileiros nos reunimos pensando em opções, todas elas de improviso e nenhuma delas razoável para chegarmos a tempo. Até que a supervisora da Gol veio dar maiores detalhes e ficou claríssimo: pra nós, naquele dia, não ia ter Copa.

Aí você me pergunta: “o que fazer juridicamente nessas situações, Rodrigo”. Sinceramente? A meu ver, nada. Senta, chora e rasga o ingresso. Claro que o ressarcimento da passagem deve ocorrer (e assim foi feito pela companhia na própria loja deles no SDU), mas não tem discussão sobre indenização. Infelizmente não dá para processar São Pedro nesses casos (e em nenhum caso, acho). Todas as companhias estavam com seus voos atrasados ou cancelados. Nenhuma aeronave chegava, nenhuma saía. É o que chamamos de força maior. Em casos de força maior, a responsabilidade pelo dano é da natureza, ou seja, de ninguém. Voltamos pra casa frustrados, mas a tempo de acompanhar o jogo pela TV (risos).

Assim foi (e está sendo) a minha Copa do Mundo: com gol contra pra Argentina, gol de Messi, chá de cadeira em aeroporto, mas principalmente com a sensação de que estou vivendo um momento histórico. E que meus netos ainda vão ouvir muito sobre ele.

Fica pra sempre, Copa do Mundo, porque vai ter bolo.