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Final de semana corrido, mas não posso deixar de comentar o escândalo de corrupção que estourou envolvendo o Governador de Brasília, José Roberto Arruda (foto abaixo), seu vice e mais da metade da Câmara Distrital da cidade.
Penso que este é um exemplo muito elucidativo de que, como escrevi em artigo anterior, o DEM (ex-PFL) age da mesma forma, até pior, do que tudo o que critica em seus adversários políticos. Na prática, posam de virgens em bordel, coisa que, absolutamente, não o são.
As imagens são inacreditáveis.
Aproveito para reproduzir abaixo dois textos. Um do site Congresso em Foco, citado pelo jornalista Luis Nassif. E outro, do jornalista, tucano-pefelista e anti-petista Ricardo Noblat.
Congresso em Foco:
Arruda e integrantes do esquema souberam da investigação. Temendo pela vida, Durval desistiu de prosseguir com grampos

(Rudolfo Lago)

“A intenção da Polícia Federal e do Ministério Público não era estourar agora a Operação Caixa de Pandora. A investigação deveria prosseguir, com o rastreio do dinheiro da propina e com mais grampos feitos pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que, após um acordo de delação premiada, concordara em gravar em áudio e vídeo conversas com o governador José Roberto Arruda e outros integrantes da, como classifica o inquérito, “organização criminosa”. Ocorre, porém, que no início de novembro, a operação vazou. Arruda tentou, em vão, ter acesso ao processo. A documentação inclusa no inquérito mostra que a informação sobre a existência da investigação chegara também à imprensa: há uma solicitação do jornal O Estado de S.Paulo para ter acesso ao processo, para “formulação de matéria jornalística”. Os passos do vazamento que precipitou o final da operação são detalhados no final do último volume de apensos do processo.

No dia 4 de novembro, Durval recebe uma mensagem de celular vinda do chefe da Casa Civil do governo do Distrito Federal, José Geraldo Maciel: “Seja bem cauteloso, mais do que você já tem sido”. Os dois, então, combinam um encontro na quadra 309 Sul, ao lado da banca de revista. Maciel diz a Durval que ficou sabendo que o STJ havia determinado à Polícia Federal que investigasse, no âmbito do DF, cerca de 30 pessoas. Que poderiam fazer parte dessa investigação o presidente Tribunal de Justiça do DF, Nívio Geraldo Gonçalves, o procurado geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, o governador José Roberto Arruda e o vice-governador Paulo Otávio.

Quando Maciel passou essa informação a Arruda, a resposta do governador foi a seguinte: “Se a fonte for do STJ, então é confiável,e a investigação existe”. Arruda deu, então, ordem a todos os secretários e para todas as pessoas “que manipulassem dinheiro” para que agissem com cautela. Geraldo Maciel comentou que não concordava com o fato de haver no governo tanta gente “captando recursos financeiros”, e que acreditava que Arruda teria “perdido o controle” da sua rede de captadores.

No dia 12 de novembro, o cerco se aperta e Durval manda a seguinte mensagem para um celular da Polícia Federal, às 16h09: “Situação ficando insustentável”. Completava dizendo que Maciel já comentara sobre o processo 650. Que já sabia que o relator era o ministro Fernando Gonçalves e que as quebras de sigilo foram determinadas pelo ministro Felix Fischer. E que Arruda pediu vistas do processo, por meio de seu advogado, Cláudio Fruet. Ao final da mensagem, Durval pergunta: “O que fazer?” Às 16h26, ele manda outra mensagem para o mesmo celular da PF: “Começo temer pelo desconhecido. Outra: disse tratar-se de delação, só não sabe de quem”.

No dia 13, Durval vai à PF e presta um depoimento em que dá mais detalhes da conversa que tivera no dia anterior com Maciel. Na conversa, o chefe da Casa Civil informa a ele já saber que o processo tem como alvos ele próprio, Arruda, o conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Lamoglia e Durval. Sabia também que a investigação se iniciara a partir de uma delação premiada. Maciel diz a Durval desconfiar que a delação teria sido feita por “algum empresário descontente”. Arruda pedira vistas do processo através do advogado Cláudio Fruet, escolhido por ter “suposta influência no STJ”. Maciel pergunta, então: “Você sabe mais alguma coisa a respeito disso?”.

À PF, Durval diz acreditar que Maciel, àquela altura, já tiha “quase certeza” de que o delator era ele. E completa dizendo que se sente ameaçado, porque Arruda “é fascinado pelo poder, e é capaz de qualquer coisa para preservá-lo”. E que o chefe de gabinete de Arruda, Fábio Simão, “é capaz de executar qualquer ordem ou desejo do governador”, já tendo um histórico de “contratação de capangas para provocar baderna e brigar na rua”. Perguntado se “temia pela sua vida”, Durval “respondeu que sim”.

“Ou me mato ou mato você”

Antes de agir como colaborador da polícia, Durval já gravava Arruda. E Arruda sabia disso. Durval relata em seu depoimento que, entre os dias 20 e 25 de dezembro de 2008, Arruda disse a ele a seguinte frase: “Se você apresentar essas imagens da minha pessoa, você me avise com cinco dias de antecedência que é para eu sumir ou dar um tiro na minha cabeça ou te matar”. Durval diz que a conversa se deu no seguinte contexto: Arruda teria lhe oferecido R$ 60 milhões e mais R$ 10 milhões por cada ano de governo subsequente, num total de R$ 100 milhões, para que não fizesse qualquer denúncia referente às atividades de arrecadação ilítica de recursos públicos. Ao final do depoimento, Durval diz que “já não se sente confortável” em prosseguir “com a colaboração nos moldes que vinha sendo feito”.

Diante da situação, no dia 13 de novembro, o delegado Alfredo José de Souza Junqueira, da Inteligência da PF, envia uma correspondência ao ministro do STJ, Fernando Gonçalves. “Inicialmente, a Polícia Federal havia planejado trabalhar sigilosamente com (…) Durval Barbosa Rodrigues por um período maior que o que se encerra neste momento”, explica o delegado. “Entretanto, os investigados tiveram acesso indevido a informações protegidas por segredo de Justiça e tomaram conhecimento da investigação”, continua.

“Considerando que ainda não se identificou a origem do vazamento, pode-se concuir que o sigilo das informações contidas nos autos do inquérito e nos autos apartados não será preservado por muito tempo”. Junqueira pede, então, a Fernando Gonçalves que autorize a execuçãod e mandatos de busca e apreensão nas casas e nos escritórios dos suspeitos. Fernando Gonçalves concede a autorização no dia 26 de novembro. As buscas acontecem, então, na manhã do dia 28 de novembro. E uma crise política sem precedentes instaura-se na política de Brasília.”

Noblat:
“Pouco importa o que venha a fazer o governador José Roberto Arruda (DEM), do Distrito Federal. Pode ficar no cargo para evitar o risco de ser preso. Pode pedir licença. Se renunciar ao mandato tanto pior.

Mas uma coisa é certa: o plano de se reeleger foi engolido pelo mensalão embolsado por ele e sua turma. Não tem pão? Vá comer panetone.

Esse, sim, é um mensalão digno de ser encarado como tal e tratado com deferência. Perto do mensalão de Arruda, o do PT denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não passou de um mensalinho.

É razoável supor que o mensalão do PT movimentou mais grana. Ocorre que ele era federal. O novo mensalão é distrital. De resto, vista de longe, Brasília se limita à Esplanada dos Ministérios.

É por isso que a maioria dos brasileiros não dá bola para o que se passa dentro das quatro linhas da política brasiliense. A imprensa de fora só raramente – embora muitos dos seus jornalistas vivam aqui.

Esqueça a imprensa local. O DNA dela é governista.

No último sábado, por exemplo, os dois principais jornais da cidade operaram o prodígio de noticiar o mensalão de Arruda livrando a cara de…De quem mesmo? De Arruda. O terceiro jornal não deu uma linha.

Repetiram a dose no domingo.

A imagem inaugural do mensalão do PT foi aquela do funcionário da empresa Correios & Telégrafos recebendo uma gorjeta de R$ 3 mil.

A do mensalão do DEM foi a do governador recebendo uma gorda quantia de dinheiro.

A gorjeta foi paga por um ex-bicheiro interessado em fazer negócios com o Correios.

O dinheiro foi entregue a Arruda pelo seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa.

Não há um único depoimento que incrimine Lula ou o vice-presidente José Alencar na denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra os mensaleiros do PT.

Fita de vídeo ou de áudio que flagre mensaleiros de alto coturno discutindo a partilha do “faz-me rir”? Não existe. Mesmo contra o ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da “organização criminosa”, há poucos indícios de fato consistentes.

Arruda também foi filmado conversando com Durval e com o chefe da Casa Civil do governo sobre a necessidade de unificar a forma de pagamento de propinas a secretários de Estados e deputados distritais.

E outra vez foi filmado ouvindo Durval explicar que 40% do dinheiro arrecadado junto a quatro empresas da área de informática caberiam a ele, Arruda, 30% ao vice-governador Paulo Octavio e o resto ao demais beneficiados.

Há pontos em comum entre os dois mensalões.

Primeiro: o dinheiro serviu para facilitar a aprovação na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal de projetos dos governos Lula e Arruda.

Segundo: os presidentes de ambas as Câmaras participaram do esquema.

Terceiro: Lula chamou seu mensalão de Caixa 2. Arruda chamou o dele de ação meritória para a compra de panetones destinados a saciar a fome dos pobres.

Sempre se poderá dizer que os mensaleiros do PT demonstraram mais esperteza. Deixaram menos rastros capazes de mandá-los para a cadeia.

Os mensaleiros distritais foram confiantes demais, relapsos demais e acreditaram em excesso que escapariam impunes.

Produziram o mais bem documentado escândalo da história política recente do país. Coisa de deixar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, de queixo caído.

Os mensaleiros do PT tentaram se apossar da máquina do Estado, segundo a denúncia acolhida pelo STF.

Os mensaleiros de Brasília, não – a máquina do Estado é deles desde que Joaquim Roriz chegou ao poder pela primeira vez. Ele governou quatro vezes. Em 2006, ajudou seu ex-pupilo Arruda a se eleger.

Arruda herdou de Roriz parte dos seus auxiliares. Durval foi um deles. Afinal, por que mexer em time que estava ganhando?

O calendário gregoriano nada tem a ver com o calendário político.

A se levar em conta o primeiro, o governo Arruda acabaria no dia 31 de dezembro de 2010. Com base no segundo, o governo acabou na semana passada.

Pode até seguir se arrastando por aí como um morto vivo, mas acabou.

Resta saber o que fará o DEM com seu único governador.

O DEM é famoso por ser o partido mais rápido no gatilho quando cobra providências do governo contra os que ferem os bons costumes.

O destino político de Arruda está nas mãos da direção do DEM. Se ele acabar expulso não terá legenda para concorrer às próximas eleições. Se é que idéia tão bizarra ainda passa pela cabeça dele.”

(Foto: O Globo)

6 Replies to “O escândalo de Brasília”

  1. O problema é deste Arruda, no qual o DEM já se pronunciou contra de forma grave e inconteste e o jornalista aproveita para fazer seu puxasaquismo do dia e tentar livrar a cara do Lula e até do Zé Dirceu…é brincadeira isto.

    José Arruda foi pego em corrupção. Ponto. Assim deve ser punido seja de que partido for. Gostaria que criminalmente como deveria ter sido com genoíno das cuecas e Zé Dirceu. Mas eles são da Realeza então tão livres.

  2. Peraí, ninguém que odeia o Lula colocaria algo assim:”Esse,sim, é um mensalão digno de ser encarado como tal…” Minimizando o outro. Também gravíssimo.

    Eles agiram na certeza da impunidade. Só que as cameras da PF estavam apontadas para eles e não para a Realeza. Daí pegaram eles enquanto a Realeza segue impune.

    Eu acho tudo um mar de lama. Estes políticos atuais e esta particracia que nos governa não servem para nada a não ser fomentar mais pobreza e corrupção.

  3. O problema maior está não apenas no mensalão – instrumento invariavelmente utilizado por governo e oposição – mas no uso do dinheiro na compra de opiniões de jornais (comprovada com o dono de um dos jornais).

    Esta coisa pode estar ocorrendo com o Governo atual não diretamente ao dono como o Arruda fez, mas com o uso de verbas publicitárias de Petrobrás, Ministérios e até de empresas em que o Governo tem participação acionária importante – Oi – mas deixa a administração na mão de sócios privados.

    É correto não concentrar a verba publicitária para atingir um público maior. Não é correto vinculá-la à opiniões favoráveis ao governo, como o mensalão do Arruda indica estar acontecendo. Acho que temos tão poucos jornalistas isentos no sentido político da palavra (não incluo o Nassif, o Noblat ou a maioria dos blogueiros) que se pode contar nos dedos de uma mão quantos são…

  4. Migão, gostaria de sua opinião a respeito do que “nosso excelentíssimo presidente” disse, de que as imagens (do Arruda recebendo dinheiro) não falavam por si.

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