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Nosso bom Martinho da Vila pirou de leve. O bardo publicou hoje, n´O Globo, um artigo [Alô, Noel !] sobre o nonagésimo nono aniversário de Noel Rosa, no próximo dia 11. Martinho aproveitou para falar do enredo de 2010 da Unidos de Vila Isabel e do seu samba em homenagem ao poeta.

Em certo trecho, diz o da Vila:

A Revolta da Chibata foi em 1910, ano em que João Candido tomou de assalto a esquadra da Armada Brasileira. Lembra-se? O povo já apavorado com as supertições prognosticadas para a chegada do Cometa Halley – que previam terremotos na cidade do Rio de Janeiro – entrou em pânico. Pensava-se que o “Almirante Negro” iria bombardear a Capital do Império para proclamar a República. Foi um acontecimento tragicômico: a nobreza desvairada enquanto os marinheiros subalternos felizes porque o Negro João queria acabar com os castigos aplicados na marujada.

Ô da Vila, posso te garantir, com todo o respeito de quem te acha grande, que ninguém no Rio de Janeiro pensou que o João Candido fosse proclamar a República – isso já tinha acontecido em 1889, sob comando de um certo Deodoro da Fonseca; vinte e um anos antes da rebelião dos subalternos da marinha. O Rio não era, portanto, capital do Império nem aqui nem na China. Em 1910 até o Botafogo foi campeão do Distrito Federal.

Será que O Globo não tem um cabra que leia o que vai ser publicado para evitar meter o grande compositor numa dessas?

Um outro detalhe: O hino da Vila 2010 – sambaço-aço-aço ! – vai assinado só pelo Martinho. Acho, modestamente, que deveria – até como homenagem a outro bamba – também levar a assinatura do Gracia do Salgueiro, parceiro do da Vila em um samba das antigas chamado Presença de Noel. Que tal:

O samba de 2010 pode ser escutado aqui .

Abraço

6 Replies to “FOI NA REPÚBLICA, MARTINHO.”

  1. Simas, embora, como você mesmo já esclareceu, a família do Gracia do Salgueiro tenha autorizado, também acho que o mais correto, o mais justo, até mesmo mais ético seria dividir o samba de 2010 com o antigo parceiro. Porque não foi só uma partezinha, né?

    Estou me atrevendo ao pitaco, de metida mesmo, porque, na verdade, não sei como rola essas coisas de parceria. Mas, considerando que você é mestre e observou, concordo plenamente.

  2. Não sei se o da Villa tinha ou tem um parceiro nessa música.
    O que sei, é que com Martinho eu perdoo tudo .. Ele pode não saber da história do Brasil… mas sabe coisas para mim + importantes, q são as tradições brasileiras, cultura do povo da rua.
    Isso aprendi com o da Villa em um dos seus livros.
    Sugestão: tente por favor entrar em contato com o da Villa, tenho certeza q ele vai esclarecer tudo.
    Um abraço
    Solange

  3. SOLANGE, sou fã do Martinho. E, me permita argumentar, tradições brasileiras e cultura do povo de rua são histórias do Brasil. Eu, por exemplo, trabalho na área de pesquisa com samba e futebol.
    Me surpreendeu apenas que o jornal não tenha alguém que possa evitar erro num tema, a Revolta da Chibata, que é cultura do povo de rua.
    Li os livros que o Martinho publicou e acho o samba sobre o Noel o melhor do ano. A parceria do primeiro samba é mesmo entre ele e o Gracia do Salgueiro.
    Um abraço e valeu o comentário.

  4. Por falar em Revolta da Chibata, acho interessante a história acerca de “Mestre-Sala dos Mares”, de João Bosco e Aldir Blanc, cuja letra teve que ser vioentada por conta da ditadura. Eu, como praça da Marinha, tenho enorme interesse na história de João Cândido, que deve ser eternizada! Não sei se você já teve a oportunidade de conhecer a cela da Ilha das Cobras, onde este ficou aprisionado no Natal de 1910, Simas, mas dá um frio na espinha entrar naquele lugar, onde hoje há um museu…
    Um grande abraço!

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