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O pensamento surgiu de forma espontânea, durante a minha mais recente participação no Bar Apoteose (acima), esse ideal que embalamos nos braços e já faz seus voos solo, tal qual menino crescido.

Era uma rodada de opiniões sobre a escolha do Salgueiro. Depois de ouvir o testemunho ocular e auditivo do Aydano André Motta, sobre a forma aguerrida com que os componentes da Academia cantavam o verso final de seu hino, me veio à mente, na hora, as faixas, bandeiras, camisetas, discursos apaixonadas nas redes sociais que usam um trecho de um samba enredo para defende-lo nas cada vez mais brigadas (sem figura de linguagem) disputas de quadra.

O #soentendequemehsalgueiro, ou seja, só entende quem é Salgueiro, é um grande achado. Se não de poesia, de marketing, a ciência mais profícua do século XXI. Com isso não quero criticar o verso em si. E nem o samba em particular. Muito embora não esteja entre os meus preferidos do ano, acredito piamente na força da comunidade salgueirense a entoar a obra – em especial a frase que sintetiza o sentimento de ser de uma escola diferente.

A questão é mais a motivação do uso dessas frases de torcida, em última análise, para levantar os sambas. A escolha de lemas, chamamentos, convocações para a conquista de seguidores – nas quadras e na grande rede.

De todas as obras que serão cantadas na avenida no Grupo Especial – e já incluo o samba da Beija-Flor, ainda não escolhido quando escrevi esse texto – apenas UM não terá o recurso de exaltar o nome da própria escola ou simbologia intimamente ligada ao nome. Seja no refrão (a grande maioria) ou em algum trecho importante (como refrão do meio ou verso final que encaminha para o refrão principal).

Talvez seja por acaso, não sei. Mas este samba inteiramente construído em cima da sinopse, sem qualquer momento de autorreferência, é um feito por “estrangeiros” à agremiação. Falo do samba feito pela parceria liderada por bambas da Portela, Toninho Nascimento e Luis Carlos Máximo, para a São Clemente.

Ao contrário do passado recente, em que rimar São Clemente com irreverente, ou usar e abusar da poesia em “preto e amarelo” ou “amarelo e preto” (acho que só a Mangueira gosta tanto de falar de suas cores em todo e qualquer samba enredo) era quase que obrigatório pelas bandas da escola da Zona Sul.

Em 2017 passará pela Marquês de Sapucaí um samba clementiano sem nada, nadinha que cite nome, cores, localização geográfica, mascote da escola… Enfim, um samba sem #hashtag.

O samba com #hashtag é aquele que, como citei acima, se utiliza do apelo emocional ou mercadológico de um verso ou refrão. Nada contra. Muitas vezes pega na veia, é legal. Até hoje a Grande Rio usa o “Imponho, sou Grande Rio” (1996), de um tempo sem #hashtags nas nossas vidas, como um lema. No ano passado, o #pisaforte também ajudou a consagrar a parceria vencedora na disputa da Tricolor de Caxias. Como, a meu ver, o #soentende fez agora pela obra da parceria de Marcelo Motta e companhia no Sal.

No atual modelo de desfile – e de sambas descartáveis – concordo que tais frases de efeito colaboram com a identificação imediata do componente, mexem com a emoção. Apesar de, muitas vezes, serem subterfúgios, bengalas na letra para ocupar versos e estrofes sem necessidade de desenvolvimento do tema proposto pelo carnavalesco.

Se formos à discografia dos anos 80, ou mesmo às letras do genial Silas de Oliveira – apenas para citar um entre os grandes compositores de nossa história – poderemos comprovar como esse artifício era raro ou mesmo inexistente. Não que os compositores não amassem seus símbolos e cores. Era apenas um outro modo de se fazer poesia, em que o apego à história, ao enredo se sobrepunha à busca por uma frase que pudesse virar mote de campanha eleitoral.

Longe de saudosista que só se apega ao passado vejo muitas obras maravilhosas compostas nos últimos anos. As últimas safras têm sido muito boas. O uso das hashtags é inerente a todo o processo, mas também a um modelo de disputa que pode e deve ser rediscutido.

Arte é inovação. Samba é arte. Inovar é propor novidades.

O #qualquerverso não pode virar solução fácil.

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2 Replies to “#SambaHashtag”

  1. Por aí Gil. Dos quase cem sambas que analisei esse ano acredito que uma 90% eram de sambas com esse tipo de frase que acho que funcionam muito mais em disputas que na avenida. Os compositores hoje me parecem mais preocupados em ganhsr o samba que com o fez.

  2. Por aí Gil. Dos quase cem sambas que analisei esse ano acredito que uma 90% eram de sambas com esse tipo de frase que acho que funcionam muito mais em disputas que na avenida. Os compositores hoje me parecem mais preocupados em ganhar o samba que com o dez.

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