Era difícil de imaginar que após três rodadas as primeiras posições do Brasileirão seriam ocupadas por Sport e Goiás. Mais incrível ainda é notar que nenhum destes, nem Corinthians e São Paulo, os demais do G-4, jogam o melhor futebol do torneio. O surpreendente início de Campeonato me agrada razoavelmente tecnicamente, é bem superior ao que se diz por aí e tem mostrado um bom número de bons times. Porém, o Brasileirão ainda me irrita profundamente pelo fracasso de público. Me dá desespero ver praticamente todos os estádios vazios independente de horário, dia ou situação na tabela.

Mas, em todo caso, o Brasileirão está animado. No fim das contas, os dois únicos times de fora do eixo Sul-Sudeste fecham a terceira rodada nas duas primeiras colocações. Isso não quer dizer rigorosamente nada, até porque o Goiás vai lutar até o fim para não cair e o Sport sonha no máximo com um Top-10, mas já dá pro pessoal que de repente resolveu dizer que o futebol do Nordeste é o orgulho do Brasil se animar um pouquinho.

Vasco 1 x 1 Internacional

Por mais incrível que possa parecer, o Vasco fez um bom jogo no sábado. Pegando o mistão do Internacional para um público bem pequeno em São Januário, o cruzmaltino foi mais incisivo, atacou mais, chegou mais no primeiro tempo. É um time muito limitado tecnicamente, sobretudo no setor de criação, mas que, com um pouco de vontade, rende o necessário. Por conta disso, o Vasco foi superior durante praticamente toda a etapa inicial, criando as melhores oportunidades.

Mas, quando a fase é ruim, nada ajuda. No primeiro bom ataque que encaixou, já nos minutos finais do primeiro tempo, o Internacional aproveitou um vacilo da zaga carioca (que cada vez me parece menos competente do que os números apontam) e abriu o placar com Nilmar. A segunda etapa foi, em grande parte, sofrível. Nenhuma das duas equipes jogaram nada ou criaram alguma coisa. A expulsão de Alan Ruschel deu fôlego ao Vasco que, mais na base da transpiração que da inspiração pressionou, apertou e chegou ao empate. O Inter, focado na Libertadores, não está muito distante dos líderes. O Vasco, por sua vez, já sofre com o incômodo excesso de empates.

São Paulo 3 x 0 Joinville

Apesar de por vezes me parecer um time um tanto desligado e desinteressado, o São Paulo me agrada muito por uma característica: joga muito bem sob pressão. As melhores atuações da equipe na temporada foram no Morumbi em jogos-chave, quando mais se contestava o elenco tricolor – os três jogos da fase de grupos da Libertadores no Cícero Pompeu de Toledo. No último sábado, mais uma vez enfrentando a desconfiança da escassa torcida presente no estádio, o São Paulo mais uma vez jogou muito bem.

Particularmente, me incomoda o excesso de jogadas pelas laterais. Acho que os talentos individuais que o time tem do meio para frente permitem que haja mais criatividade no meio e que não haja tanta dependência das laterais porque esse é um sistema de jogo relativamente fácil de ser combatido (2014 mostrou isso) e ainda dá muitos espaços para o contra-ataque. Sábado, no entanto, não teve nada disso. O Joinville definitivamente não consegue se encontrar e fez uma partida muito aquém das suas possibilidades.

O primeiro tempo foi todo do São Paulo. A boa cabeçada de Dória garantiu a vantagem mínima aos paulistas, mas foi graças ao bom goleiro Oliveira que a vantagem não foi maior. Depois, na segunda etapa, o São Paulo seguiu dominando, mas já abriu espaços no contra-ataque e o Joinville teve uma ou outra chance de marcar. Mas não era dia de zebra e, em ótimo contra-ataque, o excelente Michel Bastos ampliou. E ainda teve tempo para um golzinho do Pato. Vitória justa e importante para dar moral.

Grêmio 1 x 0 Figueirense

Um jogo sofrível com um público sofrível. Mergulhado numa crise danada e sem treinador, o Grêmio foi melhor que o Figueirense durante todo o primeiro tempo e em boa parte do segundo, mais por conta da apatia dos catarinenses (é impressionante como esse time gosta de começar mal o Brasileirão) que propriamente por suas qualidades. O time não é ruim, mas está muito mal e é uma desorganização só.

No segundo tempo, o Figueirense se soltou um pouco mais, chegou a assustar, mas coube a André Muralha, o arqueiro catarinense que vive grande fase, segurar o zero a zero até Matías Rodriguez marcar o gol da vitória gremista. Não teve espetáculo, mas os três pontos vieram. E o Figueira que trate de reagir logo porque, caso contrário, vai passar aperto no Brasileiro.

Palmeiras 0 x 1 Goiás

Os 38 mil palmeirenses que acordaram cedo para ver o time em campo certamente tiveram uma grande decepção. O time do Palmeiras, pessimamente mal treinado e postado por Oswaldo de Oliveira, mais uma vez encontrou muitas dificuldades para criar e, sobretudo, para surpreender o adversário. Adversário que, por sinal, foi o Goiás, que cada vez mais parece assumir que tem um time horroroso e vai abusar da retranca para conseguir se salvar da queda.

Não dá para negar que, quem diria, Hélio dos Anjos armou com muita competência o Esmeraldino. É um time difícil de se jogar contra porque marca relativamente bem e tem uma saída no contra-ataque razoavelmente eficiente, sobretudo com Bruno Henrique. Quando encontra um time de maior potencial (o que ainda não aconteceu no Campeonato), o calo aperta. Mas, contra times com problemas para criar jogadas, como Vasco, Atlético-PR e Palmeiras, serve.

Apesar disso, o Palmeiras foi melhor durante todo o jogo. Usou muito da bola aérea, é verdade, mas até foi bem e merecia ter saído na frente. No segundo tempo, já se expôs mais e estava visível que o Goiás podia complicar a vida dos paulistas. Só Oswaldo não viu e, em bela jogada de Bruno Henrique, Victor Ramos tentou afastar e acabou jogando contra o próprio gol. O Palmeiras ainda foi pra cima no desespero, mas o Goiás conseguiu se segurar. Sete pontos importantíssimos anotados pelos goianos. Já o Palmeiras, precisa reagir ou vai se complicar sem necessidade.

Chapecoense 1 x 0 Santos

Não foi o jogaço que eu imaginei, mas foi uma partida bem animada. A característica ofensiva das duas equipes criou um jogo bem aberto, com muitas oportunidades, bem jogado, gostoso de ver. A Chapecoense tinha um pouco de dificuldade para entrar na área e, por isso, apostou em chutes de longa distância, que também são uma qualidade do clube de Chapecó. O Santos continua apostando em Ricardo Oliveira e Robinho, e até dá certo. No entanto, quem foi mais competente foi Apodi, que acertou um chutaço de fora da área e abriu a contagem.

Como já era de se esperar, o Santos saiu mais pro jogo no segundo tempo. A Chapecoense recuou um pouco e deu espaço para que o Santos criasse mais. Ricardo Oliveira foi mais acionado, participou mais do jogo, e os espaços apareceram. O goleiro Danilo, porém, evitou o empate e a Chapecoense conseguiu uma vitória justa, embora o empate também o seria. Belo começo de campeonato dos catarinenses.

fluminensecorinthians2015Fluminense 0 x 0 Corinthians

Fluminense e Corinthians fizeram uma partida tenebrosa no Maracanã. O Fluminense é um bando em campo, uma desorganização absurda e continua sendo muito, mas muito mal escalado. Já o Corinthians, é ladeira abaixo. Agora, com a saída de Guerrero, Sheik e mais alguns que ainda devem sair, se aproximará cada vez mais do futebolzinho sem vergonha que jogou no Rio. Deve ser essa a regra a partir de agora e, por isso, já adianto: hoje, o Corinthians não integra mais o mesmo grupo dos outros representantes brasileiros na Libertadores, o grupo dos favoritos. Está no patamar inferior, junto com o Santos, de quem está quase lá.

Bom, mas quanto ao jogo em si, o Corinthians até retomou sua característica de trabalhar melhor a bola, mas faltou competência. O Timão esteve, na maior parte do tempo, no ataque, mas foi o Fluminense quem criou as únicas duas boas chances da etapa inicial – duas grandes defesas de Cássio. No segundo tempo, o Fluminense parecia estar muito perto da vitória, mas Cássio estava em seus melhores dias. Quando Enderson Moreira inexplicavelmente tirou Gerson, o Corinthians cresceu e dominou a metade final da segunda etapa. Guerrero perdeu um gol inacreditável e Cavalieri fez outras boas defesas. Empate justo entre dois times que vão sofrer um bocado em pontas diferentes da tabela.

Atlético Paranaense 1 x 0 Atlético Mineiro

Eu tinha elogiado tanto o Galo por parecer totalmente focado no Brasileirão após a queda da Libertadores e ele me apronta uma dessas. O clube mineiro esteve irreconhecível na Arena da Baixada e simplesmente não jogou. Até criou boas chances na primeira etapa, mas não foi aquele Atlético criativo, envolvente, ofensivo. O Furacão, limitado, esteve muito mais ligado, já havia perdido boas chances e chegou ao gol se aproveitando de mais uma bobeada da zaga adversária.

No segundo tempo, o Atlético Mineiro foi atrás do prejuízo, mas sem muita inspiração. O Atlético Paranaense marcou bem, fez a lição de casa e o xará mineiro, definitivamente em um dia ruim, não merecia outra sorte que não a derrota. O Furacão começa muito bem o Brasileirão, anotando seis pontos importantes. O Galo não está de todo mal, mas precisa jogar mais para fazer valer sua condição de favorito.

avaiflamengo2015Avaí 2 x 1 Flamengo

Domingo o Avaí fez basicamente o mesmo jogo que havia feito contra Santos e Internacional, mas teve sorte melhor. Depois de um primeiro tempo absolutamente lamentável, com apenas duas jogadas perigosas, o jogo esquentou quando a zaga do Flamengo aprontou mais uma trapalhada de fazer inveja a Didi Mocó e o Avaí abriu a contagem. O gol deu uma despertada no Flamengo, que insistiu um pouco e chegou ao empate graças a um vacilo do sistema defensivo avaiano e do goleiro Vagner.

O Flamengo é um time esquisito. Algumas decisões de Luxemburgo são contestáveis, mas mesmo essa escalação meio esquisita é capaz de fazer o time render mais. A apatia, o nervosismo, a falta de controle do rubro-negro é desnecessária e preocupante. O Avaí, apesar de ainda ser muito afobado na hora de concluir, já me parece mais solto. Em mais um erro no sistema defensivo flamenguista, o Avaí chegou ao segundo gol após o assistente inacreditavelmente não ter visto a bola sair pela linha de fundo antes do passe para trás que Hugo recebeu. O Flamengo foi novamente para cima no desespero, mas já era tarde.

Sport 1 x 0 Coritiba

O líder do Campeonato Brasileiro fez uma partida de dois tempos distintos. No primeiro, só deu Sport. Se aproveitando dos buracos do sistema defensivo do Coxa, o Leão criou boas oportunidades, chegou com perigo, mas pecou na conclusão. Neto Moura ainda marcou um gol já na reta final do primeiro tempo para fazer justiça ao que se viu em campo. Daí para frente, porém, o Sport foi muito mal e o Coritiba dominou o jogo. Teve boas chances, mas não soube aproveitar e os rubro-negros acabaram vencendo. Venceram mais uma, são líderes, mas, hoje, no segundo tempo, ficaram devendo.

Cruzeiro 1 x 1 Ponte Preta

Eu nem vou falar do primeiro tempo porque foi muito ruim. Bem jogado, até, mas ruim de assistir, com poucas chances. Já o segundo tempo foi um espetáculo, uma aula de futebol. Tanto os reservas do Cruzeiro quanto o ótimo time da Ponte Preta fizeram um jogo eletrizante. A Ponte mais uma vez se destacou no toque de bola rápido, na boa organização tática e na marcação firme. O Cruzeiro, também com muita velocidade, usou e abusou dos chutes de longa distância e consagrou Marcelo Lomba.

A Ponte Preta joga, com sobras, o melhor futebol do Campeonato Brasileiro até aqui. Futebol pra frente, mas de muita responsabilidade, com jogadores habilidosos e com muita precisão em fundamentos básicos. É um futebol gostoso de se ver. No entanto, a Macaca não contava com um chutaço de Charles já no fim do jogo para abrir a contagem. Quando o Cruzeiro achou que ia conseguir sua primeira vitória, a Ponte mostrou que não vai ser um adversário fácil. Biro Biro empatou e, depois, Marcelo Lomba fez mais uma sequência incrível de defesas. Empate justo que deixa o Cruzeiro no Z-4 e dá a Ponte uma ótima pontuação em uma sequência inicial dificílima no torneio.

Classificação

A classificação do Campeonato agora ficou assim.

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Público e gols

– A rodada do Brasileirão teve a melhor média de público do Campeonato até aqui: 13.321 pagantes por jogo. Agora, a média do Campeonato é de 12.092 torcedores por partida. Em um comparativo com as três primeiras rodadas dos outros anos no atual formato, é superior apenas a 2006 (11.601), 2010 (11.959), 2012 (10.587) e 2013 (10.647). O recorde é de 2014, com 15.532 torcedores na média dos 30 primeiros jogos, seguido por 2008 (13.156), 2007 (13.110), 2009 (12.766) e 2011 (12.131).

– Já com os gols, os lamentáveis 15 tentos marcados na rodada (1,5 por jogo) rebaixaram a média do Campeonato para 2 gols por partida. É o pior índice ao final de uma terceira rodada desde 2006. A liderança é de 2007, com 3,17, seguido 2012 (2,8), 2009 (2,63), 2011 (2,6), 2006 e 2013 (2,57) e 2008 e 2014 (2,1).

Palpites para a 4ª rodada

Coritiba x Avaí – Sábado, 30/5, às 18h30, no Couto Pereira, em Curitiba

Jogo que eu não sei bem o que prever. São dois times limitados em boa fase, então vai depender muito do dia das duas equipes. Como eu tenho que palpitar, vou apostar em vitória do Coxa. Paranaenses vencem por 2 a 0.

Ponte Preta x Chapecoense – Sábado, 30/5, às 18h30, no Moisés Lucarelli, em Campinas

Dois bons times em campo, então dá para esperar um bom jogo. Vejo a Ponte Preta mais bem acertada, mais organizada, mais forte tecnicamente e, jogando em casa, deve emplacar de vez no Brasileirão. Ponte Preta vence por 2 a 1.

Joinville x Atlético Paranaense – Sábado, 30/5, às 21h, na Arena Joinville, em Joinville

Apesar do bom início, esse time do Atlético ainda não me convence. Agora jogando com sua torcida, creio que o JEC enfim vai marcar seu primeiro gol e conquistar sua primeira vitória no Brasileirão. Vitória catarinense por 2 a 1.

Santos x Sport – Domingo, 31/5, às 11h, na Vila Belmiro, em Santos

Depois de um excelente jogo na Copa do Brasil, Santos e Sport voltarão a se encontrar e devem fazer mais um bom jogo. O Santos tem jogado bem, o Sport também, mas o Peixe é mais time e deve tirar os pernambucanos da liderança. Santos vence por 2 a 0.

Goiás x Grêmio – Domingo, 31/5, às 16h, no Serra Dourada, em Goiânia

Não sei qual o efeito que a vitória chorada em casa vai fazer no ambiente do Grêmio, e creio que isso vá ser fundamental para o jogo de Goiânia. A princípio, minha bola de cristal aponta para uma reabilitação gremista. Vitória tricolor por 3 a 1.

Corinthians x Palmeiras – Domingo, 31/5, às 16h, na Arena Corinthians, em São Paulo

Prevejo um jogo de nível técnico baixíssimo, com os dois times mais preocupados em não perder do que em ganhar. Terão sucesso na empreitada. Empate em 1 a 1.

Atlético Mineiro x Vasco – Domingo, 31/5, às 16h, no Independência, em Belo Horizonte

Se ainda existe algum vascaíno otimista nesse mundo, creio que seu otimismo não resistirá ao próximo domingo. Imagino que o Galo continuará mostrando que, tivesse disputado o Campeonato Carioca, teria vencido com alguma folga. Triunfo atleticano por 3 a 0.

Internacional x São Paulo – Domingo, 31/5, às 16h, no Beira-Rio, em Porto Alegre

Este vai ser o grande jogo da rodada. É até difícil fazer um prognóstico porque são dois times muito bons e igualmente competentes. Como o momento do Inter é melhor e o São Paulo é muito instável, fico com os gaúchos. Vitória colorada por 2 a 0.

Figueirense x Cruzeiro – Domingo, 31/5, às 18h30, no Orlando Scarpelli, em Florianópolis

Como a Libertadores só vai ter sua semifinal lá em julho, o Cruzeiro, mesmo que confirme sua classificação contra o River, vai estrear seus titulares e imagino que vá estrear bem: aumentando a crise do Figueira. Raposa vence por 3 a 1.

Flamengo x Fluminense – Domingo, 31/5, às 18h30, no Maracanã, no Rio de Janeiro

Clássico é sempre um bom momento para sair da crise. Acho que o Mengão vai conseguir sua primeira vitória e o Jayme vai ganhar ainda mais pontos com a Nação Rubro-Negra. Flamengo vence, 2 a 0.

Simulador

E apenas na quarta simulação cheguei a um resultado que me agrade por completo. Já estava na hora.

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