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Nesta quarta feira, a coluna Tou melanje ankò, do antropólogo José Renato Baptista, aborda as críticas com tom racista recebidas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, pelas decisões tomadas no julgamento do mensalão.

Tou melanje ankò – “Django Livre”

Pensando em “Django Livre”, de Quentin Tarantino, parei para refletir na série de insultos racistas que vem recebendo Joaquim Barbosa. Sim, a despeito de discordar totalmente das decisões que o Presidente do Supremo Tribunal Federal vem tomando, nada, mas rigorosamente nada, justifica a onda racista que recaiu sobre o Ministro.

Alguns dirão, não isso não tem nada de racismo. Infelizmente e para variar na nossa boa tradição de reconhecer que no Brasil há racismo, mas não temos racistas, parece haver nos insultos ao Ministro Joaquim Barbosa a clássica versão do nosso racismo cordial.

“Dê poder a um homem e você verá quem ele é”. “Dê poder a um negro com um introjetado complexo de inferioridade e terás um monstro”. “Joaquim Barbosa precisa saber o seu lugar”. “Está lá no STF porque é negro”, “Capitão do Mato”. São várias as expressões deste racismo que ficam claras a cada ataque que sofre o ministro.

genoinoNão tenho dúvidas de que considero desumana e irresponsável a atitude de Barbosa no caso de José Genoino (foto), nordestino de origem humilde, ex-guerrilheiro e um dos membros destacados do parlamento, com uma longa história, etc. etc. Não é o caso discutir isto. Acho que não há dúvidas de que Barbosa se equivocou e em vários momentos da AP 470, excedeu os limites de sua posição, exercendo verdadeiro arbítrio.

Mas desqualificá-lo por sua cor e atacá-lo ofendendo os negros está totalmente fora de propósito. Dirão, ainda, de maneira racista que “não podemos defender seus erros também porque ele é negro”. Ora bolas! Quem está dizendo isto? Estamos dizendo que boa parte dos ataques que vem sofrendo, vindo de gente muito boa, “de esquerda”, resvala no sentimento perigoso do racismo estrutural de nossa sociedade.

Ademais, nunca vi “Capitão do Mato” prender brancos… Comparar a situação dos réus da AP 470 com a de um escravo é um insulto aos negros e à história deste país.

Portanto, tome cuidado para poder perceber onde você está escondendo o seu racismo.

Quanto ao “Django Livre”, acho descabida a comparação de Barbosa com o personagem Stephen, vivido por Samuel L. Jackson. Stephen é um negro que odeia negros. Barbosa sabe sua condição de homem negro e sabe seu papel como modelo e exemplo para diversas gerações de jovens de cor do Brasil. Tampouco, Barbosa é Django, um justiceiro implacável, destinado a corrigir injustiças desafiando poderosos.

Barbosa é um homem comum. Um homem negro. E isso já é muita coisa.