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“Imponho, sou Grande Rio, amor
Dando um banho de cultura, eu vou
Pro abraço da galera, me leva
Lindo como o pôr do sol eu sou”

Os versos do samba de 1996 da Acadêmicos do Grande Rio acabaram meio que se tornando o alusivo da escola. Este desfile trazia como tema o período de nossa história onde o Brasil foi dominado pela Espanha, após uma unificação com Portugal que duraria seis décadas: de 1580 a 1640. Era mais um carnaval da escola de Caxias marcado por enredos culturais.

Pois é, caro leitor. Ao contrário do que o noticiário atual privilegia sobre a agremiação, a escola de Caxias tem todo um histórico de enredos culturais e de valorização de sua gente até o final do Século XX. Se hoje o leitor conhece a agremiação apenas pelos artistas da televisão que a cada ano desfilam, saiba que a visão não pode ser mais incorreta. Caxias faz samba sim!

A Acadêmicos do Grande Rio foi fundada em 1988 a partir de uma série de fusões e da compra da licença de uma escola que desfilava no então terceiro grupo. Seu nome vem da escola de então, o GRES Grande Rio, fundida ao bloco carnavalesco Lambe Copo, mas suas raízes são bem mais antigas.

A Cartolinhas de Caxias desfilou por quatro vezes no hoje chamado Grupo Especial, na década de 60. Tem um samba que é considerado um dos melhores de todos os tempos, o “Benfeitores do Universo”, de 1953 (abaixo, o vídeo, em gravação de Martinho da Vila). Após duas fusões a Cartolinhas desaguou no GRES Grande Rio, que acabou gerando o GRES Acadêmicos do Grande Rio.

A Acadêmicos do Grande Rio, com o dinheiro de seu patrono Jaider Soares, chegou ao Grupo Especial pela primeira vez em 1991, sendo entretanto rebaixada. No ano seguinte venceria o Grupo de Acesso e retornaria ao Especial, onde se encontra até hoje.

1992 marcaria também o início de uma era gloriosa na agremiação: grandes enredos, grandes sambas e desfiles sempre com um verniz de cultura. A escola não disputava as primeiras colocações, mas sempre trazia elementos inerentes à cultura das escolas de samba cariocas. Sambas ainda hoje lembrados.

Em 92 a escola venceu o grupo de Acesso saudando Oxalá em seu “Águas Claras para Um Rei Negro”, a meu juízo o maior samba de enredo da história da agremiação. Em 93 a escola reestreou no Especial saudando a Lua (samba que hoje é o esquenta da escola), em 94 trouxe aquele que é o único samba de enredo sobre a Umbanda na história do carnaval (vídeo que abre o post) e em 95 contou a história da borracha. Em 1997, fechando esta série, se contou uma história muito pouco conhecida sobre a Ferrovia Madeira Mamoré.

Uma curiosidade é que em seus primeiros tempos a escola sempre trazia em seu abre alas a Reduc (Refinaria de Duque de Caxias) como seu símbolo. Isto seria abandonado posteriormente, com o breve interregno do enredo sobre a cidade em 2008.

Posteriormente a escola optou por enredos mais pops e pelo caminho das celebridades, mas este período é o mais importante da agremiação na história do carnaval. São enredos e sambas que despertam admiração nos amantes do carnaval e sempre são lembrados em coletâneas como exemplos da capacidade da comunidade caxiense. Esta pode não aparecer tanto hoje, mas está viva e toca o dia a dia da tricolor esperando o dia de finalmente poder comemorar um título no Grupo Especial.

Abaixo o leitor pode ver os vídeos destes desfiles inesquecíveis e que entronizam o samba de Duque de Caxias como parte indissociável do carnaval carioca.

1992:

1993:

1995:

http://www.youtube.com/watch?v=WOWTz9rPjr0

1996:

1997:

(Post dedicado ao precocemente falecido Tito Malta, grande torcedor da agremiação.)