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Neste sábado, a coluna de contos do compositor Aloísio Villar, “Buraco da Fechadura”, mostra como o amor e a vida, às vezes, podem ser irônicas.
A Ironia do Amor
Rodrigo esta lá no banheiro. No mictório está urinando e pensando na morte da pobre da bezerra quando um bêbado no mictório ao lado diz:
– Não há prazer maior que o de uma mijada!!
Rodrigo, concentrado em seu prazer “urinador”, é retirado do transe por aquela frase e vira-se ao lado perguntando “héin?”.  O bêbado repete:
– Eu falei que não há prazer maior que o de uma mijada quando estamos bem apertados, nem o sexo é tão bom!!
Rodrigo ouviu a frase e com um sorriso no canto da boca ironizou:
– Olhe meu senhor, das duas uma: ou eu não sei mijar ou o senhor não sabe foder.
O bêbado limitou-se a botar sua mão no ombro de Rodrigo, mão que segurou seu pênis até o momento da balançada e disse com voz cavernosa:
– Tem mijadas que são santas, amigo…
Disse e saiu do banheiro com Rodrigo olhando o espelho tentando entender aquele papo e fazendo cara de nojo porque o bêbado lhe tocou sem lavar as mãos.
Voltou ao salão, estava em um restaurante. No salão esperando pelo rapaz estavam seus pais e Marcela, sua namorada – que naquela noite viraria noiva.
Com a volta de Rodrigo à mesa seu pai, o doutor Eliocárpio, famoso advogado criminalista do Rio de Janeiro resolveu puxar um brinde pela união de Rodrigo e Marcela.
O casal se conhecera na faculdade. Rodrigo acabara de se formar em direito por livre e espontânea pressão do pai e Marcela estava no último ano. A moça vinha de uma família rica do Mato Grosso e Eliocárpio fazia muito bons olhos ao enlace.
Junto a Rodrigo, Marcela e os familiares estava Alexandre, melhor amigo de Rodrigo e foi esse que lembrou a Eliocárpio do brinde. O homem exultante levantou, ajeitou a calça e fez discurso.
– Estamos todos aqui emocionados para celebrar o enlace desse querido e jovem casal, hoje se tornam noivos e futuramente constituirão família e me darão netos. Marcela, Rodrigo, desejo tudo de melhor para vocês e que possamos logo conhecer seus adoráveis pais, Marcela!!
Eliocárpio queria era conhecer a grana dos fazendeiros mato-grossenses.
Enquanto brindavam o bêbado passou e gritou “viva a mijada!!”.
De volta à casa Eliocárpio e Santelma, a mãe de Rodrigo, conversavam na cama sobre o noivado. Santelma achava precipitada a união de um casal tão jovem: achava que Rodrigo tinha muito ainda a viver enquanto Eliocárpio respondia que seria bom para a família, os negócios – e especialmente para manter a moralidade em casa sem que Rodrigo caísse em tentação.
Eliocárpio era um homem que preservava muito a moral e os bons costumes. Falava sempre no valor da família e acordava cedo todos os domingos para ir a missa.
Mas isso era da boca pra fora: ele esperava a esposa dormir e ia ao quarto da empregada. Dava três batidinhas na porta e a morena sensual abria sabendo que era o patrão. Dava um sorriso e Eliocárpio logo se empolgava e apertava a cintura da doméstica que sempre se esquivava e lamentava faltar alguma coisa em casa.
Naquela noite ela disse que estava sem cabeça para “brincar” com o patrão, pois seu filho estava doido por um tênis novo, de marca, mas ela não tinha dinheiro para comprar. Eliocárpio se ajoelhava e com o rosto nas pernas da empregada respondia que pagava, tinha dinheiro e bancava tudo perguntando quanto ela precisava.
Ela respondia com carinha de choro e rapidamente o homem levantava e pegava na sala talão de cheques para preencher e entregar a doméstica, que sorrindo falava que o patrão era tão generoso que merecia “até aquilo”.
Esse “até aquilo” que enlouquecia Eliocárpio. Ela conseguia tudo dele.
A vida sexual de Eliocárpio era agitada, de Rodrigo nem tanto. O rapaz passava um drama com Marcela.
Os amassos aumentavam na sala da casa, os dois sentados no sofá e quando Rodrigo tentava tocar os seios de Marcela ela respondia “só casando”.
Rodrigo se desesperava e tentava argumentar que já eram noivos e podiam avançar um pouco o sinal. Mas Marcela relutava: insistia que casaria virgem e nem os argumentos de que namoravam há três anos e se casariam em breve sensibilizavam.
Marcela naquela tarde foi embora irritada com a insistência de Rodrigo e abriu a porta para ir embora sem nem responder ao cumprimento de Alexandre que chegava. A moça bateu a porta com força e Alexandre perguntou ao amigo o que ocorria.
Rodrigo contou ao amigo seu drama e Alexandre espantado exclamou “Três anos e nada? Sua mão deve estar cheia de calos!!”. Rodrigo olhou as mãos e lamentou seu infortúnio quando Alexandre convidou o amigo a ir a uma boate de noite.
Rodrigo espantou-se e respondeu que não iria, pois, era fiel. Alexandre levantou-se da cadeira que estava sentado e perguntou “Fiel a quê?”.
Rodrigo respondeu que a sua noiva e Alexandre contra atacou argumentando que aquilo era uma bobagem, homem não nasceu para ser fiel e que tanto tempo sem transar poderia fazer mal ao amigo, subir à cabeça e lhe provocar debilidade mental.
Olhou firme para o amigo e perguntou se ele queria ser doente mental. Rodrigo espantado respondeu que não e Alexandre marcou para oito horas o encontro dos dois e que passaria lá para buscá-lo.
Antes de sair ainda disse:
– Precisa nem transar se não quiser. 
Às oito horas Alexandre estava lá e buscou Rodrigo. Foram até um inferninho de Copacabana e entraram.
Rodrigo, criado dentro de rígidos padrões de conduta, nunca entrara em um local como aquele e se assustou ao ver aquelas mulheres com roupas vulgares e aqueles homens cheirando bebida barata… Alexandre notou a timidez do amigo e mandou que ele relaxasse – porque estava na Disneylândia do sexo.
Rodrigo se sentou e ao lado de Alexandre viu homens sujos, feios, velhos chegando para conversar com mulheres jovens que poderiam ser suas netas e de repente os dois saírem do local. Alexandre repetia que toda prostituta era uma santa não canonizada enquanto Rodrigo só pensava em ir embora.
Até que..
… Até que ele reparou em uma ruiva linda, cara de triste sentada em um canto do salão. Rodrigo começou a prestar atenção na menina, não tirava os olhos dela quando a ruiva levantou e se encaminhou a um ferro para fazer pole dance.
Naquele instante ela não tinha mais apenas a atenção de Rodrigo, mas de todos. Uma música sensual começou a ser tocada e ela dançar no ferro. Foi tirando peça por peça da roupa até ficar completamente nua. Rodrigo naquele momento já estava enfeitiçado, ele queria aquela mulher.
Ela se retirou e foi ao banheiro. Rodrigo levantou sem nem ouvir Alexandre perguntando aonde ele ia e foi atrás. Esperou na porta do banheiro até que ela saísse e quando a jovem saiu Rodrigo disse “preciso de você”. Ela não se fez de rogada e respondeu “cem reais”, Rodrigo pegou a carteira e falou “dou duzentos”.
Pegou a mulher pelo braço e passou pelo salão. Alexandre perguntou aonde ele iria e Rodrigo respondeu que não lhe esperasse.
Passou a noite com ela. Transaram muito e depois conversaram, criando uma intimidade perigosa. Descobriu que seu nome era Milena, tinha vinte anos e trabalhava nisso há pouco tempo.
Rodrigo estava de quatro.
Chegou de manhã em casa encontrando Eliocárpio e Santelma sem dormir esperando por ele. O pai esbravejou perguntando onde ele estava, mas Rodrigo não lhe deu ouvidos apenas respondendo que estava cansado e iria deitar.
Deitou e sonhou com Milena.
De noite voltou ao inferninho para ver a prostituta e foi assim noite após noite. Rodrigo conhecera o “poder da xana” e estava completamente apaixonado pela prostituta.
Uma noite chegou no inferninho e perguntou se ela queria morar com ele. Milena espantada perguntou que brincadeira era aquela e o rapaz respondeu que não era brincadeira, era sério e perguntou novamente se ela queria.
Milena topou.
Negócio agora era enfrentar aos pais e Marcela. Comunicou aos pais a situação e Eliocárpio não se conformou. Teve uma violenta discussão com o filho e o expulsou de casa.
Rodrigo tinha umas economias e conseguiu também com a ajuda da mãe alugar um pequeno apartamento. Rapidamente arrumou um emprego num pequeno escritório de advocacia e assim sustentar a ele e Milena.
Milena largou a prostituição e começou a cuidar do lar. Rodrigo e Milena eram um casal feliz e o rapaz tinha cada vez mais certeza de ter tomado a decisão certa. Sentia saudade de seus pais, queria fazer as pazes com seu pai, mas se o preço de viver um grande amor era esse estava disposto a pagar.
Os anos passaram e a situação financeira do casal melhorou a ponto de planejarem ter filhos. A vida estava cor de rosa, mas ganhou tons escuros.
Um dia Rodrigo recebeu uma carta anônima nela estava escrito que Milena o traía. O mundo de Rodrigo caía naquele instante. Até ali ele nunca desconfiara da esposa, mas a partir daquele momento desconfiava até da sombra.
Nada pior para um homem que suspeitar que outro homem toca sua mulher. A dor do corno é pior quando há dúvidas que certeza.
Rodrigo não agüentou e comunicou a Milena que viajaria no final de semana a trabalho e só voltaria segunda. Mentira, ele queria dar flagrante.
Rodrigo saiu de casa e foi até uma padaria. Pediu uma média com pão e manteiga e esperou por duas horas e voltou pra casa. Abriu a porta devagar para que ninguém ouvisse e se encaminhou ao quarto abrindo a porta de uma vez só.
Ao abrir a porta, o impacto.
Rodrigo deu de cara com Milena e Alexandre peladões na cama. Alexandre, seu melhor amigo!
Ele ainda levantou e tentou argumentar que não era nada daquilo que Rodrigo pensava, mas o rapaz nem quis saber. Sacou uma arma e descarregou o revolver nos dois.
Rodrigo foi preso em flagrante e na sala da delegacia, esperando o advogado, pensou na merda que se metera, em como tinha mudado toda sua vida, jogado tudo pro alto por causa daquela mulher e ela pagara daquela forma: com traição.
De cabeça baixa, olhando para a mesa, nem percebeu quando o advogado entrou, nem percebeu que não era advogado e sim advogada.
Ela disse “Rodrigo” ele levantou a cabeça espantado: era Marcela, sua ex noiva.
Rodrigo levanta e fica frente a frente com Marcela. Os dois se olham por uns segundos até ela dar um violento tapa em seu rosto.
O rosto de Rodrigo vira com o impacto do tapa. Ele volta a olhar para Marcela, que joga uma calcinha em seu rosto e o empurra pra mesa dizendo..
– Cala a boca e me come que só temos cinco minutos.
É… A vida tem dessas coisas, amigos.