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Já escrevi sobre este tema em pelo menos duas ocasiões neste espaço, mas infelizmente sou obrigado a analisar mais uma elevação da taxa básica de juros, a Selic.

Como se pode ver no gráfico acima, a taxa básica de juros subiu 1,75 ponto percentual apenas de abril para cá. Levando-se em conta que esta é a taxa básica e que gera um “efeito cascata” sobre as demais taxas de juros de financiamentos e aplicações, o efeito sobre a economia real é bem significativo; impactando decisões de investimento e reduzindo a disponibilidade de renda das famílias.

A alegação do Banco Central é a de que haveriam supostas pressões inflacionárias sobre a economia brasileira. Entretanto, um dia antes da reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Bacen que decidiu pela elevação dos juros básicos foram divulgados índices que mostravam o arrefecimento de pressões inflacionárias.

Minha avaliação é de que foi uma elevação de juros básicos totalmente deconectada do mundo real. Não há pressões inflacionárias nem de demanda e nem de oferta, não há superaquecimento da economia brasileira e os gastos públicos estão em um patamar controlado. Obviamente que os diretores do Banco Central, defensores da economia ortodoxa, tem dificuldades em pensar em medidas de política econômica diferentes da elevação de juros e da contração do consumo e do investimento, mas tais atores econômicos estão totalmente alheios do que ocorre nas ruas.

A única explicação que consigo encontrar é o fato do Bacen ter cedido a pressões do mercado financeiro, interessado em elevar a lucratividade dos títulos públicos que detém em suas carteiras mobiliárias. Como estes títulos são remunerados pela taxa Selic mais um spread (diferencial), cada aumento da taxa básica eleva a rentabilidade destas carteiras de títulos. Esta ação incrementa os lucros das instituições bancárias e, consequentemente, os bônus dos gestores destas carteiras.

Lembro aos meus 68 leitores que os diretores do Banco Central ou provém do mercado financeiro ou após cumprirem suas missões retornam ao mesmo, para funções regiamente pagas. Levam também todo o conhecimento privilegiado sobre carteiras de títulos, câmbio e crédito das instituições financeiras, que a “quarentena” de quatro meses que são obrigados a cumprir quando deixam os cargos não torna desatualizado.

Ou seja, há um entendimento tácito de que aqueles detentores de cargos no Bacen estarão em instituições financeiras posteriormente, e portanto a condução do mercado e da política monetária atende muito mais os interesses privados que aqueles a quem o Bacen deveria servir: o país, o Governo brasileiro e sua população. Ao invés de se integrar a política monetária aos outros instrumentos de gestão econômico financeira prefer-se atender, mesmo que tacitamente, a interesses privados.

Este tipo de política teve seu auge na gestão de Pedro Malan no Ministério da Fazenda. A política econômica como um todo visou naqueles oito anos atender ao mercado e à remuneração de seus agentes, optando por colocar em plano secundário a economia nacional. Como consequência tivemos estagnação econômica, desinduatrialização, o câmbio mantido artificialmente valorizado até o início de 1999 e pelo menos três crises financeiras que foram bastante danosas à economia real, produtiva, mas que permitiram às instituições financeiras auferir lucros como jamais haviam obtido. Anos de ouro para o mercado, que paralelamente dificultou a obtenção de crédito e, quando este havia, era em taxas proibitivas para investimentos produtivos.

Traduzindo, a estratégia do Banco Central está eivada de ortodoxia, totalmente descolada da economia real e, consequentemente, de seus objetivos – garantir uma política monetária em consonância com os objetivos nacionais. Por causa deste comportamento é que sou radicalmente contra a autonomia do Banco Central, por entender, também, que este não é um fim em si mesmo, estando a serviço de outros mecanismos de balizamento da política econômica.

Enquanto isso, temos a trava ao crescimento da economia representada por uma taxa de juros muito acima da ideal. Lamentável.

(Gráfico: R7)

2 Replies to “A taxa Selic e os "gatos gordos" do mercado”

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