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Mais uma sexta feira, o funil está apertando bastante, mas nossa coluna sobre cinema não poderia faltar apesar do dia corrido que se avizinha. Como sempre, de autoria do cineasta e crítico Marcelo Ikeda, dono do excelente blog Cinecasulofilia.

O texto de hoje é um pouquinho diferente: analisa os padrões de beleza e sua analogia com a indústria do cinema. Leitura indispensável.

Padrões de Beleza

“Sabemos que o padrão de beleza em voga hoje no mundo é basicamente um padrão europeu. A mulher bonita é aquela alta, magra, branca, com traços finos e proporcionais. A afirmação de um padrão é um processo histórico, mas que possui implicações culturais, econômicas e ideológicas. É claro que esse padrão é estimulado por uma indústria de cosméticos, que torna a beleza uma mercadoria, vendendo um conjunto de produtos de beleza e mesmo padrões de comportamento, como serviços de academia e cirurgias plásticas, entre muitos outros exemplos.

Esse padrão de beleza é um padrão discreto, equilibrado. O exotismo pode se enquadrar como forma de “mudar para permanecer o mesmo”, já que ele é aceito até o ponto em que não abala as estruturas desse mesmo padrão: um nariz torto, uma boca com lábios volumosos, chamam a atenção para a “diferença na identidade”. São na verdade exceções que confirmam a regra.

Os concursos de beleza, as capas das revistas publicitárias e as modelos de passarela reproduzem esse estratagema, pois dão legitimidade aos padrões de beleza em voga.

Por outro lado, temos a consciência do quanto esse padrão de beleza é fútil, pois o que importa de verdade é a “beleza interior”, uma beleza verdadeira, e não um rótulo ou um estereótipo de beleza imposto cada vez mais por um mercado que trata a beleza como um produto de publicidade barato. Esse modelo de beleza é em geral superficial, vazio, mesquinho, jogando para escanteio o que é verdadeiramente belo.

Fico pensando até que ponto o cinema não repete esse paradigma. Os filmes que se destacam são aqueles que reproduzem determinados padrões de beleza ditados pelos padrões europeus, ditados pelos modismos, pelo “mercado publicitário dos autores”, em que essa beleza é na maior parte das vezes meramente superficial. Aquele filme que foge de certos padrões de beleza é empurrado para uma marginalidade. Os festivais de cinema e os críticos dão legitimidade aos padrões de beleza cinematográficos já estabelecidos, ditando modismos, elogiando o exotismo que convém, descobrindo e esquecendo autores da noite para o dia, numa bolsa de valores dos novos gênios da arte cinematográfica. A beleza é transitória, e a busca é superficial, por uma beleza que aparece gritantemente, que aponta para a sua própria beleza. Uma beleza gratuita, fútil, auto-referencial, que aponta exclusivamente para si mesma. Os autores são virtuoses do plano ou da fotografia, malabaristas da linguagem cinematográfica.

Não pretendo aqui discutir o que é o belo: não é este meu propósito e seria muito ambicioso tentar fazê-lo. Só quero apontar para o fato de que desconfio profundamente de filmes aparentemente belos, assim como desconfio de mulheres aparentemente belas. Não é um preconceito, ou que de antemão elas (ou eles) sejam ordinários, mesquinhos, mas o fato é que estes é que têm maior chance de que suas virtudes sejam descobertas, enquanto há outros “patinhos feios” que não revelam de cara sua beleza incomum.

O desafio do crítico (ou daquele que se diz crítico) é problematizar sempre esse padrão de beleza já consolidado, e apontar para outras formas de se ver o mundo. Esse me parece ser um engajamento político possível da crítica cinematográfica, um engajamento verdadeiramente desinteresseiro.”

10 Replies to “Cinecasulofilia – Padrões de Beleza”

  1. Penso da mesma forma, este texto deveria ser vinculado para alunos do ensino fundamental.
    Fico curiosa pra saber se a Merily teria se rendido à industria do botox, tomara que não né.

  2. Uma deusa nórdica, por exemplo, sempre será o padrão de beleza até o final dos tempos. Por mais que queiram politizar a análise estética (ai ai até isso??)…Daqui a pouco haverá cotas para as barangas apareceram em filmes e comerciais…

  3. Por falar em beleza…até a Nicole Kidman resolveu emborrachar os lábios…para que? Porque??? Ficou parecendo uma Angelina Jolie fake…

  4. Henrin, acho a reflexão válida. Por que uma negra ou uma oriental não pode, também, ser estrela de cinema ?

    Mas barangas e barangos serão barangas e barangos em quaisquer situações…

  5. Mas são…Em Bollywood o que mais aparece são estrelas indianas…nos filmes japoneneses e chineses as orientais estão com tudo…e as negras aparecem muito bem em filmes americanos. No Brasil começam a ter grande destaque tb em filmes e novelas. Só dar tempo ao tempo. Bonito é bonito e Feio é feio. E isto está além de qq análise racial,sociológica ou política.

  6. Sim…concordo…mas servem para entreter…

    Mil vezes uma Luana Piovani interpretando uma paranóica triste do que uma atriz muito boa mas sem 10% dos atrativos da deusa acima…

  7. Sim…concordo.Mas o ator/atriz bonito é uma idealização do personagem junto ao espectador. Há personagens que não exigem um padrão estético alto e estes podem ser interpretados por quem tem talento para tanto.

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