{"id":25802,"date":"2014-05-14T14:00:32","date_gmt":"2014-05-14T17:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=25802"},"modified":"2014-05-14T11:12:54","modified_gmt":"2014-05-14T14:12:54","slug":"historia-e-outros-assuntos-roland-corbisier-e-a-campanha-por-juscelino-kubitschek-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/05\/historia-e-outros-assuntos-roland-corbisier-e-a-campanha-por-juscelino-kubitschek-parte-iii\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria e Outros Assuntos: &#8220;Roland Corbisier e a campanha por Juscelino Kubitschek &#8211; Parte III&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em 20 de janeiro se dera finalmente o aguardado encontro entre o presidente Caf\u00e9 Filho e o candidato Juscelino Kubitschek. O presidente exp\u00f4s a Juscelino a situa\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds, principalmente os aspectos econ\u00f4micos e financeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caf\u00e9 Filho desejava que a disputa eleitoral acontecesse num ambiente de paz e tranquilidade, e por isso defendia a uni\u00e3o nacional em torno de uma candidatura \u00fanica, com entendimento entre os partidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro fora a pauta central do programa de Roland Corbisier na R\u00e1dio Mayrink Veiga. Ele, entretanto, questionava o presidente quanto a um suposto \u201cmemorial dos generais\u201d, assinado pelos chefes das For\u00e7as Armadas, em que aconselhavam o presidente da Rep\u00fablica \u00e0 uni\u00e3o nacional, assumindo em troca o compromisso de n\u00e3o candidatarem-se. O memorial seria uma advert\u00eancia a Juscelino, para que este retirasse a sua candidatura. Entre os signat\u00e1rios do documento \u2013 que ainda permanecia in\u00e9dito &#8211; estariam os generais Juarez T\u00e1vora, Henrique Lott, Canrobert Pereira, Cordeiro de Farias e o brigadeiro Eduardo Gomes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u201c(&#8230;) continua-se a falar no documento secreto de cujo conte\u00fado o presidente Caf\u00e9 Filho s\u00f3 teria dado conhecimento a alguns de seus amigos mais \u00edntimos. Parece-nos estranho que, dada a sua import\u00e2ncia, permane\u00e7a in\u00e9dito, sonegado pelo presidente ao conhecimento e \u00e0 justa curiosidade do p\u00fablico. O destino da Na\u00e7\u00e3o, o futuro do pa\u00eds, n\u00e3o podem estar sendo decididos em concili\u00e1bulos secretos, em confabula\u00e7\u00f5es, em conversas a portas fechadas, de que o povo n\u00e3o participa e nas quais n\u00e3o interfere.\u201d<\/i> (CORBISIER, 1976: 67)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Attachment-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25911\" alt=\"Attachment-1\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Attachment-1-300x204.jpeg\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Attachment-1-300x204.jpeg 300w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Attachment-1-498x340.jpeg 498w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em 27 de janeiro, o presidente Caf\u00e9 Filho dera um pronunciamento ao programa A Voz do Brasil. Seu discurso fora compreendido por Roland Corbisier como sendo panflet\u00e1rio pela causa a favor do golpe e da ditadura militar<a title=\"\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. O jornal \u00daltima Hora trazia a seguinte manchete: \u201cViolenta rea\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara contra o discurso de Caf\u00e9 Filho\u201d. Segundo o jornal,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante todo o dia de ontem, atrav\u00e9s de tr\u00eas sess\u00f5es consecutivas, repercutiram no plen\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados os \u00faltimos acontecimentos pol\u00edticos que est\u00e3o emocionando a Na\u00e7\u00e3o, provocados pelo discurso do presidente da Rep\u00fablica pregando a uni\u00e3o nacional sob a amea\u00e7a de um golpe contra o regime e a revela\u00e7\u00e3o do anunciado memorial firmado pelos chefes militares no Catete\u201d.<a title=\"\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu pronunciamento \u00e0 Voz do Brasil, o presidente finalmente falava sobre o documento recebido dos chefes das For\u00e7as Armadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(&#8230;) Recebi recentemente um apelo dos chefes das For\u00e7as Armadas respons\u00e1veis pelos altos setores de comando militar do pa\u00eds. Simultaneamente com um nobre e exemplar gesto de ren\u00fancia em que demonstram a un\u00e2nime disposi\u00e7\u00e3o de evitar que seus nomes sirvam de obst\u00e1culo \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do problema pol\u00edtico do momento, eles me fizeram sentir juntamente, com o firme e sincero desejo de um desenlace harmonioso, tranquilo, a sua viva preocupa\u00e7\u00e3o com a defesa do regime, ora sob a a\u00e7\u00e3o de poderosas for\u00e7as dissociadoras no campo interno e externo.\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E seguida, o presidente narraria, na \u00edntegra, o manifesto, que a certa altura do texto, assim dizia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cProfundamente preocupados com os perigos que certamente advir\u00e3o, em meio \u00e0 grave crise econ\u00f4mica e social que atravessa o pa\u00eds, de uma campanha eleitoral violenta, os Chefes militares das tr\u00eas For\u00e7as Armadas sentem-se no dever moral de encarecer, junto a Vossa Excel\u00eancia a necessidade de um apelo do governo da Rep\u00fablica a todas as for\u00e7as pol\u00edticas nacionais em favor de um movimento altru\u00edstico de recomposi\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica que permita a solu\u00e7\u00e3o do problema da sucess\u00e3o presidencial em n\u00edvel de compreens\u00e3o e esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o interpartid\u00e1ria, sem o acirramento de \u00f3dios e dissen\u00e7\u00f5es que v\u00eam de abalar seriamente a vida nacional.\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento era assinado pelos seguintes Chefes das For\u00e7as Armadas: Almirante Edmundo Jord\u00e3o Amorim do Vale, Ministro da Marinha; General Teixeira Lott, Ministro da Guerra; Brigadeiro Eduardo Gomes, Ministro da Aeron\u00e1utica; Marechal Mascarenhas de Morais; General Canrobert Pereira da Costa, Chefe do Estado-Maior das For\u00e7as Armadas; General \u00c1lvaro Fi\u00faza de Castro, Chefe do Estado-Maior do Ex\u00e9rcito; Almirante Saialino Coelho, Chefe do Estado-Maior da Armada; Brigadeiro Gerv\u00e1sio Duncan de Lima Rodrigues, Chefe do Estado-Maior da Aeron\u00e1utica; e General Juarez T\u00e1vora, Chefe da Casa Militar da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s terminar de ler, na \u00edntegra, o manifesto dos militares, o presidente Caf\u00e9 Filho destacou a honradez dos signat\u00e1rios, desprovidos de quaisquer ambi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mas preocupados com os rumos da na\u00e7\u00e3o. E completava, com sua interpreta\u00e7\u00e3o sobre o documento que acabara de ler:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs pren\u00fancios de uma sucess\u00e3o convulsionada surgiram desde que foi indicada uma candidatura, sem maiores entendimentos com as outras pol\u00edticas. Simultaneamente irromperam sintomas em cujo m\u00e9rito n\u00e3o me cabe entrar, mas a que muitos atribuem um prop\u00f3sito de restaurar a ordem das coisas encerradas tragicamente a 24 de agosto de 1954. S\u00e3o assim evidentes os sinais de uma perigosa fermenta\u00e7\u00e3o, diante da qual o governo tem mantido uma linha de rigorosa serenidade, abstendo-se de revolver o passado e empenha-se em abrir margem a um per\u00edodo de paz e recupera\u00e7\u00e3o.\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Corbisier, o presidente fora bem claro: com o prop\u00f3sito de defender a tranquilidade nacional e o regime democr\u00e1tico, ele aceitava a declara\u00e7\u00e3o (memorial) confiada a ele pelas For\u00e7as Armadas. O discurso de Caf\u00e9 Filho notadamente defendia o golpe e a ditadura em nome da democracia. E isso era inaceit\u00e1vel. As palavras do presidente eram uma tentativa de intimida\u00e7\u00e3o a Juscelino Kubitschek.<a title=\"\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A candidatura do governador de Minas enfrentava dificuldades n\u00e3o apenas junto ao Pal\u00e1cio do Catete e nos meios militares, mas tamb\u00e9m no seio do pr\u00f3prio PSD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juscelino n\u00e3o era unanimidade. Os diret\u00f3rios regionais pessedistas do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Santa Catarina eram contr\u00e1rios ao lan\u00e7amento de sua candidatura. At\u00e9 mesmo havia uma dissid\u00eancia no PSD mineiro, sob a lideran\u00e7a de Carlos Luz. Nereu Ramos chegara a ser cogitado para a Presid\u00eancia. E surgiram outras candidaturas de \u201cuni\u00e3o nacional\u201d, como Milton Campos (pela UDN), Juarez T\u00e1vora (com o Partido Democrata Crist\u00e3o) e Etelvino Lins \u2013 dissid\u00eancia do partido em Pernambuco.<a title=\"\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a> Entretanto, na Conven\u00e7\u00e3o Nacional do partido, em 10 de fevereiro de 1955, 84% do PSD era favor\u00e1vel \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o de sua candidatura \u00e0 Presid\u00eancia. Conquistara tamb\u00e9m apoio da maioria na C\u00e2mara Federal e no Senado. Dispunha, portanto, de base eleitoral e apoio parlamentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 4 de fevereiro, Roland Corbisier comentava a derrota de Ranieri Mazzilli na luta pela Presid\u00eancia da C\u00e2mara Federal \u2013 Carlos Luz, deputado federal pelo PSD. Corbisier denunciava a \u201cimprensa golpista\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>, que associava essa derrota a um rev\u00e9s tamb\u00e9m de Juscelino, j\u00e1 que este teria negociado a indica\u00e7\u00e3o de Mazzili \u00e0 Presid\u00eancia da C\u00e2mara, em troca do apoio do PSD paulista \u00e0 sua indica\u00e7\u00e3o na Conven\u00e7\u00e3o Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mazzilli, para Corbisier, era um candidato comprometido e envolvido em inqu\u00e9ritos no Banco do Brasil, sem resson\u00e2ncia na C\u00e2mara Federal e al\u00e7ado pelo diret\u00f3rio regional do PSD paulista como um candidato da concilia\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o empate entre Hor\u00e1cio Lafer e Ulysses Guimar\u00e3es. Portanto, para ele, a derrota de Mazzilli acabara sendo positiva para o PSD, pois mostrava que o partido encarava de forma saud\u00e1vel a derrota eleitoral. Seria, portanto, uma derrota t\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 18 de fevereiro, Roland Corbisier destacaria o surgimento de uma for\u00e7a \u2013 um partido pol\u00edtico que, pela composi\u00e7\u00e3o e alcance eleitoral, seria o fiel da balan\u00e7a decis\u00f3rio para o pleito que se aproximava: o Partido Trabalhista Brasileiro \u2013 PTB. O partido \u2013 terceira for\u00e7a no quadro eleitoral, ao apoiar o PSD, estaria credenciado a indicar o vice-presidente.<a title=\"\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns dias depois, C\u00e2ndido Motta Filho, ministro da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura, fizera uma confer\u00eancia na Escola Superior de Guerra (ESG), sobre o papel das For\u00e7as Armadas na vida nacional. Roland Corbisier abrira um debate sobre a fun\u00e7\u00e3o dos militares na vida interna do pa\u00eds. Segundo ele, a confer\u00eancia do ministro contribu\u00eda para o esclarecimento dessa quest\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u201cA confer\u00eancia do ilustre titular da Pasta da Educa\u00e7\u00e3o constitui uma apreci\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o, ao lembrar que, nas democracias, as classes armadas s\u00e3o, em tese, o povo em armas, o pr\u00f3prio povo que se arma para garantir as institui\u00e7\u00f5es e o regime. Nessa perspectiva, a educa\u00e7\u00e3o se apresenta como o meio insubstitu\u00edvel de incorporar o grupo militar \u00e0 comunh\u00e3o dos interesses e das aspira\u00e7\u00f5es nacionais\u201d.<\/i> (CORBISIER, 1976: 85)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 3 de maio, a Conven\u00e7\u00e3o Nacional da UDN merecera coment\u00e1rios no programa de r\u00e1dio. Segundo palavras de Corbisier, \u201cum deprimente e melanc\u00f3lico espet\u00e1culo\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn10\">[10]<\/a>. A UDN era, na sua opini\u00e3o, \u201co partido da eterna vigil\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jornais noticiavam que Etelvino Lins, candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica pela UDN, estaria disposto a propor a Juscelino a retirada da candidatura de ambos, visando o lan\u00e7amento de uma candidatura alternativa, de concilia\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o nacional. O slogan de Etelvino era \u201cP\u00e3o e Vergonha\u201d. Para Corbisier, os udenistas n\u00e3o tinham, \u201cnem intelig\u00eancia, nem imagina\u00e7\u00e3o\u201d. O partido estaria divorciado do eleitorado brasileiro<a title=\"\" href=\"#_ftn11\">[11]<\/a>. A UDN n\u00e3o conseguira entender as necessidades e tend\u00eancias deste eleitorado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o entendem, os homens da UDN, que a pol\u00edtica \u00e9 uma coisa e a moral \u00e9 outra, embora, para fazer pol\u00edtica n\u00e3o seja indispens\u00e1vel contrariar as regras morais\u201d. (CORBISIER, 1976: 94)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corbisier achava que, ao escolher o slogan \u201cP\u00e3o e Vergonha\u201d, Etelvino tra\u00eda suas origens de \u201cpequeno-burgu\u00eas, reacion\u00e1rio, moralista e farisaico\u201d.<a title=\"\" href=\"#_ftn12\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O candidato da UDN contrastava com Juscelino Kubitschek, que seria \u201cum homem comum, feito da mesma argila que o povo\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>. Para ele, era bastante oportuna a apresenta\u00e7\u00e3o que o governador de Minas Gerais vinha fazendo em suas entrevistas e declara\u00e7\u00f5es aos jornais, pois<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201co Brasil era composto de v\u00e1rios sert\u00f5es: o das regi\u00f5es agrestes do nordeste, e o sert\u00e3o psicol\u00f3gico, nas cidades e grandes centros industriais, correspondendo ao hiato entre o grau de intelig\u00eancia e cultura das pessoas e as posi\u00e7\u00f5es e cargos que conseguiam alcan\u00e7ar. O parque industrial, constru\u00eddo pela ci\u00eancia e pela t\u00e9cnica, continua a ser, psicologicamente, um sert\u00e3o, onde as massas s\u00e3o tangidas n\u00e3o por l\u00edderes revolucion\u00e1rios aut\u00eanticos, mas pelos taumaturgos, pelos profetas de sub\u00farbio, pelos messias de quarteir\u00e3o.\u201d (CORBISIER, 1976: 96)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, para Corbisier, o slogan de Etelvino Lins era vazio, demag\u00f3gico.<a title=\"\" href=\"#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Carlos Lacerda ironizava o bin\u00f4mio \u201cEnergia e Transporte\u201d de Juscelino. Para o diretor da Tribuna da Imprensa, o bin\u00f4mio n\u00e3o seria um programa de governo, mas o nome de uma autarquia. Corbisier discordava, pois \u201cEnergia e transporte\u201d eram as mais urgentes necessidades de desenvolvimento da economia brasileira. Surgiram, por parte de alguns advers\u00e1rios pol\u00edticos, cr\u00edticas de que Juscelino se esquecera de colocar o ensino como prioridade para seu governo. Para Roland Corbisier, n\u00e3o seria poss\u00edvel um governo enfrentar e resolver todos os problemas em apenas quatro anos. A solu\u00e7\u00e3o dos demais problemas dependeria da solu\u00e7\u00e3o do bin\u00f4mio apresentado. As prioridades do candidato seriam apresentadas com base no crit\u00e9rio de urg\u00eancia. O problema da produ\u00e7\u00e3o, por exemplo, estava vinculado ao do transporte, que se achava na depend\u00eancia do problema da energia. O bin\u00f4mio seria ent\u00e3o uma ordem de urg\u00eancia, uma tomada de consci\u00eancia de importantes quest\u00f5es de base.<a title=\"\" href=\"#_ftn15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa do bin\u00f4mio \u201cEnergia e transporte\u201d, lema da candidatura de Juscelino Kubitschek, tomou parte de alguns programas de Corbisier na R\u00e1dio Mayrink Veiga. E buscava argumentos para ressaltar a import\u00e2ncia do bin\u00f4mio. Tomou como refer\u00eancia, por exemplo, o livro \u201cOs dois Brasis\u201d, do soci\u00f3logo franc\u00eas Jacques Lambert.<a title=\"\" href=\"#_ftn16\">[16]<\/a> No livro, o Brasil \u00e9 estudado do ponto de vista demogr\u00e1fico, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. O autor j\u00e1 prenunciava que o Brasil deveria superar os obst\u00e1culos que prov\u00e9m da dificuldade dos transportes, da insufici\u00eancia dos recursos energ\u00e9ticos, da baixa produtividade agr\u00edcola e tamb\u00e9m da excessiva fecundidade da popula\u00e7\u00e3o. Portanto, para o franc\u00eas, os problemas brasileiros de maior urg\u00eancia seriam: transporte, energia, alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, al\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o e cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil dispunha de quatro fontes de energia: madeira, carv\u00e3o, petr\u00f3leo e hidrel\u00e9trica. Segundo Lambert, naquele momento, mais de 80% da energia consumida no Brasil vinha da madeira da floresta amaz\u00f4nica. Seriam beneficiadas as ind\u00fastrias metal\u00fargicas, as estradas de ferro e as centrais t\u00e9rmicas das pequenas cidades do interior, entre outras. As florestas, no entanto, se esgotam, e o Brasil n\u00e3o poderia depender disso. Era necess\u00e1rio substituir a madeira, a lenha e o carv\u00e3o como principais combust\u00edveis, explorando outras fontes de energia, como o petr\u00f3leo e a hidrel\u00e9trica.<a title=\"\" href=\"#_ftn17\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pa\u00eds tamb\u00e9m apresentava um quadro desfavor\u00e1vel para o carv\u00e3o, dispondo apenas de duas bacias carbon\u00edferas importantes, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Faltava m\u00e3o-de-obra especializada em maior n\u00famero e de boa qualidade. O carv\u00e3o representava menos de 10% do consumo total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, para emancipar-se economicamente e industrializar-se, Corbisier defendia em seus programas a ideia de que o Brasil deveria explorar o petr\u00f3leo e a energia hidrel\u00e9trica.<a title=\"\" href=\"#_ftn18\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roland Corbisier dedicou tr\u00eas programas para comentar o lan\u00e7amento da candidatura do general Juarez T\u00e1vora, pelo PDC, \u00e0 sucess\u00e3o presidencial. A quest\u00e3o que desafiava Corbisier era a de que a candidatura do militar se dera sob press\u00e3o, de camadas da opini\u00e3o p\u00fablica insatisfeitas com a candidatura de Etelvino Lins pela UDN. Para ele, era incoerente a posi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as que desejavam impedir a candidatura, sob alega\u00e7\u00e3o de imporem uma candidatura \u00fanica e que naquele momento, as mesmas for\u00e7as n\u00e3o chegavam a uma conclus\u00e3o sobre o candidato a ser lan\u00e7ado e que os representassem.<a title=\"\" href=\"#_ftn19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corbisier dizia n\u00e3o ter nada contra Juarez T\u00e1vora. Achava que ele era um militar respeit\u00e1vel, sendo at\u00e9 saud\u00e1vel a multiplicidade de candidaturas. A candidatura \u00fanica, com partido \u00fanico e ideologia \u00fanica, como defendia o presidente Caf\u00e9 Filho e os militares signat\u00e1rios do documento lido pelo presidente no programa A Voz do Brasil, esta sim, estaria de acordo com os regimes totalit\u00e1rios. Para ele, partidos pol\u00edticos existiam para drenar e organizar a opini\u00e3o p\u00fablica, com disciplina e educa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o no debate pol\u00edtico.<a title=\"\" href=\"#_ftn20\">[20]<\/a> Entretanto, a candidatura do general n\u00e3o fazia sentido, j\u00e1 que as for\u00e7as que o apoiavam eram as mesmas que se propunham a impugnar a candidatura de Juscelino, \u201csob a alega\u00e7\u00e3o de que o candidato mineiro n\u00e3o conseguiria base eleitoral que lhe assegurasse a elei\u00e7\u00e3o e o apoio parlamentar suficiente para permitir a realiza\u00e7\u00e3o das reformas de base, indispens\u00e1veis \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\u201d (CORBISIER, 1976: 107)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornal O Globo, no editorial de sua edi\u00e7\u00e3o vespertina de 16 de maio de 1955 tamb\u00e9m comentava sobre o lan\u00e7amento da candidatura do general \u00e0 Presid\u00eancia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u201cSe o general acreditou que, com a sua decis\u00e3o, o povo sa\u00edsse para a rua dando vivas e batendo palmas, que se cantasse o Te-Deum nas igrejas e se acendessem lumin\u00e1rias nas janelas, deve estar profundamente apreensivo acerca da sua popularidade.\u201d<\/i><a title=\"\" href=\"#_ftn21\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A candidatura de Juarez T\u00e1vora, para ele, era incoerente, pois s\u00f3 poderia contar com o apoio de partidos eleitoralmente inexistentes, como o PDC, o PL e o PST. Al\u00e9m disso, o general entraria na disputa eleitoral para dividir, n\u00e3o os eleitores de Juscelino, mas aqueles que estivessem inclinados a votar em Etelvino Lins.<a title=\"\" href=\"#_ftn22\">[22]<\/a> Corbisier n\u00e3o tinha d\u00favidas quanto \u00e0 honradez e patriotismo do general. Mas quando o assunto era a capacidade administrativa do militar para fun\u00e7\u00f5es executivas de maior relev\u00e2ncia \u2013 como exercer a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 realmente seria um problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/etelvino-lins1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-25807\" alt=\"etelvino-lins1\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/etelvino-lins1-227x340.jpg\" width=\"227\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/etelvino-lins1-227x340.jpg 227w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/etelvino-lins1-201x300.jpg 201w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/etelvino-lins1.jpg 295w\" sizes=\"auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/a>Etelvino Lins, candidato da UDN, discursara em 16 de maio, na inaugura\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio central de sua campanha. Seu pronunciamento merecera elogios de Corbisier. Etelvino dissera, entre outras palavras, que uma democracia sem partidos seria inadmiss\u00edvel. O candidato udenista reconhecia que existia no Brasil um movimento no sentido de provocar no povo o desprezo pelos partidos pol\u00edticos, o que corresponderia a uma forma de totalitarismo. Para ele, o descr\u00e9dito nos partidos levaria \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o de personalidades carism\u00e1ticas. Seu discurso deixava transparecer, portanto, a preocupa\u00e7\u00e3o com a estrutura partid\u00e1ria brasileira, contra a demagogia. Mas Corbisier n\u00e3o era s\u00f3 elogios a Etelvino, principalmente por causa desse trecho de seu discurso:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cSou popular porque sou do povo. Sinto como o povo, vivo como o povo, penso como o povo, reajo como o povo, tenho dignidade de povo, firmeza de povo, esperan\u00e7a de povo. Senti que n\u00e3o podia nem silenciar, nem me poupar, nem evitar de fazer inimigos quando vi o povo triste, o povo desesperan\u00e7ado, o povo cabisbaixo, o povo enganado, o povo empobrecido, o povo a ver que a sua p\u00e1tria afundava em \u00e1guas t\u00e3o rasas\u201d<\/em><a title=\"\" href=\"#_ftn23\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o peri\u00f3dico, a inaugura\u00e7\u00e3o do candidato fora bastante concorrida, contando inclusive com a presen\u00e7a de v\u00e1rios trabalhadores, como Jo\u00e3o Batista Leit\u00e3o, que tinha 17 filhos e 27 netos, que cumprimentara o candidato e lhe dissera que este poderia contar com os 64 votos de sua numerosa fam\u00edlia.<a title=\"\" href=\"#_ftn24\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ent\u00e3o, Etelvino Lins seria contra a demagogia se, suas palavras no discurso soavam como pura demagogia? O candidato seria tudo, menos povo, j\u00e1 que vivia como um pequeno-burgu\u00eas, pertencendo \u00e0 elite econ\u00f4mica do pa\u00eds. Corbisier terminava o programa lan\u00e7ando um desafio a Etelvino:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cApenas perguntaremos ao Sr. Lins, que tantas vezes insistiu com Juscelino para que retirasse sua candidatura a fim de tornar poss\u00edvel a uni\u00e3o nacional, por que raz\u00e3o n\u00e3o aproveita a ocasi\u00e3o que agora se apresenta e, num gesto de desprendimento e patriotismo, renuncia \u00e0 pr\u00f3pria candidatura para tornar poss\u00edvel, n\u00e3o a uni\u00e3o nacional, mas essa uni\u00e3o mais modesta e vi\u00e1vel, dos anti-juscelinistas, com eles mesmos?\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Etelvino Lins, teria \u201chonestidade, obstina\u00e7\u00e3o, capacidade de luta e a dureza pernambucana\u201d. Mas era um candidato med\u00edocre, dotado de discursos insignificantes, segundo Corbisier.<a title=\"\" href=\"#_ftn26\">[26]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 18 de maio fora a vez do general Juarez T\u00e1vora, candidato pelo PDC, falar \u00e0 imprensa. Na coletiva, realizada na sede da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa, o candidato justificara sua candidatura pelo fato de que n\u00e3o sentira for\u00e7a pol\u00edtica de Etelvino Lins em S\u00e3o Paulo. Sua candidatura iria captar eleitores independentes e insatisfeitos. <a title=\"\" href=\"#_ftn27\">[27]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Corbisier, a entrevista do general fora \u201cabaixo da cr\u00edtica\u201d, incoerente e sem brilho. Ele questionava o fato do candidato ter declarado que sua candidatura fora lan\u00e7ada pelo PDC numa atitude contra tudo e contra todos, consultando apenas a sua consci\u00eancia. Se era candidato de um partido considerado pequeno e de centenas de grupos e n\u00facleos \u2013 como afirmara -, como poderia ser, ent\u00e3o, \u201ccontra tudo e contra todos\u201d?<a title=\"\" href=\"#_ftn28\">[28]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagem: Arquivo Pessoal da Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<div><strong><em>Notas:<\/em><\/strong><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> \u00daltima Hora. 29\/01\/1955.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Discurso do presidente Caf\u00e9 Filho. A Voz do Brasil. 27\/01\/1955.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Discurso do presidente Caf\u00e9 Filho. A Voz do Brasil. 27\/01\/1955.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Programa. 31\/01\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Depoimento de Juscelino Kubitschek a Maria Victoria Benevides em 1974. Entrevista realizada no contexto da pesquisa \u201cTrajet\u00f3ria e desempenho das elites pol\u00edticas brasileiras\u201d. Programa de Hist\u00f3ria Oral do CPDOC.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Programa. 04\/02\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Programa. 18\/02\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Programa. 03\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> Programa. 05\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Programa. 05\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Programa. 06\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> Programa. 09\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> LAMBERT, Jacques.\u00a0Os dois Brasis. Col. Brasiliana n\u00b0 335, Companhia Editora Nacional. S\u00e3o Paulo: 5a. ed., 1969. Em seus programas, Corbisier comentava sobre a vers\u00e3o do livro em franc\u00eas, publicada antes.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> Programa. 10\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> Programa. 13\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a> Programa. 14\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> O Globo. 16\/05\/1955. p.1.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> O Globo. 17\/05\/1955. p.8.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a> Idem.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a> Programa. 17\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a> Programa. 24\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a> O Globo. 18\/05\/1955. p.6.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a title=\"\" href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a> Programa. 19\/05\/1955. R\u00e1dio Mayrink Veiga.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 20 de janeiro se dera finalmente o aguardado encontro entre o presidente Caf\u00e9 Filho e o candidato Juscelino Kubitschek. 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