{"id":22589,"date":"2014-01-30T14:05:51","date_gmt":"2014-01-30T16:05:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=22589"},"modified":"2014-01-30T14:06:11","modified_gmt":"2014-01-30T16:06:11","slug":"historias-brasileiras-o-carnaval-venceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2014\/01\/historias-brasileiras-o-carnaval-venceu\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Brasileiras: &#8220;O Carnaval Venceu&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesta quinta feira, o <strong>historiador Luiz Antonio Simas<\/strong> nos traz hist\u00f3rias sobre as ocasi\u00f5es em que as autoridades tentaram intervir no curso normal do carnaval e a rea\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>O Carnaval Venceu<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imaginem o Rio de Janeiro sem o fuzu\u00ea do Carnaval. Seria como Bel\u00e9m do Par\u00e1 sem o C\u00edrio de Nazar\u00e9, Roma sem o papado, Juazeiro do Norte sem os romeiros do Padre C\u00edcero, S\u00e3o Paulo sem engarrafamentos, o inferno sem o capeta e Londres sem as pompas da monarquia. N\u00e3o combina.\u00a0 Nem sempre, por\u00e9m, a rela\u00e7\u00e3o amorosa entre o Rio e o reinado de Momo foi aceita como um destino sentimental da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1892, por exemplo, o governo do Marechal Floriano Peixoto, por iniciativa do Ministro do Interior, transferiu o Carnaval de fevereiro para junho, com o argumento de que o ver\u00e3o era mais prop\u00edcio \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de epidemias mortais. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se fez de rogada; brincou em junho e se esbaldou em fevereiro, ignorando a ideia saneadora. Antes que a moda de dois carnavais se consolidasse, o governo recuou da proposta no ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1912, o Bar\u00e3o do Rio Branco (foto) morreu no in\u00edcio de fevereiro e o Carnaval foi adiado para abril. Argumentou-se que a cidade estava em choque com o falecimento. Mais uma bola fora. O Bar\u00e3o foi para o belel\u00e9u e o carioca foi \u00e0s ruas bater bumbos, subvertendo o luto coletivo. O povo ainda comemorou a morte do velho com uma quadrinha galhofeira: <i>\u201cO Bar\u00e3o morreu \/ Teremos dois carnav\u00e1 \/ Ai que bom, ai que gostoso \/ Se morresse o marech\u00e1\u201d.<\/i> Registre-se que o \u201cmarech\u00e1\u201d da morte desejada era o presidente da Rep\u00fablica, o Marechal Hermes da Fonseca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da d\u00e9cada de 1920, a suprema maluquice: o Conselho Municipal da cidade sugeriu a extin\u00e7\u00e3o pura e simples da festa. O argumento dos carrancudos membros do Conselho era o de que a proibi\u00e7\u00e3o acabaria com os dist\u00farbios gerados pelo furdun\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caricaturista J. Carlos, conhecedor das coisas da cidade, manifestou-se contra a proibi\u00e7\u00e3o em uma charge famosa, que trazia uma senten\u00e7a definitiva de alerta aos manda-chuvas: Acabar com o Carnaval? Cuidado, conselheiros&#8230; Por muito menos fizeram a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que a consolida\u00e7\u00e3o do Carnaval como uma festa entranhada na alma carioca \u00e9 uma conquista da popula\u00e7\u00e3o. Se dependesse apenas dos poderosos, o Carnaval do Rio de Janeiro, sobretudo aquele brincado nas ruas, seria algo t\u00e3o esfuziante quanto uma prociss\u00e3o do Senhor Morto durante a Sexta-Feira da Paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acendo minha vela de sete dias no altar carioca, portanto, ao foli\u00e3o an\u00f4nimo. Comandante de uma nau de piratas fajutos, membro de uma caravana de \u00e9brios bedu\u00ednos ou pierr\u00f4 apaixonado, \u00e9 ele que merece, no combate contra os b\u00e1rbaros de ternos bem cortados e gravatas de grife, todas as honras de her\u00f3i civilizador da nossa gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evo\u00e9!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta feira, o historiador Luiz Antonio Simas nos traz hist\u00f3rias sobre as ocasi\u00f5es em que as autoridades tentaram intervir no curso normal do carnavalTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[18,341,70,6],"class_list":["post-22589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias-brasileiras","tag-carnaval","tag-carnaval-2014","tag-rio-de-janeiro","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22589\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}