{"id":19371,"date":"2013-10-21T06:19:34","date_gmt":"2013-10-21T09:19:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=19371"},"modified":"2013-10-16T08:28:46","modified_gmt":"2013-10-16T11:28:46","slug":"historias-brasileiras-sambas-de-enredo-introducao-ao-tema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/10\/historias-brasileiras-sambas-de-enredo-introducao-ao-tema\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Brasileiras: &#8220;Sambas de Enredo \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o ao Tema&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em seu artigo de hoje o<strong> historiador Luiz Antonio Simas<\/strong> inicia uma s\u00e9rie de colunas sobre o samba de enredo e sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Sambas de Enredo \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o ao Tema<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falamos em desfiles de escolas de samba, h\u00e1 alguns aspectos fundamentais para se caracterizar o evento: as escolas possuem baterias, alegorias, mestre-sala e porta bandeira, baianas, passistas e, evidentemente, cantam um sambam de enredo. Assista a qualquer desfile sem um desses elementos e desconfie. Voc\u00ea, provavelmente, errou de data e local e acabou presenciando uma parada militar em comemora\u00e7\u00e3o ao dia da p\u00e1tria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ressaltar, entretanto, que as escolas de samba n\u00e3o surgiram prontas, com a estrutura que tem hoje. V\u00e1rias das caracter\u00edsticas das agremia\u00e7\u00f5es foram sendo moldadas ao longo dos anos \u2013 e o samba de enredo \u00e9 prova disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando as escolas surgiram \u2013 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930 \u2013 n\u00e3o havia nenhuma obriga\u00e7\u00e3o de se cantar sambas com tem\u00e1ticas adequadas ao enredo apresentado. Uma escola podia, por exemplo, apresentar um enredo sobre os \u00edndios brasileiros, colocar todo mundo de cocar e tanga no desfile e cantar dois sambas (sim, no princ\u00edpio n\u00e3o havia a obrigatoriedade de um samba s\u00f3) sobre temas como desilus\u00f5es amorosas e as belezas da ilha de Paquet\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos poucos, por\u00e9m, os sambas apresentados foram ganhando a caracter\u00edstica de cantar o que as agremia\u00e7\u00f5es apresentavam visualmente \u2013 e quatro escolas, pelo menos, reivindicam a primazia de ter composto o primeiro samba de enredo: a Unidos da Tijuca, em 1933; a Mangueira, em 1934; a Portela, em 1939; e o Prazer da Serrinha, em 1946.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pol\u00eamica sobre quem teria composto o samba pioneiro \u00e9 daquelas destinadas ao fracasso. Rendem, no m\u00e1ximo, boas conversas em mesas de bar, com cada um puxando a brasa para sua sardinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mais correto considerar que o samba de enredo foi se estruturando como um g\u00eanero peculiar ao longo das d\u00e9cadas de quarenta e cinq\u00fcenta. Podemos dizer que a partir da\u00ed as escolas \u2013 obrigadas inclusive pelos regulamentos que disciplinavam os cortejos \u2013 passam a desfilar adequando definitivamente o discurso visual (o enredo proposto) ao hino musical defendido por seus componentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As d\u00e9cadas de 1940 e 1950 s\u00e3o marcadas por sambas que retratam enredos de tem\u00e1ticas nacionalistas. \u00c9 a \u00e9poca das grandes efem\u00e9rides, da exalta\u00e7\u00e3o a vultos da hist\u00f3ria oficial e \u00e0s riquezas da natureza exuberante do Brasil. Cantavam-se temas como a batalha naval do Riachuelo, o vale do rio S\u00e3o Francisco, os feitos do Duque de Caxias, a capacidade intelectual de Rui Barbosa, as perip\u00e9cias de Oswaldo Cruz, a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, os bigodes de D. Pedro I, e coisas do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso ressaltar isso porque, em larga medida, existe certo saudosismo entre alguns f\u00e3s das escolas de samba. Essa nostalgia do passado se manifesta, dentre outros pontos, no discurso de que, atualmente, os enredos s\u00e3o pouco carnavalescos. A rigor, h\u00e1 que se admitir, os enredos tamb\u00e9m n\u00e3o eram exatamente carnavalescos em antanho. Ou algu\u00e9m acha que o Duque de Caxias foi um tremendo foli\u00e3o e a Guerra do Paraguai foi um belo balacobaco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos poucos, os enredos v\u00e3o se transformando. Exemplo disso \u00e9 a propalada revolu\u00e7\u00e3o salgueirense da d\u00e9cada de 1960, com uma s\u00e9rie de desfiles exaltando a hist\u00f3ria, os personagens e a cultura dos negros brasileiros \u2013 como Quilombo dos Palmares (1960), Aleijadinho (1961), Xica da Silva (1963) e Chico Rei (1964). Djalma Sabi\u00e1, Geraldo Bab\u00e3o, Anescar e Noel Rosa de Oliveira foram os principais compositores dessa esp\u00e9cie de idade de ouro da escola vermelha e branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi o Salgueiro que inovou levando originalmente temas negros para a avenida (outras escolas j\u00e1 tinham feito isso, mas n\u00e3o de forma sistem\u00e1tica), mas sem d\u00favidas a agremia\u00e7\u00e3o tijucana cristalizou uma tend\u00eancia que, desde ent\u00e3o, \u00e9 das mais fortes no universo das escolas de samba: colocou a hist\u00f3ria do negro definitivamente no samba e \u2013 sobretudo \u2013 destacou essa trajet\u00f3ria sob o vi\u00e9s da resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras transforma\u00e7\u00f5es ocorreram de l\u00e1 pra c\u00e1. Foi marcante, por exemplo, o samba de enredo de 1961 da pequena Tupi de Br\u00e1s de Pina, rompendo com a tradi\u00e7\u00e3o de se ressaltar as maravilhas da natureza brasileira e retratando o drama da seca que abalou o Cear\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX. A composi\u00e7\u00e3o, de Gilberto Andrade e Waldir de Oliveira, \u00e9 do n\u00edvel de Os Sert\u00f5es (Em Cima da Hora, 1976), samba de enredo de Edeor de Paula, considerado por muitos como o melhor de todos os tempos. Seca do Nordeste, eis o nome do cl\u00e1ssico da Tupi, era considerado por Jamel\u00e3o como o maior samba de enredo de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, desde ent\u00e3o, sambas que louvaram a ditadura militar (foram muitos), que ilustram enredos sobre o cotidiano, mergulham nas ideias delirantes dos carnavalescos &#8211; sobretudo ap\u00f3s o choque de imagina\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3osinho Trinta trouxe aos temas nos anos setenta, chegando a colocar no Brasil as lend\u00e1rias minas do Rei Salom\u00e3o e enfiar o rei da Fran\u00e7a em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, em uma temporada de f\u00e9rias \u2013 e retratam enredos encomendados e de gosto duvidoso, como companhias de avia\u00e7\u00e3o, latic\u00ednios, cidades tur\u00edsticas e personagens que, a exemplo dos her\u00f3is da p\u00e1tria nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, n\u00e3o t\u00eam proced\u00eancia exatamente carnavalesca (Ronaldo Fen\u00f4meno, Silvio Santos, Roberto Carlos, Xuxa, Ivo Pitangui e Romero Brito foram devidamente homenageados na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo g\u00eanero musical vivo, o samba de enredo continua se transformando. Dos magn\u00edficos len\u00e7\u00f3is de Silas de Oliveira (sambas que abordavam o enredo todo, com letras extensas e cad\u00eancia, que fizeram de Silas o maior compositor do g\u00eanero e do Imp\u00e9rio Serrano a escola com, para o gosto deste escriba, o maior n\u00famero de grandes sambas de enredo em todos os tempos) aos dias menos gloriosos dos sambas que mais parecem marchinhas \u2013 de qualidade est\u00e9tica duvidosa e apelo f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 nisso tudo, apenas um fato que n\u00e3o pode ser questionado por quem quer que seja: goste-se ou n\u00e3o de sambas de enredo, \u00e9 imposs\u00edvel se contar a hist\u00f3ria da m\u00fasica, do carnaval e, por que n\u00e3o, da cultura brasileira sem se destacar a import\u00e2ncia do g\u00eanero \u2013 e isso j\u00e1 \u00e9 muita coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este panorama geral pretende marcar o in\u00edcio de uma s\u00e9rie de textos para o Ouro de Tolo que, at\u00e9 o tr\u00edduo de Momo, tratar\u00e3o do samba de enredo ao longo da Hist\u00f3ria das escolas de samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evo\u00e9!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu artigo de hoje o historiador Luiz Antonio Simas inicia uma s\u00e9rie de colunas sobre o samba de enredo e sua hist\u00f3ria. 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