{"id":19071,"date":"2013-10-04T04:52:58","date_gmt":"2013-10-04T07:52:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=19071"},"modified":"2013-10-04T11:30:50","modified_gmt":"2013-10-04T14:30:50","slug":"sabinadas-fernando-pamplona-1927-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/10\/sabinadas-fernando-pamplona-1927-2013\/","title":{"rendered":"Sabinadas: &#8220;Fernando Pamplona, 1926-2013&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesta sexta feira a<strong> coluna do jornalista Fred Sabino<\/strong> nos fala do carnavalesco Fernando Pamplona (foto), que nos deixou no \u00faltimo domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong>Fernando Pamplona, 1926-2013<\/strong> <\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo domingo, o Carnaval brasileiro perdeu um de seus nomes mais importantes, com o falecimento de Fernando Augusto da Silveira Pamplona, aos 87 anos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pamplona deu uma enorme contribui\u00e7\u00e3o para os desfiles das escolas de samba se transformarem num dos maiores espet\u00e1culos da Terra. Formado na Escola de Belas Artes, ele chegou ao Carnaval em 1959, vejam s\u00f3, como jurado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele desfile, apenas o Acad\u00eamicos do Salgueiro chamou realmente a aten\u00e7\u00e3o de Pamplona, com um enredo sobre Debret. Para o ano seguinte, ele foi convidado para realizar o desfile salgueirense. Ele aceitou, com uma condi\u00e7\u00e3o: que o enredo fosse sobre Zumbi dos Palmares. Era a tem\u00e1tica negra, enfim, chegando ao Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era tamb\u00e9m o primeiro personagem n\u00e3o-oficial da hist\u00f3ria brasileira a ser retratado NE um desfile. Sa\u00edram as roupas luxuosas e entraram os figurinos que remetiam \u00e0 cultura africana. No fim, o Salgueiro ficou em terceiro, atr\u00e1s de Portela e Mangueira, mas uma puni\u00e7\u00e3o \u00e0s duas agremia\u00e7\u00f5es rendeu uma confus\u00e3o, pancadaria generalizada e qu\u00edntuplo empate. Assim, o Salgueiro era campe\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes, a nova est\u00e9tica e os temas tipicamente brasileiros solidificaram o Salgueiro como uma das grandes agremia\u00e7\u00f5es do Carnaval, lan\u00e7ando tend\u00eancia nos desfiles. Naquela \u00e9poca, seu grande parceiro na concep\u00e7\u00e3o dos carnavais salgueirenses era o extraordin\u00e1rio Arlindo Rodrigues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os v\u00e1rios enredos que marcaram \u00e9poca, al\u00e9m de Quilombo dos Palmares, estiveram Chica da Silva, Chico-Rei, Festa para um Rei Negro, Dona Beija &#8211; Feiticeira de Arax\u00e1 e Bahia de Todos os Deuses. Foram quatro t\u00edtulos e tr\u00eas vices, sempre pelo Salgueiro, escola \u00fanica de Pamplona como carnavalesco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sendo salgueirense de quatro costados, Pamplona foi o primeiro a promover uma homenagem a uma escola de samba concorrente&#8230; Em 1972, o Salgueiro entrou na avenida com o enredo Minha madrinha, Mangueira querida. Na \u00e9poca, a ideia n\u00e3o foi t\u00e3o bem aceita assim pela comunidade, mas ainda assim ficou marcada na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcada na hist\u00f3ria tamb\u00e9m foi uma frase dita por algu\u00e9m que trabalhava de gra\u00e7a no Salgueiro e n\u00e3o dispunha dos enormes recursos que as agremia\u00e7\u00f5es t\u00eam hoje: &#8220;Tem de se tirar da cabe\u00e7a aquilo que n\u00e3o se tem do bolso&#8221;. Mais Pamplona, imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra faceta de Pamplona foi a de ser um contribuinte de peso para o Imp\u00e9rio Serrano, com ideias para enredos como \u2018Bum bum Paticumbum Prugurundum\u2019, \u2018M\u00e3e, Baiana M\u00e3e\u2019, \u2018Foi Malandro, \u00e9\u2019 e \u2018Com a boca no mundo, quem n\u00e3o se comunica se trumbica\u2019, todos desenvolvidos por seus aprendizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, aprendizes. Nomes que come\u00e7aram a trajet\u00f3ria no Carnaval tamb\u00e9m no Salgueiro e depois desfilaram o talento em outras escolas. Para citar alguns: Maria Augusta, Max Lopes, Rosa Magalh\u00e3es, Renato Lage e seu disc\u00edpulo preferido: Jo\u00e3ozinho Trinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pamplona tamb\u00e9m deu sua contribui\u00e7\u00e3o como comentarista de televis\u00e3o nos desfiles durante as d\u00e9cadas de 80 e 90, na TVE, e, principalmente, na Manchete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comecei a acompanhar o Carnaval, achava um barato quando o Pamplona criticava com veem\u00eancia a descaracteriza\u00e7\u00e3o dos sambas-enredos, que se transformavam em &#8220;marchinhas sem-vergonha&#8221; como ele dizia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que na \u00e9poca eu n\u00e3o entendia muita coisa. Mas aos poucos fui passando a compreender como funcionava aquilo tudo e posso dizer que Pamplona, com seus coment\u00e1rios diretos, did\u00e1ticos e, porque n\u00e3o dizer, \u00e1cidos, me ajudou a gostar de Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pamplona deixa um enorme legado. N\u00e3o s\u00f3 o de ter revolucionado a concep\u00e7\u00e3o dos desfiles. Mas de ter defendido at\u00e9 o fim que, apesar da import\u00e2ncia da est\u00e9tica em um desfile, acima de tudo trata-se de um desfile de escola de SAMBA, em caixa alta mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em caixa alta, deixo em meu nome e do Mig\u00e3o o agradecimento de todos os que amam o Carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OBRIGADO, PAMPLONA!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Links:<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pamplona comentando o desfile da Mangueira de 1990 e se desesperando com os problemas da escola<br \/>\nhttp:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mMtgUSgkK-w<\/p>\n<p>Homenagem do Salgueiro a Fernando Pamplona, em 1986<br \/>\nhttp:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9MXL4F4uI5g<\/p>\n<p>Pamplona chamando o samba da Ilha de 1989 de marchinha<br \/>\nhttp:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XVvsz7X8IzM<\/p>\n<p>Pamplona euf\u00f3rico com o povo descobrindo o Cristo Mendigo da Beija-Flor, no desfile das campe\u00e3s de 1989<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cristo Mendigo - Beija-Flor (1989)\" width=\"525\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ykt0KMvgbDU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Entrevista de Fernando Pamplona a Caio Barbosa, de O Dia, em 2013 &#8211; <a href=\"http:\/\/odia.ig.com.br\/portal\/o-dia-na-folia\/fernando-pamplona-sou-vagabundo-eu-t%C3%B4-a%C3%AD-1.536127\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #ff6600;\">http:\/\/odia.ig.com.br\/portal\/o-dia-na-folia\/fernando-pamplona-sou-vagabundo-eu-t%C3%B4-a%C3%AD-1.536127<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta feira a coluna do jornalista Fred Sabino nos fala do carnavalesco Fernando Pamplona (foto), que nos deixou no \u00faltimo domingo. 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