{"id":16939,"date":"2013-03-14T04:56:21","date_gmt":"2013-03-14T07:56:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=16939"},"modified":"2013-03-13T15:15:07","modified_gmt":"2013-03-13T18:15:07","slug":"historias-brasileiras-o-martir-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/03\/historias-brasileiras-o-martir-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Brasileiras &#8211; &#8220;O M\u00e1rtir da Ci\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Martinho da Vila - &quot;Acordem benfeitores do Universo&quot; (1981)\" width=\"525\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f1ELH-2jYBc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Nesta quinta a <strong>coluna \u201cHist\u00f3rias Brasileiras\u201d, do historiador Luiz Antonio Simas<\/strong>, parte de um lindo \u2013 e pouco conhecido \u2013 samba de enredo para contar a hist\u00f3ria do m\u00e9dico Oswaldo Cruz na erradica\u00e7\u00e3o da febre amarela.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Oswaldo Cruz que, ali\u00e1s, acabou ligado de outra forma ao samba \u2013 ele d\u00e1 nome ao bairro que \u00e9 o ber\u00e7o da nossa querida Portela.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><em><strong><span style=\"color: #000080; text-decoration: underline;\">O M\u00e1rtir da Ci\u00eancia<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Um dos sambas de enredo mais bonitos que conhe\u00e7o \u00e9 o \u201cBenfeitores do Universo\u201d(acima), cantado em 1953 pela velha Cartolinhas de Caxias. H\u00e9lio Cabral foi o autor da obra-prima com a qual a escola desfilou no carnaval da Baixada Fluminense.<!--more--><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">A Cartolinha de Caxias, para quem n\u00e3o sabe, uniu-se em 1972 \u00e0s escolas Uni\u00e3o do Centen\u00e1rio, Capricho do Centen\u00e1rio e Uni\u00e3o da Vila S\u00e3o Lu\u00eds para formar o GRES Grande Rio &#8211; agremia\u00e7\u00e3o que, em 1988, foi incorporada pela Acad\u00eamicos de Duque de Caxias no processo que deu origem ao GRES Acad\u00eamicos do Grande Rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Em meio a personagens como Santos Dumont, Pedro Am\u00e9rico, Aleijadinho, Jo\u00e3o Caetano, Rui Barbosa, Carlos Gomes, Castro Alves e Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, o samba da Cartolinhas exalta a figura maior do Dr. Oswaldo Cruz, louvado pelo sambista como o &#8220;m\u00e1rtir da ci\u00eancia&#8221;. O samba \u00e9 bonito pacas e a homenagem \u00e9 justa. Explico as raz\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">&#8220;Se eu n\u00e3o exterminar a febre amarela em tr\u00eas anos, pode me fuzilar&#8221;. Foi assim que o jovem sanitarista Oswaldo Cruz \u2013 tinha apenas 29 anos na ocasi\u00e3o &#8211; embarcou na proposta do presidente Rodrigues Alves, que prometera sanear na marra a cidade do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Viver pelas bandas do Rio no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, \u00e9 bom esclarecer, n\u00e3o era exatamente uma beleza. A febre amarela atacava no ver\u00e3o (causando cerca de mil e duzentas mortes por ano); a var\u00edola fazia a festa no inverno (tr\u00eas mil e tantos defuntos por temporada) e, em todas as esta\u00e7\u00f5es, a peste bub\u00f4nica espalhava a morte pelo balne\u00e1rio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O presidente da Rep\u00fablica, que tinha perdido um filho numa epidemia de febre amarela, deu carta branca para que Oswaldo Cruz resolvesse os problemas das epidemias. O sanitarista n\u00e3o conversou e mandou brasa na campanha de higieniza\u00e7\u00e3o do Rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Para come\u00e7ar, criou um esquadr\u00e3o que ca\u00e7ava ratos pela cidade, com o intuito de atacar a peste bub\u00f4nica. Obteve a ades\u00e3o entusiasmada da popula\u00e7\u00e3o, ainda mais quando prometeu que pagaria 300 r\u00e9is por ratazana morta. Teve malandro que, para sair do sufoco, come\u00e7ou at\u00e9 a negociar a venda de roedores no mercado paralelo. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Ap\u00f3s a campanha vigorosa e bem sucedida contra a peste, a ordem era liquidar os mosquitos para eliminar a febre amarela. Foi criada uma brigada de combate aos focos, com autoriza\u00e7\u00e3o para invadir resid\u00eancias, pulverizar casas, interditar mocambos e, em \u00faltimo caso, tacar fogo em tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O que a imprensa carioca fez com o sanitarista n\u00e3o est\u00e1 no gibi. Oswaldo Cruz foi ridicularizado em dezenas de caricaturas, recebeu o ep\u00edteto de &#8220;czar dos mosquitos&#8221; e ganhou fama de maluco &#8211; j\u00e1 que pouca gente acreditava que eram de fato os insetos que transmitiam a febre amarela.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O principal assessor de Cruz, o Dr. Carneiro de Mendon\u00e7a, chefe da brigada mata-mosquito, foi chamado de &#8220;mosquiteiro-mor&#8221;, &#8220;fan\u00e1tico estegomicida&#8221;, &#8220;Maom\u00e9 do sanitarismo&#8221;e &#8220;Dona Maria, a louca do saneamento p\u00fablico&#8221; pelos homens de imprensa mais aguerridos.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Mal sabiam os detratores que o homem estava certo. Oswaldo Cruz, atualizado com o que havia de mais moderno na medicina sanitarista, acreditava firmemente na descoberta do m\u00e9dico cubano Carlos Finlay, que em 1881 afirmara que o mosquito rajado Aedes aegipty, nosso velho conhecido, era o transmissor da maldita febre.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">O esfor\u00e7o de guerra funcionou, o mosquito era mesmo o vil\u00e3o da novela e o sanitarista, tremendamente ridicularizado, liquidou a doen\u00e7a, conforme prometera ao presidente da Rep\u00fablica. Hoje, na cidade que vez por outra \u00e9 sitiada pela dengue, as armas mais eficientes da sa\u00fade p\u00fablica contra os insetos parecem ser mesmo as raquetes chinesas que, vendidas por uns caramingu\u00e1s nos sinais de tr\u00e2nsito, matam os insetos eletrocutados com requintes de crueldade.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Nada se comparou, por\u00e9m, ao bafaf\u00e1 que explodiu quando o Congresso aprovou a proposta mais pol\u00eamica da revolu\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria de Oswaldo Cruz; a lei da vacina obrigat\u00f3ria contra a var\u00edola. Mas isso \u00e9 papo para outro texto. Prometo contar em breve, com direito a mais samba, como \u00e9 que foi o fuzu\u00ea da vacina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;\"><span style=\"color: #000080;\">Abra\u00e7os.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta a coluna \u201cHist\u00f3rias Brasileiras\u201d, do historiador Luiz Antonio Simas, parte de um lindo \u2013 e pouco conhecido \u2013 samba de enredo para contarTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[18,61,35,70,4],"class_list":["post-16939","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias-brasileiras","tag-carnaval","tag-grande-rio","tag-historia","tag-rio-de-janeiro","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16939\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}