{"id":16196,"date":"2013-01-28T11:21:24","date_gmt":"2013-01-28T13:21:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=16196"},"modified":"2013-01-28T11:22:09","modified_gmt":"2013-01-28T13:22:09","slug":"historias-brasileiras-a-majestade-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/01\/historias-brasileiras-a-majestade-do-carnaval\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Brasileiras &#8211; &#8220;A Majestade do Carnaval&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/rei-momo-rio-2013-ig.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-16197\" alt=\"rei momo rio 2013 ig\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/rei-momo-rio-2013-ig-543x340.jpg\" width=\"543\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/rei-momo-rio-2013-ig-543x340.jpg 543w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/rei-momo-rio-2013-ig-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/rei-momo-rio-2013-ig.jpg 652w\" sizes=\"auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px\" \/><\/a><span style=\"color: #000080\">Abrindo a semana do Ouro de Tolo,<\/span><strong style=\"color: #000080;line-height: 1.5;font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"> a coluna &#8220;Hist\u00f3rias Brasileiras&#8221;, do historiador e professor Luiz Antonio Simas<\/strong><span style=\"color: #000080\">, conta as origens da Majestade do carnaval, o Rei Momo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Na foto (cr\u00e9dito: iG), a corte do carnaval carioca para 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\"><em><strong><span style=\"color: #000080\">A Majestade do Carnaval<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Algu\u00e9m a\u00ed j\u00e1 ouviu falar do jornalista Moraes Cardoso?\u00a0 Pois o sujeito em quest\u00e3o foi, simplesmente, o primeiro Rei Momo da hist\u00f3ria do Carnaval do Rio de Janeiro, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930. Cronista de turfe do jornal A Noite, balofo de propor\u00e7\u00f5es vesuvianas, com o esp\u00edrito galhofeiro, Moraes Cardoso foi escolhido pelos colegas de reda\u00e7\u00e3o para desfilar pelas ruas da cidade durante o tr\u00edduo, representando o famoso monarca da folia. A coisa funcionou e, at\u00e9 1948, quando &#8216;cantou para subir&#8217;, o jornalista representou a majestade do furdun\u00e7o carnavalesco.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Esclare\u00e7o aos foli\u00f5es de plant\u00e3o: o Rei Momo \u00e9 um personagem oriundo da mitologia grega; conhecido como o filho do Sono e da Noite.\u00a0 Galhofeiro, sacana, irreverente, ele atazanou a paci\u00eancia dos outros deuses at\u00e9 conseguir ser expulso do Olimpo pelo pr\u00f3prio Zeus, o rei da cocada preta de l\u00e1. Momo n\u00e3o queria fazer nada de \u00fatil, preferindo passar os dias a se divertir, comer e tomar vinho. Foi deportado para a terra!<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Ao chegar por aqui, Momo come\u00e7ou a se apresentar nas cidades tirando a m\u00e1scara, erguendo um estandarte festeiro e tocando guizos que convocavam os homens para arrua\u00e7as, porrancas e orgias. Tudo era permitido nos locais em que o deus exilado levantava o seu estandarte.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Na Roma antiga, \u00e0 \u00e9poca das grandes festas saturnais, escolhia-se algu\u00e9m, em geral um soldado, para representar o zombeteiro Momo. O escolhido era coroado e tinha o direito de comer, brincar e encher a cara at\u00e9 o esgotamento. Era, depois disso, desmaiado de tanto vinho e comida, conduzido ao altar de Saturno e gloriosamente sacrificado ao deus.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O personagem Rei Momo foi, portanto, um glut\u00e3o e bebedor insaci\u00e1vel na tradi\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica. O primeiro Rei Momo carioca, Moraes Cardoso, honrou a coroa com um apetite pantagru\u00e9lico e o f\u00edsico de um cachalote. Era o que, em tempos politicamente incorretos, chamar\u00edamos de rolha de po\u00e7o, balofo, orca, Dona Redonda&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">N\u00e3o se justifica, portanto, uma tend\u00eancia perigosa que vem tomando conta de alguns carnavais no Brasil: a da escolha do Rei Momo sarado, malhador, com pouco percentual de gordura e outros salamaleques. Em 2011, por exemplo, a prefeitura do Recife \u2013 terra de um dos maiores carnavais do mundo &#8211; emitiu a seguinte nota:<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\"><i>Numa \u00e9poca em que prezamos a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) acredita ser contradit\u00f3rio estimular o desenvolvimento da obesidade nos homens que desejam assumir o posto de soberano do Carnaval. E nesse sentido, muita gente aplaude a decis\u00e3o da PCR, que no seu 47\u00ba Baile Municipal do Recife, no Chevrolet Hall, escolher\u00e1 um Rei Momo com silhueta esbelta e m\u00fasculos bem definidos.<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo, Salvador e o pr\u00f3prio Rio de Janeiro, em tempos mais recentes, andaram com essa maluquice de valorizar o f\u00edsico saud\u00e1vel como crit\u00e9rio de escolha do monarca. Aqui, ao menos, parece que essa determina\u00e7\u00e3o caiu por terra e o Rei Momo atual at\u00e9 que \u00e9 gordinho: mas n\u00e3o passa disso.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Nos meus tempos de moleque, e muitos leitores do Ouro de Tolo certamente podem confirmar o que relato, o Rei Momo carioca era escolhido em um concurso fabuloso, que abalava os alicerces do Largo da Carioca. Os candidatos ao mais alto posto da nobreza brasileira devoravam quantidades inacredit\u00e1veis de frangos de padaria, se esbaldavam com travessas de macarr\u00e3o, comiam centenas de doces, encaravam engradados de cerveja e, depois do banquete profano, se exibiam para mostrar o samba no p\u00e9. Tudo isso no ver\u00e3o carioca, com temperaturas senegalescas.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Esclare\u00e7o ainda que os glut\u00f5es sambavam devidamente acompanhados de mo\u00e7as em trajes sum\u00e1rios, candidatas ao posto de rainha e princesa do Carnaval. N\u00e3o sei como n\u00e3o morreu ningu\u00e9m durante um concurso desses.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Deixemos, pois, de invencionices cretinas. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O Carnaval de rua \u00e9 uma festa de invers\u00e3o dos padr\u00f5es sociais desde, pelo menos, a Idade M\u00e9dia. Durante os dias de folia h\u00e1 que se subverter a ordem estabelecida. Foi esse o sentido que a pr\u00f3pria Igreja Cat\u00f3lica deu ao fuzu\u00ea, ao admitir que as pessoas pintassem o sete e se despedissem da carne antes dos rigores da quaresma (a\u00ed est\u00e1, na express\u00e3o <i>despedida da carne<\/i>, a origem latina da palavra Carnaval).<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O Carnaval \u00e9, portanto, a hora em que guardamos no fundo do arm\u00e1rio os nossos trajes civis e retiramos dos cabides as fantasias de piratas, jardineiras, odaliscas, fara\u00f3s e bedu\u00ednos alucinados. O rei Momo \u00e9 o \u00edcone desta ideia de invers\u00e3o; n\u00e3o pode, portanto, submeter sua realeza aos ditames da regra, ao politicamente correto em sua face mais boba.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Clamo aos amigos, com este arrazoado, que s\u00f3 respeitem as majestades carnavalescas balofas, suadas, empanzinadas, com o corpinho de uma chupeta do Ves\u00favio. Que os homens do poder pintem e bordem com a imagem da Rainha Elizabeth, com o nariz do Pr\u00edncipe Charles, com as barbas de Dom Pedro II e com os chifres do Duque da Cornoalha. Mas respeitem Momo.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">S\u00f3 os desregrados, afinal, merecem dos s\u00faditos da folia a reverencia e a sauda\u00e7\u00e3o devidas aos verdadeiros monarcas do povo: Evo\u00e9!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrindo a semana do Ouro de Tolo, a coluna &#8220;Hist\u00f3rias Brasileiras&#8221;, do historiador e professor Luiz Antonio Simas, conta as origens da Majestade do carnaval,Tour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[292],"tags":[18,12,35,6],"class_list":["post-16196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias-brasileiras","tag-carnaval","tag-cultura","tag-historia","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16196\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}