{"id":15969,"date":"2013-01-08T05:01:21","date_gmt":"2013-01-08T07:01:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/?p=15969"},"modified":"2013-01-08T05:12:31","modified_gmt":"2013-01-08T07:12:31","slug":"bissexta-olhando-o-rio-como-um-turista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2013\/01\/bissexta-olhando-o-rio-como-um-turista\/","title":{"rendered":"Bissexta &#8211; &#8220;Olhando o Rio como um turista&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/DSC00672.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-15970\" alt=\"DSC00672\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/DSC00672-768x1024.jpg\" width=\"538\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/DSC00672-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/DSC00672-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Nesta ter\u00e7a feira, finalmente abrindo a sua s\u00e9rie no novo endere\u00e7o, <strong>a coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado Walter Monteiro<\/strong>, fala do Rio de Janeiro sob o \u00e2ngulo de um turista &#8211; al\u00e9m de apontar, com raz\u00e3o, algumas incoer\u00eancias da chamada &#8220;Lei Seca&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O leitor deve estar estranhando a imagem, na qual este Editor Chefe e o colunista em quest\u00e3o estamos diante da Catedral de Pedra de Canela, na Serra Ga\u00facha, em foto de um ano atr\u00e1s. No final do artigo o leitor entender\u00e1.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"text-decoration: underline;color: #000080\"><em><strong>Olhando o Rio como um turista<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Depois de mais de cinco anos morando longe, passei uma semana de f\u00e9rias\u00a0 no Rio, entre o Natal e o Ano Novo.\u00a0 Eu vou ao Rio quase toda semana: mas sempre a trabalho, embora tamb\u00e9m seja \u00f3bvio que nesse tempo todo estive a lazer v\u00e1rias outras vezes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O que mudou um pouco nessa \u00faltima visita foi a companhia de mais 750 mil visitantes que tiveram a mesma ideia que eu e a inten\u00e7\u00e3o deliberada de contemplar a cidade com um olhar \u201cestrangeiro\u201d. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Para come\u00e7ar, o clima. Sempre que chega o ver\u00e3o e os porto-alegrenses come\u00e7am a amaldi\u00e7oar o calor, n\u00e3o tarda para algu\u00e9m vir me dizer que o calor aqui seria \u201cpior\u201d que no Rio, porque n\u00e3o entra a brisa do mar. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Essa \u00e9 uma vis\u00e3o comum dos visitantes e de quem n\u00e3o mora no Rio, acreditar que o acesso ao mar \u00e9 algo simples e ao alcance de todos. Infelizmente, a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o carioca mora muito distante da praia e mesmo os que n\u00e3o moram t\u00e3o longe assim (que era o meu caso), raramente sentem qualquer benef\u00edcio clim\u00e1tico do oceano ou da ba\u00eda de Guanabara, j\u00e1 que entre as nossas casas e o mar h\u00e1 uma barreira de pr\u00e9dios de concreto \u2013 logo, s\u00f3 os muito milion\u00e1rios da beira-mar podem sentir a maresia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><em><span style=\"color: #000080\">[N.do.E.: nem tanto: a varanda do apartamento onde moro na Ilha do Governador, bairro de classe m\u00e9dia, fica a uns 400 metros da Ba\u00eda da Guanabara &#8211; sem pr\u00e9dios em frente. Nestes dias de calor o vento da ba\u00eda ajuda a diminuir a sensa\u00e7\u00e3o de filial do inferno.]<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O clima, deixe-me aclarar o problema, \u00e9 a porta de entrada do inferno. Em alguns lugares (como na casa da minha m\u00e3e) \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel tomar um banho frio, porque o sol esquenta a caixa d\u2019\u00e1gua e o banho sai quente. \u00c9 uma cidade suada, por todos os cantos e espa\u00e7os, internos e externos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Apesar das praias e das in\u00fameras atra\u00e7\u00f5es ao ar livre, n\u00e3o conhe\u00e7o cidade onde a popula\u00e7\u00e3o seja mais apaixonada pelos shoppings centers. N\u00e3o: nem S\u00e3o Paulo, apesar da fama. Acho que a culpa tamb\u00e9m deve ser do calor: o forte ar condicionado serve de ref\u00fagio para quem n\u00e3o aguenta mais derreter.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Precisei comprar algumas coisas e fui ao Barra Shopping no domingo que antecedia o Reveillon. Por um lado foi bom: encontrei diversos amigos que n\u00e3o via h\u00e1 tempos (sinal de que realmente as pessoas gostam do programa). Por outro, \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 caminhar pelos corredores, tamanho o fluxo de consumidores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Tenho um carinho especial com a Lapa e uma hist\u00f3ria de amor antigo. Fui criado na Tijuca e, depois do Maracan\u00e3 e dos cinemas da Pra\u00e7a Saens Pe\u00f1a, a maior divers\u00e3o da molecada dos anos 80 da minha rua era ir ao Circo Voador, que ergue sua lona por ali na primeira metade da d\u00e9cada perdida.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">At\u00e9 ent\u00e3o a Lapa era um lembran\u00e7a dos sambas antigos, porque ningu\u00e9m ia l\u00e1. Com os shows do Circo a gente passou a frequentar, mas s\u00f3 naquele pedacinho do seu entorno: porque uns cinco passos adiante j\u00e1 era temer\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Aos poucos, foi se tornando cult explorar as bibocas da Lapa, comer um cabrito no Nova Capela, tomar um chope no Bar Brasil, ouvir um samba no Semente&#8230; Coisas assim.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Depois, na virada do mil\u00eanio, um ex-colega meu de faculdade, desgostoso com as lides da vida, abriu uma casa de samba bem em frente a um ponto de travestis, que faziam seu ganho nas cal\u00e7adas da Mem de S\u00e1. Me lembro que nas primeiras vezes que fui ao Carioca da Gema era necess\u00e1rio pedir licen\u00e7a aos travecos que faziam ponto por ali. Uns tr\u00eas quarteir\u00f5es dali abria tamb\u00e9m o Rio Scenarium, que se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria era dentro de um brech\u00f3; mas atravessar a p\u00e9 o caminho entre um bar e o outro era aventura para valentes noturnos.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">A cada ano a Lapa crescia um pouco mais, afastando os mais descolados para bares mais distantes do centro do bairro.\u00a0 Eu estive l\u00e1 s\u00e1bado \u00e0 noite, mas n\u00e3o estava preparado para ver aquela cena. O boteco que eu gosto de ir tinha fila de mais de 1 hora de espera. Acabei encontrando outro, mas que rapidamente lotou e aglomerou gente na porta. N\u00e3o passa mais carro na Mem de S\u00e1: mas sim hordas de pedestres, cariocas e turistas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">A Lapa era perigosa. Depois virou <i>cult<\/i>. Hoje est\u00e1 no <i>mainstream<\/i>. Falta pouco para virar <i>tourist trap<\/i>.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">O Rio continua deliciosamente zoneado. A \u00fanica lei de tr\u00e2nsito fiscalizada \u00e0 risca na cidade \u00e9 a Lei Seca \u2013 todos os demais artigos do c\u00f3digo s\u00e3o ignorados com orgulho.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Ali\u00e1s, falar em Lei Seca, meu v\u00f4o de volta era cedo e \u00e0s sete horas da manh\u00e3 eu j\u00e1 estava na Linha Amarela quando me deparei com uma multid\u00e3o andando a p\u00e9 na avenida, com seus carros estacionados de qualquer maneira. Eram centenas de pessoas voltando do Reveillon, aguardando o encerramento da barreira do baf\u00f4metro. <\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Eu, tolinho, fui em frente, mas morri de medo de ser parado. Afinal eu havia dormido menos de seis horas e, claro, tomei espumante na virada do ano: ou seja, ainda devia ter resqu\u00edcios de \u00e1lcool no sangue.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Como se sabe, a Lei Seca foi feita para ot\u00e1rios como eu e o Editor Chefe, que se arriscam a enfrentar a barreira s\u00f3brios, mas com tra\u00e7os de \u00e1lcool no sangue. Os b\u00eabados, como se viu, ficam parados na rua esperando os fiscais irem dormir. Mas deu tudo certo: as crian\u00e7as no carro alugado com placa de Belo Horizonte devem ter dado aos fiscais a falsa impress\u00e3o de que se tratava de um homem s\u00e9rio ao volante.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Faltou luz, faltou gelo, faltou sorvete; embora, felizmente, n\u00e3o necessariamente tudo junto. Minhas filhas menores, gauchinhas e branquelas, foram vitimadas por brotoejas por todo o torso e sofreram horrores com o calor. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Mas \u00e9 imposs\u00edvel que mesmo com todo o caos e percal\u00e7os que a cidade nos obriga, algu\u00e9m saia do Rio sem estar completamente apaixonado por tudo que se oferece ali. O Rio \u00e9 uma cidade cheia de vida, de gente que sabe contornar os sacrif\u00edcios cotidianos em troca de viver em um lugar m\u00e1gico.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\">Por isso, reproduzo aqui a campanha que um amigo meu lan\u00e7ou no Facebook: por favor, n\u00e3o divulguemos mais as fotos da cidade. O Rio est\u00e1 t\u00e3o lindo, mas t\u00e3o lindo, que os deputados dos outros estados, em sua cruzada c\u00edvica contra o povo carioca e sempre de olho em nossas riquezas, logo v\u00e3o apresentar uma emenda para dividir por todo o Brasil a receita dos impostos do turismo da Cidade Maravilhosa.<\/span><\/p>\n<p style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;text-align: justify\"><span style=\"color: #000080\"><i>Ein Prosit<\/i>, Rio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta ter\u00e7a feira, finalmente abrindo a sua s\u00e9rie no novo endere\u00e7o, a coluna &#8220;Bissexta&#8221;, do advogado Walter Monteiro, fala do Rio de Janeiro sob oTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[70,178,6],"class_list":["post-15969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bissexta","tag-rio-de-janeiro","tag-turismo","tag-vida-cotidiana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}