{"id":12971,"date":"2010-02-05T15:42:00","date_gmt":"2010-02-05T17:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/carnaval-na-franca\/"},"modified":"2010-02-05T15:42:00","modified_gmt":"2010-02-05T17:42:00","slug":"carnaval-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/carnaval-na-franca\/","title":{"rendered":"CARNAVAL NA FRAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Tem cada maluquice que eu vou te contar. Semana passada dei uma pequena entrevista, com meu camarada Beto Mussa, sobre a decis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico que liberou o uso de imagens religiosas nos desfiles das escolas de samba. Saiu no Jornal do Brasil de quarta feira.<\/div>\n<div align=\"justify\">Para minha completa surpresa recebi por email a informa\u00e7\u00e3o de que dois importantes jornais franceses publicaram a coisa nas edi\u00e7\u00f5es impressas e virtuais. Para ler as mat\u00e9rias \u00e9 s\u00f3 clicar <a href=\"http:\/\/www.lexpress.fr\/actualites\/1\/carnaval-la-justice-autorise-les-symboles-catholiques-dans-les-defiles_846400.html\" target=\"_blank\"><strong>aqui<\/strong><\/a><strong> <\/strong>e<strong> <\/strong><a href=\"http:\/\/www.lepoint.fr\/actualites-monde\/2010-02-03\/carnaval-la-justice-autorise-les-symboles-catholiques-dans-les\/924\/0\/420153\" target=\"_blank\"><strong>aqui<\/strong><\/a><strong> . <\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\">Depois<strong> <\/strong>dessa s\u00f3 me resta publicar de novo, com pequenas mudan\u00e7as, um texto que escrevi em 2006 em homenagem ao Carnaval e a um antigo professor de Franc\u00eas. L\u00e1 vai:<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><br \/>Ningu\u00e9m no mundo fedia mais que o meu professor de franc\u00eas, o Patrick. Coisa impressionante. S\u00f3 lembro de cheiro parecido quando, num calor de 45o , em um carnaval no in\u00edcio dos anos 80, o Manoelzinho Mota saiu fantasiado de fara\u00f3 Rams\u00e9s II e passou da sexta-feira gorda \u00e0 quarta-feira de cinzas com a mesma roupa, sem lavar sequer as m\u00e3os um \u00fanico dia.<br \/>Mas o Patrick, como eu dizia, era um caso s\u00e9rio. Franc\u00eas, pinta de intelectual, cheio das frescuras. Fedia como um gamb\u00e1. Parecia honrar a mem\u00f3ria do rei Lu\u00eds XIV, que passou mais de cinquenta anos sem tomar um \u00fanico banho, limitando-se a paninhos \u00famidos que atenuavam seu majestoso futum.<br \/>Falei do Patrick e, imediatamente, me lembrei do cors\u00e1rio Dugay-Trouen, o franc\u00eas que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, apareceu por aqui com uma cacetada de navios de guerra e piratas da pior esp\u00e9cie e declarou que a cidade do Rio de Janeiro estava sequestrada. O governador, quando soube do sequestro, picou a mula e a popula\u00e7\u00e3o teve que se virar para pagar o resgate exigido pelo mequetrefe dos sete mares.<br \/>Uma testemunha desse epis\u00f3dio, o alferes Jo\u00e3o Alves de Lobato, lugar-tenente do alcaide, escreveu uma carta aos membros da c\u00e2mara dos homens bons clamando por uma interven\u00e7\u00e3o que tirasse os piratas franceses do Rio de Janeiro, argumentando que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aguentava mais o cheiro podre que os gauleses espalhavam pela Guanabara. Sequestro tudo bem, mas aquela fedentina n\u00e3o.<br \/>Dugay-Trouen deixou o Brasil, ap\u00f3s receber o resgate, falando horrores dos tr\u00f3picos e exaltando a civilizada Fran\u00e7a. O Patrick, por sua vez, tamb\u00e9m passava a maior parte das aulas cagando uma goma violenta sobre as maravilhas de Paris e defenestrando os h\u00e1bitos cariocas. Esculhambava o nosso metr\u00f4, com suas modestas linhas 1 e 2, exaltando o monumental metr\u00f4 parisiense. Como dizia minha av\u00f3, era um bom sujeito, mas metido a limpar coc\u00f4 de galinha com colher de prata. E fedia, como fedia&#8230;<br \/>Um dia o Patrick declarou que voltaria a Paris em curto espa\u00e7o de tempo, tendo por isso que deixar a turma. A rapaziada, que no fundo gostava (de longe) do <em>monsieur<\/em>, fez uma festinha de despedida. Clima amig\u00e1vel, boas recorda\u00e7\u00f5es, comes e bebes e outros salamaleques.<br \/>Como somos um povo gentil, quase todos os alunos levaram lembrancinhas pro mestre, eu inclusive. Na hora da despedida, entreguei ao conterr\u00e2neo do queijo roquefort uma fita com noventa minutos de m\u00fasica. Falei pro caboclo:<br \/>&#8211; Professor, gravei uma fita com nossas m\u00fasicas pro senhor sempre se lembrar do Brasil.<br \/>Ele agradeceu sinceramente comovido.<br \/>Nunca mais o encontrei. Imagino, por\u00e9m, que a fita n\u00e3o tenha agradado muito. O que gravei? Bossa nova, sambas, choros e outros ritmos do patropi? Nem a cacete. Numa atitude digna de um devoto do esp\u00edrito de porco, gravei uma \u00fanica can\u00e7\u00e3o, uma marchinha carnavalesca, repetida mais de vinte vezes, a genial <em>Paris<\/em> , da dupla Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho, composta para os jogadores canarinhos que foram \u00e0 Copa do Mundo da Fran\u00e7a e gravada pela Carmen Miranda em 1938.<br \/>Pausa. Eu ia colocar agora a letra da marchinha, mas vejo que cometi um erro. Chamei o escrete de 38 de canarinho. N\u00e3o era canarinho. A sele\u00e7\u00e3o ainda usava a camisa branca. S\u00f3 passamos a usar a amarela em 1954, ap\u00f3s conclu\u00edrmos que a branca tinha dado azar e sido a verdadeira respons\u00e1vel pela derrota em 1950. Agora sim, a letra:<br \/><span>E eu tamb\u00e9m quis ir um dia a Paris<br \/>Pra conhecer o que havia l\u00e1<br \/>E ao ver o metr\u00f4 a saudade apertou<br \/>E vim correndo pra c\u00e1<br \/>Paris ! Paris!<br \/>Teu rio \u00e9 o Rio Sena<br \/>Paris! Paris!<br \/>Tem loura mas n\u00e3o tem morena<br \/>Que lindas mulheres de olhos azuis<br \/>Tu \u00e9s a Cidade Luz<br \/>Paris, Paris, je t\u00b4aime<br \/>MAS EU GOSTO MUITO MAIS DO LEME<\/span> <span>!<br \/><\/span><span>Quando cheguei de alegria chorei<br \/>E achei o Rio lindo como que<br \/>Disquei 43-0023<br \/>&#8211; Amor, como vai voc\u00ea?<br \/><\/span>Pois \u00e9 queridos, foi a minha pequena e implicante vingan\u00e7a e, ao mesmo tempo, acreditem, uma forma de homenagear o mestre fedorento.<br \/>Mais importante que isso foi ter sabido, tempos depois, que essa \u00e9 a marchinha predileta do grande Tiago Prata, o maior conhecedor do g\u00eanero em sua gera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que pesquisa marchinhas desde os seis anos de idade.<br \/>Ah! Chegamos em terceiro lugar na Copa de 1938; o Le\u00f4nidas da Silva comeu a bola mas n\u00e3o deu pra ganhar o caneco. A saudade do Leme falou mais alto no peito da rapaziada.<\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><a href=\"http:\/\/%3cobject%20width=%22425%22%20height=%22344%22%3e%3cparam%20name=%22movie%22%20value=%22http\/\/www.youtube.com\/v\/6dK0NYuqqGk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;%22%3E%3C\/param%3E%3Cparam%20name=%22allowFullScreen%22%20value=%22true%22%3E%3C\/param%3E%3Cparam%20name=%22allowscriptaccess%22%20value=%22always%22%3E%3C\/param%3E%3Cembed%20src=%22http:\/\/www.youtube.com\/v\/6dK0NYuqqGk&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;%22%20type=%22application\/x-shockwave-flash%22%20allowscriptaccess=%22always%22%20allowfullscreen=%22true%22%20width=%22425%22%20height=%22344%22%3E%3C\/embed%3E%3C\/object%3E\"><\/a><\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>Evo\u00e9!<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem cada maluquice que eu vou te contar. 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