{"id":12969,"date":"2010-02-08T05:15:00","date_gmt":"2010-02-08T07:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/quem-quer-um-carnavalesco\/"},"modified":"2010-02-08T05:15:00","modified_gmt":"2010-02-08T07:15:00","slug":"quem-quer-um-carnavalesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/02\/quem-quer-um-carnavalesco\/","title":{"rendered":"QUEM QUER UM CARNAVALESCO?"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Recebi este fim de semana um email curioso. Depois de tecer elogios ao meu desempenho como professor de Hist\u00f3ria, a remetente diz que eu deveria ser carnavalesco ou, no m\u00ednimo, contratado para bolar enredos para as escolas de samba. Nunca tinha pensado nisso, mas a sugest\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa que despertou em mim esse desejo. Bolei, inclusive, algumas propostas de enredo que pretendo apresentar \u00e0s agremia\u00e7\u00f5es para o Carnaval de 2011. Quem sabe alguma escola topa? Vou abandonar o magist\u00e9rio, que n\u00e3o est\u00e1 com nada, e investir nisso. Listo as ideias que tive, de acordo com o atual momento das escolas de samba e com o objetivo de faturar uns caramingu\u00e1s mais fortes:<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><br \/>-O pequeno mundo de Nelson Ned<\/strong>.<strong> <\/strong>Pensei numa homenagem ao cantor, na atual onda dos enredos que homenageiam celebridades. H\u00e1 o apelo social politicamente correto de se louvar um prejudicado vertical de sucesso. Ao falar de Ned, louvaremos todos os nanicos da hist\u00f3ria: \u00c1tila, o Huno, que tinha um metro e seis de altura; Ferrugem, o antigo apresentador de televis\u00e3o que n\u00e3o crescia; os sete an\u00f5es da Branca de Neve; Osni, ponta direita baiano que jogou no Flamengo com um metro e vinte; Napole\u00e3o Bonaparte com seu metro e meio de valentia&#8230; \u00c9 um tremendo enredo. S\u00f3 nesse r\u00e1pido esbo\u00e7o j\u00e1 falamos de m\u00fasica popular, expans\u00e3o dos hunos, televis\u00e3o, futebol e Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>De Sevilha \u00e0 Doen\u00e7a de Chagas: o Barbeiro faz a festa na Sapuca\u00ed<\/strong>. Hoje em dia est\u00e1 na moda o enredo que permite v\u00e1rias leituras. A Mocidade Independente de Padre Miguel, por exemplo, falar\u00e1 em 2010 de Para\u00edso. Vale tudo: Para\u00edso celeste, para\u00edso fiscal, para\u00edso natural e o diabo. N\u00f3s falaremos do barbeiro em todos os aspectos: o aparador de barbas, o p\u00e9ssimo motorista, o personagem da \u00f3pera, o inseto hem\u00edptero hemat\u00f3fago causador da doen\u00e7a de Chagas, o peixe tele\u00f3steo tamb\u00e9m conhecido como acara\u00fana-preta e por a\u00ed vai. <\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>Os cavaleiros do Santo Sepulcro.<\/strong> Enredo hist\u00f3rico. A ideia \u00e9 provar que alguns templ\u00e1rios do s\u00e9culo XV conseguiram descobrir onde, de fato, est\u00e1 a sepultura de Cristo. A resposta \u00e9 surpreendente: Cristo foi enterrado na Ilha de Maraj\u00f3. \u00c9 um tema que permite a capta\u00e7\u00e3o de recursos, j\u00e1 que pode ser patrocinado pelo governo paraense. \u00c9 a chance rara de mostrar ao mundo a Ilha de Maraj\u00f3 e seus esplendores e incrementar o turismo na \u00e1rea.<\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>Jazigos e covas rasas &#8211; dos modestos t\u00famulos ao esplendor das grandes sepulturas<\/strong>. Achei, sem mod\u00e9stia, uma \u00f3tima ideia. Contar a hist\u00f3ria das formas de se enterrar mortos no Brasil permite um aparato visual de primeira linha. Penso numa comiss\u00e3o de frente representando os personagens de<em> Incidente em Antares<\/em>, o cl\u00e1ssico de \u00c9rico Ver\u00edssimo. O momento culminante ser\u00e1 o s\u00e9timo carro aleg\u00f3rico, reproduzindo o t\u00famulo do Bar\u00e3o do Rio Branco, no cemit\u00e9rio do Caju &#8211; mais alto que o v\u00e3o central da Ponte Rio-Niter\u00f3i. Existe a forte possibilidade de capta\u00e7\u00e3o de recursos junto a planos de aux\u00edlio funeral.<\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>Oi! \u00c9 Claro que eu n\u00e3o Vivo sem voc\u00ea.<\/strong> Enredo sobre o mundo m\u00e1gico da tefonia celular. O objetivo, evidentemente, \u00e9 captar recursos de patroc\u00ednio que permitam um passeio pela hist\u00f3ria das comunica\u00e7\u00f5es. Come\u00e7aremos com homens pr\u00e9-hist\u00f3ricos que se comunicavam dando cacetadas em troncos de \u00e1rvores, falaremos de \u00edndios que faziam fogueiras para mandar mensagens e dos telefones feitos com barbantes e potes de danoninho. O carro final ser\u00e1 um celular de ne\u00f3n de trinta metros de altura, em forma de cora\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>Eduardo Augusto Gon\u00e7alves; uma ode ao sonhador. <\/strong>Enredo em homenagem ao portugu\u00eas radicado em Santa Catarina que, em 1915, criou a pomada anti-s\u00e9ptica Minancora. O nome \u00e9 uma mistura de Minerva, a deusa grega da sabedoria, e \u00e2ncora, para provar que a marca estava ancorada no Brasil. Al\u00e9m da pomada, Eduardo criou o Xarope Dom\u00e9stico, o Lombrigueiras e o Rem\u00e9dio Minancora contra a embriaguez. Minerva, \u00e2ncora, lombrigas, b\u00eabados, Portugal, Santa Catarina&#8230; esse enredo promete.<\/div>\n<div align=\"justify\">&#8211; <strong>Hipogl\u00f3s &#8211; Carinho e prote\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se esquece<\/strong>. Se a Minancora n\u00e3o patrocinar o enredo, vamos de Hipogl\u00f3s. Abordaremos a hist\u00f3ria da marca; a luta da humanidade contra as assaduras; a pomada que no Brasil socorre brancos, negros e \u00edndios numa festa mesti\u00e7a; a hist\u00f3ria de que Pel\u00e9 aplicava camadas de Hipogl\u00f3s meia hora antes de entrar em campo; a cor branca da pomada como homenagem ao orix\u00e1 Obatal\u00e1 e outros babados. Vou puxar brasa para minha sardinha e confessar &#8211; j\u00e1 fiz at\u00e9 a letra do samba: <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>\u00c9 carnaval<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Arde a assadura inclemente<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Mas n\u00e3o estamos s\u00f3s<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>O Hip\u00f3glos \u00e9 hidratante emoliente.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em><\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Todas as vezes<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Que a fralda da crian\u00e7a for trocada<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Combata a bact\u00e9ria que h\u00e1 nas fezes [\u00d4h mulata!]<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Aplicando Hipogl\u00f3s com m\u00e3os de fada.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em><\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Sua f\u00f3rmula cont\u00e9m o retinol<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Com poder de al\u00edvio imediato<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Uma dose de colecalciferol<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>E o excipiente petrolato.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em><\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>A lanolina anidra \u00e9 refrescante<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Obatal\u00e1 diz que o \u00f3leo \u00e9 bom de fato<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Tudo gra\u00e7as ao efeito estimulante<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Do iodo propinilbutilcarbamato<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em><\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Olha ele a\u00ed<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Olha ele a\u00ed<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Combatendo as assaduras<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Na Sapuca\u00ed.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\">Algu\u00e9m quer botar a melodia?<\/div>\n<div align=\"justify\">Evo\u00e9!<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi este fim de semana um email curioso. 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