{"id":12845,"date":"2011-08-28T08:28:00","date_gmt":"2011-08-28T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/08\/esporte-de-homem-nao-e-porrada-e-porrinha\/"},"modified":"2011-08-28T08:28:00","modified_gmt":"2011-08-28T10:28:00","slug":"esporte-de-homem-nao-e-porrada-e-porrinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/08\/esporte-de-homem-nao-e-porrada-e-porrinha\/","title":{"rendered":"ESPORTE DE HOMEM N\u00c3O \u00c9 PORRADA. \u00c9 PORRINHA."},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Realmente n\u00e3o sou chegado a ver um bando de homens,\u00a0dando pinta de\u00a0que acabaram de escapar\u00a0de uma\u00a0gruta em Neanderthal, brigando. Por isso mesmo n\u00e3o assisti ao evento de luta livre (tem uma sigla pro treco, mas estou com pregui\u00e7a de verificar qual \u00e9&#8230;) que ocorreu aqui no Rio. A \u00faltima briga entre cariocas que me interessou foi entre os \u00edndios tamoios e temimin\u00f3s, nos idos do s\u00e9culo XVI , nas praias da Guanabara. Depois de Ararib\u00f3ia e Cunhambebe e seus respectivos tacapes\u00a0eu n\u00e3o respeito homem nenhum saindo no bra\u00e7o. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um conhecido meu, durante um r\u00e1pido encontro no Centro da cidade, tentou me convencer a assistir o confronto entre os\u00a0egressos do Paleol\u00edtico Inferior com o argumento de que isso sim \u00e9 &#8220;esporte de homem&#8221;. Respondi que esporte de homem, pra mim, nem o futebol \u00e9. S\u00f3 mesmo a porrinha disputada nos botequins mais vagabundos merece essa alcunha.\u00a0\u00c9 por\u00a0isso que reproduzo abaixo um texto que escrevi\u00a0 em 2010, logo depois da escolha do Rio de Janeiro como cidade\u00a0ol\u00edmpica : Porrinha nas Olimp\u00edadas de 2016! E vai em negrito, pra fortalecer a campanha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Existem v\u00e1rios tipos de esp\u00edritos que podem encostar e pegar o sujeito. Eu, por exemplo, que vim de uma fam\u00edlia ligada ao espiritismo em suas vertentes macumbais &#8211; umbanda e encantaria &#8211; quando era pequeno ouvi da minha av\u00f3 que era sempre bom pedir aux\u00edlio aos esp\u00edritos e entidades; eles viriam me ajudar. Tornei-me, ent\u00e3o, devoto do esp\u00edrito mais citado l\u00e1 em casa: O esp\u00edrito de porco. Fazia pedidos a ele.<\/strong><\/div>\n<div><strong><\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Quando descobri, l\u00e1 pelos sete anos, que o esp\u00edrito de porco n\u00e3o era exatamente quem eu imaginava, mergulhei durante meses no mais absoluto materialismo e virei comunista. Foi o seguinte: Tomei um esporro da minha av\u00f3 no dia em que perguntei a ela qual era o ponto que eu devia cantar para saudar o esp\u00edrito de porco. Ela achou que era sacanagem minha. Posso, inclusive,\u00a0 confessar algo que s\u00f3 pretendia fazer ao m\u00e9dium de mesa branca depois da morte &#8211; o dia em que descobri que o esp\u00edrito de porco n\u00e3o era uma entidade correspondeu, em termos de impacto, \u00e0 not\u00edcia sobre a inexist\u00eancia do Papai Noel para centenas de outras crian\u00e7as.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Par\u00eantese: Vejam como s\u00e3o as coisas. Comecei falando do esp\u00edrito de porco quando, na verdade, pretendia escrever desde o in\u00edcio sobre outro esp\u00edrito &#8211; o ol\u00edmpico. Retomo no pr\u00f3ximo par\u00e1grafo a ideia original. <\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>A escolha do Rio como sede das Olimp\u00edadas de 20l6 despertou em mim forte\u00a0voca\u00e7\u00e3o esportiva.\u00a0 Entusiasta dos\u00a0esportes do Brasil,\u00a0sou f\u00e3 e praticante amador\u00a0de um\u00a0jogo\u00a0fundamental\u00a0para nossa gente brasileira,\u00a0t\u00e3o sofrida e adepta do desporto como instrumento de inclus\u00e3o social :\u00a0 a porrinha [ou purrinha], tamb\u00e9m conhecida como basquete de bolso. <\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>A porrinha \u00e9 um esporte altamente sofisticado e democr\u00e1tico. Os est\u00e1dios ideais para a pr\u00e1tica s\u00e3o os botequins mais vagabundos. Cada atleta, em geral, inicia a peleja com tr\u00eas palitinhos. A partida come\u00e7a quando os jogadores escondem uma certa quantidade de palitos numa das m\u00e3os e as estendem, fechadas, para a frente. Cada jogador d\u00e1, ent\u00e3o, o seu palpite sobre quantos palitos est\u00e3o no jogo. Ganha a rodada quem acertar o n\u00famero exato de palitos. <\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>A porrinha exige dos esportistas alguns atributos fundamentais: Sorte, intelig\u00eancia para blefar e perceber o blefe e preparo f\u00edsico para jogar enquanto quantidades generosas de cervejas e cacha\u00e7as s\u00e3o consumidas durante o embate. Recomenda-se um trabalho de muscula\u00e7\u00e3o para o fortalecimento da musculatura do b\u00edceps, que sofrer\u00e1 o impacto do peso dos palitos durante a refrega. O uniforme ideal para a pr\u00e1tica do desporto \u00e9 simples e consiste em bermuda, camiseta e sand\u00e1lia de dedo.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Pesquisas que fiz em comp\u00eandios e dicion\u00e1rios especializados indicam que a prov\u00e1vel origem da porrinha \u00e9 o antigo Imp\u00e9rio Romano. Os soldados de Roma costumavam praticar, nos intervalos das batalhas mais sangrentas, um jogo conhecido como Morra. O neg\u00f3cio consistia no seguinte: Os jogadores escondiam uma certa quantidade de dedos da m\u00e3o direita \u00e0s costas e diziam um n\u00famero. Aquele que acertasse o n\u00famero exato era o vencedor. O tro\u00e7o era popular\u00edssimo e h\u00e1 relatos nas cr\u00f4nicas de Seleno de torneios realizados no Coliseu que terminaram em matan\u00e7as tremendas.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Alguns especialistas defendem que o nome porrinha surgiu de uma express\u00e3o proferida por Santo Agostinho no s\u00e9culo IV &#8211; Porro cum quo micas in tenebris ei liberum est, si veliti, fallere. Tradu\u00e7\u00e3o: Com certeza, mesmo que avisado, podes enganar aquele com quem jogas morra no escuro. O latim porro, com o tempo, virou porra. A porra virou porrinha. <\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>O Brasil transformou a velha porrinha romana em coisa nossa, como o samba, a prontid\u00e3o e outras bossas. Introduzimos os palitinhos de dente ou f\u00f3sforo no babado e consagramos o botequim como palco da disputa. Fizemos a mesma adapta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao futebol, o jogo sem gra\u00e7a dos ingleses que ganhou a ginga e o balacobaco canarinho. <\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>\u00c9 por isso que sugiro, com a maior seriedade, campanha em meios de comunica\u00e7\u00e3o e o esfor\u00e7o dos formadores de opini\u00e3o para que a porrinha seja considerada esporte ol\u00edmpico em 2016. Clamo pelo empenho do Doutor Jo\u00e3o Havelange, do presidente Lula, de Pel\u00e9 e demais autoridades f\u00edsicas e metaf\u00edsicas para que o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional fa\u00e7a justi\u00e7a com o hist\u00f3rico esporte.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>N\u00e3o precisaremos, pensem nisso, sequer construir est\u00e1dios. Aqui no Maracan\u00e3 temos, por exemplo, o Bode Cheiroso, botequim com estrutura para sediar os embates. Imagino at\u00e9 o novo nome do estabelecimento: Complexo Ol\u00edmpico Bode Cheiroso. <\/strong><\/div>\n<div><strong><br \/><\/strong><\/div>\n<div><strong>A\u00a0mem\u00f3ria dos grandes e falecidos atletas da porrinha de todos os tempos &#8211; Meu av\u00f4, Jorge Macumba, Seu Nilton, Manoelzinho Motta, Seu Vov\u00f4, Abeced\u00e1rio, Jo\u00e3o do Vale, Tet\u00e9, Claudio Camunguelo, Dr. Castor de Andrade, Mois\u00e9s Xerife, Candonga, Primo Pobre, Querido de Deus, Seu Sete Rei da Lira, Madame Sat\u00e3, Camisa Preta, Juli\u00e3o Vem C\u00e1 Meu Puto, Wilson Batista, Almir Pernambuquinho &#8230; &#8211; poder\u00e1 inclusive servir como instrumento de forte campanha de marketing para estimular a pr\u00e1tica educativa do esporte entre nossa juventude.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Esporte de homem n\u00e3o \u00e9 porrada. \u00c9 porrinha.<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<div><strong>Abra\u00e7os<\/strong><\/div>\n<p><strong><br \/><\/strong><br \/><strong><br \/><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realmente n\u00e3o sou chegado a ver um bando de homens,\u00a0dando pinta de\u00a0que acabaram de escapar\u00a0de uma\u00a0gruta em Neanderthal, brigando. 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