{"id":12806,"date":"2012-12-07T10:39:00","date_gmt":"2012-12-07T12:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/lua-e-a-saudade\/"},"modified":"2012-12-30T10:25:09","modified_gmt":"2012-12-30T12:25:09","slug":"lua-e-a-saudade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2012\/12\/lua-e-a-saudade\/","title":{"rendered":"LUA E A SAUDADE"},"content":{"rendered":"<p><em><span>Texto originalmente escrito em 2007, revisto e atualizado. Com ele inic\u00edo minhas homenagens ao g\u00eanio do Araripe no m\u00eas do centen\u00e1rio.<\/span><\/em><\/p>\n<p>Em Exu, no sop\u00e9 da serra do Araripe, nasceu, no dia 13 de dezembro de 1912, o brasileiro Luiz Gonzaga do Nascimento. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o se ter o velho Lua como refer\u00eancia quando se vem de uma fam\u00edlia nordestina, o que \u00e9 o caso deste escriba.<\/p>\n<div align=\"justify\">N\u00e3o fui criado pelos meus pais; desde os quatro anos morei com os av\u00f3s maternos. O meu av\u00f4, o velho Luiz Orlando Grosso, \u00e9 do\u00a0Recife. A av\u00f3,\u00a0M\u00e3e Deda, veio ao mundo nos confins das Alagoas, na pequena cidade de Porto Calvo, terra de um certo Domingos Fernandes\u00a0Calabar, e foi miudinha ainda para Pernambuco.<\/div>\n<div align=\"justify\">Os dois deixaram\u00a0o norte\u00a0no in\u00edcio dos anos cinquenta, com tr\u00eas filhos\u00a0pequenos (minha m\u00e3e, nascida no Recife, estava nessa ). Meu velho foi funcion\u00e1rio de um avi\u00e1rio em Olaria, vendedor de enciclop\u00e9dias e, j\u00e1 aposentado e sem um puto no bolso, trabalhou como uma esp\u00e9cie de faz tudo para um figur\u00e3o da Benefic\u00eancia Portuguesa. A av\u00f3 &#8211; filha de santo de M\u00e3e Zefa do Xamb\u00e1 &#8211; abriu um terreiro na Baixada Fluminense e viveu literalmente em fun\u00e7\u00e3o de seus orix\u00e1s e encantados.<\/div>\n<div align=\"justify\">O mais impressionante \u00e9 que, depois de quarenta anos por essas bandas de c\u00e1, os dois ainda tinham um sotaque arretado, como se tivessem deixado o Nordeste velho de guerra no dia anterior. N\u00e3o me parece que tenham criado um amor especial pelo Rio de Janeiro. De\u00a0vez em quando viviam uma esp\u00e9cie de banzo do Recife e, por conta disso, eu cresci indo aos domingos \u00e0 Feira de S\u00e3o Cristov\u00e3o, com um\u00a0sol da mol\u00e9stia queimando meus miolos.<\/div>\n<div align=\"justify\">Um dia meu av\u00f4 ficou doente. Foi desenganado. A velha, malandra, resolveu rapidinho cantar pra subir e partiu primeiro para a ancestral Aruanda, sob a prote\u00e7\u00e3o e ao encontro de seus orix\u00e1s e caboclos.<\/div>\n<div align=\"justify\">Quando meu av\u00f4 soube da morte da companheira de mais de meio s\u00e9culo, fez dois pedidos que me pareceram inusitados (hoje compreendo perfeitamente) : Ouvir o hino do Sport Clube do Recife e um bai\u00e3o de Luiz Gonzaga. Coloquei as m\u00fasicas. Ele chorou, sorriu e, tenho certeza, passeou com a namorada &#8211; mo\u00e7a bonita &#8211; pelas ruas do Recife de Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho e\u00a0Capiba. Foi embora tr\u00eas meses depois.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">A m\u00fasica de Gonzaga que o meu velho escutou &#8211; para celebrar o amor, a vida, a terra e a saudade das alegrias &#8211;\u00a0foi essa:<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Abra\u00e7os<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente escrito em 2007, revisto e atualizado. Com ele inic\u00edo minhas homenagens ao g\u00eanio do Araripe no m\u00eas do centen\u00e1rio. 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