{"id":12389,"date":"2009-09-26T13:19:00","date_gmt":"2009-09-26T15:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/as-discussoes-sobre-o-pre-sal\/"},"modified":"2009-09-26T13:19:00","modified_gmt":"2009-09-26T15:19:00","slug":"as-discussoes-sobre-o-pre-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/09\/as-discussoes-sobre-o-pre-sal\/","title":{"rendered":"As discuss\u00f5es sobre o pr\u00e9 sal"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/SrvMlWSee-I\/AAAAAAAAA7E\/wN5m8krj_bI\/s1600-h\/camadas+do+pr%C3%A9+sal.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/camadas+do+pr%C3%A9+sal.jpg\"><\/a>Esta semana o jornal &#8220;Valor Econ\u00f4mico&#8221; publicou um artigo do professor Carlos Lessa sobre o pr\u00e9 sal bastante interessante.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lessa, ali\u00e1s, foi meu professor em duas disciplinas no Instituto de Economia da UFRJ, na d\u00e9cada de 90: Economia Brasileira (o nome atual \u00e9 esse, n\u00e3o lembro o original) e Economia do Rio de Janeiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele era t\u00e3o bom professor que na disciplina obrigat\u00f3ria ele deu as notas finais um m\u00eas antes do t\u00e9rmino do per\u00edodo e a sala de aula continuou superlotada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reproduzo aqui o texto, que nos acrescenta mais pontos ao debate. Ressalvo que o cen\u00e1rio &#8220;euf\u00f3rico&#8221; n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o &#8220;euf\u00f3rico&#8221; assim, a julgar pelas \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es prestadas ao mercado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;O desempenho da economia brasileira indica, neste \u00faltimo trimestre, a supera\u00e7\u00e3o das piores dimens\u00f5es da crise. Parte da m\u00eddia, saudosa dos tempos de domina\u00e7\u00e3o neoliberal, prepara o discurso contra a neoestatiza\u00e7\u00e3o. Execra a tonalidade dominante da uma nova pol\u00edtica petroleira, que prop\u00f5e a amplia\u00e7\u00e3o do controle nacional sobre o Eldorado azul do pr\u00e9-sal, e lista variados argumentos a favor da preval\u00eancia do regime de concess\u00f5es \u00e0s petroleiras mundiais. Adverte que o Pa\u00eds deve extrair o m\u00e1ximo de petr\u00f3leo poss\u00edvel, alegando preocupa\u00e7\u00e3o de que se desenvolvam tecnologias alternativas com novas fontes energ\u00e9ticas e sinalizando a progressiva redu\u00e7\u00e3o dos \u201cdesperd\u00edcios\u201d no uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Como o petr\u00f3leo \u00e9, obviamente, n\u00e3o-renov\u00e1vel, sublinham como forte preocupa\u00e7\u00e3o sua futura desvaloriza\u00e7\u00e3o, apesar de a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) ter declarado que \u201cat\u00e9 2050 temos um bom cen\u00e1rio, porque os custos do pr\u00e9-sal ficam abaixo de US$ 40 o barril\u201d. O petr\u00f3leo \u00e9 \u201couro negro\u201d, tanto que j\u00e1 recuperou o patamar entre US$ 65 e US$ 75 o barril, ap\u00f3s ter atingido mais de US$ 130 o barril, com a especula\u00e7\u00e3o desenfreada em 2008. N\u00e3o h\u00e1 risco de o petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal brasileiro virar um \u201cmico\u201d mais al\u00e9m do pr\u00f3ximo meio s\u00e9culo. \u00c9 previs\u00edvel que a Petrobras desenvolva tecnologia de extra\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de campos petroleiros, reduzindo seus custos de produ\u00e7\u00e3o, enquanto a press\u00e3o internacional dos consumidores de petr\u00f3leo empurre para cima o pre\u00e7o do barril, principalmente se houver uma retomada do crescimento mundial. Com o petr\u00f3leo s\u00e3o obtidos mais de 3 mil produtos, entre os quais os usos energ\u00e9ticos s\u00e3o as utiliza\u00e7\u00f5es mais amplas e menos nobres deste recurso natural.<\/p>\n<p>Se o Brasil construir uma economia de petr\u00f3leo, sem se converter em pa\u00eds exportador de petr\u00f3leo, o pr\u00e9-sal, combinado com a utiliza\u00e7\u00e3o de nossas fontes h\u00eddricas para a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, dar\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as produtivas industriais, agropecu\u00e1rias e de servi\u00e7os. Em futuro remoto, podemos dispor de tecnologia para outras fontes de energia sem a necessidade de destruir e desarticular as bases produtivas internas, dependentes do petr\u00f3leo. N\u00e3o devemos ser exportadores de petr\u00f3leo cru, a n\u00e3o ser em circunst\u00e2ncias comerciais espec\u00edficas, singulares e de alta conveni\u00eancia para nossos planos de investimento e desenvolvimento. A parcim\u00f4nia de manter nossas reservas provadas ao abrigo da f\u00faria predat\u00f3ria das petroleiras-exportadoras \u00e9 uma excelente aplica\u00e7\u00e3o financeira e uma salvaguarda de nossa economia futura.<\/p>\n<p>Devemos vigiar excessos internos de consumo de petr\u00f3leo. N\u00e3o tem sentido o Brasil construir termel\u00e9tricas quando dispomos de importante potencial h\u00eddrico. Devemos melhorar nossa log\u00edstica de transporte ampliando a participa\u00e7\u00e3o das modalidades ferrovi\u00e1ria e aquavi\u00e1ria, que usam menos petr\u00f3leo por tonelada-quil\u00f4metro. \u00c9 particularmente importante o transporte pessoal intrametropolitano e intraurbano utilizando modalidades sobre trilhos consumidoras de energia el\u00e9trica; o \u00f4nibus se restringiria \u00e0 coleta perif\u00e9rica, alimentadora de eixos de metr\u00f4 e ferrovias urbanas. Ve\u00edculos de luxo com alta pot\u00eancia, desperdi\u00e7adores de petr\u00f3leo, devem sofrer forte penaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que o Brasil fa\u00e7a arranjos empresariais que minimizem desperd\u00edcio de energia. \u00c9 um erro institucional estrat\u00e9gico permitir a competi\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria entre o n\u00e3o renov\u00e1vel e o renov\u00e1vel. No \u00e2mbito do governo federal, deveria ser estudada uma empresa que combinasse a Petrobras com a Eletrobr\u00e1s e com as atividades nucleares nacionais. A \u201cEnergibr\u00e1s\u201d poderia, sem perder mercado, projetar melhor estrutura de pre\u00e7os de variantes energ\u00e9ticas. A fus\u00e3o das duas grandes estatais diluiria a excessiva participa\u00e7\u00e3o estrangeira, em termos percentuais, no capital da Petrobras.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o parte de uma gera\u00e7\u00e3o que leu o \u201cPo\u00e7o do Visconde\u201d, publicado em 1938. Neste livro, Monteiro Lobato conta que a turma da Dona Benta encontrou petr\u00f3leo no S\u00edtio do Picapau Amarelo, deixando claro ao leitor infanto-juvenil que o Brasil tinha petr\u00f3leo. Participamos, quase todos muito jovens, da campanha \u201cO Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d. Vimos a Petrobras nascer, crescer e dar origem ao moderno setor brasileiro de m\u00e1quinas e equipamentos. As refinarias garantiram o abastecimento interno. As equipes de engenheiros, ge\u00f3logos e oper\u00e1rios encontraram petr\u00f3leo interno e se deslocaram para o oceano, descobriram o \u00f3leo pesado da Bacia de Campos; em parceria com universidades brasileiras, aperfei\u00e7oaram e dominaram a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas. Com aud\u00e1cia empresarial e excepcional persist\u00eancia em pesquisa geol\u00f3gica, desvelaram o pr\u00e9-sal que, no momento, j\u00e1 duplicou nossas reservas com \u00f3leo leve e valioso. As estimativas conservadoras v\u00e3o de prov\u00e1veis 40 bilh\u00f5es \u00e0 euforia de 100 bilh\u00f5es de barris no pr\u00e9-sal. Confirmada a euforia, o Brasil ter\u00e1 a quarta maior reserva de petr\u00f3leo do planeta.<\/p>\n<p>Monteiro Lobato ilustrava os \u201cmaus brasileiros\u201d como os que duvidavam, no in\u00edcio dos anos 50, que o Brasil tivesse petr\u00f3leo ou que pudesse ter uma empresa nacional de refino e pesquisa de petr\u00f3leo. No Po\u00e7o do Visconde, esses brasileiros tinham orelhas de burro de papel\u00e3o e, nas ilustra\u00e7\u00f5es, eram mostrados desfilando sob vaias da popula\u00e7\u00e3o. Apesar do imenso sucesso da Petrobras, os neoliberais da atualidade recomendam concess\u00f5es \u00e0s petroleiras estrangeiras como a f\u00f3rmula para explorar o pr\u00e9-sal com efici\u00eancia! Os netos de minha gera\u00e7\u00e3o ir\u00e3o vaiar estes neoentreguistas.&#8221;<\/p>\n<p>Carlos Lessa \u00e9 professor em\u00e9rito de economia brasileira da UFRJ. <\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana o jornal &#8220;Valor Econ\u00f4mico&#8221; publicou um artigo do professor Carlos Lessa sobre o pr\u00e9 sal bastante interessante. Lessa, ali\u00e1s, foi meu professor emTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[58,71,52,229],"class_list":["post-12389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-economia","tag-petrobras","tag-petroleo","tag-pre-sal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}