{"id":12360,"date":"2009-10-11T08:19:00","date_gmt":"2009-10-11T10:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/cancoes-de-chico\/"},"modified":"2009-10-11T08:19:00","modified_gmt":"2009-10-11T10:19:00","slug":"cancoes-de-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/cancoes-de-chico\/","title":{"rendered":"Can\u00e7\u00f5es de Chico"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/Ss-bbCkJDuI\/AAAAAAAAA-k\/bVF96l5-4FQ\/s1600-h\/248_837-chico.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/248_837-chico.jpg\"><\/a><a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/mpb\/\">O blog MPB<\/a>, do site do jornal O Globo, traz boa mat\u00e9ria sobre livro que se dedica a contar hist\u00f3rias envolvendo as can\u00e7\u00f5es daquele que \u00e9 o maior compositor da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira, Chico Buarque de Holanda.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reproduzo aqui o texto, abrindo em alto astral este domingo imprensado no meio de um feriad\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.livrariasaraiva.com.br\/produto\/produto.dll\/detalhe?pro_id=2746900&#038;ID=C90772817D90A091114000831\">O link para a compra do livro pode ser encontrado aqui<\/a>. O pre\u00e7o \u00e9 at\u00e9 razo\u00e1vel, R$ 35. Vou encomendar meu exemplar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passemos ao texto, de autoria de Leonardo Lichote:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;Em 1971, Chico Buarque escreveu para Vinicius de Moraes, comentando as sugest\u00f5es de mudan\u00e7as que o poeta deu para a letra de \u201cValsinha\u201d, parceria da dupla. De forma carinhosa, mas convicta, ele refutava quase todas as altera\u00e7\u00f5es oferecidas pelo parceiro: \u201cPrefiro que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida, em vez de falar mal da poesia. (&#8230;) Acho mesmo que ele nunca soube o que \u00e9 poesia. \u00c9 banc\u00e1rio e est\u00e1 com o saco cheio e est\u00e1 sempre mandando sua mulher \u00e0 merda\u201d; \u201cConvidou-a para rodar eu gosto muito, poeta, deixa ficar. Rodar, que \u00e9 dar um passeio e \u00e9 dan\u00e7ar\u201d; \u201cApesar do Orestes (vestido dourado \u00e9 lindo), eu gosto muito do som do vestido decotado. (&#8230;) E eu tamb\u00e9m gosto do decotado ligado ao \u2018ousar\u2019, que ela n\u00e3o queria por causa do marido chato\u201d. <\/p>\n<p>A carta \u2014 <span>fascinante por revelar a g\u00eanese da composi\u00e7\u00e3o e, mais que isso, mostrar como e por que foram feitas as escolhas do artista por essa ou aquela palavra<\/span> \u2014 \u00e9 uma das maiores preciosidades encontradas em \u201cChico Buarque \u2014 Hist\u00f3ria de can\u00e7\u00f5es\u201d (Leya), de Wagner Homem. No livro, o autor apresenta os bastidores de cada m\u00fasica do compositor, desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria de sua carreira \u2014 de \u201cCan\u00e7\u00e3o dos olhos\u201d e \u201cMarcha para um dia de sol\u201d, apresentadas nos \u201csambafos\u201d, encontros et\u00edlico-musicais da \u00e9poca de estudante de Arquitetura em S\u00e3o Paulo \u2014 at\u00e9 seu \u00faltimo disco, \u201cCarioca\u201d. Sempre de forma despretensiosa e leve. <\/p>\n<p>\u2014 O livro n\u00e3o tem objetivo anal\u00edtico, acad\u00eamico \u2014 explica Homem. \u2014 S\u00e3o casos reunidos, n\u00e3o h\u00e1 uma tentativa de interpreta\u00e7\u00e3o. Usando a linguagem cinematogr\u00e1fica, \u00e9 uma panor\u00e2mica, n\u00e3o um close, uma busca de profundidade. <\/p>\n<p>A contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica (a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil, a morte de amigos como Tom Jobim, o ex\u00edlio, os per\u00edodos em que Chico se dedicou \u00e0 sua por\u00e7\u00e3o escritor) no in\u00edcio de cada cap\u00edtulo est\u00e1 afinada com sua ideia de \u201cpanor\u00e2mica\u201d: <\/p>\n<p>\u2014 Mais que entender a po\u00e9tica de Chico, a contextualiza\u00e7\u00e3o serve para que se compreenda sua carreira. Sobretudo at\u00e9 1985 <em>(quando se encerra o regime militar)<\/em>, sua hist\u00f3ria est\u00e1 amalgamada \u00e0 do Brasil, \u00e0s vezes at\u00e9 contra sua vontade. <\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o conflituosa de Chico com a ditadura come\u00e7ou, o livro mostra, j\u00e1 com a \u201cA banda\u201d \u2014 o governo quis us\u00e1-la numa propaganda de alistamento militar e o compositor protestou. Ela segue sendo testemunhada em sua obra: no nascimento dos pseud\u00f4nimos Julinho da Adelaide, seu parceiro e irm\u00e3o Leonel Paiva e o projeto de um \u201cPedrinho Manteiga\u201d, todos criados para driblar a censura; nos versos substitu\u00eddos <span>(\u201cnos teus pelos\u201d, de \u201cAtr\u00e1s da porta\u201d, virou \u201cno teu peito\u201d)<\/span> para passar pelos censores; nas can\u00e7\u00f5es criadas para entrar no lugar das cortadas (\u201cNoite dos mascarados\u201d foi composta para cobrir o espa\u00e7o deixado por \u201cTamandar\u00e9\u201d, que teve a grava\u00e7\u00e3o proibida); nas curiosas implic\u00e2ncias dos agentes do Estado. <\/p>\n<p>\u2014 Mario Prata me contou que em \u201cTrocando os mi\u00fados\u201d a censura implicou com \u201co livro do Neruda\u201d. Como pode citar um poeta comunista? Chico ent\u00e3o argumentou que a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria como ser subversiva: \u201cEla ficou com o livro, mas nunca leu\u201d \u2014 diverte-se Homem. <\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como essa (e a da carta a Vinicius, a de \u201cNoite dos mascarados\u201d&#8230;) podem j\u00e1 ter sido ouvidas por quem acompanha a trajet\u00f3ria de Chico. Afinal, \u00e9 dif\u00edcil algum detalhe de sua obra ainda manter o ineditismo depois de tantos estudos, entrevistas, especiais de TV e projetos dedicados ao compositor \u2014 apenas nos \u00faltimos anos, uma s\u00e9rie de 12 DVDs dirigidos por Roberto de Oliveira, um document\u00e1rio com o making of de \u201cCarioca\u201d (\u201cDesconstru\u00e7\u00e3o\u201d, de Bruno Natal) e o livro de ensaios \u201cChico Buarque do Brasil\u201d. \u201cChico Buarque \u2014 Hist\u00f3rias de can\u00e7\u00f5es\u201d, por\u00e9m, tem o m\u00e9rito de reunir o que de mais significativo se disse sobre as can\u00e7\u00f5es do artista. Textos e v\u00eddeos que sa\u00edram de um arquivo que Homem monta, informalmente, desde 1965, quando ouviu Chico pela primeira vez. <\/p>\n<p>O garimpo rendeu curiosidades pouco lembradas, como a par\u00f3dia de \u201cVai passar\u201d feita para a campanha de Fernando Henrique Cardoso pelo governo de S\u00e3o Paulo; <span>a revela\u00e7\u00e3o de que \u201cmuito jab\u00e1\u201d foi pago para que \u201cConstru\u00e7\u00e3o\u201d tocasse no r\u00e1dio<\/span>; e uma tradu\u00e7\u00e3o nonsense da vers\u00e3o alem\u00e3 para \u201cA banda\u201d. <\/p>\n<p>O projeto do livro come\u00e7aria a tomar forma apenas no fim da d\u00e9cada de 1980, quando Homem foi convidado a reunir as letras de Chico para o songbook \u201cChico Buarque: Letra e m\u00fasica\u201d. Quando a internet come\u00e7ou a crescer, Homem, que j\u00e1 tinha as letras de Chico digitalizadas, sugeriu ao artista a cria\u00e7\u00e3o de seu site oficial. <\/p>\n<p>\u2014 Foi no site que surgiu a ideia de, junto \u00e0s letras, p\u00f4r <em>links<\/em> para hist\u00f3rias que eu conhecia sobre aquelas can\u00e7\u00f5es. Transcri\u00e7\u00f5es de entrevistas, artigos&#8230; \u2014 lembra o autor. <\/p>\n<p>Chico n\u00e3o deu, portanto, novas entrevistas a Homem para o livro \u2014 h\u00e1 algumas hist\u00f3rias e coment\u00e1rios que o autor presenciou em sua conviv\u00eancia com o compositor. Mas o homenageado acha que teria pouco a acrescentar, como afirma em e-mail reproduzido na contracapa: \u201cVou pensar mais um pouco, procurar alguma anedota in\u00e9dita, mas acho que voc\u00ea as conhece todas, melhor que eu\u201d.\u00a0<\/i><\/div>\n<div><i>***<\/i><\/div>\n<div><i><strong>TRECHOS DO LIVRO<\/strong><\/i><\/div>\n<div><i><span><span>&#8220;Sonho de um carnaval&#8221;<\/span> <br \/><\/span><br \/>(&#8230;) n\u00e3o foi nada agrad\u00e1vel passar pelo sagu\u00e3o do teatro e ouvir Jo\u00e3o de Barro, o Braguinha &#8211; autor de tantos sucessos, entre os quais a imortal letra para &#8220;Carinhoso&#8221;, de Pixinguinha -, dizer que a m\u00fasica era uma porcaria&#8221; <\/p>\n<p><span>&#8220;Janu\u00e1ria&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Numa noite de boemia, o pintor Di Cavalcanti prometeu a Chico um quadro seu. Cumpriu a promessa enviando Janu\u00e1ria, que foi o ponto de partida para essa composi\u00e7\u00e3o. <br \/>Quando eu organizava as can\u00e7\u00f5es para o livro Chico Buarque letra e m\u00fasica, Chico me perguntou de onde eu havia tirado o verso &#8220;logo aponta os l\u00e1bios dela&#8221;, j\u00e1 que o correto era &#8220;logo aponta os lados dela&#8221;. Respondi que era assim mesmo que ele cantava no LP de 1968. Preocupado com o erro, pus-me a escutar o velho vinil, at\u00e9 que, finalmente, o ouvido viciado conseguiu entender que, de fato, era &#8220;lados&#8221;. (&#8230;) N\u00e3o foi um consolo nem uma justificativa, mas me senti aliviado quando descobri que tanto Isaurinha Garcia (no \u00e1lbum Chico Buarque e Noel Rosa) como Caetano Veloso (no CD Contempor\u00e2neos, de Dori Caymmi) cantam &#8220;l\u00e1bios&#8221; (&#8230;). <br \/>Em 2004, na exposi\u00e7\u00e3o comemorativa de seus 60 anos, com curadoria de seu sobrinho Zeca Buarque Ferreira, um manuscrito mostrava que num primeiro rascunho o verso era &#8220;sempre aponta a casa dela&#8221;. <\/p>\n<p><span><span>&#8220;Passaredo&#8221;<\/span> <br \/><\/span><br \/>Para surpresa de muitos que passaram a ver o compositor como um militante ecol\u00f3gico, Chico revelou durante um programa de televis\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o entendia de bichos como os detestava. E admitiu at\u00e9 um sacril\u00e9gio: deliciou-se com uma capivara assada ao som de sua composi\u00e7\u00e3o. A vingan\u00e7a viria logo depois, quando, no terra\u00e7o de sua casa, ouvindo &#8220;Passaredo&#8221;, um representante dos ofendidos fez coc\u00f4 na sua cabe\u00e7a. <\/p>\n<p><span>&#8220;Ode aos ratos&#8221;<\/span><\/p>\n<p>A cantora M\u00f4nica Salmaso contou, durante um show, que soube de fontes fidedignas a seguinte hist\u00f3ria: escrevendo a letra, Chico percebeu que lhe faltavam informa\u00e7\u00f5es sobre as caracter\u00edsticas dos ratos, e ligou para o amigo Paulo Vanzolini, compositor e zo\u00f3logo: <\/p>\n<p>&#8211; Vanzolini, aqui \u00e9 o Chico. Eu estou escrevendo uma letra sobre ratos e queria que voc\u00ea me ajudasse a saber como eles s\u00e3o. O nariz, como \u00e9 que \u00e9? \u00c9 frio? Quente? Macio? Duro? E a pelagem? <br \/>&#8211; \u00d4 Chico! Voc\u00ea mente tanto sobre mulher&#8230; Porque n\u00e3o inventa qualquer coisa tamb\u00e9m sobre os ratos? <br \/>&#8211; P\u00f4, Vanzolini&#8230; Pelos ratos eu tenho o maior respeito.&#8221;<\/i>  <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O blog MPB, do site do jornal O Globo, traz boa mat\u00e9ria sobre livro que se dedica a contar hist\u00f3rias envolvendo as can\u00e7\u00f5es daquele queTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[135,12,73,15],"class_list":["post-12360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-chico-buarque","tag-cultura","tag-livros","tag-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}