{"id":12357,"date":"2009-10-12T21:12:00","date_gmt":"2009-10-12T23:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/a-cara-do-brasil\/"},"modified":"2009-10-12T21:12:00","modified_gmt":"2009-10-12T23:12:00","slug":"a-cara-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/a-cara-do-brasil\/","title":{"rendered":"A cara do Brasil"},"content":{"rendered":"<div>Bom, feriad\u00e3o, dia de textos interessantes lidos durante a semana.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Recorro uma vez mais \u00e0 excelente an\u00e1lise do jornalista econ\u00f4mico Luis Nassif. <a href=\"http:\/\/www.luisnassif.com.br\/\">Em seu blog<\/a> esta semana ele faz uma an\u00e1lise estrat\u00e9gica muito interessante do Brasil, que reproduzo aqui.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Boa leitura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;Em meu livro \u201cOs Cabe\u00e7as de Planilha\u201d, a partir da observa\u00e7\u00e3o do dia a dia da economia, procurei desenvolver a tese de como se daria o estalo, o processo que deflagraria a percep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento nacional e que pudesse vitaminar todo o organismo econ\u00f4mico, tal como ocorreu no governo JK.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Pensava em algo assim:<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>1. O pa\u00eds vai desenvolvendo, ano a ano, um conjunto cada vez mais amplo de setores modernos.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>2. Quando esses avan\u00e7os s\u00e3o percebidos no seu todo \u2013 e por todos os setores -, deflagra-se o movimento modernizador, desperta-se o chamado \u201cesp\u00edrito animal\u201d na economia.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>3. Em algum momento, algum evento pol\u00edtico ou econ\u00f4mico daria o tiro de partida, despertando o pa\u00eds para essa nova realidade.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>4. Ganharia o galard\u00e3o de Estadista o pol\u00edtico que conseguisse mostrar que o pa\u00eds \u00e9 composto pela soma de todas as partes, o mercado, o sistema financeiro, as pol\u00edticas sociais, os movimentos sociais, o agroneg\u00f3cio, a ind\u00fastria, os cientistas, os gestores, as multinacionais, as pequenas e micro empresas e se transformasse na s\u00edntese, conduzindo.<span><\/span><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>***<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 permitira grandes avan\u00e7os sociais. O governo Collor fizera o trabalho sujo de desmonte do modelo anterior, de redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica para patamares civilizados e deixara plantadas as sementes de programas de qualidade, da abertura gradativa da economia. Mesmo aos trambolh\u00f5es, o governo Itamar Franco manteve a chama da responsabilidade social que emergiu com a Constituinte.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>***<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>FHC pegou o pa\u00eds pronto, uma conjuntura internacional extraordinariamente favor\u00e1vel (com o reposicionamento das multinacionais no mundo), o PSDB tornou-se o p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o de quadros t\u00e9cnicos dos melhores \u2013 PUC Rio, FGV S\u00e3o Paulo, FEA.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>FHC tinha preparo, hist\u00f3ria, acesso aos movimentos de esquerda e aos empres\u00e1rios, \u00e0 academia e \u00e0 pol\u00edtica. Todos os grupos modernizadores, plantados nos anos anteriores, convergiram automaticamente para sua candidatura, em 1994.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Mais que isso, tinha a espoleta pol\u00edtica capaz de deflagrar a auto-estima nacional: um plano de estabiliza\u00e7\u00e3o bem sucedido.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Naqueles primeiros anos, o pa\u00eds regurgitava o novo. Estudos eram tirados das gavetas, por todos os cantos havia a esperan\u00e7a da inova\u00e7\u00e3o, da mudan\u00e7a de h\u00e1bitos, da moderniza\u00e7\u00e3o.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>***<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Foi essa oportunidade hist\u00f3rica que FHC jogou no lixo. O que explica esse desperd\u00edcio? Em parte, porque sua \u00fanica obsess\u00e3o era o chamado controle do Estado \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de enriquecimento para novos grupos, atrav\u00e9s da privatiza\u00e7\u00e3o.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Mas, muito, por conta da extrema falta de compromisso com o pa\u00eds. Era apenas um deslumbrado com o poder. De imediato afastou do Pal\u00e1cio os dois tucanos que poderiam impulsionar o governo \u2013 S\u00e9rgio Motta e Jos\u00e9 Serra.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>***<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Com o tempo, conseguiu descaracterizar completamente n\u00e3o apenas seu governo, mas o pr\u00f3prio PSDB.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Tirou do partido a vitalidade inicial, a busca do novo, a vis\u00e3o de conjunto e pragm\u00e1tica sobre o pa\u00eds, a ponto de descaracterizar completamente o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Serra \u2013 cuja submiss\u00e3o intelectual e emocional a FHC um dia ainda ser\u00e1 objeto de an\u00e1lises mais aprofundadas.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 1<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>A ina\u00e7\u00e3o de FHC gerou quinze anos de atraso ao pa\u00eds. S\u00f3 agora se retoma a trilha perdida, por conta da intui\u00e7\u00e3o de Lula. N\u00e3o \u00e9 por outro motivo que o ex-Ministro Delfim Netto \u2013 que n\u00e3o \u00e9 de gastar elogio \u00e0 toa \u2013 declarou dia desses que Lula salvou o capitalismo brasileiro. N\u00e3o se trata de mera ret\u00f3rica. Depois das cabe\u00e7adas iniciais, Lula conseguiu entender muito melhor do que FHC a l\u00f3gica do Estadista.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 2<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>O caminho passava pela concilia\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o em torno dos novos valores do desenvolvimento. Ao contr\u00e1rio de FHC \u2013 que encontrou o pa\u00eds pronto \u2013 Lula precisou construir seu pr\u00f3prio caminho. O primeiro desafio consistia em desarmar seu pr\u00f3prio partido \u2013 um am\u00e1lgama de v\u00e1rias tend\u00eancias e de v\u00e1rios estilos pol\u00edticos. Depois das cabe\u00e7adas iniciais, quando bateu no fundo do po\u00e7o \u2013 o epis\u00f3dio dos chamados \u201cmensaleiros\u201d \u2013 come\u00e7ou a virada.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 3<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>A crise ajudou a domar as \u00e1reas mais radicais do partido. Quem n\u00e3o se enquadrou saiu para montar partidos mais \u00e0 esquerda. Dentro do governo, Lula abriu espa\u00e7o para o agroneg\u00f3cio (atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Agricultura), para a agricultura familiar (atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio), para o mercado (atrav\u00e9s do Banco Central) e para os movimentos sociais (atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Social).<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 4<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Ao mesmo tempo em que imprimia uma pol\u00edtica econ\u00f4mica muito ortodoxa, pouco a pouco foi montando a \u00e1rea desenvolvimentista do governo, com o eixo BNDES-Minist\u00e9rio da Fazenda. Demorou para implementar a nova pol\u00edtica? Para muitos, demorou. Mas aguardou o tempo pol\u00edtico. Quando eclodiu a crise mundial, veio a oportunidade para a mudan\u00e7a na pol\u00edtica econ\u00f4mica. Aproveitou-se com um senso de oportunidade \u00fanico.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 5<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>No plano pol\u00edtico, projetou a imagem de um pacificador inesperado, tendo em conta seu hist\u00f3rico de lutas sindicais pesadas. Apesar de alvo da mais inclemente campanha de m\u00eddia que um presidente jamais encarou \u2013 mais acirrada e prolongada que a pr\u00f3pria campanha do impeachment \u2013 jamais radicalizou suas cr\u00edticas ou se valeu do poder do pr\u00edncipe para pedir a cabe\u00e7a de jornalistas \u2013 o oposto de alguns advers\u00e1rios.<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Em busca do tempo perdido \u2013 6<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Por tudo isso, a heran\u00e7a bendita de Lula n\u00e3o foi FHC. Foi o movimento pela qualidade, o pensamento desenvolvimentista, os mercadistas, os que constru\u00edram o agroneg\u00f3cios e os movimentos sociais. Em suma, essa grande conflu\u00eancia de setores e fatores que comp\u00f5em o Brasil moderno. O sindicalista semi-alfabetizado soube entender a complexidade do pa\u00eds muito mais do que o soci\u00f3logo consagrado.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom, feriad\u00e3o, dia de textos interessantes lidos durante a semana. Recorro uma vez mais \u00e0 excelente an\u00e1lise do jornalista econ\u00f4mico Luis Nassif. 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