{"id":12356,"date":"2009-10-13T18:52:00","date_gmt":"2009-10-13T20:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/samba-de-terca-templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra\/"},"modified":"2009-10-13T18:52:00","modified_gmt":"2009-10-13T20:52:00","slug":"samba-de-terca-templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/samba-de-terca-templo-negro-em-tempo-de-consciencia-negra\/","title":{"rendered":"Samba de Ter\u00e7a &#8211; &quot;Templo Negro em Tempo de Consci\u00eancia Negra&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/StTdn9dQtJI\/AAAAAAAAA_U\/oEeMqUo3eFI\/s1600-h\/Salgueiro-1989.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Salgueiro-1989.jpg\"><\/a><\/div>\n<div>Volta de feriado, dia com bastante trabalho a fazer&#8230; Mas n\u00e3o pod\u00edamos ficar sem a j\u00e1 nossa tradicional se\u00e7\u00e3o &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesta ter\u00e7a falo da \u00fanica das &#8220;quatro hist\u00f3ricas&#8221; que n\u00e3o havia sido retratado aqui: a Acad\u00eamicos do Salgueiro, atual campe\u00e3 do carnaval carioca &#8211; com todos os m\u00e9ritos, diga-se.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como sempre, dentro do esp\u00edrito da se\u00e7\u00e3o, vamos falar de um samba e um desfile que n\u00e3o entram para os anais de sambas hist\u00f3ricos da &#8220;Academia&#8221;. Entretanto, \u00e9 um belo samba.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A agremia\u00e7\u00e3o tijucana sempre teve como seu slogan o &#8220;nem melhor, nem pior, apenas diferente&#8221;. E diferente \u00e9 o que ela faria naquele carnaval de 1989: um enredo sobre o Centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura&#8230; um ano depois !<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O enredo, dos carnavalescos Luis Fernando Reis e Fl\u00e1vio Tavares, fazia uma abordagem cr\u00edtica da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura e lembrava \u00eddolos negros campe\u00f5es da luta pela liberdade, como a Escrava Anast\u00e1cia e Martin Luther King. Tamb\u00e9m reverenciava a cultura e a religi\u00e3o africanas e refletia sobre a situa\u00e7\u00e3o do negro na sociedade \u00e0quele momento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como diziam a sinopse e o roteiro de desfile. Notem o n\u00famero de alas e de carros, muito diferentes dos tempos atuais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;Descri\u00e7\u00e3o do Enredo<\/i><\/div>\n<div><i>I &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o:<\/i><\/div>\n<div><i>&#8220;Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente&#8221;, essa frase define muito bem o Salgueiro, sempre arrojado e marcante, original e atrevido, verdadeiramente uma escola forte, livre e solta, comprometida com seu tempo e nele pioneira, sempre surpreendente e inovadora, e \u00e9 assim que a desejamos no carnaval de 1989, livre e soberana em seu estilo, transmitindo liberdade e resist\u00eancia.<\/i><\/div>\n<div><i>Quando todos lembraram do negro em 1988, n\u00f3s do Salgueiro s\u00f3 o faremos em 1989, n\u00e3o apenas Por sermos diferentes, tamb\u00e9m porque nos parece que o movimento negro, a luta negra n\u00e3o se finda em 88, ela \u00e9 maior que o centen\u00e1rio dessa dita liberdade, dessa falsa aboli\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que essa chama n\u00e3o se apague e que no 101\u00ba, 102\u00ba, 103\u00ba ano da liberta\u00e7\u00e3o dos escravos ainda se proclame igualdade entre negros, mulatos e brancos.<\/i><\/div>\n<div><i>Por isso dizemos que o Salgueiro \u00e9 atrevido, arrojado e diferente, pois quando essa chama de luta come\u00e7ar a arrefecer n\u00f3s a avivaremos, a reacenderemos com nosso evoluir, cantar e dan\u00e7ar em : <\/i><\/div>\n<div><i>SALGUEIRO &#8211; TEMPLO NEGRO EM TEMPO DE CONSCI\u00caNCIA NEGRA<\/i><\/div>\n<div><i>II &#8211; Os Quadros:<\/i><\/div>\n<div><i>1\u00ba Quadro: SALGUEIRO &#8211; TEMPLO NEGRO<\/i><\/div>\n<div><i>Na primeira parte do desenvolvimento mostraremos o SALGUEIRO TEMPLO NEGRO, uma homenagem aos nove enredos Afros j\u00e1 cantados pelo Acad\u00eamico do Salgueiro.<\/i><\/div>\n<div><i>01 &#8211; Comiss\u00e3o de Frente &#8211; s\u00e3o os guardi\u00e3s do Templo Negro, altivos e imponentes, negros e elegantes, tradicionais e respeitosos senhores salgueirenses &#8211; velha-guarda.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<div><i>02 &#8211; Carro Abre-Alas &#8211; ser\u00e1 o carro t\u00edtulo do enr\u00eado, totens, chifres e panteras fazem prote\u00e7\u00e3o \u00e0 gruta negra, \u00e0 pantera templo, s\u00edmbolo da luta e da coragem negra &#8211; SALGUEIRO NEM MELHOR NEM PIOR , APENAS DIFERENTES.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>03 &#8211; Ala dos Leopardos <\/i><\/div>\n<div><i>04 &#8211; Ala dos Sacerdotes<\/i><\/div>\n<div><i>05 &#8211; Ala das Negras Ra\u00edzes<\/i><\/div>\n<div><i>06 &#8211; Ala do Banzo<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>07 &#8211; Carro Navio Negreiro &#8211; aprisionados vinham os negros em navios sem cor e sem bandeira, era finda liberdade, em alto mar mas ainda em terra, era o sonho de liberdade que ainda existia, mas ali morreria, iniciava-se a escravid\u00e3o.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>08 &#8211; Ala da Democracia Racial<\/i><\/div>\n<div><i>09 &#8211; Ala da Guarda Quilombola <\/i><\/div>\n<div><i>10 &#8211; Ala da Nobreza de Palmares<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>11 &#8211; Carro Portais de Palmares &#8211; negro escravizado \u00e9 sonhando e tentando liberdade, nas matas, nos sert\u00e3o negro retoma a liberdade e lembra M\u00c3E &#8211; AFRICA, M\u00c1SCARA, ESCUDOS E LAN\u00c7AS no rodopiar de negritude, negro era livre de novo com a FOR\u00c7A DE ZUMBI.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>12 &#8211; Ala do Rei Zumbi<\/i><\/div>\n<div><i>13 &#8211; Ala da Consci\u00eancia Negra<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>12 &#8211; Trip\u00e9 Xica da Silva &#8211; saudoso ano de 1963, primeiro campeonato salgueirense. O Minueto foi destaque desse enr\u00eado, s\u00f3 nos cabe o recordarmos na graciosidade das crian\u00e7as do Salgueiro.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>13 &#8211; Ala do Minueto (crian\u00e7as)<\/i><\/div>\n<div><i>14 &#8211; Ala dos Negros da Xica<\/i><\/div>\n<div><i>15 &#8211; Ala da Suntuosidade Negra A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>16 &#8211; Carro dos Jardins da Xica &#8211; negra feia nobre, feita livre, comprada pela gra\u00e7a, pelo amor, atrevida e requintada, fez &#8211; se rainha em seu jardim a negra influ\u00eancia sobre o requinte dos sal\u00f5es, Ouro e Palha, Veludo e Prata.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>17 &#8211; Ala da Suntuosidade Negra B.<\/i><\/div>\n<div><i>18 &#8211; Ala do Ouro Negro<\/i><\/div>\n<div><i>19 &#8211; Ala de Passistas<\/i><\/div>\n<div><i>20 &#8211; Ala de Chico-Rei<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>21 &#8211; Carro de Chico-Rei &#8211; &#8220;Era o ouro depositado na pia&#8221; &#8211; Cabe\u00e7a Negras, ouro nos cabelos, negra riqueza, liberdade enfim &#8211; Chico-Rei.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>22 &#8211; Ala dos Negros Senhores<\/i><\/div>\n<div><i>23 &#8211; Ala de Religiosidade Negra<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>ERGUE-SE O PAVILH\u00c3O SALGUEIRENSE &#8211; NO RODOPIAR DE DORIS E NA ELEG\u00c2NCIA DE ELCIO &#8211; 1\u00ba CASA DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>24 &#8211; Ala das Baianas do Bonfim <\/i><\/div>\n<div><i>25 &#8211; Ala das Mucamas A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>26 &#8211; Carro da Bahia Negra &#8211; negra Bahia, dos orix\u00e1s, das oferendas, da Festa da Lavagem do Bonfim, muito brilho, muito espelho, num belo sincretismo &#8211; Oxal\u00e1 &#8211; Senhor do Bonfim.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>27 &#8211; Ala das Mucamas B.<\/i><\/div>\n<div><i>28 &#8211; Ala da Capoeira <\/i><\/div>\n<div><i>29 &#8211; Ala do S\u00e9quito do Rei <\/i><\/div>\n<div><i>30 &#8211; Ala da Embaixada Negra<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>31 &#8211; Trip\u00e9 da Festa para um Rei Negro &#8211; \u00e9 festa no Recife, a corte negra vinda do Congo visita a negrada pernambucana, lampi\u00f5es e m\u00e1scaras, adornos africanos em terras holandesas.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>32 &#8211; Ala dos Pr\u00edncipes Africanos<\/i><\/div>\n<div><i>33 &#8211; Ala das Lembran\u00e7as D\u2019\u00c1frica<\/i><\/div>\n<div><i>34 &#8211; Ala dos P\u00e1ssaros da Liberdade<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>35- Carro do Valongo &#8211; Rio de Janeiro &#8211; Cais do Valongo, s\u00e3o negros acorrentados esperando a escravid\u00e3o, a liberdade j\u00e1 vai longe, \u00e9 um sonho longe que se vai, como as gaivotas do cais.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>NOS DOIS \u00daLTIMOS ENR\u00caDOS AFROS &#8211; &#8220;DO IORUB\u00c1 \u00c0 LUZ, A AURORA DOS DEUSES&#8221; &#8220;NO BAILAR DOS VENTOS RELAMPEJOU MAS N\u00c3O CHOVEU&#8221; FALA O SALGUEIRO DOS NEGROS ORIX\u00c1S, ASSIM TEREMOS:<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>36 &#8211; Ala de Ex\u00fa<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>37 &#8211; Trip\u00e9 Ex\u00fa &#8211; Abridor de caminhos, despachos em potes de barro, o Tronco de Ex\u00fa, Tridentes em Ouro, Vermelho e Preto.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>38 &#8211; Ala de Samba Show<\/i><\/div>\n<div><i>39 &#8211; Ala de Ians\u00e3<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>40 &#8211; Trip\u00e9 de Ians\u00e3 &#8211; S\u00e3o nuvens, s\u00e3o raios, \u00e9 tempestade, \u00e9 Ians\u00e3.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>41 &#8211; Ala de Pai Xang\u00f4 A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>42 &#8211; Carro de Pai Xang\u00f4 &#8211; &#8220;Xang\u00f4 \u00e9 nosso Pai, \u00e9 nosso Rei&#8221;, protetor do Salgueiro, morro e escola, da mesma cor, em seu trono, guarnecido por le\u00f5es, Xang\u00f4, pai protetor, guerreiro como n\u00f3s, justiceiro do bem, salgueirense tamb\u00e9m.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>43 &#8211; Ala de Pai Xang\u00f4 B.<\/i><\/div>\n<div><i>44 &#8211; Ala de Ogum A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>45 &#8211; Trip\u00e9 de Ogum e Oxossi &#8211; Irm\u00e3os de sangue e luta, Ogum o guerreiro, Oxossi, o ca\u00e7ador.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>46 &#8211; Ala de Ogum B.<\/i><\/div>\n<div><i>47 &#8211; Ala de Oxumar\u00e9 A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>48 &#8211; Trip\u00e9 de Oxumar\u00e9 &#8211; Serpente no lado masculino, arco-\u00edris no momento feminino &#8211; Deusa do tempo, das cores e do movimento.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>49 &#8211; Ala da Cultura Salgueirense <\/i><\/div>\n<div><i>50 &#8211; Ala de Oxum <\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>51 &#8211; Trip\u00e9 de Oxum &#8211; Ouro e Riqueza, \u00c1guas de Rio, Cachoeiras, Mam\u00e3e Oxum.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>52 &#8211; Ala de Oxal\u00e1<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>53 &#8211; Trip\u00e9 de Oxal\u00e1 &#8211; A pureza da paz, a sabedoria a limpidez de intuito e da vontade &#8211; Branco e Brilho &#8211; ben\u00e7\u00e3o de Oxal\u00e1.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>Antes, por\u00e9m, de mostrarmos a 2\u00aa parte do enr\u00eado, fa\u00e7amos uma r\u00e1pida reflex\u00e3o sobre o t\u00edtulo: SALGUEIRO TEMPLO NEGRO, nos parece que n\u00e3o somente o Acad\u00eamicos do Salgueiro merece o t\u00edtulo como tamb\u00e9m o pr\u00f3prio morro do Salgueiro, que outrora fora um quilombo, ref\u00fagio de negros fuj\u00f5es, leia &#8211; se: sedentos de liberdade, e hoje numa vis\u00e3o social \u00e9 um novo quilombo, por ser uma comunidade carente, predominantemente negra e afastada pela elite branca e dominante, como outros morros e favelas, e que ainda mant\u00e9m viva, apesar de serem pequenas as manifesta\u00e7\u00f5es, resqu\u00edcios tradicionais dos negros como o caxamb\u00fa, o jongo e a folia de reis.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>Sem d\u00favida alguma, o morro do Salgueiro \u00e9 tamb\u00e9m um Templo Negro.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>54 &#8211; Ala da Tradi\u00e7\u00e3o Salgueirense<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>2\u00ba CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>55 &#8211; Ala da Musicalidade Salgueirense <\/i><\/div>\n<div><i>56 &#8211; Ala da Cultura Salgueirense A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>57 &#8211; Carro da Tradi\u00e7\u00e3o Salgueirense &#8211; O morro do Salgueiro, alegorizado, fantasiado onde floresce a tradi\u00e7\u00e3o, a cultura, a liberdade e o amor salgueirense &#8211; &#8220;Salgueirar vem de crian\u00e7a&#8221;.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>58 &#8211; Ala da Cultura Salgueirense B.<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>2\u00ba Quadro: SALGUEIRO EM TEMPO DE CONSCI\u00caNCIA NEGRA<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>Durante todo o ano de 1988, comemorou -se o centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, nos parece no entanto que esse momento \u00e9 mais de reflex\u00e3o, \u00e9 mais de conscientiza\u00e7\u00e3o do que propriamente de festividades, \u00e9 tempo de repassar esse 100anos de aboli\u00e7\u00e3o dentro de uma an\u00e1lise real, sem falsos sentimentalismos, numa vis\u00e3o nua e crua de uma realidade negra no Brasil; verdadeiramente o negro ainda n\u00e3o se libertou, ainda \u00e9 preconceituado e num dado sentido ainda \u00e9 escravo de uma sociedade que o alija de todo o processo social, cultural, pol\u00edtico e financeiro. E ainda se diz que em nosso pa\u00eds n\u00e3o h\u00e1 preconceito racial, n\u00e3o h\u00e1 preconceito de cor, e \u00e9 triste reconhecer essa farsa, o preconceito n\u00e3o \u00e9 n\u00edtido, n\u00e3o \u00e9 claro, ele vem escamoteado, n\u00e3o Por palavras, mas por gostos e atitudes que o torna mentiroso e hip\u00f3crita. E se assim n\u00e3o fosse n\u00e3o existiria uma Lei, hoje tornada inafian\u00e7\u00e1vel , que pune o preconceito racial. \u00c9 triste afirmar: no Brasil h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>A partir de toda essa reflex\u00e3o, n\u00e3o poder\u00edamos considerar como &#8220;Redentora&#8221; a Princesa Isabel, n\u00e3o achamos conveniente sua inclus\u00e3o em nosso enr\u00eado, a final liberdade n\u00e3o se assina, se conquista numa luta constante, sem tr\u00e9gua at\u00e9 que venha a liberdade, assim como lutou Zumbi dos Palmares, l\u00edder maior de todo o movimento negro brasileiro , ou como ANAST\u00c1CIA, negra escrava, corajosa e destemida, hoje s\u00edmbolo aben\u00e7oado da resist\u00eancia, ou ainda como Jo\u00e3o C\u00e2ndido, marinheiro negro, dito livre, por\u00e9m escravizado pelas chibatadas da oficialidade branca, que liderando a, em sua grande maioria, negra marujada p\u00f4s fim aos castigos na Marinha brasileira. Tr\u00eas negros fortes, marcantes, orgulho da ra\u00e7a, s\u00edmbolo sempre vivos da resist\u00eancia negra que personalidade coragem e destemor de toda a luta, de toda a consci\u00eancia.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>59 &#8211; Trip\u00e9 Jo\u00e3o C\u00e2ndido &#8211; &#8220;Sem revolta e sem chibata&#8221;. E foram canh\u00f5es tornados negros que apontaram para o Rio, enfim acabou o castigo, foi-se a chibata, veio a liberdade pelas negras m\u00e3os de Jo\u00e3o C\u00e2ndido.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>60 &#8211; Ala dos Novos Grilh\u00f5es<\/i><\/div>\n<div><i>61 &#8211; Ala da Luta Negra (crian\u00e7as)<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>62 &#8211; Carro da Consci\u00eancia Negra &#8211; &#8220;Linda Anast\u00e1cia sem morda\u00e7a o novo s\u00edmbolo da massa a beleza negra me seduz&#8221;, entre guerreiros e atabaques o som da religiosidade negra &#8211; sem morda\u00e7a &#8211; livre.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>63 &#8211; Ala de Samba Show II<\/i><\/div>\n<div><i>64 &#8211; Ala a Luta Negra n\u00e3o se finda A.<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>65 &#8211; Trip\u00e9 Zumbi &#8211; Zumbi \u00e9 consci\u00eancia negra, \u00e9 ra\u00e7a , \u00e9 for\u00e7a e destemor, \u00e9 negritude, s\u00edmbolo vivo de uma luta, que hoje recome\u00e7ar no livre e despojado cantar salgueirense .<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>66 &#8211; Ala a Luta Negra n\u00e3o se finda B.<\/i><\/div>\n<div><i>67 &#8211; Ala da Esperan\u00e7a Negra<\/i><\/div>\n<div><i>68 &#8211; Ala da Eleg\u00e2ncia Negra (baianas)<\/i><\/div>\n<div><i>69 &#8211; Ala da Velha-Guarda <\/i><\/div>\n<div><i>70 &#8211; Ala dos Negros Guerreiros (bateria)<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>III &#8211; Abordagem do Enr\u00eado<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>Um dos maiores l\u00edderes negros da humanidade foi o reverendo norte &#8211; americano Martim Luther King que certa vez afirmou: &#8220;BLACK IS BEAUTIFUL&#8221; &#8211; &#8220;NEGRO \u00c9 BELO&#8221;, e essa frase nos inspirar\u00e1 por todo o enr\u00eado, at\u00e9 mesmo nos permitiremos aprofunda-la um pouco mais, o negro n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 belo, mas tamb\u00e9m \u00e9 rico, pomposo, forte, exuberante e fundamentalmente LIVRE, e \u00e9 nessa riqueza, nessa beleza e nessa liberdade que abordaremos nosso enr\u00eado. As fantasias ser\u00e3o leves e ricas e trar\u00e3o sempre a caracter\u00edstica africana, j\u00e1 que acreditamos que enquanto na \u00c1frica o negro ainda respirava liberdade e por aqui s\u00f3 sentiu preconceito, evitaremos inclusive, a figura do negro escravo, servil e submisso, que tanto agrada \u00e0 elite dominante, optaremos Por um negro forte, guerreiro. Resistente e livremente africano. As alegorias ser\u00e3o coerentemente negras, criativas e pomposas belas e adequadamente ricas.&#8221;<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><span><i>(Fonte: <a href=\"http:\/\/www.galeriadosamba.com.br\/\">Galeria do Samba<\/a>)<\/i><\/span><\/div>\n<div>\u00a0 <\/div>\n<div>A escola desfilou j\u00e1 na manh\u00e3 de segunda feira de carnaval, 06 de fevereiro de 1989. Fez um belo desfile e era apontada como uma das favoritas, ao lado de Beija Flor, Imperatriz e Uni\u00e3o da Ilha. O resultado, por\u00e9m, colocou a escola no quinto lugar, com 207 pontos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O regulamento daquele ano previa descarte de notas e eram computadas apenas duas notas por quesito, havendo apenas notas inteiras. O inconformismo na vermelha e branca da Tijuca ap\u00f3s o resultado gerou um protesto que considero genial para o Desfile das Campe\u00e3s: uma faixa onde se lia apenas:<\/div>\n<div><b>&#8220;NEM MELHOR, NEM PIOR. APENAS ROUBADO&#8221;<\/b><\/div>\n<div>Isto \u00e9 a Academia e sua longa e bem vinda tradi\u00e7\u00e3o de subvers\u00e3o no samba carioca.<\/p>\n<p>Em minha opini\u00e3o, achei justo o resultado da escola naquele ano, a prop\u00f3sito.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/pedromigao.multiply.com\/music\/item\/109\">Aqui<\/a> voc\u00ea pode ouvir o samba, em sua vers\u00e3o de est\u00fadio. Abaixo, um v\u00eddeo do desfile original da escola. O curioso \u00e9 que a vers\u00e3o de est\u00fadio \u00e9 bem mais acelerada que o samba na avenida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passemos \u00e0 letra:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Autores <\/i><\/div>\n<div><i>Alaor Macedo, Helinho do Salgueiro, Ariz\u00e3o, Dem\u00e1 Chagas, Rubinho do Afro<\/i><\/div>\n<div><i><\/i><\/div>\n<div><i>Puxador: Rixxa<\/i><\/div>\n<div><i>&#8220;Livre ecoa o grito dessa ra\u00e7a <\/i><\/div>\n<div><i>E traz na carta <\/i><\/div>\n<div><i>A chama ardente da aboli\u00e7\u00e3o <\/i><\/div>\n<div><i>Oh! Que santu\u00e1rio de beleza <\/i><\/div>\n<div><i>Um congresso de nobreza<\/i><\/div>\n<div><i>De rar\u00edssimo esplendor <\/i><\/div>\n<div><i>Revivendo tra\u00e7os da hist\u00f3ria <\/i><\/div>\n<div><i>Est\u00e3o vivos na mem\u00f3ria <\/i><\/div>\n<div><i>Chica da Silva e Chico Rei <\/i><\/div>\n<div><i>Sarav\u00e1 os deuses da Bahia<\/i><\/div>\n<div><i>Nesse quilombo tem magia <\/i><\/div>\n<div><i>Xang\u00f4 \u00e9 nosso pai, \u00e9 nosso rei<\/i><\/div>\n<div><b><i>\u00d4 Zazi\u00ea, \u00d4 Zazi\u00e1<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O Zazi\u00ea, Maiongol\u00e9, Marangol\u00e1<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>\u00d4 Zazi\u00ea, \u00d4 Zazi\u00e1<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Salgueiro \u00e9 Maiongol\u00ea, Marangol\u00e1<\/i><\/b><\/div>\n<div><i>Vai, meu samba vai <\/i><\/div>\n<div><i>Leva a dor traz alegria <\/i><\/div>\n<div><i>Eu sou negro sim, liberdade e poesia <\/i><\/div>\n<div><i>E na atual sociedade, lutamos pela igualdade <\/i><\/div>\n<div><i>Sem preconceitos sociais <\/i><\/div>\n<div><i>Linda Anast\u00e1cia sem morda\u00e7a <\/i><\/div>\n<div><i>O novo s\u00edmbolo da massa <\/i><\/div>\n<div><i>A beleza negra me seduz <\/i><\/div>\n<div><i>Viemos sem revolta e sem chibata <\/i><\/div>\n<div><i>Dar um basta nessa farsa <\/i><\/div>\n<div><i>\u00c9 festa, \u00e9 Carnaval, eu sou feliz<\/i><\/div>\n<div><b><i>\u00c9 baianas,<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O jongo e o caxambu vamos rodar<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Salgueirar vem de crian\u00e7a<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O centen\u00e1rio n\u00e3o se apagar\u00e1&#8221;<\/i><\/b><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/div>\n<div>Semana que vem, a pedidos, Uni\u00e3o da Ilha. O samba ? &#8220;Fatumbi&#8221;, 1998.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Volta de feriado, dia com bastante trabalho a fazer&#8230; Mas n\u00e3o pod\u00edamos ficar sem a j\u00e1 nossa tradicional se\u00e7\u00e3o &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221;. 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