{"id":12320,"date":"2009-10-30T13:12:00","date_gmt":"2009-10-30T15:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/cronica-encontro-marcado\/"},"modified":"2009-10-30T13:12:00","modified_gmt":"2009-10-30T15:12:00","slug":"cronica-encontro-marcado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/10\/cronica-encontro-marcado\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica: Encontro Marcado"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/SunbTr0hy-I\/AAAAAAAABDo\/tXWMdeaJ9J8\/s1600-h\/206nv_sensation_preto.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/206nv_sensation_preto.jpg\"><\/a>&#8220;Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Sexta feira \u00e0 tarde. Tr\u00e2nsito engarrafado, como de h\u00e1bito, em dire\u00e7\u00e3o ao T\u00fanel Rebou\u00e7as.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Carlos estava pensativo em seu carro popular, embora bem equipado. Parado no tr\u00e2nsito, lembrava-se do caminho que percorrera at\u00e9 ali. Fora casado e trocado por um famoso jogador de futebol, advindo o div\u00f3rcio da\u00ed. Beirando os trinta anos, possu\u00eda um bom padr\u00e3o de vida e uma filhinha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Imaginava qu\u00e3o rotineira havia sido a sua vida nos \u00faltimos tempos. O trabalho em uma empresa transnacional, os cuidados com a filha, a religi\u00e3o. Pouco sobrava para a leitura e a m\u00fasica, suas paix\u00f5es. Cora\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 isso ?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Imerso em suas divaga\u00e7\u00f5es e imerso em um mar de carros, Carlos repara em uma jovem mo\u00e7a, dentro de um carro franc\u00eas preto. Jovem, branquinha, cabelos negros e \u00f3culos de grau, aparentemente bem vestida, vidro semi-aberto e falando ao celular. Bela mo\u00e7a, pensa ele.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nosso amigo desvia o olhar para trocar a faixa do CD e, quando volta a subir os olhos por tr\u00e1s das lentes tamb\u00e9m m\u00edopes, percebe a mo\u00e7a acenando para ele:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Voc\u00ea viu ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; N\u00e3o, o qu\u00ea ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Roubaram o meu celular enquanto estava falando ! Esta cidade n\u00e3o tem jeito !<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Podia ser pior, pelo menos voc\u00ea est\u00e1 bem.<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Eu estava falando, veio o garoto e arrancou de minhas m\u00e3os &#8211; disse enquanto enxugava as l\u00e1grimas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nosso personagem imediatamente pensou que ela havia dado bobeira em deixar os vidros abertos, mas o tr\u00e2nsito andou um pouco e ele nada disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Poucos metros \u00e0 frente, pararam os dois carros lado a lado. Ele pergunta:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Est\u00e1 tudo bem ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Sim, est\u00e1. Obrigado por ter se preocupado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os carros andam, entram no t\u00fanel. Nosso amigo ficou pensando em qu\u00e3o bela era a mo\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais tarde, no sinal que d\u00e1 acesso \u00e0 Rua Mariz e Barros, na Tijuca, Carlos olha para o lado e quem ele v\u00ea ? O Peugeot preto. Ele buzina, abaixa o vidro e o di\u00e1logo \u00e9 r\u00e1pido:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Olha quem est\u00e1 me seguindo ! &#8211; e abre um sorriso.<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Est\u00e1 indo para onde ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Tijuca.<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Eu tamb\u00e9m !<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E, para surpresa dele&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Roubaram o meu n\u00famero, mas grita o seu. Antes que o sinal abra&#8230;<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Ok. 9&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O sinal abriu e os dois carros seguiram a mesma dire\u00e7\u00e3o. Carlos entrou antes na rua em que morava. A mo\u00e7a seguiu pela Mariz e Barros em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pra\u00e7a Saenz Pe\u00f1a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>***<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Domingo, final da tarde. Carlos j\u00e1 havia deixado a filha na casa da av\u00f3 e estava pegando a cerveja para acompanhar mais uma peleja dominical quando o telefone toca:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Al\u00f4 ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Por um acaso, \u00e9 o mo\u00e7o do sinal de tr\u00e2nsito, na sexta feira ?<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Sim, ele mesmo.<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Pois eu sou a menina do Peugeot. Muito prazer, Gabriela.<\/div>\n<div>\u00a0&#8211; Carlos, prazer.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O papo seguiu e combinaram de se encontrar em um shopping das proximidades ainda naquele final de domingo. Ao chegar no shopping e encontrar uma vaga, ao manobrar coincidentemente o carro dela estacionava na vaga ao lado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conversaram bastante naquele in\u00edcio de noite. Descobriram que trabalhavam com diferen\u00e7a de apenas quatro andares em um \u00fanico pr\u00e9dio, que compartilhavam a mesma profiss\u00e3o e religi\u00e3o, bem como a paix\u00e3o pela leitura. Ela era mais nova que ele, entretanto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Despediram-se e, no dia seguinte, ele telefonou-lhe chamando-a para almo\u00e7ar. Sem que combinassem, ele apareceu com um grande bouquet de rosas vermelhas e ela, com um livro. No final daquele almo\u00e7o, o primeiro beijo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Algum tempo depois, a primeira noite. Para surpresa dele, para Gabriela era a primeira noite de sua hist\u00f3ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Seis meses depois estavam morando juntos e, dois anos, nascia a pequenina Luisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma linda hist\u00f3ria de amor, com um lindo final feliz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Precisamos de mais finais felizes em nossas hist\u00f3rias.&#8221;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Sexta feira \u00e0 tarde. Tr\u00e2nsito engarrafado, como de h\u00e1bito, em dire\u00e7\u00e3o ao T\u00fanel Rebou\u00e7as. 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