{"id":12269,"date":"2009-11-27T09:00:00","date_gmt":"2009-11-27T11:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/11\/cinecasulofilia-padroes-de-beleza\/"},"modified":"2009-11-27T09:00:00","modified_gmt":"2009-11-27T11:00:00","slug":"cinecasulofilia-padroes-de-beleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2009\/11\/cinecasulofilia-padroes-de-beleza\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; Padr\u00f5es de Beleza"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/Sw7TRZ7GhhI\/AAAAAAAABOY\/JNf3ubB9WVo\/s1600\/marilyn-monroe.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/marilyn-monroe.jpg\"><\/a>Mais uma sexta feira, o funil est\u00e1 apertando bastante, mas nossa coluna sobre cinema n\u00e3o poderia faltar apesar do dia corrido que se avizinha. Como sempre, de autoria do cineasta e cr\u00edtico Marcelo Ikeda, dono do excelente blog <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">Cinecasulofilia<\/a>.<\/p>\n<p>O texto de hoje \u00e9 um pouquinho diferente: analisa os padr\u00f5es de beleza e sua analogia com a ind\u00fastria do cinema. Leitura indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p><i><b>Padr\u00f5es de Beleza<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que o padr\u00e3o de beleza em voga hoje no mundo \u00e9 basicamente um padr\u00e3o europeu. A mulher bonita \u00e9 aquela alta, magra, branca, com tra\u00e7os finos e proporcionais. A afirma\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o \u00e9 um processo hist\u00f3rico, mas que possui implica\u00e7\u00f5es culturais, econ\u00f4micas e ideol\u00f3gicas. \u00c9 claro que esse padr\u00e3o \u00e9 estimulado por uma ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, que torna a beleza uma mercadoria, vendendo um conjunto de produtos de beleza e mesmo padr\u00f5es de comportamento, como servi\u00e7os de academia e cirurgias pl\u00e1sticas, entre muitos outros exemplos.<\/p>\n<p>Esse padr\u00e3o de beleza \u00e9 um padr\u00e3o discreto, equilibrado. O exotismo pode se enquadrar como forma de \u201cmudar para permanecer o mesmo\u201d, j\u00e1 que ele \u00e9 aceito at\u00e9 o ponto em que n\u00e3o abala as estruturas desse mesmo padr\u00e3o: um nariz torto, uma boca com l\u00e1bios volumosos, chamam a aten\u00e7\u00e3o para a \u201cdiferen\u00e7a na identidade\u201d. S\u00e3o na verdade exce\u00e7\u00f5es que confirmam a regra.<\/p>\n<p>Os concursos de beleza, as capas das revistas publicit\u00e1rias e as modelos de passarela reproduzem esse estratagema, pois d\u00e3o legitimidade aos padr\u00f5es de beleza em voga.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos a consci\u00eancia do quanto esse padr\u00e3o de beleza \u00e9 f\u00fatil, pois o que importa de verdade \u00e9 a \u201cbeleza interior\u201d, uma beleza verdadeira, e n\u00e3o um r\u00f3tulo ou um estere\u00f3tipo de beleza imposto cada vez mais por um mercado que trata a beleza como um produto de publicidade barato. Esse modelo de beleza \u00e9 em geral superficial, vazio, mesquinho, jogando para escanteio o que \u00e9 verdadeiramente belo.<\/p>\n<p>Fico pensando at\u00e9 que ponto o cinema n\u00e3o repete esse paradigma. Os filmes que se destacam s\u00e3o aqueles que reproduzem determinados padr\u00f5es de beleza ditados pelos padr\u00f5es europeus, ditados pelos modismos, pelo \u201cmercado publicit\u00e1rio dos autores\u201d, em que essa beleza \u00e9 na maior parte das vezes meramente superficial. Aquele filme que foge de certos padr\u00f5es de beleza \u00e9 empurrado para uma marginalidade. Os festivais de cinema e os cr\u00edticos d\u00e3o legitimidade aos padr\u00f5es de beleza cinematogr\u00e1ficos j\u00e1 estabelecidos, ditando modismos, elogiando o exotismo que conv\u00e9m, descobrindo e esquecendo autores da noite para o dia, numa bolsa de valores dos novos g\u00eanios da arte cinematogr\u00e1fica. A beleza \u00e9 transit\u00f3ria, e a busca \u00e9 superficial, por uma beleza que aparece gritantemente, que aponta para a sua pr\u00f3pria beleza. Uma beleza gratuita, f\u00fatil, auto-referencial, que aponta exclusivamente para si mesma. Os autores s\u00e3o virtuoses do plano ou da fotografia, malabaristas da linguagem cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo aqui discutir o que \u00e9 o belo: n\u00e3o \u00e9 este meu prop\u00f3sito e seria muito ambicioso tentar faz\u00ea-lo. S\u00f3 quero apontar para o fato de que desconfio profundamente de filmes aparentemente belos, assim como desconfio de mulheres aparentemente belas. N\u00e3o \u00e9 um preconceito, ou que de antem\u00e3o elas (ou eles) sejam ordin\u00e1rios, mesquinhos, mas o fato \u00e9 que estes \u00e9 que t\u00eam maior chance de que suas virtudes sejam descobertas, enquanto h\u00e1 outros \u201cpatinhos feios\u201d que n\u00e3o revelam de cara sua beleza incomum.<\/p>\n<p>O desafio do cr\u00edtico (ou daquele que se diz cr\u00edtico) \u00e9 problematizar sempre esse padr\u00e3o de beleza j\u00e1 consolidado, e apontar para outras formas de se ver o mundo. Esse me parece ser um engajamento pol\u00edtico poss\u00edvel da cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica, um engajamento verdadeiramente desinteresseiro.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma sexta feira, o funil est\u00e1 apertando bastante, mas nossa coluna sobre cinema n\u00e3o poderia faltar apesar do dia corrido que se avizinha. 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