{"id":12209,"date":"2010-01-03T11:20:00","date_gmt":"2010-01-03T13:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/01\/jango-e-a-conspiracao-de-1964\/"},"modified":"2010-01-03T11:20:00","modified_gmt":"2010-01-03T13:20:00","slug":"jango-e-a-conspiracao-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/01\/jango-e-a-conspiracao-de-1964\/","title":{"rendered":"Jango e a conspira\u00e7\u00e3o de 1964"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/SzuoClDrLxI\/AAAAAAAABZk\/ENv_oKIvPPc\/s1600-h\/jango.jpg\" imageanchor=\"1\"><img decoding=\"async\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/jango1.jpg\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Domingo, dia de repercutir bons textos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Publico hoje excelente texto publicado pelo jornalista econ\u00f4mico Luis Nassif <a href=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/luisnassif\/2009\/12\/22\/jango-e-a-conspiracao-de-1964\/\">em seu blog<\/a> e, com esta correria de final de ano, acabei n\u00e3o repercutindo como gostaria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O material \u00e9 uma excelente an\u00e1lise das causas que levaram ao Golpe Militar de 1964 e descortinam um pouco alguns dos misticismos e r\u00f3tulos que possuem a figura de Jango.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Boa leitura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>&#8220;<\/b><\/i><b>Jango e a conspira\u00e7\u00e3o de 1964<\/b><i><\/p>\n<p>Nenhum governante pode ser responsabilizado, sozinho, pelos movimentos que levam \u00e0 sua deposi\u00e7\u00e3o \u2013 a n\u00e3o ser os que t\u00eam tend\u00eancia para o suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Jango era fraco e caiu por sua fragilidade? \u00c9 certo. Mas \u00e9 evidente que houve uma conspira\u00e7\u00e3o para desestabilizar seu governo \u2013 em muito semelhante ao que se viu no Brasil nos \u00faltimos anos. N\u00e3o frutificou porque os tempos s\u00e3o outros e Lula n\u00e3o era Jango. Mas a tentativa golpista foi similar.<\/p>\n<p>Jango nunca foi um revolucion\u00e1rio. Tentava um governo de coaliz\u00e3o, mas sem rumo, premido ora pelo populismo mais desbragado, ora pelas press\u00f5es do cunhado Leonel Brizolla.<\/p>\n<p>Roberto Campos e Walther Moreira Salles me contaram sobre o deslumbramento de Jango na primeira vez em que viu John Kennedy. E como o pr\u00f3prio Kennedy o estimulou a prosseguir em suas pol\u00edticas sociais, j\u00e1 que ele \u2013 Kennedy \u2013 via o pa\u00eds \u00e0 merc\u00ea de pol\u00edticas econ\u00f4micas que s\u00f3 levavam em conta o interesse da banca internacional, especialmente quando o assunto era d\u00edvida externa. O que assustava a banca, em Jango, n\u00e3o era o esquerdismo, mas o populismo, a incapacidade de manter em ordem as contas p\u00fablicas. Nunca foi considerado de esquerda, a n\u00e3o ser para efeito de ret\u00f3rica pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jango n\u00e3o foi competente para segurar a peteca. Nem na pol\u00edtica econ\u00f4mica \u2013 oscilava entre a ortodoxia de Moreira Salles (no parlamentarismo) aos arroubos da banda ga\u00facha de seu governo.<\/p>\n<p>Mas evidentemente foi v\u00edtima de um golpe.<\/p>\n<p><b>Semelhan\u00e7as com 2006<\/b><\/i><i><\/p>\n<p>O primeiro passo para o golpe \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um clima de exacerba\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Acompanhei o final do governo Jango na condi\u00e7\u00e3o de secundarista militante do interior \u2013 tinha 13 para 14 anos em 31 de mar\u00e7o de 1964 \u2013 e com duas refer\u00eancias masculinas: meu av\u00f4 materno, partid\u00e1rio intransigente de Lacerda; e meu pai, sem milit\u00e2ncia pol\u00edtica mas incomodado com o clima de \u00f3dio que foi criado na \u00e9poca. Certa vez ele me flagrou lendo o \u201cA\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d, bancado pelo IBAD. Imediatamente me passou as m\u00e3os um exemplar da revista \u201cPol\u00edtica &#038; Neg\u00f3cios\u201d. \u201cSe quiser ler sobre pol\u00edtica e econ\u00f4mica, essa revista \u00e9 mais ponderada\u201d, me disse. Ali\u00e1s, quem souber mais sobre essa revista, favor informar.<\/p>\n<p>O \u00f3dio era em tudo similar ao que foi insuflado nos \u00faltimos anos por publica\u00e7\u00f5es como Veja e comentaristas como Arnaldo Jabor e clones desajeitados. N\u00e3o era apenas a cr\u00edtica pol\u00edtica, mas o preconceito social, o est\u00edmulo ao \u00f3dio de classes, a demoniza\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio. Ainda vou recuperar alguns exemplares do A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica. O estilo era id\u00eantico ao adotado hoje em dia por Jabor, inclusive o neoliberalismo radical dos convertidos.<\/p>\n<p>Assim como nos tempos atuais, havia uma tentativa midi\u00e1tica e organizada de desestabilizar, sim, transformando qualquer epis\u00f3dio em pretexto para manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nacionais.<\/p>\n<p>Uma charge sobre Pel\u00e9 e Nossa Senhora Aparecida, publicada na \u00daltima Hora de S\u00e3o Paulo, serviu de pretexto para passeatas e prociss\u00f5es por todo o pa\u00eds, as Marchas com Deus, pela Fam\u00edlia e pela Propriedade.<\/p>\n<p>Os rallies religiosos do Padre Peyton, as passeatas pelo \u201crearmamento moral\u201d, a revista \u201cA\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d, do IBAD (Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica), os artigos de David Nasser e Carlos Lacerda, as exorta\u00e7\u00f5es da r\u00e1dio Globo, tudo contribu\u00eda para criar um clima de exacerba\u00e7\u00e3o terr\u00edvel no ar preparando a quebra da legalidade.<\/p>\n<p>Do lado das esquerdas, havia a sensa\u00e7\u00e3o de estar perto do poder, sim. Apenas os ecos chegavam a Po\u00e7os. Mas lembro-me claramente do Gerinho \u2013 nosso comunista de estima\u00e7\u00e3o \u2013 com sua baz\u00f3fia conhecida, repetindo o que ouvia em outras inst\u00e2ncias: j\u00e1 chegamos ao poder, s\u00f3 falta a presid\u00eancia. Baz\u00f3fia pura!<\/p>\n<p><b>A queda do regime<\/b><\/p>\n<p>Com o \u00f3dio sendo instilado pelas campanhas midi\u00e1ticas e pela orquestra\u00e7\u00e3o nas manifesta\u00e7\u00f5es, com a incompet\u00eancia evidente do aparato militar de Jango, o regime caiu de maduro. Mas n\u00e3o foi por falta de conspira\u00e7\u00e3o \u2013 diria at\u00e9 que por excesso. Foi uma conspira\u00e7\u00e3o de n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Ademar de Barros conspirava com o general Kruel. A ESG conspirava em favor de Castello. O Estad\u00e3o e demais \u00f3rg\u00e3os, em favor de Lacerda. Havia farta distribui\u00e7\u00e3o de armas para aliados civis.<\/p>\n<p>Em Po\u00e7os de Caldas, o Marechal Juarez T\u00e1vora \u2013 amigo de minha fam\u00edlia \u2013 distribuiu metralhadoras a fazendeiros aliados. Se essa conspira\u00e7\u00e3o estava ao alcance do conhecimento de jovens em cidades do interior, o que n\u00e3o ocorria nos grandes centros?<\/p>\n<p>Enquanto todos conspiravam, o general Olimp\u00edo Mour\u00e3o Filho \u2013 que n\u00e3o perdia tempo pensando \u2013 colocou a tropa na rua e o regime caiu como um castelo de cartas.<\/p>\n<p>O clima de macartismo pr\u00e9 e posterior a 31 de mar\u00e7o n\u00e3o deixou inc\u00f3lume nenhuma cidade. O acanalhamento da vida das pequenas cidades, a tomada de consci\u00eancia de que aquele advogado bonach\u00e3o, aquele vereador boa pra\u00e7a, o fazendeiro que tomava chopp no boteco, eram dedos-duros, envenenou o ambiente.<\/p>\n<p>Em todas as cidade em que convivi na \u00e9poca houve epis\u00f3dios de dela\u00e7\u00e3o \u2013 que, espero, sejam enterrados para sempre, para benef\u00edcio dos descendentes dos delatores. Em Po\u00e7os, menos. Em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, de maneira terr\u00edvel, com o Durval Nicolau \u2013 pai do atual prefeito Nelsinho \u2013, hospitalizado, sendo expulso da cidade por fazendeiros armados. E n\u00e3o eram armas de ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa articula\u00e7\u00e3o \u2013 que permitiu armar fazendeiros do interior com armas do Ex\u00e9rcito \u2013 foi levantada por Ren\u00e9 Dreiffus, um historiador uruguaio radicado no Brasil, que lan\u00e7ou o livro no in\u00edcio dos anos 80. Em que pese alguns exageros, o livro retrata bem como a rea\u00e7\u00e3o contra Jango se articulava nos clubes sociais de S\u00e3o Paulo, nas associa\u00e7\u00f5es empresariais., na aproxima\u00e7\u00e3o entre civis e militares. Dessa conspira\u00e7\u00e3o participava a c\u00fapula da Igreja Cat\u00f3lica \u2013 testemunhei isso em Po\u00e7os, com as investidas do Padre Maia sobre a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, movimento do qual a hierarquia cat\u00f3lica havia perdido o controle.<\/p>\n<p>Patrono dessa aproxima\u00e7\u00e3o civil-militar em S\u00e3o Paulo, ali\u00e1s, J\u00falio de Mesquita Filho era considerado o chefe civil da Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 t\u00edtulo que lhe foi outorgado n\u00e3o por Dreiffus, mas pelo pr\u00f3prio Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>O que estava por tr\u00e1s desse jogo pesado, manipulador, n\u00e3o era nem mesmo Jango, mas a falta absoluta de perspectiva de volta ao poder, j\u00e1 que a campanha JK 65 come\u00e7ava a tomar corpo.&#8221;<\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo, dia de repercutir bons textos. 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