{"id":11933,"date":"2010-06-27T08:21:00","date_gmt":"2010-06-27T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/06\/portela-na-avenida-por-paulo-cesar-pinheiro\/"},"modified":"2017-01-27T10:18:39","modified_gmt":"2017-01-27T12:18:39","slug":"portela-na-avenida-por-paulo-cesar-pinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/06\/portela-na-avenida-por-paulo-cesar-pinheiro\/","title":{"rendered":"Portela na Avenida, a Hist\u00f3ria &#8211; por Paulo C\u00e9sar Pinheiro"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Portela 2015 - Portela Na avenida (esquenta)\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Dn9Juor38B0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como eu havia prometido no post anterior com a resenha do livro, transcrevo aqui o relato do autor Paulo C\u00e9sar Pinheiro sobre a composi\u00e7\u00e3o &#8220;Portela na Avenida&#8221;, um dos seus maiores sucessos e que faz vibrar o nosso cora\u00e7\u00e3o portelense a cada vez que \u00e9 entoado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos ao texto, que \u00e9 das p\u00e1ginas 114 e 115 do livro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um dia, Clara me fez uma encomenda. Queria gravar um samba que falasse sobre a Portela, sua escola do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era de praxe, os compositores homenagearem sua escola do cora\u00e7\u00e3o, ami\u00fade. Para serem aceitos na ala tinham que exalt\u00e1-la ao menos uma vez. Cantavam na quadra formalizando sua entrada. Todos j\u00e1 haviam feito o seu, da Velha Guarda aos mais jovens. Ela j\u00e1 havia solicitado a todos e nenhum samba novo se apresentava. Argumentei que depois de &#8220;Foi Um Rio Que Passou em minha Vida&#8221;, de Paulinho da Viola, realmente era uma tarefa de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o. A melodia era magistral e, praticamente, definitivos seus versos. ningu\u00e9m se atrevia a arriscar. Fora lan\u00e7ado em 1970. Dez anos, portanto, sem outro nos mesmos moldes. E eu era verde e rosa, criado em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, com parte da inf\u00e2ncia entre o Pedregulho e o p\u00e9 do morro de Mangueira e a adolesc\u00eancia na subida do Para\u00edso do Tuiuti. Ela insistiu, achando que eu n\u00e3o fugiria do desafio. E o Mauro [Duarte], tamb\u00e9m azul e branco, seria o parceiro ideal para a empreitada. Como a uma mulher n\u00e3o se nega um pedido de cora\u00e7\u00e3o, topei a parada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversei com o Bolacha e ele se empolgou. Dias depois me trouxe uma id\u00e9ia musical muito boa. Somente um peda\u00e7o, mas j\u00e1 dava pra pensar em algo. A\u00ed \u00e9 que eu vi onde me metera. Tinha de ser \u00e0 altura do anterior famoso. Sendo menor, seria apenas mais um e n\u00e3o valeria a pena. O n\u00f3 estava dado e meu trabalho era desfaz\u00ea-lo. O tempo foi passando, e nada do que vinha me agradava. Rasguei muito papel, rabisquei muita bobagem e n\u00e3o conseguia o estalo. Andava de um lado pro outro da casa, ia na janela, na varanda, no port\u00e3o, e a luz da inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o acendia. Prestes a desistir, resoilvi deixar por conta dos deuses da M\u00fasica o desfecho do encargo a que me atribu\u00ed. N\u00e3o sendo dessa feita, tento no ano seguinte. E relaxei o esp\u00edrito combalido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na outra manh\u00e3 fui tomar uma brisa na sacada. De l\u00e1, perdido em divaga\u00e7\u00f5es, imerso em meus pensamentos pus-me a observar o cantinho de Clara. Era uma mesa de fazenda antiga encostada na parede da sala. Sobre ela uma toalha de renda branca e um grande orat\u00f3rio aberto. Em torno dele as imagens dos orix\u00e1s espalhados e, dentro, os santos cat\u00f3licos. No centro, em destaque, uma escultura em madeira de Nossa Senhora da Aparecida, a Padroeira do Brasil. Encimando a pequena igrejinha, pregada na parede, cinzelada em bronze fino, a pomba do Esp\u00edrito Santo de asas abertas. Um arrepio me percorreu o corpo. Os olhos cintilaram. A mente abriu. Estava ali, na minha cara, o que eu buscava tanto. Era s\u00f3 misturar o sagrado e o profano como faz o povo intuitivamente, em suas manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas. O manto azul e branco da\u00a0 santa era a massa compacta dos integrantes da Escola entrando na avenida. A prociss\u00e3o do samba num c\u00e2ntico de f\u00e9 pra festa do Divino. A \u00e1guia, s\u00edmbolo maior, virando a pomba do Esp\u00edrito Santo num andor, seguindo pela passarela do templo do carnaval. Os fi\u00e9is da missa, na mais grandiosa festa do mundo, em dire\u00e7\u00e3o ao altar da pra\u00e7a da apoteose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso que, enquanto escrevia, os olhos marejavam. A emo\u00e7\u00e3o me pegou de jeito. Consegui atender o desejo de Clara, destran\u00e7ando o n\u00f3 do \u00f3bvio. O samba hoje \u00e9, para meu orgulho, o que esquenta a bateria e a garganta do puxador antes da entrada da Portela na avenida.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, a letra, para completar o texto:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Mauro Duarte e Paulo C\u00e9sar Pinheiro)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Portela<\/em><br \/>\n<em> Eu nunca vi coisa mais bela<\/em><br \/>\n<em> Quando ela pisa a passarela<\/em><br \/>\n<em> E vai entrando na avenida<\/em><br \/>\n<em> Parece a maravilha de aquarela que surgiu<\/em><br \/>\n<em> O manto azul da padroeira do Brasil<\/em><br \/>\n<em> Nossa Senhora Aparecida<\/em><br \/>\n<em> Que vai se arrastando<\/em><br \/>\n<em> E o povo na rua cantando<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 feito uma reza, um ritual<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 a prociss\u00e3o do samba <\/em><br \/>\n<em> Aben\u00e7oando<\/em><br \/>\n<em> A festa do divino carnaval<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Portela<\/em><br \/>\n<em> \u00c9 a deusa do samba, <\/em><br \/>\n<em> O passado revela<\/em><br \/>\n<em> E tem a Velha Guarda como sentinela<\/em><br \/>\n<em> E \u00e9 por isso que eu ou\u00e7o essa voz que me chama<\/em><br \/>\n<em> Portela<\/em><br \/>\n<em> Sobre a tua bandeira, esse divino manto<\/em><br \/>\n<em> Tua \u00e1guia altaneira \u00e9 o Esp\u00edrito Santo<\/em><br \/>\n<em> No templo do samba<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>As pastoras e os pastores<\/em><br \/>\n<em> Vem chegando da cidade e da favela<\/em><br \/>\n<em> Para defender as tuas cores<\/em><br \/>\n<em> Como fi\u00e9is na santa missa da capela<\/em><br \/>\n<em> Salve o samba, salve a santa, salve ela<\/em><br \/>\n<em> Salve o manto azul e branco da Portela<\/em><br \/>\n<em> Desfilando triunfal sobre o altar do carnaval&#8221;<\/em><\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jeRU_mBO_ao<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[related_posts limit=&#8221;3&#8243;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como eu havia prometido no post anterior com a resenha do livro, transcrevo aqui o relato do autor Paulo C\u00e9sar Pinheiro sobre a composi\u00e7\u00e3o &#8220;PortelaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[12,91,15,49],"class_list":["post-11933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-cultura","tag-literatura","tag-musica","tag-portela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11933"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11933\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44683,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11933\/revisions\/44683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}