{"id":11914,"date":"2010-07-09T17:03:00","date_gmt":"2010-07-09T19:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/30-anos-sem-vinicius-de-moraes\/"},"modified":"2010-07-09T17:03:00","modified_gmt":"2010-07-09T19:03:00","slug":"30-anos-sem-vinicius-de-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/30-anos-sem-vinicius-de-moraes\/","title":{"rendered":"30 Anos sem Vin\u00edcius de Moraes"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TDcfR9iAfVI\/AAAAAAAAChs\/GoNUQpkjv5M\/s1600\/vinicius-de-moraes.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/vinicius-de-moraes.jpg\" width=\"355\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Hoje, 09 de julho, completam-se exatos trinta anos de falecimento do grande diplomata, poeta e compositor Vin\u00edcius de Moraes, aos 67 anos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como uma pequena homenagem a um dos g\u00eanios de nossa cultura divido com os leitores tr\u00eas poemas, retirados de <a href=\"http:\/\/www.viniciusdemoraes.com.br\/\">seu excelente site pessoal<\/a>. Boa leitura.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em nossa s\u00e9rie &#8220;Final de Semana&#8221; h\u00e1 alguns exemplares do cancioneiro do poeta, como <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2009\/09\/musica-para-o-final-de-semana.html\">&#8220;Tarde em Itapo\u00e3&#8221;<\/a>, <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2010\/06\/final-de-semana-samba-de-orly.html\">&#8220;Samba de Orly&#8221;<\/a>, <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2010\/04\/final-de-semana-eu-sei-que-vou-te-amar.html\">&#8220;Eu Sei que Vou Te Amar&#8221;<\/a> e <a href=\"http:\/\/pedromigao.blogspot.com\/2009\/05\/final-de-semana.html\">&#8220;Samba da B\u00ean\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a> &#8211; que o leitor pode ouvir clicando nos links.<\/p>\n<p><i><b>Vida e poesia<\/b><\/p>\n<p>A lua projetava o seu perfil azul<br \/>Sobre os velhos arabescos das flores calmas<br \/>A pequena varanda era como o ninho futuro<br \/>E as ramadas escorriam gotas que n\u00e3o havia.<\/p>\n<p>Na rua ignorada anjos brincavam de roda&#8230;<br \/>\u2013 Ningu\u00e9m sabia, mas n\u00f3s est\u00e1vamos ali.<br \/>S\u00f3 os perfumes teciam a renda da tristeza<br \/>Porque as corolas eram alegres como frutos<br \/>E uma inocente pintura brotava do desenho das cores<\/p>\n<p>Eu me pus a sonhar o poema da hora.<br \/>E, talvez ao olhar meu rosto exasperado<br \/>Pela \u00e2nsia de te ter t\u00e3o vagamente amiga<br \/>Talvez ao pressentir na carne misteriosa<br \/>A germinac\u00e3o estranha do meu indiz\u00edvel apelo<br \/>Ouvi bruscamente a claridade do teu riso<br \/>Num gorjeio de gorgulhos de \u00e1gua enluarada.<br \/>E ele era t\u00e3o belo, t\u00e3o mais belo do que a noite<br \/>T\u00e3o mais doce que o mel dourado dos teus olhos<br \/>Que ao v\u00ea-lo trilar sobre os teus dentes como um c\u00edmbalo<br \/>E se escorrer sobre os teus l\u00e1bios como um suco<br \/>E marulhar entre os teus seios como uma onda<br \/>Eu chorei docemente na concha de minhas m\u00e3os vazias<br \/>De que me tivesses possu\u00eddo antes do amor.<\/p>\n<p><span>(Rio de Janeiro, 1938)<\/span><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Sacrif\u00edcio<\/b><\/i><\/p>\n<p><i>Num instante foi o sangue, o horror, a morte na lama do ch\u00e3o.<br \/>\u2013 Segue, disse a voz. E o homem seguiu, imp\u00e1vido<br \/>Pisando o sangue do ch\u00e3o, vibrando, na luta.<br \/>No \u00f3dio do monstro que vinha<br \/>Abatendo com o peito a mis\u00e9ria que vivia na terra<br \/>O homem sentiu a pr\u00f3pria grandeza<br \/>E gritou que o hero\u00edsmo \u00e9 das almas incompreendidas.<\/p>\n<p>Ele avan\u00e7ou.<br \/>Com o fogo da luta no olhar ele avan\u00e7ou sozinho.<br \/>As \u00fanicas estrelas que restavam no c\u00e9u<br \/>Desapareceram ofuscadas ao brilho fict\u00edcio da lua.<br \/>O homem sozinho, abandonado na treva<br \/>Gritou que a treva \u00e9 das almas tra\u00eddas<br \/>E que o sacrif\u00edcio \u00e9 a luz que redime.<\/p>\n<p>Ele avan\u00e7ou.<br \/>Sem temer ele olhou a morte que vinha<br \/>E viu na morte o sentido da vit\u00f3ria do Esp\u00edrito.<br \/>No horror do choque tremendo<br \/>Aberto em feridas o peito<br \/>O homem gritou que a trai\u00e7\u00e3o \u00e9 da alma covarde<br \/>E que o forte que luta \u00e9 como o raio que fere<br \/>E que deixa no espa\u00e7o o estrondo da sua vinda.<\/p>\n<p>No sangue e na lama<br \/>O corpo sem vida tombou.<br \/>Mas nos olhos do homem ca\u00eddo<br \/>Havia ainda a luz do sacrif\u00edcio que redime<br \/>E no grande Esp\u00edrito que adejava o mar e o monte<br \/>Mil vozes clamavam que a vit\u00f3ria do homem forte tombado na luta<br \/>Era o novo Evangelho para o homem da paz que lavra no campo.<\/i><\/p>\n<p><span><i>(Rio de Janeiro, 1933<\/i><\/span>)<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Poema dos olhos da amada<\/b><\/p>\n<p><i>\u00d3 minha amada<br \/>Que olhos os teus<br \/>S\u00e3o cais noturnos<br \/>Cheios de adeus<br \/>S\u00e3o docas mansas<br \/>Trilhando luzes<br \/>Que brilham longe<br \/>Longe nos breus&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3 minha amada<br \/>Que olhos os teus<br \/>Quanto mist\u00e9rio<br \/>Nos olhos teus<br \/>Quantos saveiros<br \/>Quantos navios<br \/>Quantos naufr\u00e1gios<br \/>Nos olhos teus&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3 minha amada<br \/>Que olhos os teus<br \/>Se Deus houvera<br \/>Fizera-os Deus<br \/>Pois n\u00e3o os fizera<br \/>Quem n\u00e3o soubera<br \/>Que h\u00e1 muitas eras<br \/>Nos olhos teus.<\/p>\n<p>Ah, minha amada<br \/>De olhos ateus<br \/>Cria a esperan\u00e7a<br \/>Nos olhos meus<br \/>De verem um dia<br \/>O olhar mendigo<br \/>Da poesia<br \/>Nos olhos teus.<\/p>\n<p><span>(Rio de Janeiro, 1950)<\/span><\/i><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 09 de julho, completam-se exatos trinta anos de falecimento do grande diplomata, poeta e compositor Vin\u00edcius de Moraes, aos 67 anos. 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