{"id":11912,"date":"2010-07-10T12:09:00","date_gmt":"2010-07-10T14:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/historia-outros-assuntos-estorias-do-arco-da-velha-ou-melhor-do-telles\/"},"modified":"2010-07-10T12:09:00","modified_gmt":"2010-07-10T14:09:00","slug":"historia-outros-assuntos-estorias-do-arco-da-velha-ou-melhor-do-telles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/historia-outros-assuntos-estorias-do-arco-da-velha-ou-melhor-do-telles\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;Est\u00f3rias do Arco da Velha, ou melhor, do Telles&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TDYxsTVyubI\/AAAAAAAAChM\/fdk61ikGn08\/s1600\/polvo+paul.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"267\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/polvo+paul.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>S\u00e1bado de manh\u00e3, lua minguante passando para nova e, em dia especial, a coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, do publicit\u00e1rio e historiador Fabr\u00edcio Gomes.<\/p>\n<p>O texto de hoje \u00e9 sobre est\u00f3rias fant\u00e1sticas e sobrenaturais envolvendo o Arco do Telles, no Centro do Rio. E como o polvo Paul \u00e9 o sobrenatural em destaque da semana, ele est\u00e1 aqui nos fazendo companhia. Boa leitura.<\/p>\n<p><i><b>&#8220;EST\u00d3RIAS DO ARCO DA VELHA&#8230;<\/b><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TDYx2wLbZTI\/AAAAAAAAChU\/ZT_jVmDwKJ0\/s1600\/arco+do+telles+1.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"200\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/arco+do+telles+1.jpg\" width=\"150\"><\/a>Uns v\u00e3o fazer um Happy Hour ap\u00f3s o trabalho. Outros v\u00e3o tomar chopp\/cerveja nos &#8220;botecos&#8221; espalhados por ali. E h\u00e1 tamb\u00e9m quem v\u00e1 nas boates ali existentes. Mas talvez poucos conhe\u00e7am a hist\u00f3ria do lugar&#8230; Hoje em dia abriga bares, ateli\u00eas e galerias de arte. Exclusivo para pedestres, manteve o charme e a delicadeza de outros tempos.<\/p>\n<p>Com a constru\u00e7\u00e3o da Casa do Governo pelo governador Gomes Freire no Largo do Pa\u00e7o (atual Pra\u00e7a VX), as redondezas se valorizaram e passaram a ser freq\u00fcentadas pela sociedade. Vendo isso, o portugu\u00eas Ant\u00f4nio Telles Barreto de Menezes (juiz e propriet\u00e1rio de terras em Jacarepagu\u00e1 e Baixada Fluminense) mandou construir uma carreira de casas de aluguel naquele logradouro, em 1743.<\/p>\n<p>Quando a obra chegou \u00e0 travessa do Mercado do Peixe, o engenheiro Alpoim (respons\u00e1vel pelo projeto) teve que tra\u00e7ar um amplo arco sobre ela, para que a via dos mercadores n\u00e3o ficasse obstru\u00edda pela nova constru\u00e7\u00e3o. Vem da\u00ed o apelido de &#8220;Arco do Telles&#8221;. Antigo endere\u00e7o residencial da cantora Carmem Miranda e atualmente reduto da boemia carioca que trabalha no centro da cidade.<\/p>\n<p>Os pr\u00e9dios foram todos alugados, ficando os t\u00e9rreos principalmente para os lojistas de secos e molhados; a casa maior, justamente a que ostentava o arco, foi ocupada pelo Senado da C\u00e2mara (equivalente hoje \u00e0 C\u00e2mara dos Vereadores).<\/p>\n<p>Mas o famoso Arco \u00e9 capaz de abrir est\u00f3rias tenebrosas e do \u201cARCO DA VELHA\u201d&#8230;<\/p>\n<p>O que pouca gente sabe (e quem sabe n\u00e3o comenta) \u00e9 que o beco debaixo do arco esconde muitos dramas e alguns mist\u00e9rios. H\u00e1 quem o considere um lugar maldito e garanta que \u00e9 mal assombrado. Dentre os diversos epis\u00f3dios estranhos que envolvem o lugar, existe um dos mais terr\u00edveis: a hist\u00f3ria de uma das primeiras feiticeiras do Rio de Janeiro, certamente a mais cruel. Todos os fatos aqui citados ocorreram e est\u00e3o registrados em documentos antigos da pol\u00edcia carioca.<\/p>\n<p>Com a constru\u00e7\u00e3o da Casa do Governo pelo governador Gomes Freire no Largo do Pa\u00e7o (atual Pra\u00e7a XV), as redondezas se valorizaram e passaram a ser freq\u00fcentadas pela alta sociedade. Vendo isso, o portugu\u00eas Ant\u00f4nio Telles Barreto de Menezes (juiz e propriet\u00e1rio de terras em Jacarepagu\u00e1 e Baixada Fluminense) mandou construir uma carreira de casas de aluguel naquele logradouro, em 1743.<\/p>\n<p>Quando a obra chegou \u00e0 travessa do Mercado do Peixe, o engenheiro Alpoim (respons\u00e1vel pelo projeto) teve que tra\u00e7ar um amplo arco sobre ela, para que a via dos mercadores n\u00e3o ficasse obstru\u00edda pela nova constru\u00e7\u00e3o. Vem da\u00ed o apelido de &#8220;Arco do Telles&#8221;. Os pr\u00e9dios foram todos alugados, ficando os t\u00e9rreos principalmente para os lojistas de secos e molhados; a casa maior, justamente a que ostentava o arco, foi ocupada pelo Senado da C\u00e2mara (equivalente hoje \u00e0 C\u00e2mara dos Vereadores). <\/p>\n<p>A m\u00e1 sina daquele local iria se revelar nessa \u00e9poca, mais exatamente em 20 de julho de 1790, na loja t\u00e9rrea pr\u00f3xima \u00e0 rua Direita, onde existia uma loja de objetos usados denominada curiosamente de &#8220;O Caga Neg\u00f3cios&#8221;. Um violento inc\u00eandio criminoso destruiu o pr\u00e9dio e deixou dezenas de feridos e dois mortos. O fogo atingiu o andar superior e consumiu o arquivo do Senado da C\u00e2mara, perdendo-se assim toda a documenta\u00e7\u00e3o referente aos prim\u00f3rdios da cidade, inclusive os recibos e cobran\u00e7as de foros (esp\u00e9cie de IPTU) e os registros gerais de im\u00f3veis.<\/p>\n<p>A partir desta trag\u00e9dia, aquela \u00e1rea perdeu o vi\u00e7o e caiu em decad\u00eancia, transformando-se em abrigo da malandragem e ponto de baixo meretr\u00edcio. Apesar de haver ali um orat\u00f3rio de Nossa Senhora dos Prazeres, a baixaria era t\u00e3o grande que moradores das proximidades removeram a santa para a Igreja de Santo Ant\u00f4nio dos Pobres, onde permanece ate hoje.<\/p>\n<p>Foi nesse ambiente nefasto, em meio \u00e0 esc\u00f3ria da cidade, que B\u00e1rbara dos Prazeres certa noite apareceu, rompendo a penumbra do beco do Arco dos Telles. Come\u00e7ava ali uma hist\u00f3ria de pavor.<br \/>Ap\u00f3s o inc\u00eandio do casario da Travessa do Mercado, em 1790, o lugar decaiu e tornou-se reduto de marginais e antro de prostitui\u00e7\u00e3o do mais baixo n\u00edvel. Dentre as mais famigeradas figuras do Arco do Telles nessa \u00e9poca, sobressaiu-se a prostituta e depois feiticeira B\u00e1rbara dos Prazeres. A maior parte dessas informa\u00e7\u00f5es foram registradas pela Intend\u00eancia Geral de Pol\u00edcia, criada pelo Pr\u00edncipe\u00a0 Regente D.Jo\u00e3o, em 1809.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TDYyBJ0TAbI\/AAAAAAAAChc\/sgB1dpxwj-Y\/s1600\/arco+do+telles2.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"150\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/arco+do+telles2.jpg\" width=\"200\"><\/a><\/div>\n<div>Nascida em Portugal no ano de 1770, tinha 18 anos de idade quando veio com o marido para o Brasil. No Rio de Janeiro, apaixonou-se por um mulato e assassinou o esposo para viver livremente com o amante. Consta que o homem, por\u00e9m, passou a viver \u00e0s custas da jovem e chegou a consumir a maior parte dos seus bens. Durante uma briga do casal, B\u00e1rbara o matou tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>Marcada pelos assassinatos e sem meios de subsist\u00eancia, restou \u00e0 bela jovem de 20 anos ganhar a vida se prostituindo. Fez seu ponto exatamente ali, debaixo do Arco do Telles, onde angariou vasta clientela. Por quase 20 anos, ela considerou ter encontrado a sua voca\u00e7\u00e3o e o seu lugar na sociedade. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, o tempo e a vida desregrada cobraram o seu tributo. Come\u00e7ou a ficar velha e j\u00e1 n\u00e3o atra\u00eda tantos homens. Tamb\u00e9m as dores nos ossos a cada dia ficavam mais insuport\u00e1veis (provavelmente havia contra\u00eddo s\u00edfilis). Temendo cair na mis\u00e9ria e na solid\u00e3o, desesperada, ela procurou um rem\u00e9dio nas muitas casas de feiti\u00e7aria e magia negra do Rio de Janeiro, uma po\u00e7\u00e3o que aliviasse suas dores e a tornasse bonita e jovem outra vez.<\/p>\n<p>Uns dizem que custou todo o dinheiro que ela tinha juntado, outros, que o pre\u00e7o foi sua alma; de concreto, o que se sabe \u00e9 que algu\u00e9m lhe passou uma f\u00f3rmula que teria o efeito desejado. Os principais componentes eram certas ervas e sangue humano morno, mais precisamente, de crian\u00e7as ainda vivas.<\/p>\n<p>Foi quando come\u00e7ou a raptar meninos pobres, filhos de escravos e de mendigos, e tamb\u00e9m a ficar de tocaia na Roda dos Expostos da Santa Casa, onde eram abandonados os beb\u00eas para ado\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros exatos, mas foram dezenas as v\u00edtimas que ela sacrificou no l\u00fagubre ritual de rejuvenescimento. O pavor tomou conta da popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, cujas crian\u00e7as passaram a ser trancadas em casa e s\u00f3 sa\u00edrem na companhia de adultos. <\/p>\n<p>Essa personagem misteriosa, aparece nos registros do Intendente Geral de Pol\u00edcia, desembargador Paulo Fernandes Vianna, como B\u00e1rbara dos Prazeres (por causa do orat\u00f3rio no Arco do Telles) e tamb\u00e9m como B\u00e1rbara &#8220;On\u00e7a&#8221; (refer\u00eancia \u00e0 sua ferocidade). Parecem vir desse per\u00edodo as express\u00f5es: &#8220;cuidado que a bruxa est\u00e1 solta!&#8221; e &#8220;olha que a On\u00e7a est\u00e1 solta!&#8221;.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara levava suas pequenas v\u00edtimas para a tapera em que morava, na Cidade Nova. Pendurava as crian\u00e7as pelos p\u00e9s com uma corda, as esfaqueava e postava-se embaixo delas para banhar-se no sangue que jorrava ainda quente dos corpos j\u00e1 sem vida.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara dos Prazeres talvez foi a criminosa mais procurada na cidade em todos os tempos. Consta que viveu at\u00e9 1830, quando simplesmente desapareceu. Nesse ano, surgiu um cad\u00e1ver de mulher boiando pr\u00f3ximo ao Largo do Pa\u00e7o, mas suas fei\u00e7\u00f5es estavam irreconhec\u00edveis. Alguns afirmaram que era B\u00e1rbara, mas outros n\u00e3o a identificaram. <\/p>\n<p>H\u00e1 quem suspeite que ela continua viva at\u00e9 hoje, gra\u00e7as ao segredo da f\u00f3rmula de rejuvenescimento. E mais: teria assumido a condi\u00e7\u00e3o de feiticeira e aplicado a receita em alguns milion\u00e1rios, em troca de parte de suas fortunas. <\/p>\n<p>Diz-se que ainda hoje, em certas madrugadas sem lua, quando j\u00e1 partiram os \u00faltimos gar\u00e7ons dos bares da Travessa do Com\u00e9rcio e cessou o movimento da boemia, escuta-se no beco a gargalhada de B\u00e1rbara On\u00e7a, a feiticeira, ecoando assustadoramente pelos vazios escuros do Arco do Telles.&#8221;<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1bado de manh\u00e3, lua minguante passando para nova e, em dia especial, a coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, do publicit\u00e1rio e historiador Fabr\u00edcio Gomes. 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