{"id":11888,"date":"2010-07-25T17:58:00","date_gmt":"2010-07-25T19:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/provamos-ser-barato-cuidar-dos-pobres-dificil-e-cuidar-dos-ricos\/"},"modified":"2010-07-25T17:58:00","modified_gmt":"2010-07-25T19:58:00","slug":"provamos-ser-barato-cuidar-dos-pobres-dificil-e-cuidar-dos-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/provamos-ser-barato-cuidar-dos-pobres-dificil-e-cuidar-dos-ricos\/","title":{"rendered":"\u201cProvamos ser barato cuidar dos pobres. Dif\u00edcil \u00e9 cuidar dos ricos\u201d"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TEnKYrtlh4I\/AAAAAAAAClk\/3IjiIoy1AIA\/s1600\/23_lula2_575%281%29.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/23_lula2_575%281%29.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Complementando a nossa s\u00e9rie de artigos dominicais, o jornal <a href=\"http:\/\/odia.terra.com.br\/portal\/brasil\/html\/2010\/7\/entrevista_com_lula_provamos_ser_barato_cuidar_dos_pobres_dificil_e_cuidar_dos_ricos_98212.html\">O Dia<\/a> publicou uma entrevista muito interessante com o Presidente Lula. Saindo do trivial, a mat\u00e9ria faz uma an\u00e1lise de pormenores de Estado e de governo que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reproduzo abaixo a \u00edntegra da entrevista, que faz um contraponto e ao mesmo tempo complementa o post anterior. \u00c9 leitura obrigat\u00f3ria para se entender pol\u00edticas de Estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Entrevista com Lula: \u201cProvamos ser barato cuidar dos pobres. Dif\u00edcil \u00e9 cuidar dos ricos\u201d<\/b><\/i><\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; A pouco mais de cinco meses de deixar o cargo, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva gosta de relembrar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida para dar a dimens\u00e3o do que considera as vit\u00f3rias de seus oito anos de governo. Lula conta que, na juventude, comprava cerveja quente no supermercado porque era mais barata que a gelada. Resfriava a bebida num balde, num po\u00e7o perto de casa. \u00c9 a imagem que usa para falar do \u201csalto de qualidade\u201d das classes D e E e do crescimento do consumo na Classe C. Afinal, segundo ele, hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil ter geladeira em casa e a energia el\u00e9trica chega \u00e0s \u00e1reas mais distantes da Amaz\u00f4nia. \u201cDeixo ao meu sucessor um pa\u00eds infinitamente mais s\u00f3lido, justo e democr\u00e1tico\u201d, disse, em entrevista aos jornais O DIA e Brasil Econ\u00f4mico, em seu gabinete no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provis\u00f3ria da Presid\u00eancia.<br \/>Foto: Antonio Milena<\/p>\n<p>Ao defender a pol\u00edtica externa, o presidente afirma n\u00e3o concordar com pris\u00f5es pol\u00edticas e mostra-se decepcionado com o colega americano Barack Obama, sobretudo nas negocia\u00e7\u00f5es de paz no Oriente M\u00e9dio. Lula descartou risco de um acidente no pr\u00e9-sal como o da BP nos EUA, insinuando que a petrol\u00edfera foi negligente: \u201cO barato sai caro e deu no que deu\u201d. Tamb\u00e9m fez cr\u00edticas ao candidato Jos\u00e9 Serra (PSDB) e alfinetou seu antecessor, Fernando Henrique. Descontra\u00eddo, tratou da sucess\u00e3o no comando da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Revelou a prefer\u00eancia por Felip\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Presidente, qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre o pa\u00eds que o senhor recebeu em 2003 e o que entregar\u00e1 ao seu sucessor ou sucessora?<\/i><br \/>Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que entregarei um Brasil infinitamente mais s\u00f3lido, justo e democr\u00e1tico do que o de 1\u00ba de janeiro de 2003. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 infinitamente melhor, com estabilidade e crescimento. As reservas cambiais s\u00e3o suficientes para enfrentar qualquer crise externa, como as ocorridas na R\u00fassia, M\u00e9xico ou mesmo a do subprime (Estados Unidos). O sal\u00e1rio do trabalhador est\u00e1 crescendo, com 90% das categorias obtendo ganhos reais nas negocia\u00e7\u00f5es. As classes D e E deram um salto de qualidade e a C ganhou proje\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o melhorou substancialmente, conforme revelam dados do minist\u00e9rio, embora muito da qualidade do ensino b\u00e1sico dependa de estados e munic\u00edpios e n\u00e3o da Uni\u00e3o. Criei 12 universidades e espero entregar outras duas ainda este ano: a Luso-Afro-Brasileira e a da Am\u00e9rica Latina. Em oito anos, inaugurei 214 escolas t\u00e9cnicas contra 140 em um s\u00e9culo. A pobreza recuou muito. E, sobretudo, o Brasil ganhou respeitabilidade no mundo e autoestima no plano interno. Deixo o Pa\u00eds mais preparado para continuar dando um salto de qualidade. A minha tese \u00e9 que, se continuarmos crescendo nesse ritmo atual ao longo dos pr\u00f3ximos anos, estaremos entre as cinco maiores economias do mundo em 2016, ano da Olimp\u00edada do Rio. Por mais que a Globo queira falar mal do governo, tem melhoras que o cidad\u00e3o mais pobre percebe no lugar onde mora, nos cantos mais remotos do Brasil. \u00c9 imposs\u00edvel negar isso.<\/p>\n<p><i>Olhando para tr\u00e1s, o que o senhor gostaria de ter feito de diferente no governo?<\/i><br \/>Na reflex\u00e3o que fizer, vou perceber o que deveria fazer e n\u00e3o fiz. O l\u00edder espanhol Felipe Gonz\u00e1les costuma dizer que ex-presidente \u00e9 que nem vaso chin\u00eas. Enquanto est\u00e1 no poder, \u00e9 posto no lugar mais nobre da sala. Depois, ningu\u00e9m nunca sabe o que fazer com ele. Pode virar um inc\u00f4modo, um chato, um cara que fica lamentando a vida, rancoroso. Para mim, o melhor ex-presidente \u00e9 o que n\u00e3o palpita. Eu quero ser o melhor ex-presidente. E, quando aproveitar essa condi\u00e7\u00e3o, certamente, vou refletir sobre meu governo. A reforma tribut\u00e1ria, por exemplo, que n\u00e3o consegui fazer. Parece que tinha um inimigo oculto, que impedia a coisa de andar. Mandei dois projetos de lei para o Congresso. A primeira proposta eu entreguei junto com os 27 governadores, em abril de 2003. Na segunda, em fevereiro de 2008, com o apoio de sindicalistas, empres\u00e1rios e l\u00edderes pol\u00edticos, pensei que iria ser votada em tr\u00eas meses. Nada at\u00e9 hoje. Acho que cada um tem a sua reforma na cabe\u00e7a. Apesar de enviar duas propostas que tamb\u00e9m n\u00e3o foram votadas, outra reforma que vou me dedicar \u00e9 a da pol\u00edtica, para acabar com a corrup\u00e7\u00e3o eleitoral, evitar o caixa dois e fortalecer os partidos. Precisamos do financiamento p\u00fablico de campanha, para saber quanto custa o voto com toda a transpar\u00eancia. A partir de 1\u00ba de janeiro de 2011, serei um militante do meu partido, o PT, e vou batalhar junto ao Congresso Nacional pela reforma pol\u00edtica todo dia. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um governador cassado a menos de um ano de terminar o mandato poder concorrer logo depois ao Senado e ser eleito para mais oito anos. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso criar um sistema pol\u00edtico no qual \u00e9 poss\u00edvel fazer acordos efetivos com os partidos e n\u00e3o ter de ficar negociando separadamente com terceiros. Independentemente de ter um Congresso de esquerda ou direita, queria ver coaliz\u00f5es envolvendo acertos partid\u00e1rios, como h\u00e1 em outros pa\u00edses. Al\u00e9m disso, seria bom que o Legislativo fosse terminativo, sem riscos de judicializa\u00e7\u00e3o de alguns temas.<\/p>\n<p><i>O senhor tamb\u00e9m disse que pretende, depois de sair do governo, levar sua experi\u00eancia em pol\u00edticas sociais para a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina&#8230;<\/i><br \/>Brasil tem ac\u00famulo de experi\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas bem-sucedidas e pode contribuir com a \u00c1frica e a Am\u00e9rica Latina. Essas pol\u00edticas precisariam ser adaptadas conforme cada realidade, respeitando a cultura local. Nunca gostei de receber receitas prontas. O primeiro grande acerto de nossas pol\u00edticas sociais est\u00e1 num cadastro de pessoas bem feito. Desta forma, n\u00e3o se joga dinheiro fora. O sucesso do Bolsa Fam\u00edlia est\u00e1 no fato de o governo federal n\u00e3o saber quem s\u00e3o os beneficiados. As prefeituras fazem o cadastro e n\u00e3o nos importamos qual \u00e9 o partido pol\u00edtico do prefeito ou o perfil do beneficiado. Por fim, a Caixa Econ\u00f4mica Federal paga o benef\u00edcio por meio de um cart\u00e3o magn\u00e9tico. Em segundo lugar, provamos ser barato cuidar dos pobres. Dif\u00edcil \u00e9 cuidar dos ricos. O Banco Nacional do Nordeste (BNB) emprestou R$ 1,3 bilh\u00e3o para um milh\u00e3o de pequenos produtores. Ou seja, R$ 1 bilh\u00e3o gerou um milh\u00e3o de postos de trabalho. Se fosse para uma grande empresa, geraria s\u00f3 300 ou 400. Em 2002, o BNB emprestou R$ 262 milh\u00f5es, com 37% de inadimpl\u00eancia. Ano passado, foram R$ 22 bilh\u00f5es, com 3% de calote. Por qu\u00ea? Porque pobre quer pagar. O fato \u00e9 que d\u00e1 status \u00e0s empresas dever R$ 10 bilh\u00f5es ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social). Mas pobre n\u00e3o gosta de dever. At\u00e9 porque isso amea\u00e7a o seu pr\u00f3prio nome, o \u00fanico patrim\u00f4nio que tem. O retorno das pol\u00edticas sociais \u00e9 extraordin\u00e1rio, como mostram as a\u00e7\u00f5es dos Territ\u00f3rios da Cidadania. O Bolsa Fam\u00edlia custa R$ 12 bilh\u00f5es por ano, s\u00f3 1% do Or\u00e7amento. O Luz para Todos custou outros R$ 14 bilh\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 gasto, \u00e9 investimento.<\/p>\n<p><i>O senhor far\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de ministros num eventual governo Dilma Rousseff?<\/i><br \/>N\u00e3o posso escalar minist\u00e9rio para a companheira Dilma. Al\u00e9m do mais, falar em ministro agora \u00e9 sentar na cadeira antes do resultado da elei\u00e7\u00e3o, igual ao Fernando Henrique Cardoso fez na elei\u00e7\u00e3o para prefeito de S\u00e3o Paulo em 1985. Ela ter\u00e1 total liberdade de escolha e encontrar\u00e1 dentro do governo e nos partidos aliados quem pode formar seu governo. Tenho certeza que formar\u00e1 uma equipe extraordin\u00e1ria. A\u00ed, sim, poderia contribuir com ela para dizer o que houve de errado no governo para que n\u00e3o se repita de novo. <br \/>Foto: Antonio Milena<\/p>\n<p><i>Como o senhor enfrentou a crise financeira internacional?<\/i><br \/>Economia n\u00e3o tem m\u00e1gica e \u00e9 muito pr\u00e1tica. Voc\u00ea faz no governo as coisas conforme as necessidades, tomando as medidas duras ou n\u00e3o e at\u00e9 voltando atr\u00e1s se preciso. Prova disso foram as a\u00e7\u00f5es antic\u00edclicas que adotamos quando surgiu a crise dos EUA. Ao inv\u00e9s de fazer conten\u00e7\u00e3o, buscamos elevar o investimento dom\u00e9stico, sobretudo por meio do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento), al\u00e9m de estimular o consumo de bens dur\u00e1veis. Desoneramos a constru\u00e7\u00e3o civil e v\u00e1rios produtos, como carros, geladeiras e m\u00e1quinas de lavar. Compramos carteiras banc\u00e1rias em dificuldades e tivemos a coragem de decidir comprar a Nossa Caixa (SP) e metade do Banco Votorantim. Enfrentamos a retra\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito externo. Lan\u00e7amos o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida no auge da crise e completaremos este ano um milh\u00e3o de moradias contratadas. Veio a crise e a Petrobras me procurou para solucionar o problema de financiamento gerado pela quebra de grandes bancos internacionais. A empresa recorreu \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal, mas decidi que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) e o Tesouro apoiariam o seu grande programa de US$ 224 bilh\u00f5es em investimentos previstos at\u00e9 2014, com sondas, plataformas e navios. Se n\u00e3o ag\u00edssemos desta forma, n\u00e3o seria poss\u00edvel colher os resultados do pr\u00e9-sal em 2017. Temos na riqueza do pr\u00e9-sal a oportunidade de superar um s\u00e9culo de atraso na educa\u00e7\u00e3o. Por isso, propus a cria\u00e7\u00e3o de um fundo para investir no setor, al\u00e9m de pesquisa. Investir em ci\u00eancia e tecnologia \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o sine qua non para que o Pa\u00eds d\u00ea um salto de qualidade. \u00c9 preciso lembrar que em paralelo \u00e0 macroeconomia h\u00e1 uma microeconomia, que responde por uma boa parte da economia em geral. Em 2003, havia R$ 380 bilh\u00f5es de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, agora chegamos a R$ 1,5 trilh\u00e3o. Entrou nessa conta o cr\u00e9dito consignado, que tem como garantia a folha de pagamento. N\u00e3o havia antes e chegamos a R$ 120 bilh\u00f5es em circula\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. A agricultura familiar, por sua vez, saiu de R$ 2,4 bilh\u00f5es de financiamento para R$ 16 bilh\u00f5es. Para ajudar o setor, resolvemos comprar de produtores locais pelo menos 30% da merenda escolar servida diariamente a 34 milh\u00f5es de crian\u00e7as. Investimos R$ 14 bilh\u00f5es para levar energia a 15 milh\u00f5es de pessoas. E, quando a eletricidade chega \u00e0s fam\u00edlias, vem geladeira, a televis\u00e3o e a casa de farinha. Hoje, o cidad\u00e3o da Amaz\u00f4nia que recebe luz el\u00e9trica, ele sai do s\u00e9culo 19 com um aperto de bot\u00e3o. Sei bem o que \u00e9 isso. Eu tenho 64 anos e muitos n\u00e3o se lembram de como as coisas eram antes. Quando eu morava com minha fam\u00edlia na Vila Carioca, em S\u00e3o Paulo, a gente costumava comprar cerveja quente, que era mais barato. Ent\u00e3o, sabe o que a gente fazia? Colocava a cerveja num balde, descia num po\u00e7o l\u00e1 perto e ficava l\u00e1 40 minutos para gelar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TEnK55YTQvI\/AAAAAAAACls\/XM6FpDBOlsY\/s1600\/23_lula575%281%29.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"352\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/23_lula575%281%29.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>Mais ainda falta muito por fazer no Pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9?<\/i><br \/>Sim, claro. Mas tudo ser\u00e1 mais f\u00e1cil de agora em diante. O Brasil mudou de cara e avan\u00e7ou em v\u00e1rias \u00e1reas. A classe C re\u00fane agora mais de 30 milh\u00f5es. Na crise, foram os pobres que sa\u00edram \u00e0s compras quando as A e B ficaram com medo. Na v\u00e9spera do Natal de 2008, ousei convocar o brasileiro em rede nacional de r\u00e1dio e televis\u00e3o a consumir, explicando que era a maneira de manter a roda gigante da economia girando. Se parasse de comprar, a empresa pararia de produzir e o pr\u00f3prio trabalhador corria risco de perder o emprego. Comprar era uma forma de gerar emprego. Por isso, mostrei que o momento permitia at\u00e9 se endividar, desde que n\u00e3o comprometesse sua renda. \u00c9 preciso reconhecer a import\u00e2ncia de investir em pol\u00edticas que dessem sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 macroeconomia. Fiquei brigando com a ind\u00fastria automotiva por um ano para que as presta\u00e7\u00f5es dos carros novos coubessem no sal\u00e1rio do trabalhador. O importante n\u00e3o era o pre\u00e7o final, mas o n\u00famero de presta\u00e7\u00f5es. A desonera\u00e7\u00e3o fiscal esticou o prazo do financiamento para at\u00e9 80 meses. Caber no bolso \u00e9 fundamental para fomentar as vendas. Tiramos li\u00e7\u00f5es da crise econ\u00f4mica. Meu sucessor encontrar\u00e1 uma sociedade mais consciente e exigente. O povo apreendeu a reivindicar, sempre querendo mais. O trabalhador ganha aumento de sal\u00e1rio, j\u00e1 no terceiro m\u00eas pleiteia mais. Isso \u00e9 algo extraordin\u00e1rio da democracia. Quando achei, por exemplo, que tinha concedido a maior reivindica\u00e7\u00e3o das universidades, a autonomia, os reitores me apresentam outra. Fui o \u00fanico presidente que n\u00e3o tinha medo de se reunir com os reitores.<\/p>\n<p><i>Como o senhor responde \u00e0s cr\u00edticas de que h\u00e1 descontrole dos gastos p\u00fablicos?<\/i><br \/>Trato a quest\u00e3o do gasto p\u00fablico com a maior seriedade, tendo por base minha hist\u00f3ria pessoal. Sou casado h\u00e1 36 anos e nunca fiz uma despesa que n\u00e3o pudesse pagar. S\u00f3 comprei TV em cores quando podia. Assim fa\u00e7o com o Brasil. N\u00e3o queremos deixar as coisas desarrumadas para o pr\u00f3ximo governo. Digo que n\u00e3o governo o Brasil, mas cuido do Brasil, assim como cuido da fam\u00edlia. Levo muito a s\u00e9rio as contas p\u00fablicas. Nesse sentido, os companheiros Henrique Meirelles (presidente do Banco Central) e Guido Mantega (ministro da Fazenda) tiveram importante papel. N\u00e3o vou me descuidar da infla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 porque estamos em per\u00edodo eleitoral que n\u00e3o subiremos os juros se necess\u00e1rio for. N\u00e3o queremos mais a volta da infla\u00e7\u00e3o. At\u00e9 5% anual \u00e9 suport\u00e1vel. J\u00e1 vivi como assalariado e infla\u00e7\u00e3o de 80% ao m\u00eas e sei o que sofremos com isso. Quando colocamos R$ 100 bilh\u00f5es do Tesouro no BNDES \u00e9 porque quero que ele seja dez vezes maior que o Bird (Banco Mundial). N\u00e3o quero merrequinha, quero um BNDES internacional (Eximbank). Os empr\u00e9stimos sa\u00edram de R$ 34 bilh\u00f5es em 2006 para R$ 139 bilh\u00f5es em 2009 e chegar\u00e3o logo a R$ 200 bilh\u00f5es. Por isso, acho engra\u00e7ado o candidato (Jos\u00e9 Serra, PSDB) dizer que estamos privatizando dinheiro p\u00fablico. Vamos emprestar dinheiro para quem? Para n\u00f3s mesmos? Precisamos, sim, ajudar no aproveitamento da riqueza do petr\u00f3leo. Temos hoje carga tribut\u00e1ria de 34,5%, mas \u00e9 preciso comparar esse percentual com a economia. Se pegar os 20 pa\u00edses mais pobres, encontraremos peso m\u00e9dio de 11%. Mas a\u00ed n\u00e3o existe Estado. Defendo a reforma tribut\u00e1ria porque quero al\u00edquotas menores, simplifica\u00e7\u00e3o, desonerar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Como o senhor reage \u00e0s cr\u00edticas \u00e0 sua pol\u00edtica externa, de que teria rompido com a tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica brasileira de defesa dos direitos humanos ao apoiar ditaduras?<\/i><br \/>As pessoas que est\u00e3o presas acham que podem contar com a defesa de todos que est\u00e3o do lado de fora. Quando fui preso, n\u00e3o tive a solidariedade de todos. Mas \u00e9 \u00f3bvio que gostaria que n\u00e3o houvesse preso pol\u00edtico em lugar nenhum do mundo. Queria que todos os pa\u00edses tivessem o mesmo grau de liberdade que temos no Brasil. Quem pode dizer que h\u00e1 pa\u00eds mais livre do que o Brasil? Duvido que exista. Na confer\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o ano passado, alguns ve\u00edculos n\u00e3o participaram por achar que era coisa arbitr\u00e1ria do governo, que quer se meter. Quando dirigente critica jornal \u00e9 censura. O cidad\u00e3o da imprensa \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o aceita cr\u00edticas. Estranhei quando o presidente da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa, Alejandro Aguirre) disse que eu amea\u00e7ava a democracia. Ele se esqueceu da homenagem que me fez meses atr\u00e1s e da carta que me enviou. O Brasil est\u00e1 tranquilo com o seu Estado democr\u00e1tico, est\u00e1 provado que temos plena democracia. Participei de 70 confer\u00eancias nacionais, como as de seguran\u00e7a p\u00fablica, portadores de defici\u00eancia, moradores de rua, \u00edndios, negros e mulheres. N\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 segmento da sociedade com quem n\u00e3o tenha falado, para ter subs\u00eddios para construir pol\u00edticas p\u00fablicas de modo mais democr\u00e1tico. Todo ano, Bras\u00edlia recebe passeatas, que me entregam pauta de reivindica\u00e7\u00f5es. Eu as redistribuo para 20 ou 30 minist\u00e9rios, recebo retorno e depois vejo o que \u00e9 poss\u00edvel ou n\u00e3o atender. \u00c9 uma outra forma de fazer pol\u00edtica. Tenho me encontrado mais com sindicalistas no exterior do que os presidentes dos pa\u00edses deles. Nos encontros do G20, os sindicalistas entregam a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es para mim, em raz\u00e3o de minha origem e de minha rela\u00e7\u00e3o de Estado com os sindicatos.<\/p>\n<p><i>Como o senhor avalia os resultados da pol\u00edtica externa de seu governo?<\/i><br \/>O Brasil definiu que iria procurar diversificar suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e comerciais no plano internacional. Em 25 de janeiro de 2003, no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos (Su\u00ed\u00e7a), disse ao Celso Amorim (chanceler) que ir\u00edamos ter nova pol\u00edtica externa. \u00c9 preciso acabar com a mesmice do s\u00e9culo 20. Por isso, n\u00e3o fazia sentido olhar para a Europa sem enxergar a \u00c1frica, olhar para os EUA sem enxergar o Oriente M\u00e9dio e o restante da Am\u00e9rica Latina. O Brasil tem 16 mil quil\u00f4metros de fronteira seca, s\u00f3 n\u00e3o fazemos fronteira na Am\u00e9rica do Sul com Chile e Equador. Tenho orgulho de ter sido o primeiro presidente brasileiro a visitar todos os pa\u00edses \u00e1rabes. Fui a todos os da Am\u00e9rica Central e o primeiro chefe de Estado desde o imperador Pedro II a ir a pa\u00edses como o L\u00edbano. Fiz oito viagens \u00e0 \u00c1frica, com quem elevamos a balan\u00e7a comercial de US$ 3 bilh\u00f5es para US$ 26 bilh\u00f5es. Tiramos uma vis\u00e3o tacanha e o Brasil p\u00f4de aproveitar as oportunidades com a \u00c1frica. Se n\u00e3o fizer, a China far\u00e1. S\u00f3 que temos a vantagem de mais apego, similaridades e afinidades com os africanos, sobretudo os pa\u00edses da regi\u00e3o que falam portugu\u00eas. \u00c9 um continente com 800 milh\u00f5es de habitantes que aprende a democracia e que tem pa\u00edses crescendo 8% ao ano.<br \/><i><br \/>O senhor se decepcionou com o presidente americano Barack Obama?<\/i><br \/>De vez em quando, fico desapontado por achar que as pessoas evolu\u00edram. Muitos ainda n\u00e3o entendem que o mundo criado pelo p\u00f3s-guerra mudou. Acabou a guerra fria e a bipolaridade, dando lugar \u00e0 multipolaridade. O Muro de Berlim caiu, mas se ergueram os muros de Gaza e do M\u00e9xico. Quem disse que o processo de paz no Oriente M\u00e9dio tem de ser conduzido apenas pelos EUA? Onde est\u00e1 escrito que s\u00f3 os americanos devem ser mediadores? Est\u00e1 na B\u00edblia, na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, nas resolu\u00e7\u00f5es da ONU? Queremos construir um grupo de pa\u00edses com neutralidade e que atuem na solu\u00e7\u00e3o do conflito, al\u00e9m do l\u00edder da Autoridade Palestina e do primeiro ministro de Israel. Quem vai conversar com o Hamas e o Hezbollah? Precisa envolver mais gente no processo, conversar com os radicais, o presidente do Ir\u00e3 (Mahmoud Ahmadinejad), o emir do Catar (Hamad bin Khalifa Al-Thani), que tem base militar dos EUA no seu territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m apoia o Hamas. Os l\u00edderes dos EUA e dos pa\u00edses envolvidos no conflito n\u00e3o resolvem nem formam um clube de amigos. \u00c9 preciso que Palestina e Israel estejam unidos na negocia\u00e7\u00e3o. A confer\u00eancia de paz de Annapolis (EUA, 2007) tinha marcado uma segunda reuni\u00e3o que at\u00e9 hoje n\u00e3o se realizou. Surge ent\u00e3o uma d\u00favida em minha cabe\u00e7a: ser\u00e1 que as pessoas querem mesmo a paz? No encontro de c\u00fapula do G20 em Pittsburgh (EUA), ano passado, conversei por duas horas com Ahmadinejad sobre a sua nega\u00e7\u00e3o do Holocausto e da amea\u00e7a de destruir Israel. Sa\u00ed convencido de que era poss\u00edvel construir uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Perguntei na mesma reuni\u00e3o ao Obama, ao Sarkozy (Fran\u00e7a) e \u00e0 Angela Merkel (Alemanha) se tinham conversado com Ahmadinejad. Nenhum falou. S\u00f3 tinha conversado o Dmitri Medvedev (R\u00fassia). Como resolver um conflito pol\u00edtico sem conversar com as pessoas, terceirizando a tarefa para outras. Ora, somos pol\u00edticos e fomos eleitos para isso. Obama \u00e9 o presidente do pa\u00eds mais importante do mundo e poderia chamar o presidente do Ir\u00e3 para uma conversa. As pessoas n\u00e3o conversam. Eu me convenci de que poderia levar o Ahmadinejad \u00e0 reuni\u00e3o de Viena. A Turquia acreditou e nos apoiou na busca de um entendimento. Fizemos exatamente a intermedia\u00e7\u00e3o que o Obama nos pediu em carta. N\u00e3o sei se foi ci\u00fame ou rancor pelo Brasil estar se metendo em coisa deles. O que me preocupa agora s\u00e3o as san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3. S\u00e3o de dois tipos: as multilaterais, do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU; e as unilaterais, dos EUA. Vamos ficar atentos para que n\u00e3o haja dois pesos e duas medidas. N\u00e3o podemos permitir que acabem retaliando l\u00e1 uma empresa brasileira ou argentina e n\u00e3o uma russa ou chinesa.<\/p>\n<p><i>Como o senhor avalia a guerra federativa em que se transformou a discuss\u00e3o no Congresso sobre os royalties do petr\u00f3leo?<\/i><br \/>Em primeiro lugar, entendo que esse problema s\u00f3 ocorre por conta da democracia. Numa reuni\u00e3o na Presid\u00eancia, em agosto de 2009, que terminou \u00e0s duas da manh\u00e3, eu, o ministro Edison Lob\u00e3o (Minas e Energia), a ministra Dilma, os governadores de S\u00e3o Paulo, Esp\u00edrito Santo e Rio de Janeiro e outros parlamentares fizemos um acordo enviado ao Congresso Nacional para evitar que a quest\u00e3o do royalties fosse discutida em ano eleitoral. Somente depois da elei\u00e7\u00e3o, com a cabe\u00e7a fria, o tema poderia ser tratado de forma adequada. Mas a coisa chegou ao ponto que chegou por interesses eminentemente eleitorais. Cada um preferiu fazer seu proselitismo e os estados produtores perderam na futura divis\u00e3o generalizada e at\u00e9 o que j\u00e1 tinham. Reconhe\u00e7o que o petr\u00f3leo \u00e9 da Uni\u00e3o e que deve haver uma divis\u00e3o, mas os estados produtores t\u00eam direito a algo mais. O Brasil todo tem de se beneficiar, garantindo um pouco mais para os estados produtores. N\u00e3o \u00e9 a melhor coisa jogar a riqueza do pr\u00e9-sal no ralo do custeio dos estados e munic\u00edpios. Por isso, defendemos que os recursos se destinem ao meio ambiente, cultura, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e ci\u00eancia e tecnologia, o que permitiria ao Brasil se consagrar como grande na\u00e7\u00e3o em 20 ou 30 anos. Agora vou esperar o que vai sair da C\u00e2mara. N\u00e3o sei se v\u00e3o votar este ano, embora a quest\u00e3o da partilha seja importante para n\u00f3s.<\/p>\n<p><i>O acidente da BP no Golfo do M\u00e9xico (EUA) amea\u00e7a os projetos do pr\u00e9-sal?<\/i><br \/>N\u00e3o estamos falando de um acidente comum. O que houve l\u00e1 \u00e9 que quiseram fazer o mais barato. E como diz o ditado, o barato pode sair caro. A BP apenas abriu o po\u00e7o com tamp\u00e3o para medi\u00e7\u00e3o, sem se cercar dos devidos cuidados. Deu no que deu.<\/p>\n<p><i>Como o senhor viu a evolu\u00e7\u00e3o da atual crise econ\u00f4mica da Europa?<\/i><br \/>O Brasil foi o primeiro a colocar US$ 14 bilh\u00f5es no FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional). Nenhum dos grandes s\u00f3cios colocou. Na verdade, s\u00f3 os Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China) colocaram. A Europa n\u00e3o aceitou que d\u00e9ssemos palpites na crise deles, embora sempre tenham dado nas nossas. Mas fizeram agora uma articula\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, que garante uma aferi\u00e7\u00e3o real nos bancos sobre os t\u00edtulos podres, com a media\u00e7\u00e3o da Alemanha, que est\u00e1 mais forte. O fato \u00e9 que demoraram muito para ajudar a Gr\u00e9cia, um pa\u00eds pequeno que n\u00e3o poderia ter causado o impacto que causou.<\/p>\n<p><i>Qual ser\u00e1 a marca de sua presid\u00eancia no Mercosul a partir de agosto?<\/i><br \/>Na presid\u00eancia do Mercosul vou buscar a consolida\u00e7\u00e3o do acordo comercial com a Uni\u00e3o Europeia. O grande obst\u00e1culo \u00e9 a Franca, com a velha quest\u00e3o do protecionismo \u00e0 agricultura. Mais do que meu compromisso \u00e9 minha prioridade \u00e0 frente da presid\u00eancia do bloco avan\u00e7ar nessa negocia\u00e7\u00e3o. Vou conversar com o companheiro Nicolas Sarkozy (presidente da Fran\u00e7a) para convenc\u00ea-lo e chegar a um consenso.<\/p>\n<p><i>Presidente, o candidato Jos\u00e9 Serra (PSDB) prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a para combater a crescente onda de viol\u00eancia. O que o senhor acha disso?<\/i><br \/>Se tudo fosse resolvido com a cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rio, n\u00e3o haveria problema algum. Os tucanos t\u00eam experi\u00eancia \u00e0 frente de governos de grande estados. Suas a\u00e7\u00f5es poderiam servir de exemplo. Agora, propor minist\u00e9rio \u00e9 algo muito pobre. No Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, criamos nos \u00faltimos tr\u00eas anos uma pol\u00edtica para conter a crise da seguran\u00e7a p\u00fablica. Nunca houve um governo federal que tenha repassado tanto dinheiro aos estados para apoiar o combate da viol\u00eancia como o nosso. Por meio do Pronasci (Programa Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica com Cidadania), tivemos bons resultados em parcerias com os governos de Pernambuco, Rio de Janeiro e Cear\u00e1. A seguran\u00e7a deve ser constru\u00edda mais com intelig\u00eancia do que com a for\u00e7a. Estou preocupado com o crack, que \u00e9 uma nova quest\u00e3o, ainda por ser estudada. \u00c9 uma droga devastadora, a pior que j\u00e1 vi, com efeitos de cinco a 15 minutos, obrigando o viciado a voltar a consumir r\u00e1pido. E o pior de tudo \u00e9 que ela chegou \u00e0 periferia de cidades do interior.<br \/><i><br \/>As medidas que o senhor anunciou esta semana retiram as d\u00favidas sobre a prepara\u00e7\u00e3o para a Copa 2014?<\/i><br \/>Acredito que, sobre a quest\u00e3o da Copa do Mundo de 2014, os principais problemas j\u00e1 est\u00e3o equacionados. Reservamos R$ 400 milh\u00f5es para cada estado com cidades-sede. Outros R$ 5,6 bilh\u00f5es est\u00e3o garantidos para a reforma dos aeroportos, sem falar dos recursos para a mobilidade urbana previstos no PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento). Vamos fazer uma bela Copa do Mundo, mas n\u00e3o no modelo Berlim. Vamos fazer no padr\u00e3o Brasil, com a preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de sermos campe\u00f5es. A escolha do novo t\u00e9cnico \u00e9 um desafio para a confedera\u00e7\u00e3o de futebol (CBF). Concordo com os nomes cotados &#8211; Felip\u00e3o, Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes. Desses, a melhor lembran\u00e7a que n\u00f3s temos \u00e9 a do Felip\u00e3o. O t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser como t\u00e9cnico de clube. O time n\u00e3o \u00e9 de tenentes, mas de generais. Precisa de algu\u00e9m com autoridade moral e respeitabilidade. \u00c9 bom ressaltar que lideran\u00e7a n\u00e3o pode ser baseada no medo, mas sim no respeito. O Brasil n\u00e3o pode esperar at\u00e9 2012 para escolher o t\u00e9cnico da Copa de 2014, porque temos de formar uma equipe. N\u00e3o teremos mais v\u00e1rios craques da atualidade no pr\u00f3ximo mundial. Muitos deles estar\u00e3o com mais de 30, caso do Robinho e do Kak\u00e1. Por isso, a fase de prepara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de garimpo, observar os jogadores com 20 e 21, que ter\u00e3o 25 e 26 na \u00e9poca. Uma boa oportunidade \u00e9 observar alguns no campeonato sub-20. Gostaria de sugerir ainda para a CBF uma turn\u00ea de jogadores jovens pelo Brasil depois do campeonato brasileiro, antes que partam para jogar na Europa. Eles querem jogar fora e, ainda, ganhar uma vaga na Sele\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que estamos vivendo um grave per\u00edodo de entressafra de craques, que exige maior aten\u00e7\u00e3o nossa. Veja s\u00f3 o caso do Neymar, uma grande esperan\u00e7a nossa na Copa 2014. Ele atravessa uma fase ruim, anda nervoso. Falta a\u00ed uma figura paterna para orient\u00e1-lo. Para mim, jogador de Sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa apenas jogar bem a bola, tem de ter alma, amor pela camisa. Pelo menos nessa \u00faltima Copa gostei de ver que todos os jogadores cantaram o hino nacional. Foi uma loucura n\u00e3o ter levado o Hernanes do S\u00e3o Paulo.<br \/><span><i><br \/>Entrevista concedida a Alexandre Freeland, Ricardo Galuppo e Silvio Ribas<\/i><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Complementando a nossa s\u00e9rie de artigos dominicais, o jornal O Dia publicou uma entrevista muito interessante com o Presidente Lula. 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