{"id":11885,"date":"2010-07-28T11:29:00","date_gmt":"2010-07-28T13:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/formaturas-batizados-e-afins-uma-nova-esperanca-contra-a-aids\/"},"modified":"2010-07-28T11:29:00","modified_gmt":"2010-07-28T13:29:00","slug":"formaturas-batizados-e-afins-uma-nova-esperanca-contra-a-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/07\/formaturas-batizados-e-afins-uma-nova-esperanca-contra-a-aids\/","title":{"rendered":"Formaturas, Batizados e Afins: &quot;Uma Nova Esperan\u00e7a contra a Aids&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TE8lwzwPNKI\/AAAAAAAACmk\/8ENDezX7h20\/s1600\/freddie_mercury1.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/freddie_mercury1.jpg\" width=\"292\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais uma quarta feira e mais uma coluna &#8220;Formaturas, Batizados &#038; Afins&#8221;, como sempre escrita pelo Professor de Biof\u00edsica Marcelo Einicker Lamas. O tema de hoje s\u00e3o as pesquisas envolvendo uma futura vacina para o v\u00edrus da Aids.<\/p>\n<p><b><i>NOVA ESPERAN\u00c7A CONTRA A AIDS<\/i><\/b><\/p>\n<p>Desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o humana, grandes ciclos de pandemias vitimaram milh\u00f5es e milh\u00f5es de vidas. A peste, a gripe espanhola, var\u00edola e tantas outras doen\u00e7as que surgiram e se espalharam por diferentes regi\u00f5es do mundo. No final dos anos 70, mais uma vez, a civiliza\u00e7\u00e3o se v\u00ea frente a mais uma destas terr\u00edveis amea\u00e7as. Uma doen\u00e7a at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida, mas muito letal que tinha um nome complexo, mas que abreviado se tornaria sin\u00f4nimo de medo, preconceito e por que n\u00e3o, esperan\u00e7a: a S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida \u2013 SIDA&#8230;ou AIDS.<\/p>\n<p><b><i>Um breve hist\u00f3rico<\/i><\/b><\/p>\n<p>Foi no ano de 1977 que come\u00e7aram a ser notificados os primeiros casos de pessoas acometidas pela AIDS. E a partir da\u00ed, o n\u00famero de casos s\u00f3 aumentou. Os primeiros relatos aconteceram no Haiti, EUA e pa\u00edses da \u00c1frica Central. Primeiramente chamada de \u201cDoen\u00e7a dos 5 H\u201d (em refer\u00eancia aos Homosexuais, Haitianos, Hemof\u00edlicos, Heroin\u00f4manos \u2013 usu\u00e1rios de hero\u00edna injet\u00e1vel, e Hookers \u2013 prostitutas em ingl\u00eas), em 1982, foi definida a sigla AIDS para identificar esta nova doen\u00e7a. Foi tamb\u00e9m em 1982 que os pesquisadores descobriram que havia uma correla\u00e7\u00e3o entre o cont\u00e1gio da doen\u00e7a e o contacto com sangue ou fluidos de pacientes com AIDS; e ainda neste ano foi diagnosticado o primeiro paciente com AIDS no Brasil (em S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>A partir da\u00ed o que se v\u00ea \u00e9 o surgimento de um preconceito enorme contra os aid\u00e9ticos e a cria\u00e7\u00e3o do termo \u201cgrupos de risco\u201d, para tipificar graus de probabilidade de uma pessoa vir a se contaminar por esta nova doen\u00e7a. Assim estes grupos de risco subdividiam homossexuais, usu\u00e1rios de drogas, pacientes que necessitavam transfus\u00e3o sangu\u00ednea ou que haviam se submetido \u00e0 transfus\u00e3o, e apontavam estes com maior probabilidade de cont\u00e1gio. Pertencer a mais de um dos grupos de risco potencializava a chance de vir a se tornar aid\u00e9tico.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo inicial da descoberta desta nova doen\u00e7a, muitos grupos de pesquisa passaram a se dedicar a este tema, enquanto surgiam not\u00edcias fantasiosas sobre a origem da AIDS. Talvez a mais conhecida \u00e9 a vers\u00e3o de que a AIDS era uma doen\u00e7a de macacos e que teria sido passada para seres humanos ap\u00f3s rela\u00e7\u00f5es sexuais inter-esp\u00e9cies, ou seja, em algum momento um praticante de zoofilia teria se infectado com o agente causador da AIDS e iniciado a transmiss\u00e3o entre os seres humanos, o que posteriormente foi desmentido e comprovado cientificamente ser falso. Tamb\u00e9m se falou de algum agente patog\u00eanico que teria vindo do espa\u00e7o, uma vez que at\u00e9 este momento n\u00e3o se sabia o que provocava a AIDS. <\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que em 1984, no Institute Pasteur em Paris, o grupo de pesquisadores liderados pelo Dr. Luc Montagner, isolou e identificou um retrov\u00edrus que seria o agente causador da AIDS. Neste mesmo tempo, outro grupo de pesquisadores liderados pelo Dr. Robert Gallo, nos EUA, tamb\u00e9m apresentou descobertas importantes sobre a forma de cont\u00e1gio e at\u00e9 ciclo de replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da AIDS, o que sem d\u00favida alavancou pesquisas em todo o mundo para buscar n\u00e3o apenas o tratamento, mas a preven\u00e7\u00e3o desta terr\u00edvel doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o v\u00edrus da AIDS, o HIV, infecta c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico da pessoa e faz com que este sistema que \u00e9 a nossa frente de batalha contra agentes infecciosos, pare de funcionar corretamente. Com isso, uma simples gripe que em situa\u00e7\u00f5es normais duraria menos de 48 h at\u00e9 ser debelada pelo organismo sadio, passa a ser um perigo de vida para um paciente com AIDS. Um mero corte num dedo, poderia desencadear um processo infeccioso grave e de novo, levar a infec\u00e7\u00e3o generalizada e morte. Infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias facilmente controladas em pessoas sadias, tornaram-se talvez a maior causa dos contaminados pelo HIV. Chegou a se dizer que ningu\u00e9m morria de AIDS e sim em consequ\u00eancia das chamadas infec\u00e7\u00f5es oportunistas que se instalavam naquele organismo com o sistema imune debilitado.<\/p>\n<p>Multiplicavam os casos de pessoas infectadas e nas listas de doentes, nomes de pessoas muito famosas, no Brasil e no exterior. G\u00eanios de nossa m\u00fasica como Cazuza e Renato Russo foram v\u00edtimas da AIDS, assim como outros nomes de famosos como Henfil (cartunista), Betinho (soci\u00f3logo), Sandra Br\u00e9a e Lauro Corona (atores), Rudolf Nureiev (bailarino russo), Freddie Mercury (cantor) e etc. Vit\u00edmas de um per\u00edodo onde ter o diagn\u00f3stico de AIDS, ou ser soropositivo, era praticamente uma senten\u00e7a de morte pela falta total de tratamento at\u00e9 aquele momento. Outros nomes importantes como do grande astro do Basketball Norte Americano, Magic Jonhson, n\u00e3o veio a morrer de AIDS, e ao contr\u00e1rio, se tornou um embaixador na luta contra o preconceito e contra a desinforma\u00e7\u00e3o acerca do assunto, ajudando inclusive a conseguir recursos para pesquisas que tinham a cura da AIDS como tema central.<\/p>\n<p>Em 1987, come\u00e7ou-se a utilizar uma droga que havia sido projetada para terapia anti-c\u00e2ncer, mas que em laborat\u00f3rio se mostrava muito promissora contra a AIDS: o AZT. Esta droga deu in\u00edcio a uma revolu\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos que come\u00e7aram a mostrar grande efici\u00eancia contra a progress\u00e3o da doen\u00e7a. Ou seja, embora n\u00e3o significassem uma cura, eles impediam a progress\u00e3o at\u00e9 o est\u00e1gio final, a morte. Assim, ano a ano o n\u00famero de mortes por AIDS foi caindo, e hoje \u00e9 praticamente zero considerando-se o paciente que \u00e9 assistido pelas unidades de sa\u00fade. <\/p>\n<p>Durante estes mais de 20 anos desde o primeiro relato de AIDS, al\u00e9m da busca por um medicamento eficaz na cura muitos esfor\u00e7os foram feitos para estabelecer uma cultura de preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Campanhas pelo uso da camisinha (sexo seguro), cuidados com compartilhamento de seringas entre usu\u00e1rios de drogas, al\u00e9m de desenvolvimento de kits de diagn\u00f3stico para exame de sangue fizeram e fazem parte do repert\u00f3rio de medidas das autoridades para frear a progress\u00e3o dos casos de AIDS. Estes esfor\u00e7os t\u00eam surtido efeito em muitas regi\u00f5es do mundo; por\u00e9m em outras, como a \u00c1frica, o n\u00famero de pessoas infectadas ainda \u00e9 enorme &#8211; chegando a mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses &#8211; o que se pode considerar extremamente grave.<\/p>\n<p>Mais detalhes sobre a hist\u00f3ria da descoberta da AIDS e de a\u00e7\u00f5es contra esta doen\u00e7a podem ser facilmente conseguidos em sites como <a href=\"http:\/\/www.aids.gov.br\/data\/Pages\/LUMIS232EC481PTBRIE.htm\">este<\/a> que deixo aqui para os mais interessados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TE8mB7jFsxI\/AAAAAAAACms\/dpxRAAcE-zo\/s1600\/afn_hiv2.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"375\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/afn_hiv2.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b><i>A nova esperan\u00e7a contra a AIDS<\/i><\/b><\/p>\n<p>Mais de 25 anos depois da identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus HIV, respons\u00e1vel por quase 30 milh\u00f5es de mortes no mundo, a busca por uma vacina contra a infec\u00e7\u00e3o continua infrut\u00edfera, apesar dos grandes esfor\u00e7os da comunidade internacional e dos recursos empregados.<\/p>\n<p>Dentre tantas pesquisas em curso no mundo inteiro, incluindo aqui no Brasil, chamou a aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica internacional uma publica\u00e7\u00e3o da revista Science no in\u00edcio do m\u00eas de julho. Cientistas descobriram dois poderosos anticorpos (VRCO1 e VRCO2) capazes de bloquear, em laborat\u00f3rio, mais de 90% dos tipos conhecidos de v\u00edrus HIV, abrindo potencialmente o caminho para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a AIDS. Os anticorpos s\u00e3o mol\u00e9culas produzidas pelo nosso organismo quando este se encontra \u201cinvadido\u201d por algum agente externo. C\u00e9lulas do sistema imune identificam este agente externo, atrav\u00e9s de padr\u00f5es de sua superf\u00edcie, normalmente representados por prote\u00ednas da superf\u00edcie destes agentes infecciosos, que podem ser protozo\u00e1rios, fungos, bact\u00e9rias e no caso da AIDS, v\u00edrus.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisa identificou no sangue de pacientes diagnosticados com AIDS, grandes quantidades dos anticorpos VRCO1 e 2, e imaginaram que a presen\u00e7a destes anticorpos antes da chegada do HIV seria eficiente em impedir a infec\u00e7\u00e3o e conseq\u00fcentemente a transmiss\u00e3o da AIDS. Ensaios in vitro com c\u00e9lulas em cultura e v\u00edrus isolado mostraram que o tratamento das culturas de c\u00e9lulas com os anticorpos preveniu em mais de 90% os \u00edndices de infec\u00e7\u00e3o, o que realmente transmite muita esperan\u00e7a para que, o desenvolvimento deste racional de obten\u00e7\u00e3o dos anticorpos e de seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o possa vir a se tornar uma vacina efetiva contra a AIDS em m\u00e9dio prazo. <\/p>\n<p>Este achado \u00e9 particularmente significativo pois uma das maiores dificuldades em se conseguir um destes componentes da superf\u00edcie do v\u00edrus que sirva de est\u00edmulo para o sistema imune no desenvolvimento de uma vacina \u00e9 que o v\u00edrus apresenta uma alta taxa de muta\u00e7\u00e3o, que faz com que sua superf\u00edcie seja praticamente toda modificada; o que impede a a\u00e7\u00e3o dos anticorpos previamente produzidos pelo organismo ou mesmo utilizados em testes de vacinas, que j\u00e1 n\u00e3o passam mais a reconhecer o v\u00edrus mutado. Assim, com a identifica\u00e7\u00e3o destes dois ant\u00edgenos de superf\u00edcie do v\u00edrus que se mant\u00e9m constantes mesmo ap\u00f3s muta\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus aumenta muito a esperan\u00e7a de que se chegue finalmente ao desenvolvimento de uma vacina eficaz.<\/p>\n<p>Apesar de todo avan\u00e7o na pesquisa contra o HIV e a AIDS, n\u00e3o se deve relaxar com o tema preven\u00e7\u00e3o. Nada de sexo sem camisinha, ainda mais com parceiros casuais, nem deixar de ter cuidado com seringas e agulhas que devem ser descart\u00e1veis e mesmo materiais cir\u00fargicos ou de est\u00e9tica (alicates de unha, por exemplo) que precisam ser esterilizados antes do uso. <\/p>\n<p>Com a AIDS n\u00e3o se brinca! <br \/>\u00a0\u00a0\u00a0 <br \/>At\u00e9 a pr\u00f3xima,<br \/>Marcelo Einicker Lamas&#8221;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma quarta feira e mais uma coluna &#8220;Formaturas, Batizados &#038; Afins&#8221;, como sempre escrita pelo Professor de Biof\u00edsica Marcelo Einicker Lamas. 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