{"id":11837,"date":"2010-08-31T08:56:00","date_gmt":"2010-08-31T10:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/08\/samba-de-terca-nem-todo-pirata-tem-perna-de-pau-o-olho-de-vidro-e-a-cara-de-mau\/"},"modified":"2010-08-31T08:56:00","modified_gmt":"2010-08-31T10:56:00","slug":"samba-de-terca-nem-todo-pirata-tem-perna-de-pau-o-olho-de-vidro-e-a-cara-de-mau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/08\/samba-de-terca-nem-todo-pirata-tem-perna-de-pau-o-olho-de-vidro-e-a-cara-de-mau\/","title":{"rendered":"Samba de Ter\u00e7a: &quot;Nem Todo Pirata Tem Perna de Pau, o Olho de Vidro e a Cara de Mau&quot;"},"content":{"rendered":"<div>Bom, a coluna &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221; de hoje retoma o assunto da \u00faltima coluna, onde tivemos o caso de uma composi\u00e7\u00e3o que foi totalmente alterada entre a disputa e o desfile. Hoje retomamos o tema, de uma forma ainda mais impressionante dado o fato de n\u00e3o terem havido os percal\u00e7os que limitaram o tempo do concurso no caso anterior.<\/p>\n<p>A Imperatriz Leopoldinense vivia uma fase onde era odiada pelo pov\u00e3o que gostava de carnaval. A escola fora tricampe\u00e3 entre 1999 e 2001, com desfiles muito contestados; exatamente no tempo do mandato de seu patrono Luiz Pacheco Drummond como mandat\u00e1rio m\u00e1ximo da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), entidade que organiza o carnaval e controla, especialmente, o corpo de jurados.<\/p>\n<p>Pois bem: a escola vinha de um t\u00edtulo em 99 onde sequer no Desfile das Campe\u00e3s deveria figurar. Outro em 2000 onde, para se usar um termo do mundo do samba, foi no &#8220;limite do toler\u00e1vel&#8221; &#8211; haviam escolas melhores mas n\u00e3o foi absurdo. E um tricampeonato em 2001 onde o desfile foi bastante inferior a outros do citado ano &#8211; em especial o antol\u00f3gico &#8220;Agotime&#8221;, da Beija Flor.<\/p>\n<p>Somando-se os tr\u00eas desfiles, a escola perderia apenas um \u00fanico ponto no julgamento dos jurados. Ressalte-se que Luiz Pacheco Drummond deu uma entrevista na Quarta Feira de Cinzas do ano anterior dizendo &#8220;que seria tricampe\u00e3o no ano seguinte (2001)&#8221;. E foi, com nota m\u00e1xima em todos os quesitos. Quem viu o desfile sabe que a escola esteve longe de ser perfeita, mas manda quem pode e obedece quem tem ju\u00edzo&#8230;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para justificar o injustific\u00e1vel a diretoria da escola criou a lenda do &#8220;tecnicamente perfeito&#8221;: desfiles frios, visando atender aos \u00edtens do regulamento. Em uma frase cl\u00e1ssica, o ent\u00e3o diretor de carnaval da escola afirmou que &#8220;desfilamos para os jurados, o povo que se dane&#8221;. Repercutida, a afirma\u00e7\u00e3o gerou ainda mais antipatia \u00e0 escola, antipatia esta que foi assumida por seus dirigentes.<\/p>\n<p>Obviamente, a escola e seus componentes n\u00e3o tinham culpa dos t\u00edtulos question\u00e1veis e da arrog\u00e2ncia dos seus diretores. Mas foram eles que pagaram.<\/p>\n<p>Desfile de 2002.<\/p>\n<p>A Imperatriz, quinta escola a desfilar na segunda feira de carnaval, aninha-se na cabeceira da pista para iniciar o seu desfile, buscando um tetracampeonato que somente a Portela lograra obter. S\u00f3 que n\u00e3o contava com o p\u00fablico do Setor 1.<\/p>\n<p>Os diretores da escola come\u00e7aram a distribuir prospectos com a letra do samba e fardos com bandeiras da escola para as pessoas que assistiam neste setor &#8211; um dos \u00fanicos onde a presen\u00e7a era majoritariamente de cariocas. Em uma rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, os prospectos e as bandeiras come\u00e7aram a ser jogados de volta \u00e0 pista, al\u00e9m de latas de cerveja e refrigerantes, muitas cheias, em dire\u00e7\u00e3o aos componentes.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o de frente da escola, com medo dos objetos que voavam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pista correu para se esconder atr\u00e1s do carro abre-alas. Foi a senha: aumentou a quantidade de bandeiras, prospectos, latas e garrafas atiradas, bem como as vaias e os gritos se intensificaram. A arquibancada vaiava alucinadamente a escola na Arma\u00e7\u00e3o e gritava em coro:<\/p>\n<p><i>&#8220;\u00c3o \u00e3o \u00e3o, escola de ladr\u00e3o!&#8221; &#8220;\u00c3o \u00e3o \u00e3o, bando de ladr\u00e3o!&#8221; <\/i><\/p>\n<p>As pessoas faziam com as m\u00e3os aquele gesto t\u00edpico indicando roubo, do polegar girando na palma da outra m\u00e3o. Precisou o filho do patrono da escola ir ao microfone e, no sistema de som, pedir calma \u00e0s pessoas dizendo que &#8220;o desfile \u00e9 pra voc\u00eas&#8221;. Mais vaias&#8230; Ali\u00e1s, naquele ano a escola foi vaiada antes mesmo do in\u00edcio da noite de desfiles, quando seu nome foi anunciado no sistema de som do Samb\u00f3dromo.<\/p>\n<p>O p\u00fablico s\u00f3 se acalmou quando o samba do ano come\u00e7ou a ser tocado. De minha parte posso testemunhar que estava no Setor 1 e foi absolutamente espont\u00e2neo o movimento das pessoas. Era como se dissessem: <i>&#8220;na cara dura de novo, n\u00e3o&#8221;.<\/i><\/p>\n<p>O leitor deve estar se perguntando: &#8220;o que estes fatos tem a ver com o samba de 2003&#8221;? Tudo.<\/p>\n<p>A diretoria da escola, depois dos fatos, decidiu que a Imperatriz deveria ter uma cara mais simp\u00e1tica ao pov\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o era de que o resultado de 2002, terceiro lugar, havia sido impactado n\u00e3o somente pelos protestos como na resson\u00e2ncia na imprensa pr\u00e9-carnavalesca de toda esta arrog\u00e2ncia. Acrescentaria eu o fato de Luiz Pacheco Drummond n\u00e3o estar mais na Presid\u00eancia da Liesa, embora tirando a campe\u00e3 Mangueira o resultado dali para baixo n\u00e3o tenha sido nada justo.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/THL9Sbd4BtI\/AAAAAAAACwI\/98BX5idGC-c\/s1600\/imperatriz2003-globo.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/imperatriz2003-globo.jpg\" width=\"313\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Definiu-se o enredo &#8220;nem Todo Pirata Tem Perna de Pau, o Olho de Vidro e a Cara de Mau&#8221;, da carnavalesca Rosa Magalh\u00e3es. Nas palavras da sinopse:<\/p>\n<p><i><b>Sinopse<\/b><\/i> <\/p>\n<p>&#8220;Diz-se que os piratas foram encantados pelo alaranjado do sol, pelo azul do mar e pela virtude das belas mulheres. Por conta disso, sempre viveram errantes, a procura de um porto seguro onde fosse poss\u00edvel encontrar o graal da felicidade s\u00f3 ent\u00e3o alcan\u00e7ado atrav\u00e9s das aventuras pelos oceanos&#8221;<\/p>\n<p>Nem todo pirata tem a perna de pau, o olho de vidro e a cara de mau &#8230;<\/p>\n<p>&#8221; Nenhuma lufada de vento agita as velas do navio, completamente imobilizadas. Silenciosamente uma chalupa se aproxima, pela traseira do grande barco. O chefe faz sinal para os seus homens escalarem a gigantesca embarca\u00e7\u00e3o &#8230; Em alguns minutos ele se precipita em dire\u00e7\u00e3o da cabine do capit\u00e3o&#8230; E seus homens conquistam o gale\u00e3o espanhol&#8230; &#8220;<\/p>\n<p>Como os grandes bandidos, a pirataria fascina. A fic\u00e7\u00e3o cria uma bruma sobre a realidade. No imagin\u00e1rio coletivo, a pirataria \u00e9 indissoci\u00e1vel das ilhas paradis\u00edacas onde repousam tesouros escondidos. Tabernas s\u00f3rdidas, pernas de pau, abordagens sanguin\u00e1rias, torturas refinadas, formam todo arsenal da mitologia pirata. Escritores a partir do s\u00e9culo XVIII ajudam a criar esta mitologia que transforma em personagens simp\u00e1ticos, tipos totalmente abomin\u00e1veis. <\/p>\n<p>O imagin\u00e1rio infantil encanta-se com livros de aventuras como Peter Pan escrito por James Barrie ou ainda A Ilha do tesouro de Robert Louis Steveson, que n\u00e3o s\u00f3 cria os atributos obrigat\u00f3rios para o perfeito pirata, inclusive a perna de pau e o papagaio no ombro, como tamb\u00e9m o enche de mist\u00e9rio, de simbolismo e de sonho.<\/p>\n<p>Desde que o mundo \u00e9 mundo, a pilhagem e o roubo j\u00e1 existiam. Mas a era mais conhecida da pirataria se inicia junto com a explora\u00e7\u00e3o do novo mundo, marcando o fim dos mares livres e selvagens. Piratas eram salteadores que atacavam at\u00e9 os navios do pr\u00f3prio pa\u00eds, os cors\u00e1rios tinham seus barcos financiados pelos seus soberanos e com eles dividiam o lucro da pilhagem. O termo flibusteiro tem a mesma conota\u00e7\u00e3o, empregado para os saqueadores dos mares das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Os portugueses e espanh\u00f3is dominavam o com\u00e9rcio mar\u00edtimo. Outras na\u00e7\u00f5es com menor poderio naval, como a Fran\u00e7a, a Inglaterra e a Holanda come\u00e7am a estimular a pilhagem dessas riquezas extra\u00eddas do novo mundo, sobretudo o ouro, o a\u00e7\u00facar, o tabaco e as madeiras nobres tamb\u00e9m n\u00e3o eram desprezadas.<\/p>\n<p>A rainha Elizabeth I, da Inglaterra, Louis XIV de Fran\u00e7a foram soberanos que apoiaram e estimularam a flibusteria.<\/p>\n<p>O Brasil desde os prim\u00f3rdios de sua forma\u00e7\u00e3o sofria ataques de cors\u00e1rios e piratas. As madeiras brasileiras, trezentos papagaios, e cinquenta macacos faziam parte de mercadoria listada e pirateada l\u00e1 pelos idos de 1556 e vendida nos mercados de Londres.<\/p>\n<p>Os franceses, que atacaram desde a Am\u00e9rica do Norte at\u00e9 a Am\u00e9rica do Sul, fizeram v\u00e1rias tentativas de conquistar o Rio de Janeiro. Duclere, cors\u00e1rio que invadiu o Rio com o intento de saque\u00e1-lo , n\u00e3o teve sucesso, mas para ving\u00e1-lo, surge Duguay Trouin, um cors\u00e1rio apoiado por sua majestade Luis XIV.<\/p>\n<p>Em 1711, 17 navios surgiram na Baia de Guanabara protegidos pela densa cerra\u00e7\u00e3o. As fortalezas da barra n\u00e3o atiraram e quando deram pela invas\u00e3o, a cidade j\u00e1 havia sido tomada. Na fortaleza de Santa Cruz, apenas 30 soldados estavam de prontid\u00e3o e na de S\u00e3o Jo\u00e3o, nada mais , nada menos que 5 soldados tinham a incumb\u00eancia de defend\u00ea-la. A cidade foi saqueada em suas riquezas. N\u00e3o escaparam nem os pertences dos cidad\u00e3os comuns que tiveram suas casas invadidas e o mobili\u00e1rio, trajes, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, tudo levado pelos invasores. Duguay Trouin, ainda exigiu um resgate para sair da cidade O pre\u00e7o pago foi alto 610 mil cruzados, duzentos bois, cem caixas de a\u00e7\u00facar , al\u00e9m dos bens pilhados , em torno de doze milh\u00f5es de cruzados. De volta a Fran\u00e7a foi nomeado chefe de esquadra e lugar-tenente da armada naval em 1728.<\/p>\n<p>S\u00e9culos mais tarde vemos que a pirataria continua a fazer seus estragos pelo mundo afora inclusive, aqui no Brasil. S\u00e3o pirateados cds, livros, t\u00eanis, pe\u00e7as do setor automotivo, transportes, rem\u00e9dios, ervas medicinais, componentes eletr\u00f4nicos, computadores e por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tal como idos de 1500, a nossa madeira ainda continua sendo extra\u00edda e pirateada.<\/p>\n<p>O \u00fanico personagem que n\u00e3o nos atemoriza \u00e9 o pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau, que ataca no carnaval, com sua alegria, sem trazer nenhum estrago ou preju\u00edzo; tripulada por mulheres bonitas, sua galera que nos sete mares n\u00e3o tem igual&#8230;<\/p>\n<p>Rosa Magalh\u00e3es&#8221;<\/p>\n<p><i>(Fonte: <a href=\"http:\/\/www.galeriadosamba.com.br\/\">Galeria do Samba<\/a>)<\/i><\/p>\n<p>Pois \u00e9. A disputa do samba foi recheada de pol\u00eamicas e a meu ver havia a preocupa\u00e7\u00e3o clara da escola em adotar um samba mais &#8220;alegre&#8221; a fim de melhorar a comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Al\u00e9m disso, a escola encerraria os desfiles de 2003 e temia-se que a escola passasse com o Samb\u00f3dromo \u00e0s moscas.<\/p>\n<p>Poderia falar sobre a disputa, mas recorro a duas testemunhas oculares do processo, os amigos e torcedores da escola Luis Fernando J\u00fanior e Marcos Paulo Freitas. Embora um pouco longos, reproduzo os depoimentos na \u00edntegra &#8211; e o leitor ter\u00e1 uma id\u00e9ia precisa do que houve naquela ocasi\u00e3o. Lembro apenas que &#8220;cair&#8221; \u00e9 o termo utilizado para os sambas que s\u00e3o eliminados do concurso.<\/p>\n<p><b>O relato de Luis Fernando Jr.: <\/b><\/p>\n<p>&#8220;Era uma tarde fria de Agosto de 2002. Um dia de festa para muitos Gresilenses: O dia da grava\u00e7\u00e3o dos concorrentes \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o para a na\u00e7\u00e3o verde e branca.<\/p>\n<p>O enredo? &#8220;Nem todo o pirata tem a perna de pau, o olho de vidro e a cara de mau&#8221;. Um enredo assinado mais uma vez, por Rosa Magalh\u00e3es. Caiu no gosto popular (pelo menos dos Gresilenses&#8230;. risos). A grava\u00e7\u00e3o, como sempre com v\u00e1rios momentos de risos, lendo as &#8220;p\u00e9rolas&#8221; criadas por nossos poetinhas de Ramos&#8230;<\/p>\n<p>A expectativa era grande&#8230; t\u00ednhamos a volta de um &#8220;medalh\u00e3o&#8221; \u00e0 ala de compositores da Imperatriz. O nome dele? Darcy do Nascimento! Sucesso na d\u00e9cada de 80, com as\u00a0 vit\u00f3rias de 1979, 1980 e 1982. O compositor tamb\u00e9m assina o &#8220;excelente&#8221; samba de 1998. Naquela tarde fria, quase noite, Darcy e seu samba foram os \u00faltimos a se apresentarem no palco de Ramos. Al\u00e9m da volta de um grande medalh\u00e3o, ele trazia como int\u00e9rprete do seu samba o consagrad\u00edssimo Dominguinhos do Est\u00e1cio. Era, para muitos, um grande samba que vinha por a\u00ed.<\/p>\n<p>Mas, para nossa surpresa, o samba era&#8230; digamos assim: estranho! Achamos gra\u00e7a de sua letra um tanto debochada, com melodia estranha. Nem o mostro sagrado do samba Dominguinhos do Est\u00e1cio conseguira interpretar o samba! Fim de festa, sambas gravados: a sorte estava lan\u00e7ada! &#8230; para os compositores e para a na\u00e7\u00e3o Leopoldinense.<\/p>\n<p>Uma semana ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o dos sambas, come\u00e7a a disputa na quadra da escola. E, logo de cara a parceria formada por Maninho do Ponto, Renatinho do Sambola e Cia desponta como uma das favoritas para vencer o concurso de samba-enredo na Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2003.<\/p>\n<p>E assim as apresenta\u00e7\u00f5es, como sempre, muito bem freq\u00fcentadas em Ramos foram avan\u00e7ando. Por\u00e9m, para nosso espanto, o samba do Darcy do Nascimento seguia firme na disputa&#8230; Procur\u00e1vamos sempre uma desculpa para a sua perman\u00eancia no concurso. Mas, acredito que essas desculpas ocorriam por desespero mesmo (risos)&#8230; Ao longo de dois meses de disputa, o samba n\u00e3o se apresentou bem uma \u00fanica vez. N\u00e3o entend\u00edamos o porqu\u00ea desse samba na disputa. A letra era considerada ruim&#8230; a melodia n\u00e3o encaixava com a bateria. Enfim&#8230; uma cat\u00e1strofe resumida em forma de samba-enredo. E o pior: considerado por muitos &#8220;entendidos&#8221; fora das caracter\u00edsticas da Imperatriz.<\/p>\n<p>Os Leopoldinenses temiam esse samba. E, al\u00e9m dessa &#8220;p\u00e9rola&#8221;, t\u00ednhamos no caminho um outro samba bem ruinzinho, assinado por outro medalh\u00e3o: Z\u00e9 Katimba. A &#8220;luta&#8221; era contra os medalh\u00f5es e a favor do samba que se apresentava de forma magistral domingo a domingo: Maninho do Ponto e cia. Era quase unanimidade:\u00a0 um grande samba, de letra envolvente, melodia primorosa.<\/p>\n<p>E a disputa avan\u00e7ando e as &#8220;pedras no calo&#8221;, Katimba e Darcy n\u00e3o ca\u00edam. Ao longo do m\u00eas de Setembro de 2002, o desespero era total. Os boatos corriam soltos, dizendo que o samba n\u00e3o era do Darcy, que vinha &#8220;importado&#8221; de Niter\u00f3i&#8230; Enfim, boatos de todos os lados tentavam &#8220;derrubar&#8221; o concorrente mais fr\u00e1gil\/forte daquela disputa. At\u00e9 que o concurso em sua semifinal deixa para tr\u00e1s uma das pedras: Z\u00e9 Katimba. A quadra comemorou!!! Para os torcedores era um al\u00edvio: com a queda de um grande medalh\u00e3o e com uma grande apresenta\u00e7\u00e3o do samba favorit\u00edssimo, a certeza por uma vit\u00f3ria e um grande samba era quase certa!!<\/p>\n<p>Mas onde estava a outra pedra? (risos)&#8230; Na altura do campeonato, n\u00e3o pod\u00edamos pensar em derrota: Passamos a considerar a ida do Darcy \u00e0 final como uma forma de reconhecimento a um grande nome da ala de compositores da Imperatriz Leopoldinense. E assim, sa\u00edmos da quadra Luiz Pacheco Drumond, festejando a queda do samba do Katimba e a poss\u00edvel vit\u00f3ria do samba do Maninho do Ponto.<\/p>\n<p>Chegando o dia da grande final, festa! Muita festa! O nosso favorito (e o da grande maioria) se apresentou de forma brilhante. A noite parecia que foi feita para aquele samba. Deu tudo certo!!! O samba foi bem interpretado pelo Wander Pires, Mestre Beto mandou ver no comando da bateria, a torcida no tom certo e o nosso papel foi cumprido: apoio a um grande samba do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n<p>Para deixar a festa com gosto amargo, o \u00faltimo samba daquela tarde\/noite fria de Agosto tamb\u00e9m foi o \u00faltimo a se apresentar naquela noite fria\/estranha de Outubro de 2002. Foi um momento de grande frustra\u00e7\u00e3o para todos. Ficamos ali, no canto da quadra observando a &#8220;passagem&#8221; do samba. E um filme passava em nossas cabe\u00e7as. Uma \u00fanica pergunta pairava sob nossas mentes: o que esse samba est\u00e1 fazendo aqui?!!! Tens\u00e3o, medo, raiva&#8230; eram os sentimentos mais presentes naquele momento. T\u00ednhamos uma certeza de que o &#8220;nosso&#8221; samba seria o vencedor&#8230; mas, o medo de uma decep\u00e7\u00e3o era maior.<\/p>\n<p>Num determinado momento dos seus vinte longos minutos de apresenta\u00e7\u00e3o, um gesto nos chamou a aten\u00e7\u00e3o. A carnavalesca da escola, a brilhante Rosa Magalh\u00e3es, cantarolava aquele &#8220;samba&#8221;! Era o in\u00edcio de um desespero sem tamanho! O assunto correu a quadra! Para muitos, era aquele o samba que a carnavalesca queria para contar o seu carnaval!<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o (muito ruim, diga-se de passagem) do samba, mais tens\u00e3o. Como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o na escola, Luiz Pacheco Drumond, Wagner de Ara\u00fajo e Rosa Magalh\u00e3es se re\u00fanem na sala &#8220;do corte&#8221; (uma sala da diretoria, onde s\u00e3o decididos os sambas eliminados durante a disputa). Foram talvez os dez, quinze minutos mais longos daquele ano!<\/p>\n<p>Wagner Ara\u00fajo presidente da agremia\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, sai da sala com uma cara desanimada&#8230; Estava decidido o futuro da escola! Todos se olhavam com aquela sensa\u00e7\u00e3o de medo&#8230; Era quase imposs\u00edvel acreditar no que os nossos olhos mostravam! Como de costume, o diretor de carnaval chama todos os finalistas para o palco para anunciar o resultado da disputa de samba na Imperatriz Leopoldinense no carnaval de 2003. Pela cara descontente do Wagner, percebia-se que algo muito ruim estava para ser anunciado!<\/p>\n<p>E assim foi: Ele pediu desculpas, pediu tamb\u00e9m que a dire\u00e7\u00e3o de harmonia entendesse a escolha da escola, pediu a uni\u00e3o dos componentes e anunciou: O samba que a Imperatriz levar\u00e1 para avenida no carnaval de 2003 \u00e9 de autoria de: Darcy do Nascimento, Brand\u00e3ozinho, Rubens Napole\u00e3o e Jorge Rita!<\/p>\n<p>A quadra, que antes tomada pela festa, ficou paralisada! Parecia um funeral! Os \u00fanicos a comemorar foram de fato, os compositores campe\u00f5es! Um deles, o Brand\u00e3ozinho, jogou-se no palco, onde o barulho foi percept\u00edvel (tamanho sil\u00eancio na quadra)&#8230; Todos com aquelas caras de: &#8220;N\u00e3o acredito no que est\u00e1 acontecendo&#8221;&#8230; A bateria n\u00e3o tocou&#8230; O port\u00e3o principal da quadra foi aberto&#8230; a festa acabou! N\u00e3o houve comemora\u00e7\u00e3o! Componentes, compositores perdedores, torcidas&#8230; andando em dire\u00e7\u00e3o a rua&#8230; parecia uma prociss\u00e3o f\u00fanebre!<\/p>\n<p>Um triste final para uma novela t\u00e3o boa&#8230; E assim foi escolhido o famoso: &#8220;Vem meu amor, vem me beijar&#8230; hoje eu t\u00f4 que t\u00f4 e voc\u00ea t\u00e1 que t\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Tamanha frustra\u00e7\u00e3o com a escolha, houve uma baixa na escola na semana seguinte: S\u00e9rgio Professor, que na \u00e9poca era diretor geral de Harmonia pediu dispensa da escola, alegrando que seria imposs\u00edvel fazer Harmonia com um samba daquele&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><b>Nas palavras de Marcos Paulo Freitas:<\/b><\/p>\n<p>&#8220;Dia de grava\u00e7\u00e3o dos sambas. Primeiro samba a se apresentar, de compositores desconhecidos na escola, surpreende a todos por sua qualidade e beleza. O samba defendido pelo Wander Pires despertou o interesse e a aten\u00e7\u00e3o de muitos naquele primeiro dia. Ser\u00e1 que vai longe? Alguns se perguntaram.<\/p>\n<p>\u00c9poca de eliminat\u00f3ria de samba sabe que rola muito tititi, naquele primeiro dia j\u00e1 rolavam v\u00e1rios. Os compositores tri-campe\u00f5es, Tuninho Professor e Marquinho Lessa, haviam se separado, como ficaria a disputa ent\u00e3o com os sempre favoritos agora separados? Diziam tamb\u00e9m que Darcy do Nascimento estaria de volta e seu samba seria defendido pelo Dominguinhos do Est\u00e1cio. <\/p>\n<p>As grava\u00e7\u00f5es rolavam, e nada do samba se apresentar. No meio do dia, mais tititi. Surgia o boato (nunca se confirmou boato algum em disputa de samba em Ramos, mas o povo n\u00e3o desiste) que j\u00e1 tinha vencedor, que n\u00e3o sabia porque os outros sambas se inscreveriam: Z\u00e9 Katimba estava de volta e o samba seria dele, como ocorreu em 97.<\/p>\n<p>O samba foi gravado, causando um sentimento estranho, pois n\u00e3o parecia ser muito bom, e v\u00e1rias pessoas ficaram com medo de 97 se repetir. O samba passou a ser o maior temor de muitos naquele ano. Mais sambas sendo gravado e nada do Darcy. J\u00e1 no finalzinho, sobe ao palco Dominguinhos, as poucas pessoas que resitiram a maratona de grava\u00e7\u00e3o desde as 10:00h daquele domingo estavam curiosas para o ouvir o samba da volta do compositor de grandes sambas. N\u00e3o sei se as pessoas ficaram tristes, surpresas, decepcionadas, s\u00f3 sei que o samba n\u00e3o era nada do que se esperava. A letra era confusa, uma mistureba do enredo e a melodia bem estranha. Todos acharam que n\u00e3o seria ano dele. M\u00ednima chance de vencer.<\/p>\n<p>Com o decorrer da disputa, o samba dos compositores desconhecidos foi crescendo, ganhando adeptos em todos os segmentos da escola. Suas apresenta\u00e7\u00f5es eram verdadeiras explos\u00f5es. O tri-campe\u00e3o Lessa n\u00e3o passou do primeiro corte. Partes mais agressivas de sua lera incomodaram diversas pessoas, e no momento &#8220;politicamente correto&#8221; que vivemos n\u00e3o dava para ele. (eu curtia muito o samba&#8230;. defendido pelo Anderson Paz, t\u00e1 explicado o corte prematuro &#8211; N do E: o puxador em quest\u00e3o tem fama de &#8216;p\u00e9-frio&#8217; pelos v\u00e1rios rebaixamentos de escolas que j\u00e1 defendeu na avenida).<\/p>\n<p>O outro tri-campe\u00e3o continuava na briga e assustava muitos. O samba n\u00e3o tinha muitos torcedores espont\u00e2neos. Dizia-se que levaria. At\u00e9 que chegou o dia que o samba caiu, a vibra\u00e7\u00e3o foi grande. A tens\u00e3o tinha passado. N\u00e3o seria ele. <\/p>\n<p>Mas o samba do Cubi\u00e7a de Ouro continuava na briga, ningu\u00e9m sabia porque. V\u00e1rias vers\u00f5es para sua perman\u00eancia, mas ningu\u00e9m apostava um centavo que seria o vencedor. Todos, menos os compositores, achavam que o samba estava apenas fazendo n\u00famero.<\/p>\n<p>Chegou o dia da final, e l\u00e1 estavam o samba de Niltinho Tristeza e cia, apreciado por poucos (eu um deles), o samba de Jeferson Lima e cia, tb com poucos adeptos, o samba Maninho do Ponto e cia &#8211; o tal samba que surpreendeu no dia da grava\u00e7\u00e3o &#8211; que era o preferido de 8 ou 9\u00a0em cada 10 pessoas na quadra e o samba de Darcy do Nascimento e cia, fazendo n\u00famero. A apresenta\u00e7\u00e3o do primeiro samba citado (n\u00e3o lembro a ordem de apresenta\u00e7\u00e3o) foi boa, mas sem contagiar. O segundo samba teve problemas de entrosamento com a bateria, passou muito mal. O samba preferido destruiu tudo, foi uma apoteose. Ningu\u00e9m deu a menor bola para a apresenta\u00e7\u00e3o do \u00faltimo samba.<\/p>\n<p>Todas as fichas eram apostadas no samba de Maninho do Ponto e cia. Wagner pega o microfone para anunciar o vencedor. Sua cara n\u00e3o era das melhores. Como costume, ele anuncia falavam &#8220;A Imperatriz ir\u00e1 para a avenida cantando o samba dos compositores&#8230;.&#8221; <\/p>\n<p>Nessa hora todos esperavam que ele falasse Maninho do Ponto&#8230;.. Por\u00e9m para surpresa de todos ele anuncia um nome iniciado com a letra J, Jorge Rita&#8230;. Alguns segundos para processar a informa\u00e7\u00e3o. Que samba era esse?<\/p>\n<p>SIL\u00caNCIO ensurdecedor na quadra. Apenas os compositores comemoravam. Brand\u00e3ozinho se jogou no palco, com seus muitos quilos, causando um grande estrondo. As pessoas se olhavam sem acreditar no que tinha cabado de acontecer. A bateria rateou para come\u00e7ar a tocar, e tocou apenas meia boca. Todos na quadra se voltaram para o port\u00e3o de sa\u00edda e seguiram como se estivessem acompanhando um cortejo f\u00fanebre. A final mais deprimente que presenciei. Muito triste. O que se ouviu depois foram depoimentos de revolta, irrita\u00e7\u00e3o com a decis\u00e3o da escola.<\/p>\n<p>O samba foi gravado e no dia da festa dos prot\u00f3tpos, foi apresentado oficialmente para todos, isso menos de uma semana ap\u00f3s a escolha. O samba cantado naquele dia n\u00e3o era o mesmo que havia vencido. A letra foi modificada. Trechos do samba foram mudado de posi\u00e7\u00e3o na letra para que ficasse correta dentro do enredo. Refr\u00e3o deixou de ser refr\u00e3o. O que n\u00e3o era refr\u00e3o virou refr\u00e3o. Uma beleza!!!&#8221;<\/p>\n<p>Meu palpite \u00e9 que o samba foi escolhido por ter uma melodia &#8220;para cima&#8221; e com uma alegria que n\u00e3o estava presente nos sambas anteriores da agremia\u00e7\u00e3o. Coloco abaixo &#8211; com \u00e1udio &#8211; a letra original e depois a letra que foi para a avenida com as muitas modifica\u00e7\u00f5es, bem como o samba que era o preferido da quadra &#8211; com \u00e1udio:<\/p><\/div>\n<div>\n<p><\/p>\n<div><i>Autores <\/i><\/div>\n<div><i>Darcy do Nascimento, Brand\u00e3ozinho, Rubens Napole\u00e3o e Jorge Rita<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Letra Original:<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;Cobi\u00e7a de Ouro<\/i><\/div>\n<div><i>Madeira, Pedra e animais<\/i><\/div>\n<div><i>S\u00e3o faces do prim\u00f3rdio da hist\u00f3ria<\/i><\/div>\n<div><i>Que a Imperatriz refaz<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><b><i>Nem todo pirata tem a perna de pau<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O olho de vidro e a cara de mau    <\/i><\/b><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Foi-se o tempo longe est\u00e1<\/i><\/div>\n<div><i>Pirataria de al\u00e9m-mar<\/i><\/div>\n<div><i>Vejam s\u00f3 a covardia<\/i><\/div>\n<div><i>Parte dessa tirania<\/i><\/div>\n<div><i>Era destinada aos reis (aos reis)  <\/i><\/div>\n<div><i>Por cors\u00e1rios portugueses<\/i><\/div>\n<div><i>Holandeses, Franceses, Ingleses<\/i><\/div>\n<div><i>Tudo que era saqueado<\/i><\/div>\n<div><i>Protegido era levado<\/i><\/div>\n<div><i>Ao dom\u00ednio da na\u00e7\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>(Mas hoje&#8230;)<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Hoje a coisa ficou preta<\/i><\/div>\n<div><i>Muito preta e com raz\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i>Pirara se queixando de pirata<\/i><\/div>\n<div><i>De terno e gravata na televis\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i>Pirateando cd at\u00e9 a f\u00e9<\/i><\/div>\n<div><i>O com\u00e9rcio e a na\u00e7\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Mas hoje eu quero ser<\/i><\/div>\n<div><i>Pirata do prazer<\/i><\/div>\n<div><i>Dan\u00e7ando um baile com voc\u00ea<\/i><\/div>\n<div><b><i>Vem meu amor, vem me beijar<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Hoje eu to que que to e voc\u00ea ta que ta<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Vem meu amor, vem meu beijar<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Beijo escondido pra ningu\u00e9m clonar&#8221;<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>Vers\u00e3o Oficial:<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i>&#8220;Cobi\u00e7a de ouro<\/i><\/div>\n<div><i>Madeira, pedra e animais<\/i><\/div>\n<div><i>S\u00e3o fases do prim\u00f3rdio da hist\u00f3ria<\/i><\/div>\n<div><i>Que a Imperatriz refaz<\/i><\/div>\n<div><i>Foi-se o tempo, longe est\u00e1<\/i><\/div>\n<div><i>Pirataria de al\u00e9m-mar<\/i><\/div>\n<div><i>Vejam s\u00f3 a covardia<\/i><\/div>\n<div><i>Parte dessa tirania<\/i><\/div>\n<div><i>Era destinada aos reis (aos reis)<\/i><\/div>\n<div><i>Franceses, ingleses e holandeses<\/i><\/div>\n<div><i>Tudo era saqueado<\/i><\/div>\n<div><i>Protegido era levado<\/i><\/div>\n<div><i>Ao dom\u00ednio da na\u00e7\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><b><i>Nem todo pirata tem perna de pau,<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O olho de vidro e a cara de mau<\/i><\/b><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>Hoje a coisa ficou preta<\/i><\/div>\n<div><i>Muito preta e com raz\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i>Pirata se queixando de pirata<\/i><\/div>\n<div><i>De terno e gravata na televis\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><i>Pirateando CD, at\u00e9 a f\u00e9<\/i><\/div>\n<div><i>O com\u00e9rcio e a na\u00e7\u00e3o<\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>Mas hoje quero ser<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Pirata do prazer<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Dan\u00e7ando um baile com voc\u00ea<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b><br \/><\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Vem meu amor, vem me beijar<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Hoje eu t\u00f4 que t\u00f4 , voc\u00ea t\u00e1 que t\u00e1<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Vem meu amor, vem me beijar<\/b><\/i><\/div>\n<div><i><b>Beijo escondido pra ningu\u00e9m clonar&#8221;<\/b><\/i><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O samba favorito na disputa e que acabou derrotado:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;<i>N\u00e9voa sobre o mar&#8230;<\/i><\/div>\n<div><i>Um infinito para navegar<\/i><\/div>\n<div><i>Nos livros temidos, tesouros perdidos&#8230;<\/i><\/div>\n<div><i>No mastro a caveira, estampa a negra bandeira<\/i><\/div>\n<div><i>Ilhas abordam sonhos, papagaio nos ombros<\/i><\/div>\n<div><i>Olho de vidro, perna de pau<\/i><\/div>\n<div><i>Imperatriz nessa festa, reafirma e contesta:<\/i><\/div>\n<div><i>Nem todo o pirata tem essa cara de mau<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><b><i>Fogo nos canh\u00f5es, ouro, tenta\u00e7\u00f5es<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Era preciso navegar&#8230; atacar!<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Espanha e Portugal, riqueza tropical<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Fez a cobi\u00e7a despertar&#8230; tem combate no mar!<\/i><\/b><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><i>A Virgem Inglesa, o Sol Franc\u00eas<\/i><\/div>\n<div><i>As companhias de com\u00e9rcio do Holand\u00eas<\/i><\/div>\n<div><i>Incentivavam cors\u00e1rios e invas\u00f5es<\/i><\/div>\n<div><i>E recompensavam os tais ladr\u00f5es<\/i><\/div>\n<div><i>At\u00e9 minha Guanabara foi invadida e a cidade saqueada<\/i><\/div>\n<div><i>A pirataria n\u00e3o cessou naqueles dias<\/i><\/div>\n<div><i>Chega aos atuais&#8230;<\/i><\/div>\n<div><i>CDs, livros, t\u00eanis, madeira<\/i><\/div>\n<div><i>Mas sem tapa olho e bandeira&#8230;<\/i><\/div>\n<div><i>Dos livros e tempos coloniais<\/i><\/div>\n<div><i><br \/><\/i><\/div>\n<div><b><i>Hoje o ataque \u00e9 no meu carnaval<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>Nos sete mares n\u00e3o h\u00e1 nada igual<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>O meu pirata inocente e feliz<\/i><\/b><\/div>\n<div><b><i>E rouba a cena com a Imperatriz&#8221;<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A escola foi a \u00faltima a se apresentar, j\u00e1 na manh\u00e3 de ter\u00e7a feira de carnaval, quatro de mar\u00e7o. Apesar do que se temia, o Samb\u00f3dromo ainda estava razoavelmente cheio, mais ou menos com a mesma lota\u00e7\u00e3o que esperou a Portela no dia anterior. No grito de guerra a diretoria da escola (n\u00e3o me lembro exatamente quem foi) deu a ordem: &#8220;vamos brincar carnaval!&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Imperatriz fez um desfile bem mais solto que nos anos anteriores, preocupada em agradar ao p\u00fablico e apagar a p\u00e9ssima imagem do ano anterior. O samba funcionou bem e foi bastante adequado ao cen\u00e1rio bolado pela carnavalesca, com alegorias e fantasias voltadas a aproveitar a luz do dia. Particularmente, gosto do samba, at\u00e9 porque ele me traz boas lembran\u00e7as do pr\u00e9-carnaval daquele ano.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sa\u00ed da Sapuca\u00ed achando que a escola seria vice-campe\u00e3, atr\u00e1s somente da Mangueira &#8211; que fez uma apresenta\u00e7\u00e3o muito acima a de qualquer outra escola. Entretanto, na abertura dos envelopes dos jurados a escola ficou com o quarto lugar, com 395,8 pontos.<\/p>\n<p>Em um resultado t\u00e3o esquisito quanto o de 1999 a Beija Flor sagrou-se campe\u00e3 com um desfile que na opini\u00e3o de todos aqueles que acompanham carnaval n\u00e3o conseguiria sequer retornar para o S\u00e1bado das Campe\u00e3s. Pois \u00e9&#8230; ainda mais quando se sabe que o patrono da escola nilopolitana tornara-se vice presidente da Liesa.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ali\u00e1s, o per\u00edodo de 1998 a 2006 \u00e9 muito complicado para a hist\u00f3ria dos desfiles, com resultados finais sempre bastante questionados e que n\u00e3o refletiam o que se via na avenida. Mas esta \u00e9 outra hist\u00f3ria&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom, a coluna &#8220;Samba de Ter\u00e7a&#8221; de hoje retoma o assunto da \u00faltima coluna, onde tivemos o caso de uma composi\u00e7\u00e3o que foi totalmente alteradaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[289],"tags":[12,19,67,146],"class_list":["post-11837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pedro-migao","tag-cultura","tag-escolas-de-samba","tag-imperatriz-leopoldinense","tag-samba-de-terca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}