{"id":11664,"date":"2010-12-30T08:07:00","date_gmt":"2010-12-30T10:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/12\/cinecasulofilia-vuvuzelas-de-madureira\/"},"modified":"2010-12-30T08:07:00","modified_gmt":"2010-12-30T10:07:00","slug":"cinecasulofilia-vuvuzelas-de-madureira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2010\/12\/cinecasulofilia-vuvuzelas-de-madureira\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; &quot;Vuvuzelas de Madureira&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_KYflagr2MuI\/TQ-3ubAsTOI\/AAAAAAAADIk\/L0BxTDdms7U\/s1600\/Madureira-1909.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"268\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Madureira-1909.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>Pen\u00faltimo dia do ano e temos a nossa &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, coluna sobre cinema. Como sempre, texto do cineasta, professor de cinema e cr\u00edtico Marcelo Ikeda, <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">dono do blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;<i><b>Vuvuzelas de Madureira<\/b><\/i><br \/><i>de V\u00edtor Medeiros<\/i><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil e desafiador ver um curta como esse Vuvuzelas de Madureira. <\/p>\n<p>Para reconhecer seu valor, \u00e9 preciso acima de tudo ser um bom espectador, tarefa cada vez mais dif\u00edcil no mundo de hoje polu\u00eddo pelas imagens audiovisuais, banais e est\u00e9reis. Ou ainda, para ver Vuvuzelas, \u00e9 preciso deixar um monte de coisas para tr\u00e1s. Digo isso porque a princ\u00edpio as pessoas podem gostar de Vuvuzelas pelos motivos errados (pelo tom simp\u00e1tico dos personagens, ou ainda, seu tom ex\u00f3tico, pitoresco, ou engra\u00e7adinho) ou ainda detestar o filme pelos mesmos motivos (outros, mas no fundo os mesmos). <\/p>\n<p>Em Vuvuzelas de Madureira, V\u00edtor Medeiros acompanha os preparativos de uma fam\u00edlia (a sua pr\u00f3pria) para os jogos do Brasil na Copa do Mundo (a compra de bandeiras e fitas no Mercad\u00e3o de Madureira, os preparativos do banquete, a reuni\u00e3o conjunta para ver o jogo, a comemora\u00e7\u00e3o dos gols, etc.). V\u00edtor \u201capenas\u201d observa, mas o trunfo de seu filme, extremamente simples, mas extremamente belo, \u00e9 exatamente este: o de saber observar. Ele simplesmente sabe registrar a beleza simples que \u00e9 esta fam\u00edlia estar junta. Seu olhar afetuoso e generoso vai na contram\u00e3o de um julgamento do comportamento das pessoas quando v\u00eaem os jogos do Brasil. Se elas parecem alienadas ou pat\u00e9ticas, \u00e9 porque o espectador n\u00e3o sabe ver. <\/p>\n<p>Vuvuzelas \u00e9 o Pacific de Madureira: ele descontr\u00f3i o olhar que estamos acostumados, que a televis\u00e3o, que o clipe, que o cinema convencional nos oferece sobre tanto a periferia quanto a possibilidade de ver o outro na tela. Vuvuzelas \u00e9 prec\u00e1rio: no entanto essa precariedade \u00e9 sinal de uma pot\u00eancia, um aut\u00eantico filme caseiro. \u201cEstar junto\u201d: filme de voca\u00e7\u00e3o genuinamente popular, filho leg\u00edtimo do cinema da periferia, diferente das \u201ccufas\u201d e dos \u201ccinco vezes\u201d da vida. No entanto, o olhar de V\u00edtor n\u00e3o \u00e9 meramente deslumbrado: h\u00e1 uma esp\u00e9cie de ep\u00edlogo, em que V\u00edtor sabe observar que, ap\u00f3s o jogo, vem a novela; ou ainda, que, ap\u00f3s o banquete, sobram os restos na mesa, e a casa, vagarosamente, vai ficando vazia, e o dia cai. <\/p>\n<p>Seu filme acaba num ponto ap\u00f3s a curva, depois do sil\u00eancio das vuvuzelas. Como cigarras, seu canto dura pouco: apesar de estridente e prec\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel dizer que \u201c\u00e9 bonito o canto\u201d. A simplicidade, a generosidade e a afetividade do olhar de V\u00edtor torna Vuvuzelas um dos mais singelos document\u00e1rios de 2010, um retrato digno, sem espalhafato e sem espet\u00e1culo, sobre n\u00e3o s\u00f3 a vida das periferias mas essencialmente sobre o prazer de uma fam\u00edlia estar junta.&#8221;<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pen\u00faltimo dia do ano e temos a nossa &#8220;Cinecasulofilia&#8221;, coluna sobre cinema. Como sempre, texto do cineasta, professor de cinema e cr\u00edtico Marcelo Ikeda, donoTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[13,12,11],"class_list":["post-11664","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cinecasulofilia","tag-cinema","tag-cultura","tag-marcelo-ikeda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11664","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11664"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11664\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}