{"id":11506,"date":"2011-04-27T08:49:00","date_gmt":"2011-04-27T10:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/04\/historia-outros-assuntos-boa-ventura-a-corrida-do-ouro-no-brasil-1697-1810\/"},"modified":"2011-04-27T08:49:00","modified_gmt":"2011-04-27T10:49:00","slug":"historia-outros-assuntos-boa-ventura-a-corrida-do-ouro-no-brasil-1697-1810","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/04\/historia-outros-assuntos-boa-ventura-a-corrida-do-ouro-no-brasil-1697-1810\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;Boa ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697 \u2013 1810)&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-yjbY8O5Lf1s\/TbbNiReFBLI\/AAAAAAAADgI\/nDdn1SGBUe0\/s1600\/boaventura.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/boaventura.jpg\" width=\"212\"><\/a><\/div>\n<div>Nesta quarta feira que come\u00e7a no Rio e termina em Campinas, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, do Mestre em Hist\u00f3ria <b>Fabr\u00edcio Gomes<\/b>. O tema de hoje \u00e9 a resenha de um livro que desnuda um per\u00edodo muito falado e pouco conhecido pelo grande p\u00fablico brasileiro: a chamada &#8220;corrida do ouro&#8221; em Minas Gerais no S\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p><i><b>\u201cBoa ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697 \u2013 1810)<\/b><\/i><\/p>\n<p><i>\u201c<a href=\"http:\/\/www.travessa.com.br\/BOA_VENTURA_A_CORRIDA_DO_OURO_NO_BRASIL_1697_1810\/artigo\/3cf6b299-a847-47e9-8c6c-9a400c1cf455\">Boa ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697 \u2013 1810) \u2013 A cobi\u00e7a que forjou um pa\u00eds, sustentou Portugal e inflamou o mundo\u201d (Record, 368 p\u00e1ginas, lan\u00e7ado em mar\u00e7o de 2011, R$ 39,90)<\/a>,<\/i> novo livro do jornalista Lucas Figueiredo, cumpre com compet\u00eancia sua proposta: informar ao grande p\u00fablico o que foi e o que representou, de fato, a descoberta e a cultura que foi a minera\u00e7\u00e3o no Brasil, iniciada nas primeiras horas do s\u00e9culo XVIII. Lucas Figueiredo j\u00e1 d\u00e1 a senha do que \u00e9 seu livro atrav\u00e9s do subt\u00edtulo, com algumas palavras-chave: \u201ccobi\u00e7a\u201d, \u201csustentou\u201d e \u201cinflamou o mundo\u201d. S\u00e3o essas palavras e frases que ir\u00e3o compor toda a tem\u00e1tica que envolveu a luta pela descoberta, pela explora\u00e7\u00e3o e pelos benef\u00edcios que o ouro levou para a Coroa Portuguesa.<\/p>\n<p>A descoberta de uma pepita de ouro, por D. Lu\u00eds I, em 1876, no Pal\u00e1cio das Necessidades, em Lisboa, \u00e9 o mote inicial que o autor utiliza para contar a hist\u00f3ria da corrida pelo ouro no Brasil. Uma hist\u00f3ria que remonta a alguns s\u00e9culos antes, j\u00e1 no descobrimento do Brasil (ou \u201cachamento\u201d, como este que vos escreve e o editor deste blog preferem chamar), quando Pedro \u00c1lvares Cabral j\u00e1 investigava junto a abor\u00edgenes se existia ouro por estas terras. Suspeitando que n\u00e3o existisse ouro por aqui, Cabral foi embora, seguiu viagem e Portugal meio que abandonou o Brasil por quase meio s\u00e9culo; e somente quando se viu amea\u00e7ado em ter seu territ\u00f3rio tomado por na\u00e7\u00f5es como a Fran\u00e7a e a Holanda \u00e9 que resolveu dar mais aten\u00e7\u00e3o a esta terra.<\/p>\n<p>No entanto, lendas e mitos povoavam a mente de viajantes. Est\u00f3rias que despertavam pavor e cobi\u00e7a ao mesmo tempo, como a da exist\u00eancia de um Eldorado no interior do Brasil, onde homens viviam banhados a ouro, com montanhas reluzentes e uma lagoa que espelhava o metal precioso. Era a localidade de Sabarabu\u00e7u, encravada em algum ponto do sert\u00e3o, um lugar onde ningu\u00e9m chegava e as sucessivas expedi\u00e7\u00f5es que tentavam alcan\u00e7\u00e1-la sumiam misteriosamente. Acreditava-se que o territ\u00f3rio brasileiro n\u00e3o era muito distante dos Andes e que em alguns dias de caminhada seria poss\u00edvel chegar ao outro lado &#8211; o Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da cobi\u00e7a pelo ouro, contada por Lucas Figueiredo, revela passagens importantes da hist\u00f3ria do Brasil, como por exemplo a funda\u00e7\u00e3o de vilas como a de S\u00e3o Paulo de Piratininga &#8211; importante para fixar uma por\u00e7\u00e3o populacional (que vivia em casebres, ok), sustent\u00e1culo para que os paulistas pudessem mais tarde fazer suas incurs\u00f5es nas Minas em busca do ouro. Outro ponto importante foi o deslocamento populacional rumo ao interior do Brasil \u2013 um grande feito, j\u00e1 que at\u00e9 ent\u00e3o os bols\u00f5es populacionais permaneciam na costa brasileira e as pessoas viviam como caranguejos, espalhados numa faixa entre as montanhas e o mar, por exemplo.<\/p>\n<p>A corrida pelo ouro representou tamb\u00e9m uma forte alternativa \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do Pau-Brasil (que j\u00e1 n\u00e3o andava bem das pernas, praticamente esgotada no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII) e do a\u00e7\u00facar. Foi tamb\u00e9m importante para que o mercantilismo europeu desse um novo impulso \u2013 onde a Inglaterra foi a maior beneficiada (praticamente todo o ouro arrecadado no Brasil chegava em Portugal e na troca por bens importados acabariam nas m\u00e3os inglesas). <\/p>\n<p>Mas um fato que \u00e9 pano de fundo para essa corrida e \u00e9 pouco (ou mal) explorado \u00e9 justamente o aparato comercial que proporcionou junto \u00e0s Minas: a implanta\u00e7\u00e3o de um com\u00e9rcio t\u00e3o ou mais lucrativo de produtos e servi\u00e7os, como transporte, couro, carnes, fumo\u2026 produtos indispens\u00e1veis aos sertanistas que l\u00e1 viviam e que n\u00e3o tinham como se manter sem uma infraestrutura que lhes fosse poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A Guerra dos Emboabas representou o estopim de que uma era se iniciava: os embates entre os paulistas (sertanejos) que se julgavam os descobridores do metal precioso e os emboabas (portugueses que vinham de fora, somados a baianos e outras popula\u00e7\u00f5es) \u2013 todos se achavam no direito de explorar o ouro. A urbaniza\u00e7\u00e3o e o crescimento populacional das terras que vieram a ser denominadas de Minas Gerais foi estrondoso. O mundo via ali uma fonte inesgot\u00e1vel de ouro, muito maior do que o existente nos Andes.<\/p>\n<p>A medida que Minas enviava toneladas e mais toneladas de ouro rumo a Portugal, a Coroa aumentava a sua cobi\u00e7a em progress\u00e3o geom\u00e9trica. A imposi\u00e7\u00e3o do quinto (20% do ouro obtido iria diretamente aos cofres da Coroa), somado posteriormente a outras possibilidades de taxa\u00e7\u00e3o como a \u201ccapita\u00e7\u00e3o\u201d (taxava-se em cima do que cada escravo (\u201ccabe\u00e7a\u201d, por isso \u201ccapita\u00e7\u00e3o\u201d) e finalmente a derrama (era feito um contrato de risco onde, se o respons\u00e1vel pela arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguisse cumprir o envio de 100 arrobas anuais, o equivalente a 1.500 quilos de ouro, teria que completar at\u00e9 alcan\u00e7ar o n\u00famero proposto) gerou muita insatisfa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Insatisfa\u00e7\u00e3o em especial numa elite que vivia em Vila Rica: aqueles que seriam chamados de \u201cinconfidentes\u201d e que seriam depois os respons\u00e1veis por uma revolta puramente baseada em interesses econ\u00f4micos e fiscais. Os inconfidentes n\u00e3o estavam preocupados com pol\u00edtica, tampouco em clamar pela liberdade do povo ou pela independ\u00eancia do Brasil com rela\u00e7\u00e3o a Portugal. Lutavam sim, pelos seus pr\u00f3prios interesses, contr\u00e1rios \u00e0 explora\u00e7\u00e3o cada vez maior pela Coroa.<\/p>\n<p>Outro ponto analisado pelo livro \u00e9 a corrida pelo ouro tamb\u00e9m nas regi\u00f5es de Mato Grosso e Goi\u00e1s. Se no primeiro, a explora\u00e7\u00e3o era dific\u00edlima, j\u00e1 que as regi\u00f5es pantanosas eram um convite ao desconhecido e a um n\u00famero cada vez maior de mortes (seja por doen\u00e7as, predadores ou \u00edndios antrop\u00f3fagos), j\u00e1 em Goi\u00e1s, devido ao cerrado, era mais f\u00e1cil. E a pepita de 20 quilos que D. Lu\u00eds achou vinha justamente da regi\u00e3o de \u00c1guas Quentes.<\/p>\n<p>A gastan\u00e7a que Portugal fez com o ouro \u00e9 lembrada com detalhes, principalmente nos devaneios de seus monarcas e na suntuosidade que os portugueses estavam desejosos em mostrar aos europeus. <\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, ap\u00f3s o fat\u00eddico terremoto de 1755, foi feita com os proventos da explora\u00e7\u00e3o aur\u00edfera no Brasil. Mas por ser mal administrado, por Portugal pensar apenas nos lucros e n\u00e3o num sistema que lhe proporcionasse a explora\u00e7\u00e3o por mais tempo, o chamado ouro de aluvi\u00e3o chegou a seu limite, exaurindo-se e deixando a Coroa de &#8216;pires na m\u00e3o&#8217;. A diminui\u00e7\u00e3o do envio de ouro j\u00e1 era poss\u00edvel ser percebida a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII, mas foi pouco ou quase nada notada pelos portugueses.<\/p>\n<p>A agrad\u00e1vel leitura culmina com a chegada da Fam\u00edlia Real Portuguesa, quando o ouro brasileiro praticamente \u2013 se n\u00e3o todo \u2013 j\u00e1 estava esgotado &#8211; at\u00e9 Serra Pelada, mas esta \u00e9 outra hist\u00f3ria. Mas confirma a id\u00e9ia, proposta por Lucas Figueiredo, de que este metal precioso esteve intr\u00ednsecamente atrelado a importantes passagens de nossa hist\u00f3ria, seja pela suspeita de sua exist\u00eancia, seja pela cobi\u00e7a que despertou; ou at\u00e9 mesmo pela frustra\u00e7\u00e3o posterior que trouxe, com a descoberta que o eldorado chegava a seu fim.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta feira que come\u00e7a no Rio e termina em Campinas, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, do Mestre em Hist\u00f3riaTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[58,35],"class_list":["post-11506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cacique-de-ramos","tag-economia","tag-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11506\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}