{"id":11389,"date":"2011-07-28T08:50:00","date_gmt":"2011-07-28T10:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/07\/historia-outros-assuntos-resenha-critica-de-joao-goulart-uma-biografia\/"},"modified":"2011-07-28T08:50:00","modified_gmt":"2011-07-28T10:50:00","slug":"historia-outros-assuntos-resenha-critica-de-joao-goulart-uma-biografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/07\/historia-outros-assuntos-resenha-critica-de-joao-goulart-uma-biografia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos: &quot;Resenha Cr\u00edtica de &#8216;Jo\u00e3o Goulart: Uma Biografia&#8217;&quot;"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-Nb-9MKJbCws\/TjCI8h0la6I\/AAAAAAAADsk\/ppSXytdfLGE\/s1600\/Capa+do+livro.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Capa+do+livro.jpg\" width=\"216\"><\/a><\/div>\n<div>Nesta quinta feira, excepcionalmente em dia diferente, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da <b>coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, assinada pelo colunista Fabr\u00edcio Gomes<\/b> &#8211; que aparece em uma das fotos deste post ao lado do autor do livro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O tema de hoje \u00e9 uma resenha sob o \u00e2ngulo hist\u00f3rico da rec\u00e9m lan\u00e7ada biografia do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Curioso \u00e9 que eu tamb\u00e9m estou lendo o livro &#8211; devo ter lido umas 100 p\u00e1ginas, al\u00e9m do final (risos) &#8211; e j\u00e1 adianto que, em minha \u00f3tica, h\u00e1 uma grave omiss\u00e3o: a n\u00e3o cita\u00e7\u00e3o do fato de que o enterro de Jango foi uma das primeiras manifesta\u00e7\u00f5es pela anistia pol\u00edtica no Brasil &#8211; como o leitor poder\u00e1 ver em uma das fotos deste post. Breve resenha aqui, mas adianto que apesar da ressalva \u00e9 leitura indispens\u00e1vel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Vamos ao texto:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><i><b>O Ministro que Conversava, o Presidente Incompreendido<\/b><\/i><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O historiador tem o dever de diferenciar a hist\u00f3ria da mem\u00f3ria da hist\u00f3ria vivida, de compreender que a mem\u00f3ria \u00e9 seletiva: h\u00e1 coisas que s\u00e3o lembradas \u2013 de determinada maneira \u2013 e h\u00e1 coisas que s\u00e3o esquecidas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Buscando reparar um erro hist\u00f3rico, o historiador e professor de Hist\u00f3ria Jorge Ferreira acaba de lan\u00e7ar <a href=\"http:\/\/www.travessa.com.br\/JOAO_GOULART_UMA_BIOGRAFIA\/artigo\/4dec93c1-6f18-4c35-af36-36ba8bfe959d\">\u201cJo\u00e3o Goulart: uma biografia\u201d (714 p\u00e1ginas, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira)<\/a>, uma obra que pretende n\u00e3o ser uma hagiografia do ex-presidente da Rep\u00fablica e l\u00edder trabalhista, mas sim mostrar Jo\u00e3o Goulart (Jango) sob o ponto de vista da ambiguidade.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-JZqfFUYKgoA\/TjCIx7x6QOI\/AAAAAAAADsc\/lINoRrv1lms\/s1600\/220947_1705475717222_1247908197_31373281_2431940_o.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/220947_1705475717222_1247908197_31373281_2431940_o.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Mais do que ser uma simples biografia, Jorge Ferreira pretende neste trabalho permitir ao leitor compreender importantes aspectos da realidade contempor\u00e2nea brasileira, principalmente naquele que ficou conhecido como o tempo da experi\u00eancia democr\u00e1tica, compreendido entre 1946 e 1964.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sem d\u00favida uma tarefa \u00e1rdua, j\u00e1 que diversos trabalhos j\u00e1 foram publicados sobre Jango. A come\u00e7ar, em 1977, pelo \u00f3timo livro <i>\u201cO governo Jo\u00e3o Goulart: as lutas sociais no Brasil (1961-1964)\u201d<\/i>, de Luiz Alberto Moniz Bandeira, no qual este autor apresenta Goulart como um presidente revolucion\u00e1rio e, ao mesmo tempo, v\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o. Posteriomente, em 1984, foi lan\u00e7ado o document\u00e1rio <i>\u201cJango\u201d<\/i>, de Silvio Tendler, onde o ex-presidente \u00e9 mitificado e as esquerdas desempenham o papel de v\u00edtimas no processo que desencadeou o golpe civil-militar de 1964.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Somente a partir de 2006, ao completarem-se trinta anos da morte de Jango \u00e9 que foi percebido um movimento de renova\u00e7\u00e3o dentro da historiografia, ao desmistificar, at\u00e9 certo ponto, as consequ\u00eancias que propiciaram o golpe, inseridos no pensamento contempor\u00e2neo brasileiro, como a personaliza\u00e7\u00e3o\/individualiza\u00e7\u00e3o da causa, o determinismo econ\u00f4mico com enfoque em bases estruturalistas, apoiadas no dogma (camuflado de marxismo) que pregava a crise do populismo como explica\u00e7\u00e3o para o golpe. Ou at\u00e9 mesmo vis\u00f5es conspirat\u00f3rias que buscavam entender os acontecimentos como interfer\u00eancias estrangeiras para a queda de Goulart e a ascens\u00e3o do regime ditatorial, que acabou por inaugurar o regime de exce\u00e7\u00e3o em que o Brasil se ambientou por cerca de 21 anos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o somente apresentando a biografia de Jango, Jorge Ferreira prop\u00f5e um interessante debate historiogr\u00e1fico acerca das diversas vertentes e possibilidades em que foram constru\u00eddas as representa\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Goulart ao longo dos anos. Apresenta e debate as correntes historiogr\u00e1ficas, contudo, sem impor ao leitor alguma verdade em torno da corrente que acha certa. O personalismo na hist\u00f3ria, onde a culpa do golpe seria apenas de Jango, segundo o autor, simplificaria ao extremo uma conjuntura que se apresenta extremamente complexa.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-VFuupOuTyJQ\/TjCJB-z1JcI\/AAAAAAAADso\/2NHn989zPps\/s1600\/enterro+de+Jango.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"280\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/enterro+de+Jango.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Goulart n\u00e3o viveu sozinho o tempo da experi\u00eancia democr\u00e1tica: foi mais um, entre tantos atores sociais e tantas din\u00e2micas que ocorreram simult\u00e2neamente no processo hist\u00f3rico em quest\u00e3o. Por isso, Jorge Ferreira procura questionar o ponto de vista de outros bi\u00f3grafos de Jango \u2013 como Marco Antonio Villa (historiador e professor de hist\u00f3ria na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos), que publicou <i>\u201cJango, um perfil (1945-1964)\u201d<\/i> -, que preferem a culpabiliza\u00e7\u00e3o da personagem central do livro, como explica\u00e7\u00e3o para todos os males que ocasionaram os eventos de 31 de mar\u00e7o de 1964.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se a individualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 questionada, o estruturalismo e o determinismo econ\u00f4mico, exponenciados na vis\u00e3o de alguns autores como Guillermo O\u00b4Donnel e Fernando Henrique Cardoso, que buscam entender os acontecimentos de mar\u00e7o de 1964 como oriundos de um processo hist\u00f3rico que desencadeou o colapso do populismo no Brasil tamb\u00e9m \u00e9 cab\u00edvel de reflex\u00e3o nesta obra.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como explicar ent\u00e3o que n\u00e3o ocorreu um golpe militar no Brasil, apenas que o processo de industrializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ado, por substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, levou a um ac\u00famulo de capital e consequente crescimento econ\u00f4mico onde fez-se necess\u00e1rio o surgimento de um regime autocr\u00e1tico para regular os conflitos gerados? Na vis\u00e3o desses autores, o que ocorreu foi a crise de acumula\u00e7\u00e3o de capitais ou simplesmente crise do populismo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Populismo, um termo t\u00e3o pr\u00f3ximo de nossa realidade como tamb\u00e9m emblem\u00e1tico, j\u00e1 que ao longo das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 adornou-se de um negativismo que procurava identific\u00e1-lo como praxis nociva no processo hist\u00f3rico, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m em Nuestra America. Bastaria ent\u00e3o a aproxima\u00e7\u00e3o do l\u00edder pol\u00edtico e burgu\u00eas, corrupto e manipulador das massas \u2013 como Per\u00f3n, Vargas, o pr\u00f3prio Jango, entre outros \u2013 para ser identificado como populista. Um mentiroso e ardiloso, que buscaria somente seu pr\u00f3prio sucesso em detrimento do subdesenvolvimento de seu povo. No entanto, como explicar que tamb\u00e9m J\u00e2nio Quadros, Adhemar de Barros e Carlos Lacerda \u2013 igualmente pr\u00f3ximos das massas \u2013 n\u00e3o pudessem merecer a mesma nomenclatura pol\u00edtica?<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Al\u00e9m de procurar contribuir para o entendimento da figura de Jango, a presente obra de Jorge Ferreira busca emergir uma nova forma de abordagem da biografia, desconstruindo a id\u00e9ia da oposi\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduo e sociedade, e como bem lembra Vavy Pacheco Borges, \u201co ser humano que s\u00f3 existe dentro de uma rede de rela\u00e7\u00f5es\u201c.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Agindo como continuidade do movimento historiogr\u00e1fico surgido ent\u00e3o, como j\u00e1 mencionado, em 2006, quando Marieta de Moraes Ferreira (historiadora e professora de hist\u00f3ria da UFRJ e CPDOC) publicou e organizou o livro <i>\u201cJo\u00e3o Goulart. Entre a mem\u00f3ria e a hist\u00f3ria\u201d<\/i> e no ano seguinte, o pr\u00f3prio autor juntamente de Angela de Castro Gomes (historiadora e professora do CPDOC e da UFF) organizou a obra <i>\u201cAs m\u00faltiplas faces de Jango\u201c<\/i>, aqui Jo\u00e3o Goulart surge para o leitor n\u00e3o somente no per\u00edodo em que ocupou a vice-presid\u00eancia de JK ou de J\u00e2nio, ou ent\u00e3o seu per\u00edodo como presidente da Rep\u00fablica \u2013 que proporcionou o in\u00edcio do regime de exce\u00e7\u00e3o no Brasil.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-AnUE-mfV4OQ\/TjCNvy89T_I\/AAAAAAAADss\/C-OFfs0K11o\/s1600\/jango.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/jango.jpg\" width=\"262\"><\/a><\/div>\n<div>\u00a0 <\/div>\n<div>Busca-se o resgate da figura de Jango como deputado, como secret\u00e1rio de Estado (no Rio Grande do Sul), como Ministro do Trabalho (e principal herdeiro do legado de Vargas) e tamb\u00e9m, no crep\u00fasculo de seus dias, como pecuarista no ex\u00edlio uruguaio e argentino.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Embora o objetivo delineado pelo autor seja o de n\u00e3o buscar retratar o biografado de forma positiva ou negativa, apenas mostrando suas ambiguidades, fica claro que sua posi\u00e7\u00e3o busca o resgate, na maior parte da leitura apresentando Jango positivamente ao leitor. Entretanto, tal recurso n\u00e3o \u00e9 pecado, j\u00e1 que a obra foge ao lugar-comum dos trabalhos que at\u00e9 ent\u00e3o se propuseram a desempenhar o papel de biografias sobre Jango.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Enquanto a maior parte busca, na verdade, analisar as crises vividas por seu governo (a ren\u00fancia de J\u00e2nio, os militares que n\u00e3o queriam deixar Jango, vice-presidente, assumir, a rede da legalidade instaurada por Leonel Brizola na tentativa de legitima\u00e7\u00e3o do poder, garantido pela Carta de 1946, e por conseguinte, a crise de 1964), Jorge Ferreira aborda a trajet\u00f3ria da personagem, do nascimento ao ex\u00edlio\/morte. Esse percurso \u00e9 esquecido pelos livros did\u00e1ticos escolares, seja por abordarem o per\u00edodo em que esteve na presid\u00eancia de forma bastante superficial ou, como j\u00e1 mencionado, pela vis\u00e3o negativa do conceito de populismo, em sua maior parte identificado com Jango.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Falar de Jo\u00e3o Goulart perpassa outros pontos, pouco abordados pela historiografia. \u00c9 falar do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e seu surgimento, em 1945, com o objetivo de atuar na incorpora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro, de ser o partido com tr\u00e2nsito livre entre as esquerdas e os sindicatos. Ao assumir a presid\u00eancia do PTB, nos anos 1950, Jango refundou o partido, adequando-o \u00e0s propostas que eram decorrentes do ambiente que nascia no mundo da Guerra Fria: promover o nacional-estatismo, em defesa da soberania nacional mantendo independ\u00eancia e distanciamento dos centros financeiros internacionais, expandindo o setor p\u00fablico, reduzindo a desigualdade social entre os brasileiros e principalmente naquilo que se transformou na maior bandeira, quando esteve \u00e0 frente da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica: as reformas de base \u2013 conjunto de reformas que, se implementadas, transformariam a sociedade brasileira, visando um pa\u00eds com Justi\u00e7a Social.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Jo\u00e3o Goulart \u00e9 apresentado na presente biografia, a todo momento, como conciliador. Era o ministro que conversava. O ministro que despachava at\u00e9 altas horas no minist\u00e9rio do Trabalho ou em sua casa. O ministro que recebia sindicalistas, que atuava no sentido de apagar inc\u00eandios entre os sindicatos e os empres\u00e1rios. Era o presidente que conversava de igual para igual com o povo, desprovido de rituais, cerim\u00f4nias e da liturgia do cargo para ajudar quem o procurasse.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Concilia\u00e7\u00e3o, termo positivo, perfeitamente adequado a Goulart, que lhe garantiu ascend\u00eancia e popularidade como ministro, mas que a partir de sua trajet\u00f3ria como presidente passou a ser sin\u00f4nimo de desqualifica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A partir dos anos 1960 ocorreu a deteriora\u00e7\u00e3o do conceito de concilia\u00e7\u00e3o, sendo que o discurso e a maneira de atuar ficaram ultrapassados, no meio do embate entre direitas e esquerdas, que atuaram de forma a desqualificar a experi\u00eancia democr\u00e1tica brasileira nos anos anteriores. O tom de radicalismo, nas exacerba\u00e7\u00f5es, n\u00e3o ocorreram apenas pelas direitas, que agiam a todo instante buscando a ruptura constitucional, mas tamb\u00e9m pelas esquerdas, que na busca pela implementa\u00e7\u00e3o das reformas de base (na lei ou na marra), atreveriam-se at\u00e9 a subjugar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Para as esquerdas, se as reformas n\u00e3o avan\u00e7avam, era culpa das institui\u00e7\u00f5es, que eram conservadoras, e da Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, ultrapassada.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>E porque ent\u00e3o as esquerdas estavam t\u00e3o insufladas, acreditando no sucesso de suas reivindica\u00e7\u00f5es? Segundo o autor, experi\u00eancias anteriores, como a crise de 1961, que mesmo contornada pelo parlamentarismo, proporcionou que Jo\u00e3o Goulart assumisse a presid\u00eancia (ainda que tutelado por um conselho de ministros), e o plebiscito de 1963, que devolveu a Goulart a presid\u00eancia, com poderes executivos, credenciaram as esquerdas a acreditar que em 1964 as reformas seriam implementadas.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Entretanto, conforme o autor, se em 1961 as esquerdas atuavam em busca de garantir a legitimidade da constitui\u00e7\u00e3o (n\u00e3o por reformas econ\u00f4micas e sociais), em defesa dessa constitui\u00e7\u00e3o, estando setores da direita propensos a dar o golpe, o inverso ocorreu em 1964: as direitas imbu\u00eddas do discurso tradicionalista, buscavam a manuten\u00e7\u00e3o da ordem, e as esquerdas, na luta obsessiva pelas reformas cogitavam atropelar as institui\u00e7\u00f5es, fechando o Congresso.<br \/>\u00a0<\/div>\n<div>Atuando ent\u00e3o como resgate da personagem, desmistificando certos v\u00edcios que as d\u00e9cadas foram capazes de fazer surgir e se propondo a dar a continuidade a uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es que transitam em torno do ator social n\u00e3o desprendido do restante da sociedade, mas inserido numa din\u00e2mica muito mais complexa, a biografia de Jango, mesmo fazendo emergir a imagem positiva do ministro que conversava, mostra a outra faceta da personalidade: o presidente que foi incompreendido, pelas direitas e pelas esquerdas, por ser conciliador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-aCeXs_yO6x8\/TjCI4_XOuhI\/AAAAAAAADsg\/h60vQry0Cbw\/s1600\/Joao+Goulart+-+uma+biografia.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"328\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Joao+Goulart+-+uma+biografia.jpg\" width=\"640\"><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta feira, excepcionalmente em dia diferente, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, assinada pelo colunista Fabr\u00edcio Gomes &#8211; que apareceTour Details<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[35,73,24],"class_list":["post-11389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cacique-de-ramos","tag-historia","tag-livros","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}