{"id":11283,"date":"2011-10-19T07:39:00","date_gmt":"2011-10-19T09:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/historia-outros-assuntos-viva-claudia-leitte\/"},"modified":"2011-10-19T07:39:00","modified_gmt":"2011-10-19T09:39:00","slug":"historia-outros-assuntos-viva-claudia-leitte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/10\/historia-outros-assuntos-viva-claudia-leitte\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria &amp; Outros Assuntos &#8211; &quot;Viva Cl\u00e1udia Leitte!&quot;"},"content":{"rendered":"<div>  <\/div>\n<p>Nesta quarta feira, temos mais uma<b> edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, assinada pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes.<\/b><\/p>\n<p>Mais que Cl\u00e1udia Leitte, Ivete Sangalo ou o ax\u00e9 &#8211; que eu, particularmente, detesto &#8211; o tema de hoje \u00e9, mais uma vez, a intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Vamos ao texto:<\/p>\n<div><\/div>\n<div><b><i>Viva Cl\u00e1udia Leitte!<\/i><\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e1 sei que esse post vai gerar muita pol\u00eamica.\u00a0Mas \u00e9 justamente esse um dos objetivos desse blog: n\u00e3o ser uma unanimidade.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mais importante do que gerar tr\u00e1fego, desejo despertar o racioc\u00ednio, discuss\u00f5es (civilizadas, por favor) e argumentos. E por favor, o t\u00edtulo desse post n\u00e3o \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o, apenas um ponto de vista.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o sou f\u00e3 da cantora Cl\u00e1udia Leitte, nunca fui a um show dela, nunca comprei um CD (ou baixei alguma de suas m\u00fasicas) e tamb\u00e9m n\u00e3o sei cantar uma m\u00fasica sua. Mas defendo inexoravelmente sua postura corajosa perante as cr\u00edticas que ela vem enfrentando desde sua apresenta\u00e7\u00e3o no Rock in Rio 4. Cl\u00e1udia Leitte vem sendo duramente criticada porque\u2026 n\u00e3o canta rock.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cO lugar dela \u00e9 no carnaval de Salvador\u201d, dispara o senso comum que povoa principalmente as redes sociais \u2013 Twitter, Facebook, Google +. \u00c9 como se criticar Cl\u00e1udia Leitte fosse um mantra obrigat\u00f3rio para aqueles que desejam estar bem diante seus seguidores, afinal: \u201cRock in Rio \u00e9 lugar de roqueiro\u201d, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9. Desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em janeiro de 1985, qualquer crian\u00e7a saberia dizer que o festival idealizado por Roberto Medina nunca foi 100% rock. Naquela edi\u00e7\u00e3o tivemos artistas como Ney Matogrosso, Ivan Lins, Al Jarreau, Elba Ramalho, Alceu Valen\u00e7a, Moraes Moreira, entre outros.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 1991, no segundo do Rock in Rio, o grupo teen New Kids on The Block se apresentou e ainda tivemos o psicod\u00e9lico Dee-lite. Naquela edi\u00e7\u00e3o, Lob\u00e3o foi vaiado pelos metaleiros porque colocou a bateria da Mangueira no palco do festival.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Rock in Rio 3, em 2001, outros tantos artistas pop\u2026 mesmo com Carlinhos Brown tendo garrafas de \u00e1gua mineral jogadas em sua dire\u00e7\u00e3o\u2026 Ent\u00e3o fica a pergunta: a cr\u00edtica a Cl\u00e1udia Leitte \u00e9 feita diretamente a ela, ao estilo \u201cbaiano\u201d ou simplesmente mascara a intoler\u00e2ncia que povoa mentes no mundo atual?\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Seria maravilhoso se a cr\u00edtica fosse unicamente \u00e0 cantora, afinal, ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a gostar de um artista. Eu por exemplo, n\u00e3o curto heavy metal \u2013 apesar de ter gostado da apresenta\u00e7\u00e3o do Sepultura com um conjunto franc\u00eas que toca tambores neste Rock in Rio 4. Mas nem por isso vou desmerecer o artista que se apresenta ou quem \u00e9 f\u00e3. O que tenho percebido \u2013 principalmente porque tem sido o term\u00f4metro sentido nas redes sociais e nas conversas de bar \u2013 \u00e9 que muita gente vem aderindo a esse pensamento prim\u00e1rio do \u201cN\u00f3s aqui, eles l\u00e1\u201d. Inclusive muita gente que sei que \u00e9 inteligente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Chegaram at\u00e9 a propor que, \u201cem retribui\u00e7\u00e3o\u201d aos baianos, o Metallica fosse tocar num trio el\u00e9trico no carnaval de Salvador. Mal sabem que in\u00fameros conjuntos de rock j\u00e1 tocaram no epicentro da folia baiana, que \u00e9 uma festa democr\u00e1tica e todo ano convida artistas de variados estilos musicais. O lend\u00e1rio vocalista e l\u00edder do U2 \u2013 uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, diga-se de passagem \u2013 inclusive j\u00e1 cantou junto de Ivete Sangalo no carnaval de Salvador, em 2006. (Vejam o v\u00eddeo desse encontro no in\u00edcio desse post). Sertanejos como Zez\u00e9 di Camargo e Luciano tamb\u00e9m j\u00e1 foram. E tantos outros.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ent\u00e3o \u00e9 preciso ter calma, pessoal. N\u00e3o combina com o mundo globalizado essa id\u00e9ia de separatismo musical, do \u201ccada um em seu cada um\u201d. O que \u00e9 a m\u00fasica sen\u00e3o uma uni\u00e3o de estilos, uma fusion de ritmos? O jazz come\u00e7ou assim, idem o samba e o funk. E com o rock, nascido nos anos 1950, com Chuck Berry e Little Richard (s\u00f3 pra citar alguns), n\u00e3o seria diferente tamb\u00e9m. Inclusive porque da uni\u00e3o de estilos nascem outros, t\u00e3o ou mais agrad\u00e1veis de se ouvir.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 grandes lendas musicais vivem fases que jamais foram monol\u00edticas: Miles Davis era do jazz, mas experimentou fases distintas em sua carreira. Viveu inclusive uma fase \u201cel\u00e9trica\u201d, nos anos 1970. Os Beatles podem ser citados como exemplo tamb\u00e9m. Os quatro rapazes de Liverpool, todos de terno e gravata, correspondem apenas \u00e0 primeira fase da carreira do grupo. J\u00e1 em fins da d\u00e9cada de 1960, em plena \u00e9poca do Peace and Love, aderiram \u00e0 vestimenta hippie, por exemplo. John Lennon e George Harrison chegaram a exacerbar esse pensamento, aderindo mais ainda \u00e0 causa multicultural.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Algu\u00e9m mais cr\u00edtico pode alegar que o evento se chama \u201cRock in Rio\u201d, logo, s\u00f3 tem que ter rock. Realmente \u00e9 um argumento plaus\u00edvel.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3 que como j\u00e1 citado neste post o evento nunca foi essencialmente de rock, at\u00e9 porque seria comercialmente invi\u00e1vel de acontecer se seguisse o r\u00edgido mantra intolerante. Al\u00e9m de drenar dinheiro para os bolsos dos organizadores e patrocinadores, \u00e9 consideravelmente saud\u00e1vel que outros estilos habitem um festival \u201cde rock\u201d, trazendo inspira\u00e7\u00e3o e democracia para a m\u00fasica.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se fosse proibido tocar quem n\u00e3o fosse de rock, n\u00e3o ter\u00edamos por exemplo a bel\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o de Stevie Wonder no \u00faltimo Rock in Rio 4. E a de Elton John tamb\u00e9m. Bandas de rock brasileiras, como Jota Quest, Paralamas do Sucesso, Tit\u00e3s e Capital Inicial inclusive j\u00e1 declararam que \u201cbebem em outras fontes\u201d musicais diferentes do rock. Skank, que tamb\u00e9m tocou no Rock in Rio 4, n\u00e3o \u00e9, em ess\u00eancia, um grupo de rock: come\u00e7ou fazendo algo parecido ao reggae.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Portanto, menos intoler\u00e2ncia e mais integra\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque n\u00e3o combina com a raiz cultural do brasileiro esse apartheid todo que est\u00e3o fazendo. Somos um povo miscigenado, democr\u00e1tico na conviv\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Viva Cl\u00e1udia Leitte \u2013 mesmo que eu n\u00e3o goste das suas m\u00fasicas e n\u00e3o fosse a um show dela nem que me pagassem&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta feira, temos mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna &#8220;Hist\u00f3ria &#038; Outros Assuntos&#8221;, assinada pelo Mestre em Hist\u00f3ria Fabr\u00edcio Gomes. 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