{"id":11223,"date":"2011-12-10T09:42:00","date_gmt":"2011-12-10T11:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/cinecasulofilia-drive\/"},"modified":"2011-12-10T09:42:00","modified_gmt":"2011-12-10T11:42:00","slug":"cinecasulofilia-drive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/2011\/12\/cinecasulofilia-drive\/","title":{"rendered":"Cinecasulofilia &#8211; Drive"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-xBJwkkh28d0\/Tt4Nu6vM2eI\/AAAAAAAAECs\/aQCjtHKz8vg\/s1600\/Drive.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" dda=\"true\" height=\"276\" src=\"http:\/\/www.pedromigao.com.br\/ourodetolo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/Drive.jpg\" width=\"400\"><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"justify\">Nesta sexta, mais uma edi\u00e7\u00e3o da <strong>coluna \ufeff&#8221;Cinecasulofilia&#8221;<\/strong>, assinada pelo <strong>professor de cinema, cr\u00edtico e cineasta Marcelo Ikeda<\/strong>. Como sempre, <a href=\"http:\/\/cinecasulofilia.blogspot.com\/\">publicada em parceria com o blog de mesmo nome<\/a>.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><em>Drive<\/em><\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div>Drive me lembra a famosa frase de Samuel Fuller de que tudo o que se precisa para se fazer um filme \u00e9 \u201ca girl and a gun\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nicolas Winding Refn poderia acrescentar: \u201c&#8230;e um carro!\u201d <\/div>\n<div><\/div>\n<div>A narrativa de Drive \u00e9 profundamente banal, mas o que nos encanta \u00e9 como o diretor consegue transform\u00e1-la por um cuidadoso dom\u00ednio da linguagem cinematogr\u00e1fica, em seduzir o espectador atrav\u00e9s de uma manipula\u00e7\u00e3o dos nossos sentidos. Ou seja, o bom e velho cinema americano. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um certo cinema cool de refer\u00eancias nos vem imediatamente \u00e0 cabe\u00e7a, como o cinema do Tarantino, especialmente por alguns cacoetes como a narrativa el\u00edptica, com abruptos flash forwards, que nos d\u00e3o \u201cum certo barato\u201d sensorial. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se pensarmos em portugu\u00eas, \u201cDrive\u201d ainda nos oferece outras camadas de leitura: a \u201cdire\u00e7\u00e3o\u201d do carro e a \u201cdire\u00e7\u00e3o\u201d do pr\u00f3prio filme, j\u00e1 que, de fato, o ator \u00e9 um dubl\u00ea de si mesmo, que a certo ponto veste uma m\u00e1scara, numa das mais impressionantes cenas do cinema contempor\u00e2neo, em que a c\u00e2mera lenta abdica de sua aura de fetiche para ser um mergulho fatalista corajoso e admir\u00e1vel, potencializado pela estonteante trilha sonora de Angelo Badalamenti (m\u00fasico dos filmes de David Lynch) e de Cliff Martinez (ex-Red Hot Chili Peppers). <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Como se n\u00e3o bastasse, h\u00e1 ainda a impressionante atua\u00e7\u00e3o de Ryan Gosling, herdeira das com\u00e9dias de Buster Keaton, ou ainda, fruto do \u201cefeito Kuleshov\u201d: uma \u201cm\u00e1scara branca\u201d que comp\u00f5e, de forma brilhante, uma mistura de extrema frieza e de uma enorme compaix\u00e3o, melancolia, diante de seu futuro inevit\u00e1vel. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Drive \u00e9 uma bela alegoria sobre a inevitabilidade do mal, e todo o filme se desenvolve como uma trag\u00e9dia. A sobriedade e a frieza do personagem de Gosling s\u00e3o quase a mesma do estilo de Nicolas Winding Refn, e elas n\u00e3o escondem tanto a profunda paix\u00e3o desse personagem frio nem a profunda puls\u00e3o desse filme \u201cfrio\u201d, meticulosamente decupado, em que o improviso parece ser completamente imposs\u00edvel. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 dessa forma que vejo o filme com muito em comum com o recente trabalho dos Irm\u00e3os Coen (muito mais do que com Tarantino). \u00c9 muito interessante compararmos Drive com Onde os Fracos N\u00e3o Tem Vez: s\u00e3o dois filmes de persoanagens que se veem, pelas circunst\u00e2ncias do destino, tendo que fugir de inimigos sanguin\u00e1rios por conta de um saco de dinheiro. Ambos os filmes possuem um prazer quase sarc\u00e1stico em manipular as emo\u00e7\u00f5es do espectador, numa decupagem fina, meticulosamente planejada. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas enquanto o cinema dos Irm\u00e3os Coen apontam para o absurdo da falta de sentido dessa desesperada corrida contra a inevit\u00e1vel vit\u00f3ria do mal, Drive parece apontar para uma pequena possibilidade de algo pulsar para al\u00e9m do plano: ainda \u00e9 poss\u00edvel dizer \u201ceu te amo\u201d. <\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se ambos concordam que o cinema \u00e9 \u201ca girl and a gun\u201d, Refn parece mais interessado na garota, enquanto os Coen na arma. Nesses breves momentos, Drive se mostra al\u00e9m de seus jogos narrativos e de sua falsa ader\u00eancia ao cinema de g\u00eanero, para compor algo realmente raro e singular. Vamos ver seus pr\u00f3ximos filmes!<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta sexta, mais uma edi\u00e7\u00e3o da coluna \ufeff&#8221;Cinecasulofilia&#8221;, assinada pelo professor de cinema, cr\u00edtico e cineasta Marcelo Ikeda. 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